E Vamos À Luta!
Novela de Débora Costa
Baseada na novela “A Fábrica” de Geraldo Vietri
Escrita por
Débora Costa
Colaboração
Tainá Andaluz
Revisão de Texto
Marcelo Delpkin
Direção Artística
Wellyngton Vianna
Núcleo
Cyber TV
Personagens no capítulo
ALEX
ALFREDO
ANGÊLA
CAMILA
CLARICE
DENISE
EDUARDA
FÁBIO
IVAN
JOSÉ
JOSIVALDO
LIZ
LÚCIA
MANUELA
MARTA
NICOLAS
OTAVIANO
Cena 1/São Paulo/Int./Mansão Camargo/Sala/Dia.
Marta está feliz, cantando. Enquanto arruma alguns móveis da sala, bate as almofadas que estão no sofá. Clarice entra e tira os óculos de sol.
CLARICE
(sorri) Nossa! Por que está tão feliz, Marta?
Alfredo entra carregando com dificuldade muitas sacolas. Está cansado. Coloca as sacolas no sofá.
MARTA
(feliz) A Liz vai voltar!
Alfredo olha imediatamente para Clarice, que fica atordoada, mas tenta disfarçar.
CLARICE
(sorriso sem graça, falsa) Sério? Poxa, isso é realmente muito bom.
MARTA
(feliz) Sim, eu estou morrendo de saudades dela.
CLARICE
Eu achei que ela nunca mais iria colocar os pés aqui depois que o Geraldo morreu.
MARTA
(aborrecida) Pois é, coitada… Liz ainda tem muitas lembranças ruins, e não é pra menos. Ela perdeu o marido e o pai naquele incêndio horrível na fábrica.
CLARICE
Eu sei como é, afinal Geraldo era meu irmão.
MARTA
Mas agora não é hora de falar sobre isso, e muito menos quando a Liz estiver por perto. Ela está vindo porque a Eduarda disse que está tendo alguns problemas na fábrica. Ninguém sabe que ela está voltando, só nós aqui. Com licença, dona Clarice. Vou ver como está a suíte da Liz.
Marta sobe as escadas. Clarice fica com raiva. Alfredo se senta e a observa.
CLARICE
Droga! Porque a Liz vai voltar? Está tudo ótimo sem ela por perto.
ALFREDO
Não ouviu? Ela está voltando para resolver as coisas na fábrica.
CLARICE
Eu sei, mas agora as coisas podem mudar. Você sabe muito bem que o idiota do meu irmão deixou tudo pra ela. Não quero perder o que tenho.
ALFREDO
Que é nada. Você acabou de dizer que tudo é da Liz, incluindo o dinheiro que você usou para comprar todas essas coisas.
CLARICE
(calma) Alfredo… Você está de qual lado?
ALFREDO
Do seu, meu amor.
Clarice joga os óculos de sol em Alfredo.
CLARICE
(raiva) Então para de me irritar! E me ajuda, porque, quando a Liz cruzar aquela porta, eu preciso que ela acredite que eu sou a melhor tia do mundo.
Clarice fica pensativa. Alfredo balança a cabeça negativamente.
Cena 2/Ext./Bairro Vila Operária/Dia.
Liz chega ao bairro, dirigindo o seu carro. Ela diminui a velocidade; olha os lugares saudosa e um pouco triste; As lembranças felizes da época em que seu pai e seu marido eram vivos parecem tão reais que Liz as visualiza em cada local. Liz está distraída e não vê que o farol está com o sinal de atenção. Quando o sinal fica vermelho, Liz não percebe e avança o sinal, batendo no carro que passou ao ver que estava livre para ele passar. Liz se assusta, encosta a cabeça no volante e fecha os olhos. Ouve quando o motorista do carro bate a porta do dela com força. Liz levanta a cabeça e vê que o motorista vem em sua direção.
FÁBIO
(V.O., bravo). Aposto que a madame estava mexendo no celular!
Liz respira fundo. Sai do carro, altiva, encara Fábio e o olha de cima a baixo.
LIZ
É, dá para notar que você é ruim de aposta, e não precisa fazer tanto escândalo, afinal foi uma batidinha de nada.
FÁBIO
(inconformado, mais bravo) Batidinha de nada? (aponta furioso) A madame acabou com a frente do meu carro. Bem que dizem: lugar de mulher é na cozinha!
LIZ
(inconformada) Como é? Que coisa mais antiquada de se dizer! Lugar de mulher é onde ela quiser! E eu não tenho culpa que você dirige essa lata velha! Até se encostasse nisso aí iria amassar, além de correr o risco de pegar uma doença. Tétano, por exemplo!
FÁBIO
(esbraveja, gesticula) Olha só, eu tenho mais o que fazer além de ficar aqui batendo boca com a madame. Você bateu no meu carro e vai ter que pagar o conserto.
Liz percebe que Fábio está usando o uniforme da fábrica e sorri sarcástica.
LIZ
Tudo bem. Eu tenho certeza que nós vamos nos ver novamente, e eu, sim, posso apostar que você vai se arrepender de cada grosseria que disse… e tira essa lata velha do meu caminho!
Liz entra em seu carro. Fábio bate na porta e a olha pela janela.
FÁBIO
E o conserto do carro, madame?
LIZ
Já disse: vamos nos ver novamente; e eu quero ver se você vai continuar mantendo essa postura de machão retrógrado.
Liz fecha a janela e sai dirigindo seu carro. Fábio fica nervoso.
FÁBIO
Era só o que me faltava!