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Sua Canção
Capítulo 23 de 75
Capítulo 23
✍️ Anderson Silva ·📅 03 Apr. 2019 ·👁 0 leituras

"Previsão do Tempo"

FELIPE – (surpreso) Como assim? Você está grávida? (Rita confirma com a cabeça) Não pode ser. RITA – É claro que pode. Nunca fizemos sexo com prevenção. FELIPE – Porque você disse que tomava pílulas! RITA – Eu tomava, parei tem algumas semanas já. FELIPE – E porque você não me disse? Eu teria usado prevenção. RITA – Acabei esquecendo. Bem, o fato agora é que vou ser mamãe e você papai novamente. FELIPE – Eu não sei. Preciso pensar no que fazer. RITA – Como assim pensar no que fazer. Só tem uma coisa a se fazer nessa situação, você vai ter que assumir esta criança. FELIPE – Disse que preciso pensar. Tenho uma família, não posso chegar para eles e contar que vou ter um filho com outra mulher. RITA – Muito bem, te dou dois dias para pensar. FELIPE – Não é você que dá as ordens aqui. E aliás, se você acha que vou ficar com você por causa desta criança está enganada. Eu não vou me separar da minha esposa. Eu não vou ficar com você. O que tivemos não foi nada mais do que uma simples aventura. E não vou destruir a minha família por causa disso. (levanta do banco e vai embora) RITA – Oh, querido... se você tá pensando que eu não vou tirar uma boa grana de você, é porque você ainda não me conhece. (Ana está no refeitório, pensando na visão que teve ao tocar em Flávio. Uma sensação estranha invade seu corpo. Pedro aparece nesse momento) PEDRO – Pensativa? ANA – (voltando ao normal) Um pouco. PEDRO – Percebi que você ficou estranha depois que tocou no Flávio. Acontecendo alguma coisa? ANA – (pensa em contar para Pedro que consegue ver o passado das pessoas ao tocá-las, mas acha que ele não acreditaria) Não é nada demais. Falou com os seus novos amigos? Já sabem qual música irão cantar no vídeo de inscrição do programa? PEDRO – Estamos decidindo ainda. DÁCIO – (se aproximando deles) E aí, galera. ANA – Oi, Dácio! DÁCIO – (sentando ao lado de Ana) Está bem? Parece preocupada com algo? PEDRO – Viu, eu não sou o único que também estou te achando estranha. ANA – Estou bem, gente. Não precisam se preocupar. PEDRO – Essa aí não vai contar nada, Dácio. ANA – Vamos mudar um pouco de assunto. Já encontraram o aluno novo por aí. PEDRO – Aluno novo? DÁCIO – Eu fiquei sabendo. ANA – Fiquei sabendo que ele deixou a antiga escola por sofrer bullying. PEDRO – Sério, eu não entendo como existem esse tipo de pessoa. Que se acham melhor que os demais. ANA – Ué, seus novos amigos são assim. DÁCIO – A Ana tem razão. Eu mesma sofri bullying com eles. ANA – Eles estão conversando normal com a gente por sua causa apenas. Se você não fosse nosso amigo, duvido que eles estariam conversando com a gente. PEDRO – É, eu também tive essa impressão quando os conheci no primeiro dia. Só que agora, eles são legais gente. ANA – Com você, né. (Ramon aparece entre eles) RAMON – Ensaio hoje, depois dá aula, na lanchonete do Ivo. Acho que encontrei uma música para gente gravar no vídeo. (olha brevemente para Dácio e Ana) PEDRO – Beleza. RAMON -  Certo. (Ramon bate de leve no ombro de Pedro e vai embora) ANA – Viu só? Veio aqui e só falou com você. PEDRO – Não é verdade, gente. Ele olhou para vocês, só não disse nada. (Dácio olha para Pedro, e sua sensação de que ele possa se tornar igual Ramon e Andréa aumenta) (Alice está em seu armário, quando Tiago aparece ao lado dela) TIAGO – Será que podemos conversar agora? (Alice finge não ouvir e continua guardando suas coisas no armário) Eu sei que eu cometi um erro. Eu devia ter contando do lance que tive com a Rute. Só que... ALICE – Eu não quero saber de nada. (fecha a porta do armário com força) Pra mim, assim como essa aí tá morta, você também morreu. TIAGO – Não fica guardando esses sentimentos ruins dentro de você. Você precisa perdoar... ALICE – Eu não perdoo traidores. (começa a andar, Tiago vai atrás dela) TIAGO – Você não acha que precisa perdoar a Rute, para que ela precise descansar em paz. ALICE – Me poupe, né Tiago. Vai me dizer agora que você ficou religioso? TIAGO – Eu comecei a frequentar uma igreja. E lá tem me ajudado muito a superar a morta da Rute. ALICE – Sabe como isso se chama? Peso de consciência.

Cinco dias atrás...

(o caixão com o corpo de Rute está no meio da sala, os familiares estão ao redor, e alguns parentes vão até eles, deixarem seus pêsames. Tiago está no canto da sala, olhando fixamente para o caixão, e com os olhos vermelhos de tanto chorar. Alice chega na casa, e caminha até o caixão. Thalita e Éster estão logo atrás dela) THALITA – A gente podia ter ajudado ela. Ela poderia ter contado com a gente para resolver este problema. ALICE – Não adianta reclamar agora meninas. O que passou, passou. O que fizemos já foi feito. ÉSTER – (olha para o Tiago no canto da sala, bastante triste) É o Tiago ali? (Tiago levanta e caminha até elas) THALITA – É. Fiquei sabendo que ele estava com ela na tal casa. ALICE – O que o Tiago estava fazendo com ela? (Tiago ficando ao lado dela) TIAGO – Eu estava a acompanhando, ver se iria até o fim nessa história. ALICE – E o que você tem a ver com isso? TIAGO – O filho que a Rute estava esperando era meu! (as três ficam surpresa) ALICE – Que história é essa? TIAGO – Eu e a Rute ficávamos de vez enquanto. Ela acabou engravidando, e como somos novos para cuidarmos de uma criança, sugeri que ela interrompesse a gravidez. THALITA – Então você sabe que a culpa do que aconteceu é sua?! TIAGO – Sei. (começa a chorar) Sei que eu sou o responsável por isso. Sei que a culpa dela está deitada aqui agora é minha. Eu jamais devia ter sugerido fazer isso. ÉSTER – Só que agora não adianta ficar arrependido. Perdemos a nossa amiga, esperamos que você consiga viver com isso. TIAGO – (olhando para Alice) Você não irá falar nada Alice? (repara que Alice não para de olhar para o caixão) ALICE – Vocês viviam se pegando, pelas minhas costas! Estávamos namorando. Ela era a minha melhor amiga. E mesmo assim, vocês tiveram a coragem de fazer isso comigo. TIAGO – Ela não queria, eu quem a seduzi, eu que continuei insistindo. ALICE – Isso não importa! Não importa quem insistiu em que, mas sim que vocês dois me traíram. Certamente vocês dois se encontravam por aí, e ficavam falando mal de mim pelas costas. TIAGO – Não viaja, Alice. ALICE – Não viaja? Vocês dois são um bando de traidores. E essa aqui, recebeu apenas o castigo dela. (Thalita, Éster e Tiago ficam surpresos com o que acabam de ouvir) THABATA – Também não é pra tanto, Alice. ALICE – Não é pra tanto? Porque não é você que acabou de descobrir que seu namorado e sua melhor amiga viviam se pegando por suas costas. Ela teve apenas o que mereceu sim. (olhando para o caixão com raiva)

Agora...

ALICE – (para de andar, fica de frente à Tiago) Porque você sabe muito bem, que se você não tivesse forçado ela a fazer aquilo, ela jamais teria ido para aquela casa, jamais teria feito essa bobagem e consequentemente poderia está aqui ainda com a gente. (volta a andar apressada, antes que ele visse que ela começava a chorar. Alice entra no banheiro) (Alice entra no banheiro feminino, coloca a mochila em cima do balcão, e começa a chorar. Manuela, que estava em uma das cabines, sai e observa Alice chorando. Alice ao ver Manuela, limpa às lágrimas e tentar se recompor) ALICE – O que você está olhando esquisita? (Manuela não diz nada, abaixa a cabeça, caminha até a pia e lava às mãos) Espero que você esteja fazendo aquele trabalho. Porque se eu não entregá-lo, você sabe o que vai acontecer. (Manuela termina de lavar às mãos e sai do banheiro sem enxuga-la. Alice volta à olhar para o espelho, termina de enxugar o rosto, abre sua mochila, retira sua maquiagem, e começa passa-la) (Daniel está no fundo da sala, trocando mensagens com o CarinhadoPC escondido) DANIEL – “Se você não é da minha turma, qual é a sua turma então?” (aguarda a resposta, enquanto repara ao redor da sala, se ver alguém também mexendo no celular por baixo da cadeira) CARINHADOPC – “Não posso falar.” “Só se você me disser seu nome verdadeiro” DANIEL – (ri) “Se você me disser o seu primeiro”. CARINHADOPC – “Não posso.” DANIEL – “Confia em mim.” (demora vim uma mensagem) “Eu sei como é fingir ser uma pessoa que você não é de verdade, te entendendo completamente” “Porque eu também finjo ser uma pessoa que não sou.” “Então, vamos fazer isso.” “Eu conto o meu nome, e logo em seguida você conta o seu, e guardaremos um para o outro este segredo” “Que tal?” (há uma demora para vim uma mensagem, isso deixa Daniel nervoso, mas acaba vindo uma resposta) CARINHADOPC – “Desculpa, eu não posso.” (Daniel fica decepcionado, pensa em responder algo, mas acaba desistindo. Guarda o celular e volta a prestar atenção na aula) (Rita chega toda contente, e caminha até o balcão onde está Ivo) IVO – Onde estava? RITA – Fui dar uma volta. IVO – E essa volta foi boa, pra ter voltado com esse sorriso no rosto. RITA – Você não tem ideia de como foi, irmão. IVO – Bem, desculpa não querer estragar essa sua felicidade, mas estava precisando de sua ajuda. Hoje a lanchonete está bem movimentada. RITA – Não se preocupa irmão. Nada irá tirar essa felicidade de mim. IVO – Que bom. Então fecha a conta da mesa 6 aqui, quando vou terminar de atender a 4. (saindo de frente do caixa) RITA – Impressionante como nos últimos dias essa lanchonete tem sido bem movimentada. IVO – Pois, né. Bom para nós. RITA – Devemos agradecer aqueles garotos, que estão fazendo shows deles aqui quase todo dia. IVO – É. Aqueles garotos são demais. E por falar nisso, hoje eles vêm aqui. RITA – Está explicado então essa movimentação de hoje. IVO – Em breve a movimentação será maior. (vai atender a mesa, sorrindo) (Felipe está pensativo em sua sala. Sabe que se contar para sua família, será o fim do seu casamento, porém, se Rita realmente estiver grávida dele, ele precisa assumir esse filho, já que não quer deixar uma criança sozinha por aí) (Alice comendo seu lanche, quando Thalita e Éster aparecem em frente à mesa dela) ÉSTER – Podemos sentar? (Alice não responde, continua comendo seu lanche) THALITA – Como é que você está? Vi que não tem recebido nossas mensagens! ALICE – Bloqueie vocês duas. ÉSTER – Você fez isso só porque a gente não quis te ajudar a humilhar a Manuela naquele dia? ALICE – Eu pensava que vocês realmente fossem minhas amigas. Mas não. Vocês só estão interessadas no meu dinheiro. Na carona que eu dou a vocês. Nas coisas que já comprei e dê à vocês. THALITA – Isso não é verdade, Alice. A gente gosta de você. E realmente estamos preocupados com você. ÉSTER – Você está estranha. Parece que uma outra Alice ocupou dentro de você. ALICE – Só abri meus olhos e vi que estou bem melhor sozinha. Então se vocês me dão, quero terminar meu lanche sem olhar para a cara falsa de vocês. THALITA – Um dia você irá se arrepender por tudo que você está fazendo agora. A gente não vai guardar nenhum rancor disso, sabemos a situação que tu deve está passando. No dia que precisar da gente, estaremos aqui. (as duas saem da mesa, e Alice volta a comer tranquila) (Daniel e Thabata estão em uma mesa, quase ao fundo do refeitório. Daniel pensa em mandar uma mensagem para o CarinhadoPC, mas acaba desistindo) DANIEL – Eu por um lado entendo a preocupação dele, porque de certa forma também é a mesma minha, de não querer se assumir. THABATA – Então deixa isso de mão, e continue conversando com ele. Você não disse que gosta das conversas entre vocês. DANIEL – Sim, eu gosto. Só que iremos ficar só no virtual pra sempre? Quero que role algo pessoalmente também. THABATA – Quer que role umas pegadas, né safadinho. DANIEL – Quem não quer, né. Mas, falando sério agora Thabata. Realmente estou muito curioso em saber que é este cara. (começa a olhar para os caras que estão no refeitório) Será que ele está sentado em alguma dessas mesas? (foca em um grupo de amigos conversando) Será que aquele? THABATA – Vai lá e pergunta! DANIEL – Claro que não! THABATA – Então para de ficar com ideias na cabeça, e ficar encarando o pessoal que eles vão começar a estranhar. Você quer um conselho. Eu continuava conversando com ele. Quando ele sentir vontade de falar o nome dele ou te chamar para vocês se conhecerem pessoalmente, ele vai chamar. Não precisa forçar nada. DANIEL – E até lá, fico morrendo na curiosidade? THABATA – Se você que fisgar o gatinho, terá que aguentar. DANIEL – Vou mandar uma mensagem pra ele. (pega seu celular e começa a digitar. Ao enviar, olha para o pessoal no refeitório, esperando alguém mexer no celular. Observa que a maior estão mexendo no celular) Meio difícil conseguir saber quem é nesse pessoal todo. THABATA – Faz o que eu estou dizendo que não tem erro, vai por mim. (Daniel continua olhando para o pessoal, aguardando uma resposta)

Mais Tarde...

(Ramon e sua banda já estão na lanchonete e estão preparando os equipamentos e esperando Pedro. Pedro acaba de chegar junto com ele Dácio e Ana, e vão até Ivo) IVO – Olha só quem faltava. (cumprimenta Pedro) Teu pessoal já chegaram e estão finalizando. PEDRO – Já vou até eles. (Pedro vai até o palco) IVO – O mesmo de sempre né pessoal? ANA – Sim. IVO – Ok, fiquem a vontade que daqui a pouco vou atender vocês. (Ana e Dácio escolhem uma mesa para sentarem. Eles estão um pouco próximos ao palco, ambos se sentam, e Dácio não para de observar Pedro e Ramon conversando) ANA – Dessa vez sou eu quem pergunto, está tudo bem Dácio? DÁCIO – Sim, por que não estaria? ANA – Sei lá. Você não para de olhar para o palco. Acho que eu sei. Tem medo do Pedro ficar bem próximo do Ramon, e ele acabar esquecendo da gente? DÁCIO – Quase isso. ANA – Não precisa se preocupar com isso. Pelo pouco tempo que conheço o Pedro, sei que ele não se deixará influenciar por eles. (Pedro começa a falar no palco) PEDRO – Boa tarde, pessoal. Nossa, como essa lanchonete está lotada hoje? Ainda bem que eu sei o motivo que vocês estão aqui. É por música, acertei? (pessoal gritam sim) Então vocês vieram para o lugar certo. Se é música que vocês querem, é música que vocês terão. (dar sinal para Ramon que começa a tocar com sua banda)

Imprevisível, meio impossível 1 Uma visão meio imatura do que hoje considero Armagedom Que feito um sonho bom Se transformou em caos Em meio ao temporal E pouco a pouco o tempo vai Trazer o afago que não tem A calmaria que não vem Nessas noites frias Bem que eu queria 2 Sair de casa todo dia Comprar amor na padaria E te levar pela manhã Bem que eu queria Você em casa todo dia Fazendo bem a moradia E aquele gosto de hortelã A previsão do tempo ilude 3 Diz que o seu amor domingo Vem me abraçar E o calendário me confunde E a saudade dói e insiste Em aqui ficar 1. Pedro vai se posicionando ao meio do palco, segura no suporte do microfone e começa a entrar no ritmo da música. Ana e Dácio o observam, batendo os pés de acordo com o ritmo da música. Ivo, que ia levar os pedido para mesa de Ana e Dácio, fica no balcão esperando também observando a banda. 2. Os amigos fantasmas aparecem ao lado de Ivo. Pedro olha para a mesa onde está Ana e Dácio, sorrir para eles. 3. Tira o microfone do suporte e caminha pelo palco. Pessoal da lanchonete começam bater palmas seguindo o ritmo da música. Pedro e a banda fazem o coro. (Carla está na cozinha, terminando de lavar as louças, quando a campainha toca) CARLA – (enxugando as mãos) Será que é o Miguel? Estranho que ele não me avisou nem nada que viria para cá. (caminha até a sala, abre a porta e fica surpresa com quem encontra) Felipe? FELIPE – Oi, será que podemos conversar?

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