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Minha Canção
Capítulo 56 de 75
Capítulo 56
✍️ Anderson Silva ·📅 11 Dec. 2019 ·👁 0 leituras

"Coisa de Casa"

(Samuel e Eduardo continuam se encarando, Laila saí detrás de balcão e entra no meio deles) LAILA – Calma aí, que eu não estou vendo motivo algum para ele ser preso. SAMUEL – Anda, diz logo onde está meu filho? EDUARDO – Eu já disse que não sei. Talvez se você fosse um bom pai, saberia onde seu filho está. (Samuel fica furioso por dentro, mas por Laila ter ficado na frente de Eduardo e o pessoal da pizzaria estarem observando a cena, ele tenta se controlar) SAMUEL – Se você não quer me contar, eu vou encontrá-lo sozinho. Se ele não está aqui, então eu sei onde ele deve estar. (vira-se para ir embora, sendo acompanhado por seus amigos. Laila se tranquiliza, retorna para o balcão) LAILA – Será que agora você pode me explicar como você se envolveu com o filho deste cara? EDUARDO – Ele é amigo do Dácio, não podia deixá-los sozinhos. Ainda mais sabendo que o garoto é filho de um cara desse. LAILA – E você sabe onde ele está? EDUARDO – Não. (senta-se no banquinho, preocupado) Isso é o que me preocupa. Espero que eles estejam bem escondidos. Tenho receio do que possa acontecer se ele for pego novamente. (Horácio está sozinho na sala, ainda tentando falar com Dácio. Regina e Cássia estão na cozinha jantando) HORÁCIO – (ligando pela vigésima vez) Atende, filho! Por favor, atende! (volta a cair na caixa postal) Já chega, eu vou atrás dele. (caminha em direção a porta, nesse momento Regina vem da cozinha) REGINA – Vai sair de novo? HORÁCIO – Vou procurar meu filho, que até agora não apareceu em casa. REGINA – O Dácio deve estar bem, Horácio. Não vejo necessidade dessa sua preocupação toda. (Dácio liga para o celular do pai) HORÁCIO – É o Dácio! (atende na mesma hora) REGINA – Viu, eu não disse! HORÁCIO – Oi, filho. Onde você está? Por que não veio para casa? DÁCIO POR TELEFONE – Eu estou ajudando um amigo, pai. Talvez não vou poder dormir em casa hoje. HORÁCIO – Ajudando um amigo? Que amigo é esse? DÁCIO POR TELEFONE – Eu não posso falar agora, mas eu vi suas ligações. Não precisa se preocupar comigo, eu estou bem. HORÁCIO – Filho, onde você está? Eu vou aí te buscar! DÁCIO POR TELEFONE – Não é necessário, pai. Já disse, estou bem. Agora preciso desligar. Assim que meu amigo estiver seguro, eu retorno para casa. (desliga) HORÁCIO – Seguro? Como assim seguro? Filho? Alô, Dácio? Ele desligou. REGINA – Onde ele está? HORÁCIO – Não disse. Disse apenas que estava ajudando um amigo, e assim que ele estiver seguro, retornaria para casa. REGINA – Seguro de que? HORÁCIO – Ele desligou antes que eu perguntasse. (Samuel está dirigindo ainda com uma expressão de fúria no rosto, isso o faz acelerar mais do que devia na rua) SAMUEL – Eu vou encontrar você, filho. E esse tal de Dácio irá pagar pelo o que está fazendo com você! (acelera mais ainda, o que preocupa os dois policiais logo atrás) (após as meninas arrumarem o sótão, o mesmo ficou praticamente um quarto novo. Tem dois colchões no meio, e algumas tralhas ao fundo. Porém, isso estava bom para Dácio e Daniel) DANIEL – (senta-se ao lado de Dácio) O seu pai ficou preocupado? DÁCIO – Ficou, mas eu não vou voltar para casa até saber que você estará seguro. DANIEL – Eu acho que você não deveria fazer isso tudo por mim. Esse problema é meu, você não deveria estar se envolvendo. DÁCIO – (fica de frente para ele) Eu já me envolvi. E já disse, não vou te deixar sozinho por nada. (se aproxima dele e o beija, Salete bate na porta do sótão nesse momento, que o faz encerrar o beijo) SALETE – Licença, vim ver como vocês estão instalados? DÁCIO – Estamos bem, mamãe. Obrigado por tudo. SALETE – Daqui a pouco trago algo para vocês comerem, está bem?! DÁCIO – Ok. (Salete solta um leve sorriso, saí do sótão em seguida) DANIEL – Sua mãe é ótima sabia. Irei adorar chamá-la de sogra. (Dácio ri) DÁCIO – Pena que não posso dizer o mesmo do seu pai. DANIEL – Relaxa, nem todo mundo tem uma família perfeita. (Pedro está estudando para as provas que se aproximam. No meio de uma página e outra, acaba lembrando da visita de Alice hoje mais cedo. Solta um leve sorriso, fecha o livro, encosta-se na cabeceira da cama, pega seu celular e pensa em mandar uma mensagem para ela. Fica alguns segundos olhando para o perfil dela, volta a ficar sério, bloqueia o celular e coloca-o ao lado. Pega seu livro e volta a estudar) (Alice está criando uma melodia para a musica que tinha acabado de compor, chega uma mensagem em seu celular) MARCELO POR MENSAGEM – “Oi, boa noite!” “Como você está?” (Alice ler as mensagens, ignora colocando o celular na mesma posição e volta a criar a melodia de sua música) (após o jantar, Cássia foi para seu quarto descansar um pouco, Horácio e Regina voltaram para a sala e estão vendo TV. Horácio continua tentando falar com o filho, dessa vez por mensagem) REGINA – (percebendo o irmão preocupado) O Dácio falou que está tudo bem com ele, irmão. Não precisa se preocupar desse jeito. HORÁCIO – Falou, só que eu continuo preocupado com essa história de estar seguro. O que ele quis dizer com isso? REGINA – Não sei, talvez seja algum problema do colégio, sei lá. (campainha toca nesse momento) Quem será hora dessa? HORÁCIO – (levanta-se apressado até a porta) Talvez seja meu filho! (abre a porta e dar de cara com Samuel) SAMUEL – (entrando na casa sem pedir permissão) Onde está meu filho? (grita) Daniel!! Filho, sou eu seu pai. Eu vim te salvar. HORÁCIO – Ei, ei, ei... você pensa que é quem para entrar na casa dos outros essa hora e ficar gritando. SAMUEL – Eu sei que o meu filho está aqui. Não adianta dizer que não, que eu vou procurá-lo da mesma forma. (caminha até a cozinha, mas Horácio o impede) HORÁCIO – Escuta aqui, estou vendo que você está um pouco estressado. É melhor se acalmar ou vou ter que chamar a polícia. REGINA – (levanta do sofá surpresa ao ver os policiais entrando) Creio que não será necessário irmão! SAMUEL – Será que você vai me soltar agora ou vou ter que pedir para os meus amigos ali te prenderem? (Horácio o solta) Isso mesmo. (caminha até a cozinha) Filho, você está aí? HORÁCIO – Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? POLICIAL – Estamos procurando o filho dele que foi sequestrado. Se vocês sabem onde ele está, é melhor cooperar. HORÁCIO – Mas que filho? Como assim? REGINA – (caminha até o irmão, diz baixinho) Eu acho que isso tem a ver com o Dácio! (Samuel retorna da cozinha) SAMUEL – O que vocês estão esperando? Me ajudem a procurá-lo. (antes que os policiais se espelhassem pela casa, Horácio entra no meio deles) HORÁCIO – Calma aí, que vocês não podem invadir minha casa desse jeito e começar a vasculhar por ela sem ter algum mandado de busca. Vocês têm o mandado? POLICIAL – Não, não temos. HORÁCIO – Então vocês não vão procurar nada. (caminha até Samuel) Enquanto a você, eu não sei o que está acontecendo, mas de uma coisa eu garanto. Seu filho não está aqui! SAMUEL – Está sim. Tenho certeza que seu filho anormal sequestrou o meu. HORÁCIO – Anormal? Escuta aqui... (aponta o dedo para ele) ...meu filho não é capaz de sequestrar ninguém, está bem. Se você quiser, você pode olhar a casa toda, mas já disse que não encontrara nada. SAMUEL – Você me parece ser um pai bem protetor, não é mesmo?! Então você deve me entender o que eu estou sentindo. HORÁCIO – Não, não entendo, porque não conheço a sua história. Mas uma coisa te garanto, tudo isso deve ser um grande mal-entendido. SAMUEL – Seu filho invertido está com o meu e eu vou encontrá-los. E torça para eu pegar bem leve com o seu quando o encontrar. HORÁCIO – Está ameaçando meu filho? SAMUEL – Para proteger o meu das influências do demônio, sou capaz de qualquer coisa. HORÁCIO – Quer saber.... foda-se! (dar um murro na cara dele, que Samuel cai no chão, os policiais na mesma hora o seguram) Se você voltar a ameaçar meu filho na minha frente novamente, será bem mais que um soco que você irá levar. (Samuel se levanta, limpando a boca de sangue) SAMUEL – Você não devia ter feito isso! Vamos ver se você vai gostar de passar a noite na cadeia. Levem ele! (os policiais o levam para a fora, Horácio tenta resistir) REGINA – (tentando ajudá-lo) Espera, o que foi que ele fez para tá sendo preso? Vocês não podem fazer isso. Isso é abuso de poder. (saí de casa, Samuel fica na porta) HORÁCIO – Não tem coragem de lutar sozinho e manda seus comparsas, né covarde. (o observa na porta, sendo levado para dentro da viatura) Se eu tivesse um pai como você, também fugiria de casa. (fecham a porta da viatura, os policiais entram e vão embora) SAMUEL – (caminha até Regina) Diga ao garoto que eu tenho pai dele agora! (caminha até seu carro, entra e segue a viatura) REGINA – (desesperada) Isso não vai ficar assim, seu cretino! (pega seu celular e tenta ligar para Dácio) Atende, Dácio! Por favor, atende!

Amanhecendo...

(Pedro está com Ramon e seu pessoal de banda sentados em um dos bancos do pátio, conversando sobre os shows que os garotos farão) PEDRO – Ivo planejou isso bem direitinho, hein! Quem diria?! RAMON – Né? Até eu mesmo não sei se teria essa organização toda. Ivo tá sendo demais pra gente. PEDRO – Então, a partir do semestre que vem, vocês estarão por aí fazendo shows. RAMON – Sim, por enquanto iremos gravar nossas músicas com a gravadora, para em seguida disponibilizarmos pelas mídias por aí. PEDRO – Assinou o contrato? RAMON – Sim. Vou entregar para o Ivo hoje, assim que sairmos daqui. PEDRO – Parabéns, garotos. Realmente estou feliz por vocês! RAMON – Valeu. Queria que você estivesse aproveitando com a gente. Sabe que se um dia você quiser, você pode entrar novamente. (olha para o pessoal) Creio que aqui ninguém iria se indispor por isso. PEDRO – Eu agradeço, de verdade, mas minha fase na banda já passou. Essa nova fase pertence a vocês agora! RAMON – De qualquer forma... (levanta-se, recebendo o violão de um de seus companheiros) Sentimos sua falta cantando com a gente. PEDRO – Esse violão estava aí esse tempo todo? RAMON – Sim. Você vai cantar ou vai ficar aí de conversa! (começa a tocar, se afastando do banco, Pedro levanta-se, sorri)

Noite gelada 1 Sempre melhor que quente Cama arrumada Sempre junta a gente Bolo de chuva Junto com cobertor Ave Maria quem já ligou pro vô Casa abafada 2 Luz que nem toca a gente Mesa empenada Bota um papel e a gente sai Bolo de chuva Acho que me molhou Que coisa absurda Alguém já ligou pro vô? Sai de casa sempre assim que der Mas sai sem esquecer que a sua casa é sempre aqui Sair de casa é só pra quem quer 3 Pois a coragem anda a pé E vai te levar pra longe Meia jogada No quarto jamais ausente Quadro entortado Dentro da foto a gente Bolo de chuva (toque de chuva) 4 Trás mais unzinho pro vô Olha a fritura Mas dentro vem muito amor Sai de casa sempre assim que der Mas sai sem esquecer que a sua casa é sempre aqui Sair de casa é só pra quem quer Pois a coragem anda a pé e vai te levar pra longe 1. Assim que Ramon começa a cantar, seu companheiros de banda caminham até o outro lado do pátio e se posicionam cada um em seu instrumentos. Ramon caminha pelo pátio olhando para Pedro. 2. Pedro se aproxima de Ramon, que subiu em um dos bancos. Ramon desce e começa a cantar de frente para ele. 3. Os dois começam andar pelo pátio em sentidos opostos, ambos felizes. O pessoal que o observa a apresentação, começam a curtir junto com eles. Alguns até chegam a dançar. 4. Pedro e Ramon retornam para o banco inicial, encerram a música um de frente para o outro, os dois se abraçam em seguida. (Horácio foi colocado em uma cela sozinho, um policial se aproxima da cela e o encontra sentado no chão) POLICIAL – Vai confessar agora onde está o garoto? HORÁCIO – Vai a merda você! Já disse que não sei onde está esse garoto. POLICIAL – Olha que é melhor você cooperar, falando desse jeito só vai piorar as coisas. (Horácio levanta a mão, e mostra o dedo do meio para ele. Samuel aparece em seguida) SAMUEL – Deixa que eu vou conversar com ele agora. POLICIAL – Ok. Qualquer coisa estou aqui fora. (o policial vai embora, Horácio levanta-se e fica de frente para Samuel, que recua um pouco) HORÁCIO – Você tem sorte que tem essa grade no meio de nós dois, caso contrário... (segura nas grades) ...estaria te enchendo de porrada agora! SAMUEL – O seu filho está com o meu! Já eu estou com o pai dele. HORÁCIO – E o que você pretende com isso? SAMUEL – Quero negociar! (se aproxima dele, o encara) A vida do meu filho, pela a vida do pai dele! (Daniel e Dácio juntaram os colchões e dormiram juntos. Daniel acorda primeiro que ele, e o observa dormindo a poucos cm de sua frente) DÁCIO – (acordando, sorri) O que foi? DANIEL – Só como você fica bonito dormindo. DÁCIO – (sorri, levanta-se em seguida) Que horas são? DANIEL – Deve ser umas 08h e pouco. Creio que não dá mais tempo para você ir para o colégio. DÁCIO – (se vestindo) Eu não tava com planos em ir para a escola mesmo. Meu foco agora é escolher um lugar para você. DANIEL – Estava pensando em avisarmos para o Eduardo que estamos bem. Dissemos que iriamos avisar para ele, acho que ele deve estar preocupado até agora. DÁCIO – Você tem razão. (pega seu celular e repara no tanto de ligação de sua tia. Daniel se levanta e começa a se vestir) Estranho? DANIEL – O que foi? DÁCIO – Tem várias ligações perdidas da minha tia. Será que aconteceu alguma coisa? DANIEL – Retorna para ela! DÁCIO – Vou fazer isso. (liga para sua tia) (Regina está andando de um lado para o outro tentando falar com Dácio. Cássia entra na sala nesse momento) CÁSSIA – Ele ainda não atendeu? REGINA – Ainda não. Pior que eu não tô com cabeça para ir para o trabalho agora. Não antes de saber como está meu irmão. CÁSSIA – Pelo o que a senhora me contou ontem... (celular de Regina toca, que a interrompe de terminar a frase) REGINA – É o Dácio, finalmente! Alô, Dácio? DÁCIO POR TELEFONE – Oi, tia! Eu vi o tanto de ligações da senhora. Aconteceu alguma coisa com meu pai? REGINA – Você nem imagina, garoto. Veio um cara aqui ontem atrás do filho dele, seu pai acabou brigando com ele, e acabou sendo preso. DÁCIO POR TELEFONE – Preso? REGINA – O cara deixou um recado para você. Disse já que você tá com o filho dele, ele agora tem o seu pai! (Dácio fica em silêncio do outro lado da linha) (Eduardo chega a pizzaria, ainda preocupado sem ter recebido nenhuma informação dos garotos. Laila estava no balcão a espera dele) LAILA – Que bom que você chegou. EDUARDO – Desculpa pela demora. Mas, já vou pegar a mochila. LAILA – Creio que não será necessário. EDUARDO – (guardando o celular, repara que ela está séria) Como assim? LAILA – Desculpa Eduardo, mas depois dos últimos acontecimentos, e de todos eles estarem envolvidos por você... eu vou ter que te despedir! (Eduardo fica surpreso com a notícia) EDUARDO – Sério isso? LAILA – (confirmando com a cabeça) Você está demitido, Eduardo!

Continua no Capítulo 57...

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