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Minha Canção
Capítulo 53 de 75
Capítulo 53
✍️ Anderson Silva ·📅 04 Dec. 2019 ·👁 0 leituras

"Nós Somos Jovens"

(Théo continua olhando para Alice, que aparentemente parece estar tranquila) ALICE – Você sabia que o show de Goiânia havia sido adiado? THÉO – Sim. Por isso eu não fui para o aeroporto naquele dia. ALICE – E não me avisou por que? THÉO – Eu estava resolvendo com a organização do show uma nova data, pedi para que a Kátia avisasse você. Ela não avisou? ALICE – Não. Mas, se tivesse avisado eu não teria perdido meu tempo arrumando minhas malas, indo até o aeroporto, esperado um tempão na fila, para no último minuto eu ter sido avisada pela própria organização do evento que o show havia sido cancelado. Ainda bem que eu fui avisada, né. Por que já imaginou se eu tivesse embarcado naquele avião? Talvez realmente hora dessa eu estaria entre os feridos ou algo pior teria acontecido. THÉO – Eu pensei que a Kátia teria avisado. ALICE – Era para você ter me avisado. Esse é o seu trabalho, cuidar dos meus shows. THÉO – Desculpa. VIVIANE – Melhor você se acalmar, Alice. O Théo não teve culpa por não ter avisado. ALICE – Eu estou calma, vó. Só não entendo por que, ele que diz ser meu empresário, deixou que algo assim acontecesse. THÉO – Eu garanto que isso não irá acontecer novamente. ALICE – No mínimo, é isso que eu espero. (Théo fica sem o que dizer agora, olha para todos e decide ir embora) THÉO – Como está tudo bem, vou voltar para o meu escritório. Licença. VIVIANE – Eu o acompanho até a porta! (Viviane o leva até a porta, Alice senta-se indignada. Segundos depois, Viviane retorna para a sala) O Théo não teve culpa, Alice. ALICE – Deixa que com o Théo eu me entendo, vó. Agora se me dão licença, preciso dar atenção aos meus seguidores. (levanta-se mexendo no celular, em direção ao seu quarto. Viviane caminha até o sofá, senta-se ao lado de Paulo) VIVIANE – Será que você ao menos pode me explicar o que aconteceu ontem à noite? Fiquei preocupada imaginando que vocês estavam no meio desses feridos, ou sei lá... que algo pior tivesse acontecido. PAULO – Eu vou contar tudo para a senhora. Bem, a gente foi para o aeroporto, fizemos o check-in e tudo... (Dácio retorna do colégio e encontra sua tia sentada no sofá a sua espera) REGINA – (levanta-se e caminha até ele) Que bom que chegou. Precisamos conversar. DÁCIO – Posso trocar de roupa ao menos? REGINA – Não. Você disse que iria marcar um encontro comigo com essa outra garota que se parece com a Letícia. Até agora estou esperando esse encontro! DÁCIO – (coloca a mochila em cima do sofá, e se aproxima de Regina) Como eu falei antes... a Larissa é muito ocupada. A profissão dela, não dar muito espaço para sair assim. REGINA – E que profissão é essa que não a libera nem por uma hora? DÁCIO – Não posso falar, mas garanto que assim que eu conseguir falar com ela, e combinar um dia para vocês duas conversarem, eu avisarei. (volta para o sofá, pega sua mochila e caminha até seu quarto) REGINA – Acho que preciso ir atrás dessa garota sozinha! (Silvana está sentada no sofá, se sentindo um pouco mal. Otávio vem de seu quarto para a sala, e ao ouvir o som do bastão dele, Silvana tenta se manter bem na presença do filho) OTÁVIO – Mãe?! A senhora está aí? SILVANA – Estou sim, filho. Estou aqui no sofá. OTÁVIO – (indo até o sofá) A senhora está bem? SILVANA – Estou. Só me sentei aqui um tempo, enquanto a comida fica pronta. OTÁVIO – A senhora poderia ver se chegou o email da confirmação do programa? SILVANA – Vejo sim. (pega seu celular, entra em seu email) Ainda não, filho. (Otávio fica um pouco decepcionado) OTÁVIO – Não sei porque tenho esperança ainda. (senta-se) Eu nunca vou participar de um programa desse. SILVANA – (se aproxima dele) Não diz isso, filho. Tenha um pouco mais de paciência, talvez eles ainda não tenham enviado para ninguém a confirmação. OTÁVIO – O programa será daqui alguns meses, mamãe. A senhora não acha que eles não já teriam enviado o email para os selecionados para combinarem sobre as gravações. SILVANA – Não exagera, querido. Tem um bom tempo ainda para o programa começar. Esquece esse email um pouco, ficar assim não vai te fazer bem. Que tal começar a focar em outra coisa, e você vai ver que logo, logo estarão mandando o email para você. OTÁVIO – Assim espero. SILVANA – (levanta-se, sente uma leve tontura) Eu vou lá para cozinha. (caminha encostando nos móveis) Assim que estiver pronto, eu te chamo. (vai para cozinha, Otávio continua sentado no sofá, cabisbaixo) (o psicólogo continua com a mão estendida em direção a Daniel) SAMUEL – Não vai cumprimentá-lo? DANIEL – (olha para o seu pai) Não. Por que isso é uma grande perca de tempo. (sai da frente deles em direção ao seu quarto, Samuel envergonha-se da atitude do filho) SAMUEL – Desculpa meu filho. Ele não era assim, sempre foi um garoto educado. PSICÓLOGO – Sem problema. É normal, são indícios de negação. O que é compreensível no primeiro contato. SAMUEL – Então você vai voltar novamente? PSICÓLOGO – Sim, por que não voltaria? SAMUEL – (sorri) Obrigado. Garanto que irei conversar com ele e na próxima vez que vier, será diferente. PSIÓLOGO – Fica tranquilo, está bem. Eu não vou desistir do seu, filho. Assim como espero que você não desista dele. SAMUEL – Não, isso nunca. O que eu mais quero é ver meu filho curado, normal novamente. PSICÓLOGO – E você o verá. SAMUEL – Eu o acompanho até a porta. PSICÓLOGO – Obrigado. (Samuel o leva até a porta, os dois se despedem e o psicólogo vai embora. Samuel retorna para a sala, olha para acima em direção ao quarto de Daniel, fica apreensivo)

Anoitecendo...

(Ivo sai da cozinha todo arrumado, o que surpreende Rita) RITA – Olha só... vai arrumado desse jeito assim pra onde, hein? IVO – Tenho uma reunião com os caras da gravadora dos meninos. Possivelmente iremos conversar sobre o contrato. RITA – Será que vai demorar muito essa reunião? IVO – Eu não sei, irmã. RITA – A lanchonete está tranquila agora, mas e se mais tarde ela ficar movimentada? IVO – Não de preocupa, que assim que terminar lá, volto correndo pra cá. E você pode chamar o Jairo lá dentro, que ele pode ajudar a pegar os pedidos. RITA – Eu ainda acho que você deveria contratar alguém para cá. Assim você teria tempo para cuidar dos garotos e não deixaria a lanchonete sozinha. IVO – A gente dá conta de tudo, irmã. Não se preocupa. Se eu perceber que não vou dar contar, eu penso nessa ideia de contratar alguém. Agora preciso ir. Até mais! (sai apresado do balcão, e caminha até a saída da lanchonete, Rita o observa) RITA – Quero só ver por quanto tempo você vai ficar nesse ritmo. (Pedro está mexendo em seu celular, lendo as novas notícias que surgiram de Alice. Paula vem da cozinha e o chama) PAULA – Comida está pronta, Pedro. (joga o pano em cima dele) PEDRO – (desliga o celular e presta atenção em sua tia) Estou indo. (joga o pano para Paula novamente e os dois vão para a cozinha. Pedro senta-se a mesa, Paula vai até o fogão) PAULA – Que história louca essa que aconteceu com a sua irmã. (Pedro ainda não estava acostumado ao ouvir Alice sendo chamada de sua irmã, sente um certo desconforto) Ainda bem que ela não embarcou naquele avião. PEDRO – Sim. PAULA – Você conversou com ela? PEDRO – Sim, fui lá, mas ela não deu muita atenção. Estava respondendo os seguidores dela. PAULA – O pai dela veio aqui dias atrás. Quer dizer, o pai de vocês. PEDRO – O Felipe veio aqui? PAULA – Veio. (senta-se a mesa e começa a se servir, junto com Pedro) Veio aqui me pedir que eu contasse um pouco da Carla para a Alice. Afinal, a Carla era a mãe dela. PEDRO – Mamãe morreu sem poder conhecer a filha. PAULA – Pensei a mesma coisa, Pedro. A vida às vezes é engraçada, da mesma forma que é um pouco injusta. PEDRO – E quando a senhora vai falar com ela? PAULA – Eu não sei. Felipe disse que iria conversar com ela, ver um dia. Afinal, ela deveria estar viajando em turnê. Talvez seja essa semana. PEDRO – Vai levá-la até o tumulo da mamãe? PAULA – Sim, pretendo. Mas não agora. Por enquanto, quero só mostrar algumas fotos dela, dizer um pouco como era a Carla. Por último irei levá-la para o cemitério. PEDRO – Será que eu posso estar junto neste dia? Também quero falar da mamãe. PAULA – Claro que pode. Acho até bom, porque vocês são irmãos, nada mais justo. (Pedro volta a ficar incomodado ao ouvir a palavra “irmãos”, os dois começam a comer e ficam em silêncio) (Otávio está sentado em seu piano, começa a tocar algumas notas. Silvana está na sala ouvindo o filho com um leve sorriso no rosto. Seu celular toca, ela o pega e ver que é um email da produção do programa, ao ler, seu sorriso cresce mais ainda) SILVANA – O email chegou, filho! (levanta-se animada, caminha em direção a Otávio que parou de tocar) OTÁVIO – Chegou? SILVANA – Sim. E adivinha? OTÁVIO – O que? SILVANA – Você passou! Você entrou para o Sua Canção, filho! (um sorriso cresce no rosto de Otávio, ele levanta-se caminha até sua mãe e a abraça) Parabéns, meu menino. OTÁVIO – Obrigado, mãe. Eu vou ganhar este programa. E o dinheiro dele eu darei para senhora iniciar seu tratamento. (Silvana se emociona, e o abraça mais forte) (Nathaniel entra no quarto no momento que Larissa havia recebido o email que havia sido selecionada para participar do programa) NATHANIEL – Larissa... você está pronta?! (a encontra em pé no meio do quarto, um pouco surpresa) O que foi? Que cara essa? LARISSA – Eu... eu recebi o email do programa. NATHANIEL – Já. E então? Você entrou? LARISSA – Sim. (exibe o celular para Nathan) Eu fui selecionada!! (a expressão de susto lodo desaparece, dando lugar para alegria) NATHANIEL – (começa a pular junto com Larissa) Parabéns, minha querida. Eu sabia que você iria ser selecionada. LARISSA – Nossa, eu não acredito que eu passei! Eu passei, Nathan! NATHANIEL – Agora precisamos nos acalmar, precisamos selecionar as músicas que você irá cantar, se bem que isso é o de menos, né?! Qualquer música que você cantar, você vai arrasar de qualquer forma. LARISSA – Estou tão feliz. Quero que você cante comigo hoje. Precisamos comemorar. NATHANIEL – Não precisa pedir duas vezes. (os dois saem do quarto e vão para o palco. Os dois estão no centro do palco, um de frente para o outro, a música começa a tocar e os dois começam a cantar)

Give me a second I 1 I need to get my story straight My friends are in the bathroom Getting higher than the empire state My lover she's waiting for me Just across the bar My seat has been taken by some sunglasses Asking about a scar And I know I gave it to you months ago I know you're trying to forget But between the drinks and subtle things The holes in my apologies You know I'm trying hard to take it back So if by the time the bar closes And you feel like falling down I'll carry you home Tonight 2 We are young So let's set the world on fire We can burn brighter Than the sun Tonight We are young So let's set the world on fire We can burn brighter Than the sun Now I know that I'm not all that you got I guess that I, I just thought maybe we could find new ways to fall apart But our friends are back So let's raise a cab 'Cause I found someone to carry me home Tonight 3 We are young So let's set the world on fire We can burn brighter Than the sun Tonight We are young So let's set the world on fire We can burn brighter Than the sun Carry me home tonight 4 Just carry me home tonight Carry me home tonight Just carry me home tonight The moon is on my side I have no reason to run So will someone come and carry me home tonight The angels never arrived But I can hear the choir So will someone come and carry me home Tonight 5 We are young So let's set the world on fire We can burn brighter Than the sun Tonight We are young So let's set the world on fire We can burn brighter Than the sun So if by the time the bar closes And you feel like falling down I'll carry you home tonight 1. Nathaniel e Larissa começam a cantar um do lado do outro, ambos olhando para os clientes. 2. Larissa se afasta de Natan, e começa a andar pelo palco focando-se nele. 3. Os dois se reaproximam e começam a cantar juntos um de frente para o outro. 4. Nathaniel quem começa a andar pelo palco dessa vez, ainda olhando para Larissa que sorri. 5. Os dois voltam a se aproximar um do outro, encerram a música e são aplaudidos. (Daniel está deitado na cama, mexendo em seu celular, quando também chega um email da produção para ele) DANIEL – (senta-se, sorri) Eu fui selecionado! Preciso avisar para o Dácio... (seu pai entra no quarto nesse momento) SAMUEL – Filho? (o ver sorrindo com o celular nas mãos) Está conversando com alguém? DANIEL – (sorriso logo desaparece) Não estou conversando com ninguém. SAMUEL – Então por que esse cara de felicidade? DANIEL – Estou vendo alguns vídeos engraçados, não posso? SAMUEL – (caminha até a cama, sério) Deixa-me ver seu celular. Deixa-me ver com quem você está conversando. DANIEL – Claro que não. SAMUEL – Deixa-me ver seu celular, Daniel. (tenta pegar o celular a força, Daniel levanta-se da cama rapidamente) DANIEL – O que é isso? Além de me manter em cárcere privado, vai confiscar meu celular agora? SAMUEL – (se aproxima dele, sério) Eu só quero saber com quem você está conversando. DANIEL – Eu não estou conversando com ninguém, droga. Eu não tenho mais amigos nenhum, desde que eu me assumi, esqueceu?! SAMUEL – Pois então me entrega seu celular, se você realmente não estava conversando com ninguém, não tem porque ficar assim. DANIEL – Eu já disse que não vou entregar. (coloca no bolso detrás da calça) SAMUEL – Eu não quero me irritar com você... (se aproxima dele) ... então é melhor você me dar este celular agora. (parte para cima do filho, segura os braços dele e com uma certa dificuldade consegue pegar o celular do bolso da calça) Consegui! DANIEL – Devolve meu celular agora. SAMUEL – Não. Ele ficará comigo. Isso não te ajudará com o seu tratamento. DANIEL – Que droga de tratamento?! Eu não estou doente. SAMUEL – (irrita-se) Tá e só vou devolver isto aqui quando eu tiver o meu filho novamente. (sai do quarto apresado, trancando a porta) DANIEL – Devolve meu celular, pai! Pai, devolver meu celular. (tenta abrir a porta) O que significa isso? Vou ficar trancado no meu quarto agora?! Abre essa porta... (começa a bater e puxar a maçaneta para abrir) SAMUEL – Isso é para o seu bem, filho! DANIEL – (começa a esmurrar a porta) Abre essa porta!! Pai!! Devolve meu celular agora! (Samuel sai da frente do quarto com o celular nas mãos, tentando desbloqueá-lo) (Manuela está em seu quarto estudando, seu celular está em cima da cama e toca) MANUELA – (levanta-se, pega o celular e senta-se na cama. Abre seu email e sorri) Eu fui selecionada! (levanta-se feliz, e sai do quarto gritando) Mãe!! Eu fui selecionada. Eu vou participar do programa Sua Canção! (Alice está em seu estúdio compondo tentando compor uma música. No entanto, ela não está muito inspirada, risca os versos que escreveu, amassa a folha e joga no lixeiro. Lembra-se do que aconteceu hoje à tarde, de Pedro e Marcelo terem vindo até sua casa e de terem se preocupado com ela, solta um leve sorriso. Felipe bate na porta do quarto) FELIPE – Filha? Posso entrar? ALICE – (organizando suas músicas) Sim, pai. FELIPE – Eu fiquei sabendo o que aconteceu. Que susto que você deu para a sua avó. ALICE – Isso não foi minha culpa. E sim do meu empresário. Alias, preciso conversar com o senhor sobre isso. FELIPE – Depois. Antes, eu quero conversar com você sobre algo. ALICE – (o percebe sério) Sobre o que? (Felipe caminha até ela, senta-se na cadeira ao lado) FELIPE – Quero conversar com você sobre a Carla... sobre a sua mãe! (Alice não esperava isso, fica sem saber o que dizer, apenas olha para seu pai) (Dácio está sentado em sua cama, digitando uma mensagem para Daniel) DÁCIO POR MENSAGEM – “Tá podendo falar agora?” “Acho que descobri um jeito de você fugir daí” (envia a mensagem, continua olhando para o celular, aguardando a resposta dele) (Samuel não conseguiu desbloquear o celular. Continua ouvindo os gritos de Daniel vindo do quarto. A mensagem de Dácio chega nesse momento, e pela barra de notificação ele consegue ler) SAMUEL – Mensagem de Dácio? Quem é Dácio? (a ler) Tá podendo falar agora? Acho que descobri um jeito de você fugir daí. (fica sério, aperta o celular com força)

Continua no Capítulo 54...

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