"Mil Razões"
(Eduardo se afasta um pouco de Silvana, confuso) SILVANA – Preciso saber se meu filho pode sempre contar com você, Eduardo. Preciso saber se ele não ficará sozinho depois que eu estiver ido embora. EDUARDO – Não. Claro que estarei ao lado do Otávio. Ele se tornou meu amigo. É um garoto legal, vou continuar ao lado dele. SILVANA – (se aproxima dele) Então promete pra mim que assim que eu partir, você ficará tomando de conta dele. Promete pra mim, Eduardo?! EDUARDO – Você falando assim, me assusta. É como se você estivesse se despedindo. SILVANA – Eu não sei quantas semanas me restam ainda... por isso preciso saber se terá alguém ao lado do meu filho quando eu partir. EDUARDO – Não se preocupa. Eu não vou deixar o Otávio sozinho, pode ficar tranquila. Prometo a você que cuidarei dele. (Silvana solta um leve sorriso, Otávio retorna para a sala) OTÁVIO – Será que podemos jantar agora? Se não a pizza esfria. Ou, podemos pular o jantar e comermos a pizza agora. SILVANA – (se aproxima do filho) Não, querido. Vamos jantar, depois comeremos a pizza. (olha para Eduardo) Vamos? EDUARDO – Vamos. (os três vão para cozinha, Eduardo logo atrás, observando Otávio feliz) (Marcelo e Alice continua se beijando, ela quem encerra o beijo dessa fez) ALICE – Preciso voltar para o palco! (caminha até o espelho, arruma o cabelo) MARCELO – Sim, claro. ALICE – Vou cantar mais algumas músicas, encerrarei o show e vamos para a festa. MARCELO – E sua família? ALICE – Minha avó sabe que quando faço meus shows, costumo chegar tarde em casa. Então não terá problema algum. MARCELO – Sendo assim, ok! ALICE – (se aproxima dele novamente) Até mais! (sai do camarim em direção ao palco. Segundos depois, Marcelo ouve o público gritando o nome de Alice) (Tiago continua em pé na porta, olhando para Manuela) MANUELA – Não quer entrar? TIAGO – (pensativo, olha para as meninas) Melhor uma outra hora. Acho que eu deveria ter avisado, para não ter estragado a noite de vocês. MANUELA – Não, que é isso. Você pode entrar, pode ver o filme com a gente. TIAGO – Melhor não. A gente ver um filme outro dia, pode ser. MANUELA – Tá, pode sim. TIAGO – Então eu vou indo. Bom filme para vocês. (se aproxima dela, a beija e sai em seguida. Manuela o observa ir embora, em seguida fecha a porta e volta para a sala) MANUELA – Vocês também perceberam que ele saiu meio decepcionado daqui? ÉSTER – Pra mim ele saiu normal. THALITA – Eu meio que percebi que ele ficou desconfortável. MANUELA – Amanhã vou tentar marcar algo com ele. ÉSTER – (sarcástica) Que lindo... casal feliz vai se divertir amanhã. (as três ficam em silêncio, prestam atenção no filme) (Alice e Marcelo chegam à festa do amigo dela. Os dois andam pela pista de mãos dadas, dançando. Param no meio da pista, ficam um de frente para o outro e se divertem)Amanhecendo...
(Ramon e Andréa estão sentados em uma das mesas, dessa vez Ramon veio sem a banda) ANDRÉA – Então, analisou a modificação que eu fiz na música? RAMON – Sim, aparentemente ficou legal. No entanto não vou adicioná-la. ANDRÉA – Como não? RAMON – A letra dessa música conta a história da banda, Andréa. Mudar algo nela vai ser contra ao que a banda passou até chegar aqui. ANDRÉA – Olha, eu entendo... mas você mesmo disse que o trecho que eu adicionei ficou legal. E tenho certeza que essa trechinho não vai estragar a essência da música, já que você está preocupado com isso. RAMON – Nem é só isso... eu gostei de verdade do trecho que você escreveu, só não posso adicioná-la. ANDRÉA – (fica chateada, mas disfarça) Tá, tudo bem. Então desejo que vocês ganhem com a música original de vocês. (levanta-se) Bem, tenho que resolver algo agora. RAMON – (levanta-se, segura na mão dela) Você não ficou chateada, ficou? Você entende o meu lado, não entende? ANDRÉA – Relaxa, Ramon. Eu entendi. Não estou chateada. (se solta dele, e sai da lanchonete. Ramon volta a sentar-se e a observa ir embora) (Caio está deitado no sofá, mexendo no celular. Cláudio e Camila entram na sala) CAMILA – Bem, já que tenho o dia de folga hoje para passar com a minha família, estava pensando que tal visitarmos a Paula. Soube que ela saiu do coma, e voltou para a antiga casa dela. Quero saber como ela está. Vocês topam vim comigo? CLÁUDIO – Claro. Né, filho? CAIO – (sentando-se) Não tenho nada para fazer mesmo! CAMILA – Ótimo. Então vamos. (Caio levanta-se e acompanha seus pais) (Eduardo está no balcão, pensando na conversa que teve com a mãe de Otávio na noite anterior. Sua lembrança é interrompida com Laila o chamando) LAILA – Com a cabeça nas nuvens? EDUARDO – Quase isso. Só estava pensando em algo. LAILA – Pois é bom voltar para a terra, que você tem entregas para fazer. (Eduardo pega as caixas de pizza e coloca na mochila) EDUARDO – Já conseguiu encontrar alguém para ficar no lugar do Pedro? LAILA – Ainda não. Ia hoje mesmo colocar a placa na entrada. EDUARDO – Bem, eu conheço um amigo que precisa de emprego. LAILA – Um amigo? EDUARDO – É. Atualmente ele está dividindo o aluguel comigo, mas é um garoto legal. LAILA – Tá. Pede para ele vim aqui conversar comigo. Vou avaliar esse seu amigo, se eu gostar dele, será contrato. EDUARDO – (sorri) Vou enviar uma mensagem agora mesmo para ele. (sai da pizzaria, digitando no celular) LAILA – Não vai ficar mexendo no celular no meio da rua! (Daniel e Dácio estão se beijando em cima da cama, chega uma mensagem no celular dele que encerra o beija) DÁCIO – (após Daniel sair de cima dele) Sério que você me deixou por uma mensagem? DANIEL – Pode ser importante. É do Eduardo. Ele falou com a chefe dele e me indicou para trabalhar lá. DÁCIO – Na pizzaria onde o Eduardo trabalha? DANIEL – Isso. (levanta-se da cama, começa a trocar de roupa) DÁCIO – Ah sim... deve ser para ficar no lugar do Pedro. Ele pediu demissão. DANIEL – Pedro é aquele seu amigo que descobriu que estava apaixonado pela a irmã?! DÁCIO – Ele mesmo! DANIEL – Por que ele pediu demissão? DÁCIO – Não sei. Pedro ultimamente tem feito umas coisas bastante estranha. Preciso conversar com ele! DANIEL – Bem, espero que eu consiga esse emprego. Meio que não me sinto a vontade dividir esse quarto com o Eduardo, sem poder ajuda-lo financeiramente. DÁCIO – (levanta-se, se aproxima dele) Não se preocupa que você conseguirá sim está vaga. (o beija) DANIEL – Quer vim comigo? DÁCIO – (sorri) Pensei que não fosse pedir! (o beija novamente, retorna para a cama, enquanto Daniel termina de se arrumar) (Ramon continua sozinho na mesa, mexendo no celular. Manuela e Tiago entram na lanchonete e escolhem uma mesa próxima ao palco) TIAGO – Você gostou mesmo dessa lanchonete. MANUELA – Sim, aqui é legal. É um dos lugares que rolam karaokê que eu mais gosto. TIAGO – Recebeu a resposta do programa? MANUELA – Ainda não. Mas as inscrições acabaram está semana, creio que em breve o pessoal da produção devem está entrando em contato com os selecionados. TIAGO – E você será uma delas! MANUELA – Tomara. Se não for, não tem problema. É bom que poderei focar na faculdade. TIAGO – Eu também estou pensando em cursar uma. No entanto, não sei qual escolher. MANUELA – Em que você tem afinidade? TIAGO – Tira notas baixas é uma delas? (os dois riem) MANUELA – Não, né. Sério, em que você tem afinidade? Que tipo de conteúdo você gosta mais? TIAGO – Sei lá. Costumo ser bom em texto. Cálculos não é comigo. MANUELA – Bem, tem vários cursos voltados para a área de humanas. Você pode ser professor também... TIAGO – Não, esse eu passo. Não tenho paciência para ficar cuidado de aluno. MANUELA – Vai ser difícil encontrar um curso para você. Mas não se preocupa, eu vou ter ajudar. (olha ao redor da lanchonete e repara que está um pouco vazia, em seguida olha para o palco) TIAGO – O que foi? MANUELA – Estou vendo se não irei passar muito vergonha com o que irei fazer. TIAGO – E o que você vai fazer? MANUELA – Observa! (levanta-se e sobe para o palco. Chegando lá, pega um violão que estava disponível e caminha até o microfone, olha para Tiago e começa a cantar)Se você chega 1 Tudo incendeia Põe tudo em jogo Tudo clareia O sal no afago O tris de tristeza O sexo fogo Sem gentileza E o dia em que lhe vi chorar 2 Não que lembrar precise Uma represa não tem reprise O cio macio que dói E aonde você foi? A teimosia A poesia Posso lhe dar mais mil razões pra te querer Coisas que eu já nem sei o nome Posso compor mais cem canções de amor Pra quê? Se quando eu canto você some O doce instinto 3 Deus indeciso Eu indefeso No teu sorriso O gosto atípico E o jeito sério Teu rosto místico Mais um mistério E o brilho que de ti reluz E a tantos sóis seduz É realeza, não tem deslize Pornos, por nós dois nus E os clássicos céus azuis 4 Os tantos ui ui uis Os cantos doidos e doídos Que pra cada céu que é seu eu já compus Posso lhe dar mais mil razões pra te querer Coisas que eu já nem sei o nome Posso compor mais cem canções de amor Pra quê? Se quando eu canto você some 1. Manuela começa a cantar olhando diretamente para Tiago, que sorri. 2. Ramon para de mexer no celular e foca-se em Manuela no palco, assim como as poucas pessoas que estavam na lanchonete. 3. Manuela desvia a atenção para o pessoal da lanchonete, e ao ver que os mesmo estão gostando, se anima para cantar. 4. Volta a focar em Tiago, que não para de admirá-la em cima do palco. Manuela encerra a música, é aplaudida, agradece e desce do palco. Ao chega em sua mesa, Tiago a beija e o pessoal voltam a bater palmas. (Paula está varrendo a casa, Pedro está na cozinha cortando algumas verduras. Campainha toca, Paula coloca a vassoura ao lado do sofá e vai atender) PAULA – (surpresa) Camila!! CAMILA – Oi, Paula! (as duas se abraçam) PAULA – Que surpresa você aqui. Entrem. CLÁUDIO – Licença. CAMILA – Eu soube que você saiu do coma, precisava te visitar. PAULA – É, saí e fiquei sabendo de algumas notícias. CAMILA – Da Carla, né. Sinto muito. PAULA – Sem problema, já superei. Seu filho? CAMILA – É. Tá grandão, né?! PAULA – Né. CAMILA – Estuda na mesma escola que o Pedro. PAULA – Sério? CAMILA – Sim. PAULA – Vou chama-lo aqui. (grita em direção à cozinha) Pedro! Temos visitas. (Pedro entra na sala) PEDRO – Oi! CAMILA – Oi, acho que devem se lembrar da gente? PEDRO – Lembro sim. Você era a melhor amiga da minha mãe, né. PAULA – Melhor amiga era pouco. A sua mãe confiava mais na Camila do que em mim mesmo que era irmã de sangue dela. CAMILA – Eu e sua mãe tínhamos uma confiança muito forte. Você deve lembrar do Caio, né? Vocês certamente se veem muito no colégio, já que estudam na mesma escola. PEDRO – (olhando para ele) Não... Não o vejo muito. CAIO – Eu sou do primeiro ano, mamãe. Pedro está no terceiro. PEDRO – Deve ser por isso. São muitos alunos do primeiro ano, se um dia eu passei por você não devo ter te reconhecido. CAIO – Tranquilo, minha mãe apenas insiste que precisamos ser amigos. PAULA – Quer que a história se repita com os filhos, né Camila?! CAMILA – Estava tentando. Mas as condições com que eu conheci a Carla são diferente para eles hoje. Deve ser por isso. PEDRO – Bem, se for o caso podemos nos conhecer. Estou na cozinha ajudando no almoço, se você quiser me acompanhar. CAIO – (olha para todos, surpreso com o convite) Tá, pode ser. (segue Pedro até a cozinha) CLÁUDIO – Será que agora vai? CAMILA – Espero que sim! (Daniel chega a pizzaria com Dácio. Ele segue para o balcão sozinho um pouco nervoso, enquanto Dácio decide escolher uma mesa para sentar) DÁCIO – Boa sorte! Estarei torcendo por você daqui. (senta-se, cruza os dedos e o observa) DANIEL – (se aproxima do balcão, Laila está mexendo no computador) Bom dia! LAILA – Bom dia! Bem-vindo a pizzaria da Laila. O que vai pedir? DANIEL – Na verdade eu vi para a vaga de emprego. LAILA – (foca-se nele) Ah, sim. Você deve ser o amigo do Eduardo?! DANIEL – Sou eu mesmo! Me chamo Daniel! LAILA – Pois, bem. Muito bem, Daniel... me fale um pouco sobre você?! (se aproxima dele, que o deixa um pouco constrangido. Daniel a encara, sem resposta a sua pergunta) (Nathaniel está arrumando o salão, quando Eduardo entra com uma pizza na mão) EDUARDO – Oi, bom dia. Foi aqui que pediram uma pizza? NATHANIEL – Oi, foi sim. (se aproxima dele e recebe a pizza. Coloca a pizza em cima do balcão, e finge procurar o dinheiro) Ih, parece que esqueci o dinheiro lá dentro. É só um instante, tá. Já que eu volto. (sai apressado do salão em direção aos quartos. Eduardo caminha um pouco até o palco, e imagina Larissa em cima dele cantando. Segundos depois, Larissa aparece no salão procurando por Nathaniel) LARISSA – Posso saber por que você me mandou uma mensagem para eu vim correndo para o salão... você? (Eduardo se aproxima dela) EDUARDO – Oi. LARISSA – O que faz aqui? EDUARDO – Vim deixar uma pizza. LARISA – Quem pediu? (Nathaniel aparece logo atrás dela) NATHANIEL – Eu quem pedi. (caminha até Eduardo) Pedi uma pizza para gente. Gostou? (Larissa e Eduardo continuam se olhando, Nathaniel apenas os observa, sorrindo) (Otávio entra na sala, a procura de sua mãe. Silvana está desmaiada ao lado do sofá) OTÁVIO – Mãe? (caminha até o piano) Mãe, a senhora está aí? (sem resposta, segue procurando sua mãe até a cozinha, enquanto Silvana continua deitada no chão) Mãe?!
Contínua no Capítulo 43...