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Minha Canção
Capítulo 21 de 75
Capítulo 21
✍️ Anderson Silva ·📅 20 Sep. 2019 ·👁 0 leituras

"Surreal"

(Douglas continua olhando para a prima, esperando que a mesma tirasse a dúvida dele) ANDRÉA – Eu também quero que o Mauro saiba do Pedro, mas se tudo isso não vou verdade, não podemos correr o risco dele perder o pós-doutorado dele. DOUGLAS – Eu sei. Só que, estava pensando em apenas mandar a foto da mãe do Pedro para ele, e quem sabe, perguntar se os dois tiveram alguma coisa no passado. ANDRÉA – É pode ser. Mas, e se ele perguntar onde você encontrou a foto? O que você dirá? DOUGLAS – A gente pode dizer que estava dando uma faxina geral na casa, e acidentalmente encontramos essa foto no quarto dele. ANDRÉA – Será que ele tem uma foto igual à que o Pedro tem? DOUGLAS – Não sei, talvez sim. Se os dois tiveram alguma coisa no passado, certamente os dois devem ter foto um do outro. ANDRÉA – Sua ideia parece boa, com grande chance de acabarmos entregando tudo. DOUGLAS – Relaxa, eu tenho tudo planejado. A gente envia a mensagem para ele, dizendo que encontramos uma foto com ele e uma outra garota. Daí, aguardamos o que ele dirá. Caso ele confirme, perguntaremos qual era a relação entre os dois. ANDRÉA – Você não acha que o Pedro deveria está aqui também? DOUGLAS – O Pedro não trabalha em uma pizzaria pela manhã? (Andréa confirma com a cabeça) O único jeito de conseguirmos falar com o meu pai é agora pela manhã, que ele está disponível. ANDRÉA – Você tem razão. Então tá, envia logo essa mensagem e vamos verificar de uma vez essa história. (Douglas digita algo em celular e envia a mensagem) DOUGLAS – Pronto, agora é só esperar uma resposta dele! (os dois se entreolham, ansiosos) (Felipe continua olhando para o irmão, querendo saber de onde ele tirou essa ideia) FELIPE – Como assim o Pedro pode ser meu filho? PAULO – Sei lá, surgiu essa dúvida na minha cabeça. Desde que ele foi morar com a gente, como ele e a Alice são parecidos, os dois até cantam. FELIPE – Isso não significa nada. PAULO – E também tem a história do pai dele que ele está procurando. Esse pai pode ser você. FELIPE – Paulo, não viaja. Você sabe muito bem que eu a Carla éramos irmãos. Não podia ter nada entre a gente, principalmente alguma chance de o Pedro ser meu filho. PAULO – Mas, se não me engano, vocês ficaram uma única vez na noite que vocês se conheceram. E nessa noite, vocês não sabiam que eram irmãos. FELIPE – Aquilo foi um acaso apenas. Quando soubemos da verdade, cada um seguiu a sua vida. Eu me casei com a Luana, tivemos a Alice. E a Carla foi para São Paulo, e certamente deve ter se envolvido com outro cara lá. PAULO – Mesmo assim, eu ainda acho que você devia tirar essa dúvida. O Pedro talvez seja o seu filho. (apesar de querer negar, essa dúvida também começa a ser conspirada na cabeça de Felipe, que volta a digitar em seu computador) Custa nada você realizar um teste de paternidade com ele. FELIPE – Eu não vou realizar teste nenhuma, Paulo. E nem pensar de dizer essa sua dúvida para alguém. Principalmente para o Pedro. Ele sabe que eu e a mãe dele somos irmãos, e não pode imaginar que um dia a gente se envolveu, mesmo que tenha sido uma vez só. PAULO – Ele não precisa saber. Só você colher o material escondido, como ele está morando com a gente, creio que ficará mais fácil. Depois só ir no laboratório e fazer o teste. FELIPE – Não, eu não vou fazer isso. Eu não vou entrar nessa sua história maluca. Agora, se não me dá licença, tenho trabalho para fazer. (Paulo queria tentar convencer mais o irmão, mas vendo que ele estava começando a ficar irritado, desiste) PAULO – Bem, tenho que resolver outros assuntos mesmo. (levanta-se) Você irá almoçar com a sua família hoje? FELIPE – Talvez. PAULO – Tá. Bom trabalho pra você. (Paulo sai da sala, assim que vai embora, Felipe para de digitar e fica pensativo)

Mais Tarde...

(Ramon e o pessoal estão lanchando algo, quando Pedro entra na lanchonete. Os encontrando, caminha em direção à eles) PEDRO – (sentando ao lado de Ramon) E aí, turma?! RAMON – Beleza, Pedro. Estávamos só te esperando. Passamos a manha ensaiando, e estamos pensando em uma música autoral para a próxima etapa. PEDRO – Pode ser. Mas, dessa vez quero que você cante. RAMON – Eu? Não, o vocalista é você. PEDRO – Mas a banda é sua. E eu também não me sinto muito à vontade, em toda hora fazer os solos. Somos 5 integrantes, creio que é hora de reversamos. RAMON – Todos nós sabemos que você é o melhor cantor. PEDRO – Só que somos uma banda. Eu andei pensando, e se conseguimos ficar em primeiro lugar não foi por um cantor apenas. Foi a banda inteira, juntos! Então, se você não fazer o solo da próxima apresentação, eu não canto mais nenhuma música pra banda. RAMON – Sabe que isso é terrorismo musical?! PEDRO – Sei. RAMON – Tá. Eu topo cantar, com a condição de você cantar comigo. PEDRO – Pode ser. Mas você tem que ser a voz principal. RAMON – Ok. PEDRO – Perfeito. (olha para os demais garotos) Então, quem será o próximo que cantará uma música também? (Alice vem descendo as escadas, no momento que Paulo chega em casa) ALICE – Na rua até agora, titio? PAULO – Tava por aí, planejando a minha nova viagem. ALICE – Outra? Pra onde agora? PAULO – Não sei, sinto saudade da Índia. Talvez eu vá passar um tempo lá. ALICE – Mas antes de ir, vai assistir um show meu, né? PAULO – Com certeza. Um não, vários. ALICE – Espero. PAULO – O Pedro saiu? ALICE – Sim. Deve está ensaiando com a banda dele. PAULO – Você sabe de alguma coisa sobre o pai dele? ALICE – O que eu poderia saber sobre o pai dele? PAULO – Sei lá. Talvez ele tenha contado alguma coisa pra você, algo do tipo. ALICE – Não, ele não contou nada pra mim. Na verdade, a gente mal conversa. A gente só se encontra no jantar, com todo mundo. PAULO – Entendo. ALICE – Mas por que? PAULO – Não, por nada. Só curiosidade mesmo. É que, se ele realmente encontrar o pai, talvez ele queira morar com ele, e tenha que sair daqui. (Alice fica pensativa, os dois não conversam mais, Paulo sobe para o quarto) (Andréa está sentada na sala, ouvindo música, Douglas estava ao lado dela, conversando com o pai por mensagem) DOUGLAS – Ele continua grilado com a foto que eu enviei. ANDRÉA – O que ele falou dessa vez? DOUGLAS – Nada, só não se lembra de ter guardado essa foto. E acha muito estranho termos encontrado ela nas coisas dele. ANDRÉA – Mas ao menos ele confirmou se os dois tiveram alguma coisa? DOUGLAS – Não. Na verdade, ele não está respondendo nenhuma de minhas perguntas. Está me respondendo com mais perguntas. ANDRÉA – É. O Mauro é esperto. Acho melhor deixar isso quieto, e quando ele voltar contamos tudo. DOUGLAS – Eu acho que é melhor contarmos agora. ANDRÉA – Não. Se não ele vai querer vim para cá, isso pode prejudicá-lo. DOUGLAS – Talvez se contarmos apenas uma metade da história. ANDRÉA – Que metade? DOUGLAS – É, contamos que apareceu um rapaz dizendo ser filho da garota da foto. E que ele pode ser meu irmão. E caso ele queira voltar pra casa mais cedo, podemos dizer que o garoto não mora aqui. Que nos conhecemos pela internet! ANDRÉA - Olha, pode ser que dê certo, mas será que não vai afetar o psicológico do tio? Ele pode ficar desconcentrado, e não estudar direito. DOUGLAS – Não. Talvez o afete um pouco, mas o papai é concentrado. Ele vai manter o foco. ANDRÉA – Enfim, se você quer tanto contar a verdade, siga em frente. Mesmo achando que o melhor é esperar ele voltar. DOUGLAS – Confia em mim, vai dar certo. (começa a digitar a versão dele da história para o pai) (Salete e Larissa estão saindo do escritório de Josué) LARISSA – Estou confiante, Salete. Acho que o Josué vai conseguir resolver meu caso, sem que Júlio pegue dinheiro sobre minhas custas. SALETE – Mas lembre-se, ele disse que enquanto Júlio tiver o contrato que foi assinado por você, dando autorização dele sobre suas músicas, ele pode sim vender as outras letras que você compôs. LARISSA – Eu sei. Infelizmente, não terei como impedir isso. Mas, ele deve ter no máximo duas músicas com ele. Ainda bem que não apresentei todas minhas músicas para ele. SALETE – Menos mal. (olha para o relógio) Vou ligar para o Dácio, e dizer que já resolvi o que tinha que resolver. E que podemos nos encontrar agora. (pega seu celular, disca para Dácio que atende na hora) Alô, filho? Se você quiser, podemos nos encontrar agora. (Eduardo está em frente ao farol com o sinal fechado. Está ao lado do ponto de ônibus, que no dia anterior pensou ter visto Letícia. A lembrança dela sentada na cadeira do ônibus passa em sua cabeça, que o faz se questionar se realmente aquilo era real. O sinal se abre, e o carro logo atrás dele começa a buzinar. Ele acelera e continua sua entrega) (Pedro e o pessoal da banda estão em cima do palco se preparando para cantar. Dácio entra na lanchonete, ao ver os garotos no palco, caminha até eles) PEDRO – (desce do palco, ao ver Dácio) Opa, Dácio! Surpresa você aqui? DÁCIO – Pois é. Na verdade, marquei um encontro com a minha mãe. Ela está vindo pra cá. PEDRO – Sério? Que maneiro. Torço que vocês consigam se acertar. DÁCIO – Eu também espero que sim. Pelo visto cheguei na hora certa, né? PEDRO – (ri) Sim, estávamos nos preparando para cantar nesse momento. DÁCIO – Beleza. Achou que vou ficar aqui na frente mesmo, ficar perto do palco. PEDRO – Fica à vontade, cara. (Pedro volta para o palco, Dácio senta-se à mesa em frente deles. Pedro e Ramon vão cantar juntos dessa vez, os dois estão no meio do palco, prontos para cantar)

Nada era certo, mas parecia tão normal 1 Me acostumei com a incerteza ideal Nos faz querer o tudo, o pouco não é opção Será surreal ter o mundo em minhas mãos? Tinha ao meu lado quem soubesse me ajudar 2 E acreditei no que iria me tornar O pouco era simples, o tudo foi a opção Será irreal ter o mundo em minhas mãos? Longe, alto 3 Cabe a cada um de nós dizer Onde, quando Cabe a cada um de nós saber A felicidade acordamos só pra ter 4 E compartilhar com aqueles que nos fazem Sentir que estamos perto, saber que o longe é opção Será ideal ter o mundo em minhas mãos? Longe, alto 5 Cabe a cada um de nós dizer Onde, quando Cabe a cada um de nós saber Seja qual for o final 6 Faça ser algo ideal Seja qual for o final Faça ser algo surreal 1. Pedro está tocando seu baixo, ao lado de Ramon que começa a cantar. Olha para o amigo e sorri, se afasta um pouco dele. Ramon também olha para o amigo e sorrir. 2. Pedro começa a cantar no momento que Salete e Larissa chegam a lanchonete do Ivo. As duas ouvem a música e olham para o palco. 3. As duas se aproxima do palco, ainda não reconheceram Dácio logo à frente. Pedro se aproxima de Ramon, os dois cantam olhando para o pessoal da lanchonete. 4. Larissa e Salete ficam ao lado da mesa de Dácio e ainda não o viram. Ele, vendo duas mulheres ao seu lado, logo reconhece sua mãe e se surpreende ao ver quem estava ao lado dela. 5. Dácio levanta surpreso, caminha em direção a elas. Ao reconhecer o filho, Salete sorri. Larissa olha para Dácio, e imaginando que ele seja o filho de Salete, também sorri. Dácio fica em frente delas, ainda olhando para Larissa, boquiaberto e surpreso. 6. Pedro encerra a música olhando Ramon, feliz ao ver o amigo cantando. Já em baixo, Dácio fica sem reação, ainda olhando para Larissa, que já começava a estranhar o jeito dele. Ao termino da música, os garotos agradecem e descem do palco. SALETE - (estranhando o jeito que o filho olhava para Larissa) Tudo bem, filho? DÁCIO - Então era verdade! Você está viva. Você voltou pra gente, Letícia! (Larissa olha para Salete, sem entender o que estava acontecendo) (Eduardo chega a pizzaria com mais uma entrega concluída com sucesso. Chega ao balcão, coloca a mochila em cima e fica pensativo. Laila, ao ver que ele havia chegado, se aproxima do balcão) LAILA – O que está acontecendo, Eduardo? EDUARDO – (voltando a realidade) O que? LAILA – Você tem andado desligado nos últimos dias. Tem ficado por aí, pelos cantos. Você atrasou uma entrega. Você nunca atrasou uma entrega desde que te contratei. Essa foi a primeira vez. Está acontecendo alguma coisa? EDUARDO – Só ando um pouco cansado, é isso. LAILA – Quer umas férias? Se for, problema nenhum, posso antecipar suas férias. O que não posso permitir, que você fique fazendo as estregas desligado com as coisas que estão acontecendo ao seu redor. EDUARDO – Eu só preciso de uma boa noite de sono, e voltarei ao melhor. Você vai ver. LAILA – Você tem certeza? EDUARDO – Tenho. LAILA – Espero então. Se concentre está bem. Por que se você continuar desse jeito, terei que tomar uma atitude mais drástica. (volta para a cozinha, Eduardo continua sentado, sério dessa vez) (Andréa está na cozinha, preparando um pequeno sanduiche, quando Douglas entra, a chamando) DOUGLAS – Andréa, meu pai respondeu. Ele respondeu! ANDRÉA – O que ele disse? DOUGLAS – É verdade. Meu pai realmente teve um caso com a mãe de Pedro. Pedro pode ser meu irmão! (Felipe chega em casa um pouco cansado. Caminha até o sofá, coloca sua pasta ao lado, senta-se e encosta-se no sofá olhando para o teto, pensativo. Felipe lembra da vez que encontrou Carla em casa, assim que ela voltou de São Paulo. Lembra dela segurando Pedro, e de como ela ficou após ele perguntar quem era o pai da criança. A lembrança encerra-se, Felipe levanta, pega sua pasta e sobe para o quarto) (Paula está sozinha no quarto do hospital. Como continua em coma, as enfermeiras e médicos a visitam poucas vezes apenas. Gaspar, o anjo protetor de Pedro e Alice aparece no quarto. A observa por alguns segundos, caminha até a cama dela, olha para os aparelhos. Volta a olhar para Paula, concentrado, com um olhar fixo nela. Alguns segundos assim, Paula começa a mexer os dedos das mãos) (Luana chega da viagem de férias que ela passou na fazenda de Sérgio. Ela chega em casa sozinha, entra, caminha até o sofá, coloca suas mochilas nele. Verônica vem descendo as escadas nesse momento) VERÔNICA – Olha só quem chegou! LUANA – Olá, mamãe. Também estava com saudade de você. (Verônica fica de frente para sua filha, mas não a abraça) Então, perdi alguma coisa quando estava fora?

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