"Eu Sou o Pai, Sempre Soube Disso"
(Felipe está com os testes em mãos. Luana está nervosa, Felipe também, mas não tanto quanto Luana. Ele entrega um envelope para Luana e o outro fica com ele. Os dois combinam de abrir ao mesmo tempo) FELIPE – No três então? LUANA – Um... FELIPE – Dois... LUANA e FELIPE – Três! (os dois abrem ao mesmo tempo e leem o resultado) (Junior, Paula e Carla estão na cozinha conversando) CARLA – Não, não foi com ela que meu pai fugiu. JUNIOR – No final das contas, então tudo só passou de um mal entendido. CARLA – Você devia ter visto a cara que fiquei depois disso. PAULA – Achei a Beatriz legal. Gostei dela. CARLA – Também achei, agora resta saber o que ela achou da gente. PAULA – Acho que deveríamos marcar um jantar em agradecimento, só que dessa vez aqui em casa. CARLA – Não sei se a Beatriz iria se sentir a vontade na nossa casa. PAULA – Verdade, a casa dela Junior, só a sala, cabe a nossa casa inteira dentro. CARLA – Também não é pra tanto, Paula. PAULA – Mas não achei que ela se importava muito com luxo ou com essas coisas toda. CARLA - Mesmo assim, melhor escolhermos um outro modo de agradecer. JUNIOR – Bom, a conversa está boa meninas, mas tenho que ir. Até mais tarde. (Junior se retira da mesa e vai para o trabalho) CARLA – Até! PAULA – Até, Junior. Já que ficamos sozinhas e os monstrinhos estão dormindo, queria conversa com você sobre a proposta do papai. CARLA – Não sei se quero deixar essa casa novamente, Paula. PAULA – Eu sei, também não quero. Contei para o papai que você estava pensando em estudar, e que esse talvez seria um dos motivos de você não aceitar a proposta dele. CARLA – Só que também não decidi nada sobre isso. PAULA – É minha irmã, enquanto você fica aí indecisa, o tempo está passando. E com isso você precisa decidir o que fazer da sua vida. SÉRGIO – (entrando na sala) Cadê o Roberto? ADRIANO – Já foi. SÉRGIO – E não esperou a gente? ADRIANO – Não, disse que estava apressado, não queria chegar atrasado para à prova e queria dar uma revisada. SÉRGIO – Eu não entendo por que essa preocupação toda, ele é o único que tem as melhores notas da turma dele. Já está com o diploma nas mãos, praticamente. ADRIANO – Mas você conhece o Roberto, né! (termina de arrumar à mochila) Vamos? SÉRGIO – Vamos. (Adriano sai, logo atrás dele Sérgio) (após abrirem os resultados Felipe e Luana saem para fora do laboratório. Felipe está alegre, mas Luana está pensativa) FELIPE – Eu sabia. Sabia que a Alice era minha filha. (repara que Luana não está comemorando também) O que foi? Por que está com essa cara? LUANA – Não é nada. FELIPE – Como não é nada, desde ontem tenho percebido que você está preocupada com alguma coisa, Luana. Então é melhor você me dizer agora o que está acontecendo?! LUANA – Não está acontecendo nada, Felipe. Só estava com medo, de que... FELIPE – De que o Sérgio fosse o pai dela? Não é! Você está com as provas nas mãos. E não adianta dizer que pode está errado, que foram realizados dois testes e todos confirmam o mesmo. Eu sou o pai da Alice. LUANA – Não vamos mas tocar nisso, a duvida finalmente acabou. FELIPE – Eu nunca tive dúvida, sempre tive certeza que a Alice é minha filha. LUANA – Será que podemos ir agora? FELIPE – Claro. A Alice deve ter acordado já. LUANA – Só que não vamos para sua casa. FELIPE – Ah é, você tem que trabalhar. Te deixo lá então. LUANA – Obrigada. (os dois entram no carro, mas Luana não muda sua expressão e Felipe continua desconfiado) FELIPE – Estou achando que você não gostou muito do resultado. Quem sabe você ficaria feliz se o Sérgio fosse o pai dela. LUANA – Não diz isso Felipe, a Alice não teria um pai melhor, do que você. FELIPE – Não é o que está aparecendo em seu rosto. (liga o carro, e partem em silêncio) (Adriana está terminando de se arrumar em frente ao espelho, quando Camila bate na porta) CAMILA – Bom dia, posso entrar? ADRIANA – Claro. Já estava terminando aqui e já ia em seu quarto te chamar. CAMILA – (olhando para duas mochilas prontas em cima da cama) Estou vendo que você já arrumou suas coisas. ADRIANA – Já. Meu ônibus sai daqui a pouco. CAMILA – Bem, já que você não quer desistir dessa ideia... ADRIANA – Você sabe que não posso. CAMILA – Mesmo assim, estou feliz que pelo menos dessa vez você não estão sumindo sem avisar à ninguém. ADRIANA – Pode ficar tranquila, que assim que eu chegar no meu local, iriei telefonar à você. CAMILA – Eu sei. (caminha até ela e a abraça) Queria poder te acompanhar até a rodoviária, mas tenho uma prova daqui a pouco, então não vou poder ir. ADRIANA – Não se preocupa. Tchau, amiga. Até qualquer dia. CAMILA – Tchau. Boa viagem, amiga. (caminha em direção à porta) Tem certeza de que não quer ligar para o Junior? ADRIANA – Tenho. Ontem conversamos tudo que tínhamos que conversar CAMILA – Está bem então. Tchau. (sai do quarto, caminha até a sala, vai para cozinha, toma um copo d’água, volta para sala, pega sua mochila e caminha até a porta, quando abre se depara com Cláudio) CLÁUDIO – Bom dia. CAMILA – Bom dia! (os dois se beijam) Estou atrasada já, não posso demorar. CLÁUDIO – Eu sei. Só vim deixar o convite! CAMILA – Convite? CLÁUDIO – É. Minha mãe está convidando você para jantar lá em casa hoje! CAMILA – Não sei... posso responder outra hora? CLÁUDIO – Pode. No entanto, conhece a dona Verônica. E mesmo assim, à ideia do jantar foi minha. Irei contar sobre a mudança. CAMILA – Bom, se for para falarmos sobre isso, aceito. Mas, agora deixa eu ir, que estou super atrasada já. (Camila fecha à porta e sai com Cláudio até em baixo) FELIPE – (em frente à loja) Chegamos. LUANA – Não fica assim. É sério, eu tô feliz que você é o pai da Alice. Só estava com medo de que... FELIPE – Já entendi, Luana. Melhor você ir, se não você vai chegar atrasada. LUANA – Você vem me buscar? Estava pensando em almoçarmos juntos hoje. FELIPE – Claro, venho sim. (Luana dar um breve beijo em Felipe e logo em seguida entra na loja) (Felipe chega em casa) VIVIANE – Onde estava filho? FELIPE – Estou vindo do laboratório com à Luana. VIVIANE – Vocês pegaram os testes? FELIPE – Pegamos e todos deram positivo. VIVIANE – Viu, então essa dúvida saiu definitivamente da cabeça de vocês? FELIPE – Da cabeça da Luana sim. Porque sempre tive certeza de que à Alice é minha filha. VIVIANE – E que cara é essa? FELIPE – Não é nada. Vou ver como à Alice está! VIVIANE – Claro filho. (Felipe sobe para o quarto, pensativo) (Adriana entra na sala, com uma mochila nas costas e outra segurando nas mãos. Caminha até a porta, coloca a mochila das mãos no chão, e observa a sala, já sentindo saudades) ADRIANA – Mais uma vez indo embora. Pelo menos, será por uma boa causa. (vira-se para à porta, quando abre se depara com Junior) Junior? O que está fazendo aqui? JUNIOR – Vim me despedir! (a beija de surpresa) VERÔNICA – (Cláudio chega em casa) Então, como foi lá? CLÁUDIO – Ela aceitou. VERÔNICA – Que maravilha. Irei mandar para capricharem para este jantar. Afinal, me parece que ele será especial. CLÁUDIO – Oh, a senhora não tem ideia do quanto especial será este jantar. VERÔNICA – Você não pode me antecipar nada sobre hoje? CLÁUDIO – Melhor deixar para à noite! (sobe para o quarto) LUANA – Você ainda está chateado por aquilo? FELIPE – Não estou chateado por nada, Luana. LUANA – Está bem. Como é que a Alice está? FELIPE – Bem. Sentido um pouco de falta da mãe, já que ela não quer muito ver a filha. LUANA – Eu... quero vê-la hoje! FELIPE – A porta de casa vai estar sempre aberta para quando você quiser ir vê-la. (os dois ficam em silêncio) (Adriana e Junior continuam se beijando, depois de alguns segundos de um longo beijo, ambos o encerram) ADRIANA – Você não tinha que está no trabalho? JUNIOR – Tinha. Mas irei recompensar essas horas hoje à noite. ADRIANA – Bem, tenho que ir agora. Não posso perder meu ônibus. JUNIOR – Não vou tomar muito tempo, na verdade, já fiz o que eu queria fazer. Queria deixar mais essa lembrança pra você. Assim, ela se juntará com as outras e trará você de volta para mim... pra gente! (referindo-se à Ana) ADRIANA – Não sei quando irei voltar, Junior. JUNIOR – Não tem problema, esperaremos por você o tempo que for. ADRIANA – Não é melhor você ficar criando expectativas. O que sua mãe disse não vai acontecer. Não iremos ficar juntos. Melhor você apagar todas as nossas lembranças, seguir sua vida, e ser feliz sem mim. JUNIOR – Por enquanto eu serei feliz com à Ana, até você retornar e me tornar feliz por completo. ADRIANA – (sem o que fazer ou dizer) Junior... JUNIOR – Não diz nada. Como eu disse, vamos deixar apenas esse momento como uma boa e inesquecível lembrança. (se aproxima dela calmamente, e volta a beijá-la, só que dessa vez, o beijo é bem mais curto que o primeiro) ADRIANA – Tenho que ir. (pega sua mochila, coloca fora do apartamento, fecha à porta, quando vira para pegar a mochila novamente, Junior já havia pegado) JUNIOR – Deixa te ajudar, pelo menos até lá em baixo. ADRIANA – Obrigada! (tenta não olhar mais para ele, caminha até o elevador, ambos entram, Adriana fica olhando para os botões do elevador, tentando ignorá-lo, enquanto Junior continua olhando para ela) (Frederico e Carla estão na sala conversando) CARLA – Certamente, o senhor veio atrás da resposta sobre à proposta que o senhor fez na casa da Beatriz! FREDERICO – Também. Porém, vim mais para ver meu neto! Como ele está dormindo, então... CARLA – Juro que não é uma decisão fácil, tem muita coisa envolvida... FREDERICO – Eu sei, filha. Sei como isso deve ter pegado vocês de surpresa, mas quero que saiba, que vou apoiar em qualquer decisão que você tomar. Você tem uma vida, e o que mais quero é que você viva ela. Seja comigo ou aqui, na casa de sua mãe. CARLA – Independente onde seja, a minha vida é ao lado do meu filho. Do Pedro. E é por ele que tomo esta decisão. FREDERICO – Pois bem, o que você decidiu filha?Continua no Capítulo 74...