"Mãe Perversa"
(Felipe beija Luana por um tempo, até que ela interrompe o beijo) LUANA – Não estou entendo. FELIPE – Acho que merecemos uma segunda chance. Mas sem ninguém intrometendo em nossas vidas. Vamos ser só nós dois. Construindo o nosso próprio caminho. LUANA – Você quer voltar? É isso? FELIPE – Quer namorar comigo Luana? LUANA – Calma aí... (se afasta um pouco) Isso está sendo muito rápido. FELIPE – Bem, se você quiser posso ir embora. LUANA – Não, eu aceito. É que não estou entendo o que te fez mudar de ideia assim, porque da ultima vez que a gente se encontrou, estávamos assinando o divórcio, você estava com raiva de mim. FELIPE – Uma conversa que tive com um amigo, me fez mudar de ideia sobre você. LUANA – Me lembra de agradecer esse seu amigo. (o beija) Eu aceito namorar com você. Merecemos uma segunda chance, agora com ninguém se intrometendo entre a gente. (os dois se beijam novamente)Amanhecendo...
(descendo as escadas feliz) LUANA – Bom dia! VERÔNICA – Bom dia. Posso saber que felicidade toda é essa? LUANA – Só que eu e o Felipe estamos namorando. VERÔNICA – Sério? Você conseguiu trazer o Felipe novamente para o nosso lado, filha. Essa sua ideia de fingir ser uma garota honesta, trabalhadora, então deu certo, quem diria?! LUANA – Primeiro, não fingi trabalhar para conquistar o Felipe. Eu vou continuar trabalhando, mesmo depois de voltarmos. VERÔNICA – Ah, você que sabe. O que importa é que temos novamente a herança daquela família. LUANA – Eu não terminei mamãe. Eu aceitei namorar com o Felipe, com a condição de que ninguém vai se intrometer na nossa história novamente, ou seja, a senhora não faz parte dos nossos planos. VERÔNICA – O que você quer dizer? Você está excluindo sua própria mãe da sua vida? LUANA – Não estou excluindo ninguém. Eu e o Felipe apenas queremos construir isso com os nossos próprios passos, sem a senhora ou a família dele no meio. VERÔNICA – Eu já entendi, filha. Agora que não sirvo mais para você, você quer me deixar de lado. LUANA – Mamãe não é isso, é só que... VERÔNICA – Não precisar dizer mais nada filha, já entendi. LUANA – Ah, a senhora pense o que quiser. Também não estou afim de explicar nada. Estou indo para o trabalho. VERÔNICA – Claro filhinha, querida. Espera que consiga trabalhar, pensando no seu maridinho que você diz que ama e na sua querida filinha, que você diz ser sua filha. LUANA – O que a senhora quer dizer com isso? VERÔNICA – O quê? Ficou curiosa foi? Para você não achar que sou uma mãe ingrata, assim como você pensa, vou contar um segredinho que guardei de você. LUANA – De que segredo a senhora está falando? VERÔNICA – É bom prestar atenção e se preparar com o que você vai ouvir, querida filha. LUANA – O que a senhora armou mamãe? VERÔNICA – Preparada. Sabe a sua filha, pois é... ela não é sua filha! LUANA – Que brincadeira é essa, mamãe. Claro que a Alice é minha filha. VERÔNICA – Não é, Alice não é sua filha. Sua filha não resistiu ao parto. LUANA – É mentira. Não acredito. A senhora está mentindo. VERÔNICA – A Alice não é sua filha. Naquela noite, no momento que você me pediu para busca-la, a enfermeira tinha me dito que a menina havia nascido muito prematura e não conseguiu resistir. Então, com medo de que o Felipe separasse de você, paguei a enfermeira para trocar a criança com uma outra que havia tido gêmeos. LUANA – Isso não é verdade, a senhora está mentindo ... (começa a chorar) VERÔNICA – Se não acredita, por que não realiza um teste com ela. Aproveita, conta para o Felipe também e veremos se ele vai continuar essa história de namorico com você. LUANA – (chorando) A senhora não devia ter feito isso. A senhora devia ter me contado. VERÔNICA – Eu fiz isso pensando em você. Essa menina era a única coisa que ligava você com o Felipe. (Luana não diz nada, apenas parece chocada com o que a mãe fez) Você devia me agradecer que essa menina garantiu seu casamento por um tempo. LUANA – (limpando as lagrimas) Realmente não sei como ainda fico chocada com o que a senhora é capaz de fazer para conseguir aquilo que quer. VERÔNICA – Sou disso e muita mais, querida. Espero que você reflita, que você precisa muito da minha ajuda. E não será fácil se livrar de mim. (Verônica vai para cozinha. Luana, desiste de ir para o trabalho, caminha até o sofá, e começa a chorar) CARLA – Bom dia. (entrando na cozinha) PAULA – Bom dia. CARLA – O Junior já foi para o trabalho? PAULA – Saiu agorinha. CARLA – Então eu vou lá no quarto, ver se a Ana estar dormindo mesmo. PAULA – Eu vou indo. Última semana de curso, não posso perder nada. CARLA – Isso mesmo. Quero ver você saindo bem nesses vestibulares. PAULA – Preciso focar em algo agora. Chega de ficar pairando de um lugar para o outro. (Paula pega sua mochila e vai para o curso. Carla vai até o quarto da Ana, e a encontra dormindo. Ela senta na cama, perto da menina, mas não a toca. Carla olha para o lado, e pensa em Miguel se despedindo dela ontem) VIVIANE – Tem certeza que não quer que o motorista leve você filho. MIGUEL – Não precisa tia. Deixa ele a disposição de vocês. Eu pego um taxi. VIVIANE – Estar bem então. (o abraça) Tenha uma boa viagem filho, e liga quando chegar. MIGUEL – Pode deixar. FELIPE – Miguel espera. (descendo as escadas) Não acredito que você ia embora sem se despedir de mim. MIGUEL – Não cara, é que não sei que horas você chegou ontem, então não decidi te incomodar. FELIPE – Ontem não cheguei muito tarde. Lamento que você não tenha conseguido nada com aquela garota. MIGUEL – Eu também pensei que iria rolar alguma coisa, mas infelizmente não aconteceu. Boa sorte pra você também, encontrar uma outra garota. FELIPE – Não preciso, eu e a Luana conseguimos nos acertar. MIGUEL – Sério? Poxa, parabéns cara. Que dessa vez, dê tudo certo entre vocês. FELIPE – Também espero. (táxi buzina lá fora) MIGUEL – Oh, meu táxi chegou. Adeus cara. FELIPE – Adeus. (os dois se abraçam) Quem sabe um dia desses eu não vou lá, ver como anda a empresa. MIGUEL – Não, da última vez que você foi lá por negócios, não tivemos nem tempo pra bater um papo. FELIPE – Estar bem, mas um dia vou visita vocês. MIGUEL – E leva a Alice. FELIPE – Pode deixar. (Lucas está terminando de guardar algumas roupas dentro de uma mochila, quando Verônica entra no quarto) VERÔNICA – Queria falar comigo, filho? LUCAS – Sim, mãe! Estou indo até São Paulo. Acho que demorei tempo demais, tá na hora de olhar para Karina. VERÔNICA – Espero que durante esses dias você tenha pensado bem e aceitado a ideia de reconquista-la. LUCAS – Não, não irei fazer nada. Se ela quer o divórcio, ela terá. VERÔNICA – Realmente não entendo o que está acontecendo com você e a Luana. LUCAS – Talvez abrimos nossos olhos, e estamos começando a caminhar com os nossos próprios pés. VERÔNICA – Só quero ver quanto demora isso de vocês começarem a pensar por si só, vai durar. Vou gargalhar tanto quando vocês vierem atrás de mim, pedindo ajuda. LUCAS – Qualquer mãe ficaria feliz ao ver seus filhos tomando conta de sua própria vida, mas a senhora não é desse tipo de mãe, né mesmo dona Verônica?! Bem, chamei a senhora apenas para avisar, que daqui a pouco pego o voo para São Paulo. Hoje a tarde me encontrarei com a Karina, e possivelmente, com o papel do divórcio assinado. VERÔNICA – Quando você volta? LUCAS – Não sei. Avisa a Luana e o Cláudio, talvez quando eles voltarem, não estarei mais aqui. VERÔNICA – Está bem. Qualquer coisa, estarei na cozinha. (sai do quarto, Lucas continua arrumando sua mochila) CAMILA – Estou indo na casa Carla, você vem? ADRIANA – Sim. Certeza de que o Junior não estará lá? CAMILA – Tenho, a Carla me garantiu que ele estaria no trabalho. ADRIANA – Então vou lá me despedir da minha amiga. CAMILA – Na verdade, espero que ela consiga te convencer a ficar. Não concordo com isso, tem que haver outro jeito. ADRIANA – Não há, Camila. Ou faço isso ou o Junior perde a guarda da Ana novamente. Você quer que isso aconteça? CAMILA – Não. Ele ficou tão feliz com a Ana. ADRIANA – Então. E mesmo assim, a vida é minha, eu escolho o que fazer com ela. CAMILA – Está bem, então vamos. (Adriana e Camila saem do apartamento) VERÔNICA – (entrando no quarto) Não quis ir para o trabalho? LUANA – Vou na casa do Felipe. VERÔNICA – Vai contar a verdade para ele? LUANA – E se for? Perdemos tudo mesmo, não importa muito pra senhora. VERÔNICA – Verdade. Já que você não quer mais me obedecer, faça o que quiser então. LUANA – Quero saber onde minha filha está enterrada, por isso vou contar a verdade. VERÔNICA – De que adianta ir atrás de uma filha morta? Você nunca saberá como ela é... LUANA – Não importa, eu quero a minha filha. VERÔNICA – Se você fizer isso, você estará perdendo todas as oportunidades com o Felipe. Ou você acha que depois que ele descobrir que a Alice não é filha dele, ele vai querer alguma coisa com você? LUANA – Querendo ou não, o Felipe tem que saber da verdade. Mesmo que depois, eu o perca novamente, vou contar tudo. VERÔNICA – Vai lá então fazer essa loucura. Seu irmão é outro que decidiu se revoltar e hora dessa está no avião chegando em São Paulo. LUANA – O Lucas foi à São Paulo? VERÔNICA – Foi assinar o divórcio. LUANA – Pois boa sorte a ele, e desejo que ele consiga recomeçar a vida dele, como estou tentando recomeçar a minha. (Luana pega sua bolsa, deixa a mãe sozinha no quarto e vai pra rua, atrás de Felipe) (Carla, Camila e Adriana estão na sala conversando. Carla está segurando Pedro, e Camila está segurando Ana) CAMILA – Cada dia mais, ela se parece com à Joana. CARLA – É o que eu sempre venho dizendo para o Junior. Você não quer segurar ela um pouco Adriana? ADRIANA – Não. Melhor não. Melhor não me apegar demais, meninas. CARLA – Mas se você veio aqui para se despedir, melhor se despedir de todo mundo. (olha para Camila. Camila vira em direção a Adriana, que estava ao lado dela, e oferece Ana para ela segurar) ADRIANA – Não, meninas. Melhor não. Ela pode chorar comigo. CAMILA – Segure ela, Adriana! ADRIANA – Não, Camila. Deixa mesmo com você. (vendo que não tem jeito, Camila meio que coloca Ana no colo de Adriana, que a faz segurar a menina nos braços. Com Ana nos braços, Adriana solta um pequeno sorriso) CARLA – Bem, enquanto você fica aí cuidado dela. Vou colocar o Pedro para dormir. Vou precisar de sua ajuda, Camila! CAMILA – Está bem. CARLA – Já voltamos, Adriana. Se ela começar chorar, só nós chamar. ADRIANA – Ela não vai chorar. Ela gostou de vir pra mim. (Carla e Camila sorriem) CAMILA – Depois não queria segurar a menina. (Carla e Camila sobem para o quarto) ADRIANA – Tenho certeza que seu pai vai cuidar muito bem de você. Talvez ele conte de mim, e caso queira ver uma foto minha, só procurar a Camila. (sorrir. Nesse momento Junior chega em casa) JUNIOR – (caminhando até o sofá) Oi, Adriana! ADRIANA – Oi, Junior. (Adriana se levanta, ficando de frente com ele) JUNIOR – Parece que ela gosta de você. ADRIANA – A Carla foi colocar o Pedro para dormir. Daqui a pouco vem pegar ela. JUNIOR – Que é isso. Não precisa se preocupar. Na verdade, graças a você que ela está aqui hoje. ADRIANA – Gustavo percebeu que ela ficaria melhor com o pai. JUNIOR – Aproveitando que você está aqui. Precisava conversar com você. (se aproximando dela) Te agradecer pelo o que você fez. ADRIANA – Não precisa! JUNIOR – Precisa. Precisa, sim. (se aproxima dela e a beija) (Lucas e Karina estão frente a frente, em pé na sala) KARINA – Pensei que teria que enviar esse processo até o Rio, para você assinar. LUCAS – Não será necessário, eu estou aqui, não estou?! KARINA – Que bom que está. Espero resolver isso logo hoje e jamais ter que olhar para a sua cara novamente. LUCAS – É o que pretendo também.Continua no Capítulo 71...