"Processo Iniciado"
(Carla permite Felipe entrar. Os dois estão na sala agora, conversando) FELIPE – Como você está? CARLA – Bem. FELIPE – Acho que o seu pai já deve ter contado sobre mim? CARLA – Contou. FELIPE – Não podemos esconder o que houve entre a gente no passado... CARLA – Não aconteceu nada entre a gente. FELIPE – Aconteceu! Eu nunca consegui esquecer aquela noite. Até um dia desses, fazia questão de não esquece-la, mas... CARLA – A situação mudou né?! FELIPE – Mudou! Eu soube que você tem um filho. Esse filho por acaso é...? CARLA – Não. Não é seu, se você quer dizer isso. Como você soube que eu tenho um filho? FELIPE – Não importa como eu soube. Quem é o pai então? CARLA – De um outro cara, com quem tive um curto relacionamento. FELIPE – Você não contou para ele que estava grávida? CARLA – Como podia contar para alguém que nem sei onde está. O cara sumiu logo depois e nunca mais tive notícia dele. (os dois ficam em silêncio por um tempo) Bem, se era só isso que você queria saber... FELIPE – Eu queria me aproximar de você... (segura a mão dela, mas logo solta em seguida) Como irmão! CARLA – Melhor deixar assim, não acha? Você com à sua vida e eu seguindo a minha. Soube que você casou! FELIPE – Separei. CARLA – Já? O que houve? FELIPE – Não tem porque continua com um casamento sem amor. CARLA – Provavelmente deve ter várias pretendes querendo esse cargo. FELIPE – Pior que não. Acho que esse cargo não pode ser mais preenchido. (os dois se olham nos olhos por um tempo) CARLA – Melhor você ir. Tenho que alimentar meu filho ainda. Boa noite. (levanta e caminha em direção à porta. Felipe demora um pouco sentado no sofá, depois levanta e vai para à porta) FELIPE – Boa noite! (vai embora. Carla da porta, observa Felipe entrar no carro e ir embora. Carla fecha à porta e volta para à cozinha) CAMILA – O que ele queria? CARLA – Se despedir. Desculpa pessoal, mas acho que já deu para mim. Boa noite para vocês. ROSÁRIO – Boa noite filha. JUNIOR – Boa noite. ROBERTA – Boa noite. (Carla sobe para o quarto)Amanhecendo...
(Miguel entra no quarto do Felipe) MIGUEL – Estava te procurando? FELIPE – O que foi? MIGUEL – Preciso de um favor seu? FELIPE – Peça. MIGUEL – Você pode me emprestar seu carro? FELIPE – Claro, mas para que você quer ele? MIGUEL – Eu vou atrás daquela garota. Acho que dessa vez, vamos nós acertar. FELIPE – Boa sorte para você. (pega a chave em cima da mesa do criado mudo, e entrega para o primo) MIGUEL – Obrigado, cara. Prometo trazer seu carro no mesmo estado que peguei. FELIPE – Não liga para isso, se preocupa apenas com à sua garota. JUNIOR – Eu já vou indo. Deixei à Ana dormindo. Se ela acordar... ROSÁRIO – Não se preocupa querido, sei cuidar dela. Se concentre nas entrevistas. Você precisa de um emprego. JUNIOR – Verdade. Bom dia para vocês. ROSÁRIO – Bom dia. (Junior corre até a porta, mas antes que ele saísse, ele dar de cara com um oficial de justiça) OFICIAL – Bom dia. JUNIOR – Bom dia. OFICIAL – Você é o Junior? JUNIOR – Sou eu mesmo. OFICIAL – Isso é para você. (entrega um envelope para ele) JUNIOR – O que é isso? OFICIAL – Uma intimação. O senhor pode assinar aqui. (Junior assina, recebe o envelope e o Oficial vai embora) ROSÁRIO – (entrando na sala) O que é isso? (Junior abre o envelope e começa a ler) JUNIOR – Estou sendo intimado para o processo da guarda da Ana. Ele realmente cumpriu e abriu um processo. Ele é mais rápido do que pensei. ROSÁRIO – Mas já tem à data da audiência? JUNIOR – Daqui dois dias. ROSÁRIO – Não se preocupa, ninguém vai tirar ela de você. JUNIOR – (começa ficar nervoso) E se tirar? E se eu perder a minha filha Rosário? E se ele conseguir tirar ela de mim, não sei o que vou fazer sem ela! ROSÁRIO – Calma filho. Confia em Deus, vai dar tudo certo. Você não vai perder sua filha, nenhum juiz teria coragem de fazer isso com um pai bom que nem você. CAMILA – (ao telefone) Está bem, obrigada por avisar Rosário. Tchau. ADRIANA – O que a Rosário queria? CAMILA – O Gustavo iniciou o processo pela à guarda da Ana. A audiência será daqui dois dias. ADRIANA – Como assim dois dias? Tão rápido? Pode isso? CAMILA – Eu disse que o Gustavo não estava de brincadeira. Se o Junior não se preparar, ele vai perder a filha. ADRIANA – Não podemos deixar isso acontecer. (ela joga sua bolsa no sofá, e corre até a porta) CAMILA – Onde você vai maluca? ADRIANA – Vou na casa da Carla, ver o Junior. CAMILA – Ele não estar lá. Ele foi para rua, procurar emprego. ADRIANA – Mesmo assim eu vou lá. Não posso deixar à Ana sozinha. CAMILA – E a faculdade maluca? ADRIANA – Vai continuar lá, Camila. Tchau. (Adriana fecha à porta e saí até à casa da Carla) CAMILA – Essa é totalmente maluca. ROSÁRIO – Você devia ter visto a cara dele, filha. CARLA – Imagino, mas vamos fazer de tudo para proteger à filha dele. Ela é filha da minha melhor amiga e ninguém vai levar ela da gente. ROBERTA – Triste o fim dela. Deve nem tempo de segurar a própria filha? CARLA – Não. Nem de olhar para ela. ROSÁRIO – Você imagina agora a dor que esse rapaz estar sentido? ROBERTA – Imagino. Ele vai sentir ainda mais dor, se perder à Ana. (campainha) CARLA – Deixa que eu atendo. (Carla bebe sua xícara, coloca em cima da pia e corre para atender à porta) Já vai. Miguel? MIGUEL – (sorrindo) Oi. VERÔNICA – Vai sair filha? LUANA – Vou. Vou ver se consigo arrumar um emprego? VERÔNICA – Que piada é essa agora? LUANA – Piada nenhuma, mamãe. Como a nossa família está precisando de dinheiro, o correto é arrumar um emprego e ajudar aqui dentro, não acha? VERÔNICA – Não acredito que você vai me dar mais esse desgosto filha? LUANA – Trabalhar não dar desgosto para ninguém. E eu tenho um ótimo currículo, com meu charme, consigo um emprego rapidinho. VERÔNICA – Quem você quer enganar fazendo isso filha? Você devia estar pensando em que maneira você vai conquistar o Felipe e não ficar pensando essas besteiras. LUANA – Mamãe, a senhora não manda mais em mim. Eu sou adulta e posso fazer o que eu quiser. (com isso, Luana vai para rua procurar emprego) MIGUEL – Posso entrar? CARLA – Claro. (Miguel entra, e os dois vão para à sala) Aceita tomar algo? MIGUEL – Não, obrigado. Cadê seu filho? CARLA – Dormindo. Mas daqui a pouco deve acordar com fome. Então acho que é melhor você ser rápido. MIGUEL – (ri) Claro. CARLA – Qual a graça? MIGUEL – É que você continua a mesma. Eu não sei o que te fez voltar para o Rio, sem avisar a ninguém, mas acreditei que estava acontecendo alguma coisa entre nós... (segura a mão dela) E acredito, que você sente à mesma coisa que eu estou sentido agora. (se aproxima dela) E o único jeito de saber, se isso é verdadeiro, é fazendo isso... (a beija. Após um tempo de beijo, Carla se afasta) CARLA – Por que você fez isso? MIGUEL – Quero ter certeza se realmente não está acontecendo nada entre a gente. (Carla não responde nada e ele se desculpa) Desculpa, Carla. Eu não devia ter feito isso, agi por impulso. (Pedro acorda) CARLA – Meu filho acordou! (caminha até a porta) Então, se você me dar licença. MIGUEL – Posso voltar outra hora? CARLA – Melhor não. MIGUEL – Tá. Desculpa novamente. (Carla não responde e Miguel vai embora) FELIPE – Já chegou? (Miguel entra no quarto do Felipe e se joga na cama dele) Então, como foi? MIGUEL – Acho que fiz uma besteira! FELIPE – O que você fez? MIGUEL – Eu à beijei. FELIPE – E como ela reagiu? MIGUEL – Não como eu esperava. Que burro que eu fui. FELIPE – Vocês brigaram? MIGUEL – Não. Mas ela não gostou do que eu fiz. Que bela maneira de tentar aproximar dela. (senta sobre à cama) FELIPE – Eu não sei o que te dizer cara. MIGUEL – E o assunto da sua banda, eles vão alugar lá o local? FELIPE – Não sei. Entreguei as informações para o pessoal, eles vão conhecer melhor lá. MIGUEL – Sei. O que está fazendo? FELIPE – Compondo uma música para Alice. MIGUEL – Posso ver? FELIPE – Agora não. Ainda não terminei e não gosto que vejam, antes de estar pronta. MIGUEL – Ok. (levanta da cama) Então, vou indo. Deixa você termina de compor a música para sua filha. E valeu aí pelo o apoio com aquela garota, mas acho que estraguei tudo. FELIPE – Dar um tempo para ela. Vocês vão se acertar. MIGUEL – Tomara, irmão. (sai do quarto) ADRIANA – Ele ainda não chegou? ROBERTA – Ainda não. CAMILA – Cadê a Carla? ROBERTA – Ela saiu com a mamãe. Elas foram comprar algumas coisas para o Pedro. ADRIANA – Você sabe de alguma coisa sobre a audiência? ROBERTA – Não. Mas o Junior ficou bastante frustrado após receber aquele envelope. ADRIANA – O Gustavo foi mais rápido que à gente. Que tal a gente ligar para o advogado do Claudio, talvez ele nos informe o que devemos fazer? ROBERTA – Boa ideia. Você tem o número dele? ADRIANA – Tenho. (Adriana pega seu celular e liga para o advogado. Minutos depois, Junior chega, e pela expressão no rosto, parece que ainda não encontrou em emprego. Adriana está sozinha na sala) Que bom que você chegou, Junior. Talvez não devia, mas liguei para o advogado e informei sobre a intimação. Ele disse que vai verificar. JUNIOR – (apresentando ser confiante) Para mim tanto faz. Pode ser daqui dois dias, podem adiar, que estou pronto para essa batalha. ADRIANA – Conseguiu arrumar um emprego? JUNIOR – Não. Outro dia sem sorte. ADRIANA – Calma. Também essa área aqui, não tem muitas oportunidades de emprego. Você não pensa em arrumar um emprego em outro bairro? JUNIOR – Eu já tive essa ideia, mas vou pagar a condução com que dinheiro? ADRIANA – Bem, posso te emprestar um dinheiro. Aí, quando você estiver fixo no emprego, você me devolve. JUNIOR – Eu agradeço, mas não. Você e as meninas já estão ajudando demais. ROBERTA – Achamos o papai. (entrando na cozinha, com Ana nos braços) Papai, sua filha quer dormir. JUNIOR – Me dar ela aqui. Está com sono filha? Vou colocar ela para dormir, gente. (sobe para o quarto) ROBERTA – Você gosta dele né? (percebendo que Adriana não tirou os olhos de cima do Junior subindo as escadas) ADRIANA – Não como você está pensando. ROBERTA – Está na cara, Adriana. O jeito que você olha para ele, esse cuidado todo. ADRIANA – Ele era marido da minha melhor amiga. ROBERTA – Sim, pode ser, mas isso não... ADRIANA – A Joana amava o Junior. E mesmo ela não estando aqui, vou respeitar esse amor. CARLA – Então tá.Anoitecendo...
LUANA – Cadê o pessoal dessa casa? (descendo as escadas, direção a sala) VERÔNICA – Seu irmão saiu. Certamente, foi para a casa da namorada. Lucas não saiu do quarto, depois que recebeu suas coisas de São Paulo. Conseguiu emprego? LUANA – Consegui. Vendedora de uma loja, num shopping aqui perto. VERÔNICA – Vendedora? Sério filha? Você com toda essa beleza, elegância, não tinha um cargo melhor não? LUANA – Vendedor é um trabalho digno igual qualquer um. E se a senhora quer reclamar, comece a pensar em uma maneira de começarmos a economizar, que o dinheiro vai entrar menos aqui dentro. (vai para cozinha) (Carla, Camila, Adriana, Cláudio, Junior e o advogado dele estão na sala conversando) CAMILA – Então, como foi lá? ADVOGADO – Realmente o julgamento foi marcado para daqui dois dias. CAMILA – O que devemos fazer então? ADVOGADO – Se preparar. Vou ver quais as reais chances dele (Gustavo) conseguir a guarda da menina. Não se preocupem. Temos dois dias e vou estudar afundo nas chances que temos. Ah, e preparem-se, amanhã virá uma assistente social visitar você. JUNIOR – Certamente, ela verá que não tenho condição para cuidar de uma casa, já que estou morando de favor na casa dos amigos. CARLA – Calma, Junior. Vamos fazer de tudo para dar uma boa impressão para à assistente. ROSÁRIO – Mostraremos a ela o pai amoroso, generoso que você é. CAMILA – Ela verá que você merece ficar com à Ana. CARLA – Tem mais alguma informação que precisamos saber? ADVOGADO – Por enquanto não. CAMILA – Obrigado. ADVOGADO – De nada. Qualquer coisa, não hesitem em me ligar. CAMILA – Podem deixar. (Camila acompanha o advogado até a porta) JUNIOR – É, agora resta aguardar.Dois dias depois...
(o dia da audiência chega. Junior e Gustavo estão frente a frente, com seus respectivos advogados. O juiz inicia) JUIZ – Está aberto a audiência pela guarda da menor Ana Clara Silva. Onde o tio, Gustavo Souza, requer à guarda da menina do pai Junior Silva. Com à palavra, o autor do processo, Gustavo Souza.Continua no Capítulo 67...