"O Mesmo Pai"
CARLA – (confusa) Vocês se conhecem pai? FREDERICO – Bem... (antes que Frederico explicasse ou inventasse de onde conhece Felipe, o próprio rapaz sai apressado da casa da Carla, entra em seu carro e vai embora) O que foi que deu nele? CARLA – (confusa) Não sei. FREDERICO – Vamos, então? (olha para Adriana e Camila que estava atrás de Carla) CARLA – (abraçando Adriana) Tchau. (logo em seguida abraça Camila) FREDERICO – Tchau, filha. (beija o rosto dela) CARLA – Tchau. (Adriana, Camila e Frederico saem, chamam um táxi, entram nele e vão embora. Depois que eles vão, Carla fica fora da casa, tentando entender o porquê do Felipe ter saído daquele jeito) VERÔNICA – Há quanto tempo você está aí filha? LUANA – Bastante tempo. LUCAS – Então você ouviu? LUANA – Ouvi e quero uma explicação mamãe. VERÔNICA – (não excita em dizer) Sim, ele é seu irmão. Não vou mentir para você, acho que está na hora de vocês se conhecerem. LUANA – (surpresa) Por que eu nunca soube da existência dele? VERÔNICA – Quando eu engravidei do Lucas, era mãe solteira. Estava na faculdade ainda. Fiquei com um carinha em uma festa que rolavam por lá, e acabei não me prevenindo... LUCAS – E resultou em mim. VERÔNICA – Minha família não podia saber disso. Eu não podia ficar com ele, então fiz uma viagem para São Paulo, e entreguei para minha tia cuidar. Ela conseguiu guardar segredo, sempre conseguia. As duas famílias não se falavam muito, então, ninguém desconfiou. LUANA – Mas como a senhora escondeu essa gravidez? VERÔNICA – Eu viajei para São Paulo, antes da barriga aparecer. Fiquei lá até o nascimento e depois voltei. Terminei a faculdade, conheci seu pai, adotei o Cláudio e tive você. LUANA – E senhora pretendia contar isso quando? VERÔNICA – Não sei. Talvez nunca. LUANA – E que história é essa de desviar dinheiro da empresa, e fica mandando para senhora? VERÔNICA – Esse assunto não vou poder te contar agora filha. LUANA – Não. Eu quero saber de tudo. Ou não vou lá em baixo, e conto para todo mundo, o que descobri. GUSTAVO – Obrigado então. Depois ligo de volta. (desliga o telefone, no momento que Adriana e Camila chegam) ADRIANA – Com quem estava falando? GUSTAVO – Meu advogado. Estava estudando meu caso, vendo se tenho alguma chance de conseguir a guardar da minha sobrinha. ADRIANA – Você não pode fazer isso, Gustavo. GUSTAVO – Por que não, Adriana? ADRIANA – Porque... porque eu não acredito que você vai fazer isso com sua irmã. Sua irmã, amava o Junior... GUSTAVO – Do mesmo que jeito que você o amava? ADRIANA – Não estamos falando de mim. GUSTAVO – Eu sei o que você fez. Eu conheço a história de vocês toda. E eu não vou deixa que a filha da minha irmã, seja criada por um cara que nem se quer a respeitou. ADRIANA – O Junior nunca traiu sua irmã. Eu que o forcei isso. Eu fui à única que a traiu nessa história. GUSTAVO – Não vem com essa, Adriana. Eu vou conseguir a guarda da minha sobrinha. Ainda mais agora, que descobri que ele perdeu a casa. CAMILA – Como você descobriu isso? GUSTAVO – Não importa. Preciso descobrir agora, onde ele está. E algo me diz que vocês sabem. ADRIANA – Sei, mas não irei contar até você desistir dessa história. Você e ele precisam conversar, Gustavo. Você precisa ver o quão gentil, amoroso o Junior é com à Ana. Não é certo que você tire a menina dele. GUSTAVO – Estou vendo que você está do lado dele, e não da Joana. (ele pega uma pasta que estava em cima do sofá, e vai para o quarto) ADRIANA – (Adriana senta no sofá preocupada. Gustavo volta para sala com uma mochila) Onde você vai? GUSTAVO – Para algum hotel. (sai do apartamento sem dizer mais nada) LUANA – Anda, vocês vão me contar essa história ou não? KARINA – Que história? (entra no quarto de repente) Está acontecendo alguma coisa aqui? LUCAS – Nada amor. Acontecendo nada aqui. (se aproxima dela) KARINA – Que história você quer saber Luana? VERÔNICA – É que eu vim te procurar Karina, aí como só encontrei o Lucas, a gente ficou conversando, conversando e ele acabou contando a história de como vocês se conheceram. LUCAS – Isso amor, aí a Luana acabou ouvindo um pouco da nossa história. VERÔNICA – E como à história de vocês é um pouco longa, a Luana quer saber de novo do início, aí eu disse para ele contar outro dia, com você ao lado. KARINA – Bem, se você quer saber como a gente se conheceu, posso contar isso hoje no jantar. Mas a nossa história não é tão interessante, Luana. LUANA – Eu achei. Quis compará-la com a minha e a do Felipe. KARINA – Pois se quiser, contamos mais tarde. (olha para Lucas, sorrindo) LUANA – Pode ser. VERÔNICA – Então vamos filha. Vamos deixar o casal aí. LUANA – Licença. (Verônica segura o braço da filha, e as duas saem do quarto) VERÔNICA – Que bom que você não contou nada. LUANA – Mesmo assim, quero saber essa história direitinho. E nada de mentiras. (as duas continuam caminhando até chegarem ao quarto da Alice) (Junior está no quarto, olhando sua filha dormir. Carla entra devagarinho, e se aproxima dele) CARLA – Você não vai perder ela. Juiz nenhum vai tirar a guarda que você tem. JUNIOR – E se tirar? Eu não vou conseguir viver sem ela, Carla. Eu já perdi à mãe dela, não quero perder a filha agora. (começa a chorar, e Carla o consola com um abraço) Eu amo minha filha, não quero perde-la. CARLA – Eu sei. Todo mundo enxerga isso. E não se preocupa, ninguém vai tira-la de você.Anoitecendo...
(Miguel está na sala mexendo no celular, quando Luana vem descendo as escadas) MIGUEL – O Felipe apareceu? LUANA – Não. (Paulo chega em casa) MIGUEL – Você viu seu irmão, Paulo? PAULO – Não. Estou chegando agora. (sobe para o quarto) MIGUEL – Ele deve estar com a banda dele! LUANA – Talvez tenha razão. Mas, ele me disse que não tinha nenhum show marcado para hoje. (pega o celular, e digita uma mensagem para ele. Antes que ela enviasse, Felipe chega em casa. Entra cambaleando e está com uma garrafa na mão) Onde você estava, Felipe? (se aproximando dele) Você bebeu? Você está bêbado, Felipe! FELIPE – (bêbado) Ahh, me esquece. Como se você desse a mínima para mim. (empurra ela para o lado, e caminha até sofá) MIGUEL – Onde você estava que sumiu à tarde inteira cara? FELIPE – Não vem, Miguel. Não tô afim de papo. MIGUEL – Me dar essa garrafa. (Miguel toma à garrafa dele, Felipe começa a rir, e deita no sofá, e agarra no sono) LUANA – O Felipe não é disso. Alguma coisa aconteceu? MIGUEL – Vou chamar o Paulo, para me ajudar a levar ele lá para cima. Não é bom a Viviane pegar ele nesse estado. LUANA – Está bem. (Miguel sobe atrás do Paulo, e Luana senta ao lado de Felipe e faz um carinho em sua cabeça)Amanhecendo...
(Felipe acorda com uma dor de cabeça bem forte, sorte dele que Luana, entra no quarto, com um café bem forte) LUANA – Acordou? FELIPE – (geme um pouco e se senta sobre a cama) Cheguei que horas ontem? LUANA – Cedo. Sorte que a Viviane não te viu naquele estado. Rapidamente o Paulo e o Miguel trouxeram você para o quarto. Toma, bebe isso. FELIPE – Que horas são? LUANA – Deve ser 8 horas por aí. FELIPE – Tenho que levantar. Tenho um ensaio com o pessoal. LUANA – Depois... (o impede de se levantar) ...primeiro você vai tomar seu café, tomar um banho, e depois vai encontrar sua banda. FELIPE – Obrigado. (Felipe olha pra Luana e percebe que mesmo ele tratando-a mal, ela sempre esteve do seu lado) Acho que está na hora de valorizar quem está ao meu lado. (ele olha bem para Luana, se aproxima do rosto dela e a beija) CAMILA – (Camila entra na cozinha e repara que Adriana não está arrumada para ir à faculdade) Não vai para faculdade hoje? ADRIANA – Não quando esse problema ficar me incomodando. CAMILA – Adriana, você reabriu sua vaga agora. E você viu, que quase não conseguimos. Você não quer perder ela agora, quer? ADRIANA – É só um dia, Camila. Amanhã eu vou. Tchau. (caminha apressadamente para à porta) VERÔNICA – Bom dia, filho. (entrando na cozinha) CLÁUDIO – Bom dia. VERÔNICA – Chegou cedo ontem? Não saiu com a Camila? CLÁUDIO – Não, ela está resolvendo alguns problemas com a amiga. Mãe, será que o Álvaro, poderia atender um caso para mim. A Camila precisa de um advogado, na verdade, quem precisa do advogado, é o amigo dela. É que ele está tendo um problema com o cunhado, e pode perder a filha. VERÔNICA – Claro que pode! E pode dizer para Camila, que ela ou amigo dela não precisam se preocupar em pagar os serviços dele, deixa isso comigo. CLÁUDIO – Eu não acho que isso ela irá aceitar. Já foi uma luta, convencer ela a aceitar minha ajuda. VERÔNICA – Vindo de mim ela vai aceitar sim, filho. (os dois param de ser beijar, e Luana fica olhado para Felipe, não acreditando o que acabou de acontecer) FELIPE – Acho que vou tomar um banho. LUANA – Mas... e o seu café? FELIPE – Depois eu tomo. (se levanta, e vai para o banheiro. Luana senta na cama, com um sorriso de canto a canto) CARLA – (surpresa ao ver Adriana na porta) O que você está fazendo aqui? Você não tem aula na Faculdade? ADRIANA – Tinha. Cadê o Junior? CARLA – No quarto. ADRIANA – Eu quero falar com ele. (Adriana e Carla sobem rumo ao quarto, mas quando entra, o quarto está vazio) Cadê ele? CARLA – Eu não sei. (olha o guarda roupa) As roupas dele não estão aqui. Será que ele foi embora com à Ana? ADRIANA – Não pode ser. (Adriana sai correndo do quarto, Carla logo atrás) CARLA – Ele não avisou a ninguém. Para onde será que ele foi? ADRIANA – Sério que você não tem ideia, Carla? (ironiza e vai embora) (Lucas está terminando de se arrumar, quando Karina está ao telefone) KARINA – Está bem. Amanhã estou voltando. Deixa que eu resolvo, e se eles não quiserem esperar, esqueça o negócio. Obrigado. Tchau. LUCAS – Algum problema? KARINA – Nenhum que precisa se preocupar amor. LUCAS – Vamos voltar amanhã? KARINA – Infelizmente temos que voltar. O pessoal não consegue viver sem mim lá. Gostei da Luana querer conhecer como a gente se conheceu. LUCAS – É. Deveríamos escrever um livro com a nossa história. KARINA – Também não é para tanto. Mas de qualquer forma, contar como a gente se conheceu, me fez sentir uma saudade dos passeios que a gente fazia, quando namorávamos. LUCAS – Ficou com saudade foi? KARINA – Foi. (os dois se beijam) Que tal a gente passar o dia fora? Só nós dois. LUCAS – Um dia de folga? KARINA – Isso. Um dia de folga. Longe de todo mundo. Dos assuntos da empresa, só nos dois. LUCAS – Até que não é uma má ideia. KARINA – É uma ótima ideia. (os dois se beijam) LUCAS – Vamos avisar para alguém? KARINA – Tava pensando em sairmos escondido. LUCAS – Igual quando fazíamos com seus pais? KARINA – Exato. (os dois se beijam novamente) (Junior está com sua filha nós braços, esperando o ônibus chegar. O ônibus chega, ele se levanta do banco que estava, segura sua filha com um braço, e no outro, carrega suas mochilas, mas antes que ele entrasse no ônibus, Adriana chega e o impede) ADRIANA – Você não vai fugir com a Ana. Eu não vou permitir!Continua no Capítulo 59...