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No Rumo da Vida
Capítulo 57 de 75
Capítulo 57
✍️ Anderson Silva ·📅 14 Dec. 2018 ·👁 0 leituras

"A Mesma Carla"

LUCAS – Desculpa. Eu sei que ninguém pode descobrir isso. VERÔNICA – Quanto tempo vocês vão ficar? LUCAS – Não sei, mas a Karina não pode abandonar os assuntos da empresa muito tempo. VERÔNICA – Espero que vocês voltem pra São Paulo logo. E quando estiver aqui, vamos fingir que acabamos de nós conhecer. LUCAS – Pode deixar. (Verônica caminha até à porta para ir embora, quando Lucas pergunta) Eu posso me aproximar da minha irmã? VERÔNICA – Como marido da irmã do Miguel, sim. Como irmão, não. LUCAS – Entendi. VERÔNICA – Voltar para sala, se não vão sentir minha falta. Depois quero ter uma conversa com você, sobre por que você parou de mandar minha mesada. (ela sai do quarto, e tempo depois a Karina entra) KARINA – Está pronto amor? LUCAS – Estou. KARINA – Então vamos. Tá todo mundo lá em baixo esperando. (o puxa para fora do quarto e os dois descem para sala) (Camila chega em casa e após trocar de roupa, encontra Gustavo na sala) CAMILA – (entrando na sala) Se você quiser a gente pode ir agora? GUSTAVO – Eu quero, se você não se incomodar. CAMILA – Não. Incomodo nenhum. Eu comi alguma coisa na lanchonete perto da faculdade, estou sem fome. GUSTAVO – Então vamos. Você não vem Adriana? ADRIANA – Não, obrigada. Eu vou comer alguma coisa, ao contrário da Camila, não comi nada. CAMILA – Então vamos. (Camila e Gustavo vão até o cemitério, onde a Joana está enterrada. Adriana fica um pouco na sala, mas depois decide sair) (Camila e Gustavo estão caminhando pelo cemitério. Camila procura pela lápide de Joana) GUSTAVO – Quando a Adriana voltou? CAMILA – Tem alguns dias já. Pouco depois que a Joana faleceu. É aqui o túmulo. (Gustavo se ajoelha em frente ao túmulo, e coloca algumas flores que havia comprado, antes de chegar ao cemitério, em cima dele) GUSTAVO – Desculpa minha irmã. Não consegui cumprir a promessa da mamãe. Eu não cuidei de você. CAMILA – Você não tem culpa, Gustavo. GUSTAVO – Tenho. Se eu tivesse levado ela comigo para Nova York, provavelmente isso não teria acontecido. E ela estaria aqui. CAMILA – Também não podemos ficar prevendo como seria as coisas, se elas fossem diferentes. O que tem que acontecer, acontece. GUSTAVO – O que aconteceu com a filha dela? CAMILA – Está com o pai. GUSTAVO – Eu vou levar ela comigo. (se levanta) CAMILA – Não, você não pode. Você não pode isso. Ela está com o pai. GUSTAVO – Só que ele não vai poder dar tudo de melhor para aquela menina. CAMILA – Você não pode fazer isso, Gustavo. A Joana não permitiria isso. O pai tem que ficar com a filha. GUSTAVO – Quando o pai tem condição, a história é outra. Só que ele não tem. Ele mora com a mãe ainda. Em uma casa alugada, e além do mais, é um garçom em uma lanchonete. E tenho certeza que o salário que ele recebe, não dar de garantir o futuro para essa criança. CAMILA – Mesmo assim, Gustavo. O certo para uma criança, é ser criada ao lado dos pais. E a Ana, ela perdeu apenas a mãe, mas ela tem o pai ao lado. GUSTAVO – Você não vai fazer eu mudar de ideia, Camila. Vou ter a guardar da filha da minha irmã sim. (caminha deixando-a sozinha) (Junior acaba de chegar em casa, após passar o dia procurando emprego) JUNIOR – Eles deram um trabalham? CARLA – Um pouco. Sua filha nem muito, mas o Pedro, hoje... ele não quis sair do meu colo. JUNIOR – Minha manhã também não foi muito boa. Ninguém contratando essa época do ano. CARLA – Não desista, e mesmo, não estamos obrigando a nada. Você está aqui como convidado! JUNIOR – Não vou desistir. Isso foi uma coisa que minha mãe me ensinou. Nunca desistir, por mais difícil que possa aparecer, nunca desistir. CARLA – Sua mãe já chegou na cidade natal de vocês? JUNIOR – Já. Liguei para ela hoje cedo, ela disse que tinha acabado de chegar. CARLA – E você pretende mesmo ir morar lá? JUNIOR – Pretendo. Não tenho nada para fazer aqui, Carla. A única pessoa que poderia me prender nesta cidade, se foi. Agora o que tenho, é minha mãe, e essa menina. (todos estão reunidos na sala) MIGUEL – E o paizão, cadê? VIVIANE – O Felipe não mora mais com a gente. KARINA – Eu não entendi por que ele abandonou os assuntos da empresa? Ele estava indo tão bem. VIVIANE – O Felipe não nasceu para isso. Cedo ou tarde, ele iria deixar de lado tudo. KARINA – Em compensação, a senhora está comandando agora. VIVIANE – É, mas não acho que vou ficar na presidência por muito tempo. Depois de certa idade, algumas doenças vão surgindo, e precisamos ficar repousando. MIGUEL – A senhora está com algum problema? VIVIANE – Não meu filho. Está tudo bem comigo, estou querendo dizer que daqui a pouco encontro um sucessor para ocupar meu lugar lá. (passa a mão na cabeça do filho Paulo) KARINA – Está preparando já o Paulo para assumir os assuntos da família! VIVIANE – Se esse for o sonho dele. (Camila e Gustavo chegaram. Gustavo está sério e Camila preocupada) ADRIANA – Já chegaram? CAMILA – Já. (Gustavo vai para o quarto, Adriana e Camila ficam sozinhas na sala) ADRIANA – Então, como ele reagiu? CAMILA – Tenho algo importante para te contar! (Gustavo volta para sala, mas dessa vez vai direto para à rua) ADRIANA – Ué, para onde ele foi? CAMILA – O Gustavo quer tirar a Ana do Junior! ADRIANA – (surpresa) O que? Ele não pode fazer isso? CAMILA – Eu sei, mas analisando a situação que o Junior está agora. O Gustavo, pode sim conseguir a guarda dela. ADRIANA – Não, ele não pode fazer isso. Ele não tem o direito. CAMILA – Temos que contar isso para o Junior. ADRIANA – Claro, você tem razão. Vamos. CAMILA – Vamos. (as duas saem para casa da Carla) PAULA – Deixa que eu lavo Junior, não precisa. JUNIOR – Eu lavo, sem problema. PAULA – Deixa essas louças comigo. Porque você não aproveita e vai ver sua filha, antes de voltar para rua. JUNIOR – Está bem então. (Junior vai até o quarto ver sua filha. Ele a encontra dormindo, beija sua cabeça, faz um carinha e saí do quarto novamente. No caminho de volta, encontra Carla na escada) CARLA – Já? JUNIOR – Fui ver como ela estava antes de ir. (antes que os dois chegassem na sala, Pedro acorda) CARLA – Ah não. Acabei de sair do lado dele. JUNIOR – Sentiu saudades da mãe. (ri) CARLA – Como eu queria que o Pedro tivesse um sono profundo que nem à Ana. (Carla volta para o quarto. Junior vai até à cozinha, toma um copo d'água, se despede da Paula, e vai para porta da rua, mas antes que saísse encontra com alguém) ADRIANA – Ainda bem que você está em casa. Querem pegar a Ana de você. JUNIOR – O que você tá falando? ADRIANA – Posso entrar, o que temos para conversar é sério, Junior. (Junior deixa Adriana entrar, e ele percebe que ela está bastante nervosa) CAMILA – O Gustavo, irmão da Joana, voltou de Nova York, e agora ele quer tirar a guardar da Ana de você. JUNIOR – Ele não pode fazer isso? ADRIANA – Pior que na situação que você se encontra agora, ele pode alegar que você não tem estrutura e condição para cuidar da Ana. (Junior senta no sofá, com expressão séria) Calma, Junior. Você não está sozinho nessa. Pode contar com a gente, não vamos permitir que ele leve à Ana de você. JUNIOR – Teria sido melhor eu ter indo para minha cidade. Lá pelo menos eu teria uma casa, e provavelmente já teria arrumado um emprego. ADRIANA – Você está pensando em ir embora? (Felipe soube que seus primos vieram para o Rio, então decide visita-los. Miguel e Felipe estão conversando na sala) MIGUEL – Quer dizer que você montou uma banda? FELIPE – Isso. MIGUEL – Já fizeram quantos show? FELIPE – Alguns, nenhum assim de grande divulgação, mas todos bem renumerados. MIGUEL – Mas porque essa mudança toda? Karina disse que você estava indo tão bem, na empresa? FELIPE – Não pertenço a esse mundo de empresários, que passam dia inteiro fazendo reuniões, negociações e também nunca escondi isso da minha família e nem de ninguém. MIGUEL – Importa agora, que está fazendo o que gosta. E então, é muito trabalho ser pai? FELIPE – Ser pai é... algo incrível. Você segurar aquele ser, tão pequeno, tão frágil, que um dia vai crescer e vai te chamar de pai. É algo, que só você sendo pai, para saber o que é. MIGUEL – Eu vi sua filha. Ela é linda. Parece muito com você. FELIPE – Realmente, ela é linda. Mas então, quando vocês voltam? MIGUEL – Eu pretendo ficar um pouco mais, já Karina... conhecendo como ela é, acho que essa semana mesmo. FELIPE – Descobriram a pessoa que estava roubando a empresa? MIGUEL – Não. Karina parou até de buscar o responsável. FELIPE – Não acredito que ela vai deixar essa história passar assim, em branco. MIGUEL – Pois é. Eu vou ficar aqui um pouco, porque vou procurar uma pessoa. FELIPE – Uma pessoa é? Quem é a garota? MIGUEL – Uma garota que conheci. Ela mora aqui no Rio. Mora com a irmã. FELIPE – E qual é o nome dela? Vai que eu conheço? MIGUEL – Carla. Tenho uma foto dela aqui, quando ela estava na casa da madrinha dela em São Paulo. A gente costumava sair de vez enquanto, até que do nada, ela decidiu voltar para cá. (ele procura no celular uma foto da Carla. O primeiro pensamento que Felipe teve, ao ouvir o nome da garota, foi pensar na sua Carla também, que por coincidência, as "Carlas" são as mesmas) Essa é a garota. Bonita ela, né? (entrega o celular para o primo, que ao ver que é a mesma Carla, fica surpreso) ADRIANA – (como Junior não respondeu, Adriana tenta animá-lo a ficar) Vamos tentar conversar com o Gustavo, e fazer ele mudar de ideia. (Carla desce com o Pedro neste momento) CARLA – Meninas? O que fazem aqui? JUNIOR – Ela veio me dizer que o irmão da Joana quer tirar a guardar da Ana de mim. CARLA – Gente, mas o Junior é o pai, ele tem o total direito na Ana. CAMILA – Ter tem. Só que o Junior não tem um emprego fixo, está morando como convidado aqui. O Gustavo pode alegar isso ao juiz, e tentar conseguir a guarda da menina. CARLA – Mas o Junior está justamente procurando um emprego. JUNIOR – Mas está difícil encontrar um nessa época do ano. Está decidido, a única maneira de proteger minha filha, é indo embora daqui. ADRIANA – Não. Você não vai fazer isso, eu não vou deixar. MIGUEL – Você conhece ela? FELIPE – Não. (disfarça a surpresa) Nunca vi essa garota. (entrega o celular para Miguel, e fica um pouco sério) MIGUEL – Ela mora em algum lugar, e eu vou encontrá-la. FELIPE – Vocês se conheceram onde mesmo? MIGUEL – Em uma rodoviária. Naquela vez que eu vim para o seu casamento. Na volta pra São Paulo, também voltamos juntos. FELIPE – Vocês namoraram? MIGUEL – Não. E não foi por falta de tentativas. Eu já pedi ela várias vezes, mas ela disse que estava procurando um cara, e não estava com cabeça para isso. FELIPE – (se anima) Um cara? MIGUEL – Isso. Era o pai dela! Ela descobriu que estava vivo, mentiu para ela, enfim, uma longa história. FELIPE – (fica sério novamente) O pai. MIGUEL – É. Eu acho que ela veio para o Rio, porque descobriu alguma coisa de onde estava, e veio atrás dele. JUNIOR – Você não vai me impedir. ADRIANA – Não. Não vou, mas se você ir, você está desistindo do desejo da Joana. JUNIOR – Você não sabe o que a Joana deseja? ADRIANA – Erámos muito amigas, antes de acontecer aquilo. Conheci a Joana, muito mais do que alguém nessa sala aqui conhece. E se ela estivesse aqui agora, ela queria que você lutasse pela guarda da sua filha. (campainha) JUNIOR – (nervoso) É ele? ADRIANA – Não. O Gustavo não conhece a casa da Carla. CARLA – Deve ser meu pai. Ele disse que viria aqui hoje. (Carla vai atender a porta) Oi, pai. FREDERICO – Oi, filha. Desculpa, não sabia que você estava com suas amigas. CARLA – Para falar a verdade estamos resolvendo um assunto sobre um amigo nosso. Mas entra, a Paula está na cozinha. FREDERICO – Posso levar meu neto?! CARLA – Claro. (Frederico entra, Carla entrega Pedro para ele e ele vai para cozinha) Vou lá então. Bom dia pessoal. CAMILA – Boa dia. ADRIANA – Boa dia. (Luana está na sala com a Alice, quando Miguel vem descendo as escadas) LUANA – O Felipe já foi? MIGUEL – Acho que não. Ele disse que iria ver à Alice! Ele não estava com você? LUANA – Não. Pena, iria convidá-lo para passear com a gente! MIGUEL – Se você quiser eu vou com vocês. LUANA – Sério? MIGUEL – Eu não gosto muito de ficar em casa. E também adoro crianças. LUANA – Então tá. Eu só vou pegar as coisas dela lá em cima, que a gente vai. MIGUEL – Está bem. Se você quiser, posso segurar ela, enquanto você sobe. LUANA – Está bem, cuidado viu. (ele entrega Alice para o Miguel com cuidado, depois vai para o quarto. Lá em cima, Verônica está no quarto do Lucas, Luana passa pelo o corredor, e ouve a voz dos dois) LUCAS – Eu não podia mais ficar desviando dinheiro e mandando para você. A Karina e o Felipe, começaram a ficar desconfiados. VERÔNICA – Sim, mas já faz meses que não recebo minha mesada. Sabe como estou batalhando para sobreviver e sustentar duas bocas. LUCAS – Sua filha se casou com um milionário, porque a senhora não pede para ela? VERÔNICA – Minha filha é mãe agora. Ela precisa mais do que eu. LUCAS – E o Cláudio, porque a senhora não faz casamento de interesse, que nem você fez comigo e com à Luana? VERÔNICA – Eu já estou providenciando isso. Já encontrei, uma garota rica para ele. LUCAS – Bom, que mesmo ele não sendo seu filho, que nem eu e a Luana somos, ele tem o papel dele. (Luana invade o quarto) LUANA – (surpresa) Como é que é? O Lucas é seu filho, mamãe? ADRIANA – Pensa bem Junior, não faça nenhuma besteira que possa voltar contra você. JUNIOR – Eu agradeço por ter me avisado, mas eu mesmo tomarei as decisões sobre minha filha. CARLA – Não se preocupa, tá. Eu e o Junior, vamos conversar sobre isso. (Frederico volta para à sala) Já vai papai? FREDERICO – Já. Eu já vi meu neto, já vi minhas filhas. Posso ir agora. Consegui um emprego. CARLA – Sério? Maravilha pai. FREDERICO – Depois conto mais detalhes para vocês, estou vendo que estão resolvendo um assunto sério. CAMILA – Mas já terminamos aqui, estamos indo também. FREDERICO – Se vocês quiserem uma carona no táxi, levo vocês. CAMILA – Agradeço. FREDERICO – Então vamos. CARLA – Eu vou com vocês até a porta. (Carla acompanha seu pai, Camila e Adriana até a porta, mas quando ela abre, outra visita aparece) FELIPE – Te encontrei! CARLA – (surpresa, sorrindo) Você? FREDERICO – Felipe? O que você está fazendo aqui? CARLA – Vocês se conhecem? FELIPE – Eu que pergunto isso? FREDERICO – Felipe, essa é a minha filha, Carla! FELIPE – (mais surpreso ainda) Sua filha?!

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