"Eu Chego e Você Vai"
(Carla e Paula estão no quarto arrumando suas malas para a viagem de volta ao Rio. Roberta, que está junto com elas, não gosta dessa viagem apressada) ROBERTA – Não sei para que essa pressa de voltar para o Rio. CARLA – Temos muita coisa para resolver no Rio Roberta. Arrumar nossa casa, recomeçarmos nossa vida novamente, encontrar o papai... ROBERTA – Eu sei, mas porque vocês não vão semana que vem, precisa ir logo amanhã? PAULA – Eu também não queria ir assim, na pressa. Parece que estamos fugindo, Carla! CARLA – Eu já agradeci à madrinha por nós recepcionar aqui e vou agradecer a você também Roberta. Obrigada por tudo. ROBERTA – Vou sentir falta de vocês. (se abraçam) CARLA – Promete que vai visitar a gente? ROBERTA – Podemos ver isso. Porque você sabe que isso não depende só de mim. CARLA – Verdade. (Camila e Cláudio estão sentados no sofá. Ambos estão olhando para frente, em silencio, quando Cláudio quebra o gelo primeiro) CLÁUDIO – Então, estamos namorando agora?! CAMILA – Você disse que iria me ajudar... CLÁUDIO – Claro. (olha para ela) Vou sempre está ao seu lado, confia em mim. (segura as mãos dela. Camila pensa em contar o que aconteceu em seu passado, mas volta atrás, se levanta do sofá e vai em direção à porta) CAMILA – Tenho que sair agora. Vou arrumar a casa da minha amiga, que chega amanhã de São Paulo. CLÁUDIO – Aquela de São Paulo? CAMILA – É. CLÁUDIO – (se levanta e caminha em direção a ela) Preciso conhece-la. Tenho que agradecer a ela, por ter me feito conhecer você naquela rodoviária. CAMILA – Podemos ver isso. Vamos? CLÁUDIO – Antes eu quero isso. (ele volta a beija-la e ela retribui) (Viviane continua ligando para Felipe, mas não consegue resposta) VIVIANE – Estou começando a ficar preocupada, Verônica. O Felipe não dar notícias, não atende o telefone. VERÔNICA – Você sabe que tudo isso é culpa sua. Que permitiu que aquele cara se aproximasse de vocês. VIVIANE – Pior que você tem razão. Bendita hora que eu deixei o Frederico voltar para minha vida. VERÔNICA – Se acalma. Daqui a pouco o Felipe está entrando por essa porta. O Paulo já sabe? VIVIANE – Sabe. E também não está querendo falar comigo. VERÔNICA – Se você quiser posso tentar falar com ele... VIVIANE – Não. Melhor não, ele precisa ficar só nesse momento. O que me preocupa agora é o Felipe. (Joana e Hilda estão na cozinha organizando os assuntos do casamento, que acontecerá em poucas semanas) JOANA – Meu irmão não vai poder vir. Mas não tem problema, podemos encontrar alguém para me levar até o altar. HILDA – Já fez a lista de convidados? JOANA – Estou terminando. Não tenho muitos amigos aqui no Rio, por enquanto, só alguns colegas da faculdade, e só. HILDA – Também nossos parentes não são do Rio. Alguns são espalhados por aí. JOANA – Isso não importa, pode vir quem quiser, estando, eu, o Junior, a senhora e o padre, o resto tanto faz. HILDA – Certo, filha. Já escolheram a igreja? JOANA – Já. Eu e o Junior fomos lá ontem. Olhamos ela com calma, vai dar de fazer uma organização bem simples, mas bonita. HILDA – E o vestido? JOANA – Também já escolhi. O Junior disse que iria pedir folga hoje no trabalho, para gente ir até a costureira para ver quanto é que vai ficar. HILDA – É, você está organizado bem seu casamento. JOANA – Desde pequena que venho planejando esse momento. Certo que na minha cabeça, com mais enfeites, igreja maior, mas, se não dar como queremos, vai ser como podemos. HILDA – Isso aí filha.Anoitecendo...
(Viviane tenta mais uma vez ligar para Felipe, mas não consegue falar com o filho novamente. Preocupada, ela decide ir atrás dele) VIVIANE – Chega, eu vou atrás do meu filho. VERÔNICA – Calma, Viviane. Você está nervosa, não acho uma boa ideia você sair essa hora. VIVIANE – E o que você quer que eu faça, Verônica? Não aguento mais esperar, preciso saber onde está meu filho. (Luana e Paulo vem descendo as escadas) LUANA – Será que aconteceu alguma coisa com o seu irmão? PAULO – Felipe está bem. LUANA – Como você sabe? Ele ligou para você? PAULO – Só porque o Felipe não é filho do papai, eu não vou entrega-lo. LUANA – Você sabe onde o Felipe está? VIVIANE – Você sabe onde seu irmão está, Paulo? VERÔNICA – Porque você não contou para gente? Você não viu o estado da sua mãe? PAULO – Ela merece isso. VERÔNICA – Que filho deixa a mãe sofrendo... VIVIANE – Deixa, Verônica. O Paulo tem razão, eu mereço isso. PAULO – Se eu estivesse na mesma situação do Felipe, faria a mesma coisa. (sai de casa logo em seguida. Na rua, um pouco longe de sua casa, Paulo encontra Felipe) FELIPE – Tem certeza que ninguém seguiu você? PAULO – Tenho. Então, você realmente pretende ir embora? FELIPE – Sim. PAULO – Tem certeza que você quer fazer isso irmão? FELIPE – Eu não faço mais parte dessa família, Paulo. Não faz sentido eu ficar aqui. PAULO – Bem, você ainda é meu irmão, tem uma parte desta casa sim. FELIPE – Eu não quero. Eu tenho que lutar por tudo que eu abandonei, quando ainda tenho tempo. PAULO – Você tem razão. Então, qual é o plano? FELIPE – Preciso entrar na casa, mas sem que ninguém me veja. Vou pegar meu violão, algumas roupas, e parto amanhã. PAULO – Tá, vou ajudar você irmão. FELIPE – Valeu. (os dois se abraçam) (Cláudio deixa Camila em seu apartamento, após passar a tarde ajudando ela na casa da Carla) CAMILA – Obrigada pela a ajuda. CLÁUDIO – Eu disse que iria de ajudar. Bem agora preciso de um banho. CAMILA – Isso é verdade. (os dois se beijam) CLÁUDIO – Posso dizer agora que estamos namorando? CLÁUDIO – (sorrindo) Pode. (voltam a se beijar e depois Cláudio vai embora. Camila fecha a porta de seu apartamento sorridente) (Karina vem descendo as escadas) LUCAS – Ele não vai descer? KARINA – Não. Disse que estava sem fome. LUCAS – Seu irmão já é grandinho, quando ele sentir fome, vai saber preparar algo para ele. KARINA – Algo me diz que o que está deixando ele assim, é aquela garota que foi visita-lo no hospital. LUCAS – Não fique pensando nisso amor, seu irmão sabe resolver os assuntos dele sozinho, não acha? Que tal agora, nós resolvermos nossos assuntos lá em cima. KARINA – Mas você não estava com fome? LUCAS – Estou, mas quero comer outra coisa agora. (rir e a beija) KARINA – Meu maridinho é insaciável mesmo, hein. (se beijam, quer dizer, se pegam na sala mesmo, e vão subindo as escadas se pegando) SÉRGIO – Nunca pensei que ser pai mudava a vida de um cara completamente. ADRIANO – Eu não ficaria tão certo com isso Sérgio, afinal, tem mais chances do Felipe ser o pai daquela criança, do que você, já que vocês ficaram só algumas vezes. ROBERTO – Mas precisa uma única vez para engravidar uma garota, Adriano. SÉRGIO – Está vendo só. Até o Roberto está do meu lado. ROBERTO – Eu também não estou do seu lado, Sérgio. Só acho que você também deveria ir com calma nessa história. A criança nem nasceu ainda, nem sabe se realmente é seu filho. SÉRGIO – Vocês podem dizer o que quiserem, eu tenho certeza. A Luana está esperando uma criança minha, ponto. (campainha) Deixa que eu atendo, deve ser a pizza. (corre para à porta e a abre) Felipe? ADRIANO – Felipe? Veio visitar os parceiros? (Sérgio sai da porta, e volta para o sofá) FELIPE – É mais ou menos. Vim saber se eu podia passar à noite aqui? ADRIANO – Claro. Entra. ROBERTO – Voltou a tocar violão? FELIPE – É, estou tentando recuperar um tempo perdido. (olha para Sérgio, que estava encarando a TV) (Viviane, Luana e Paulo voltam para à sala) VIVIANE – Onde está seu irmão Paulo? PAULO – Eu não sei, já disse. LUANA – Sabe sim, você me disse. Quer dizer, insinuou algo. VIVIANE – Se você sabe onde seu irmão está, por favor, meu filho, diga para mim? PAULO – Eu não sei. Já disse, poxa. (vai para o quarto) LUANA – Ele sabe, eu vou tenta descobrir dele Viviane. VIVIANE – Deixa ele filha. (senta no sofá) Ele e o irmão são muito juntos, ele não vai contar nada. LUANA – Então vamos ficar esperando o Felipe entrar pela aquela porta, quando a gente fica aqui preocupada? VIVIANE – É o que nos resta agora, esperar.Amanhecendo...
(Carla e Paula estão na sala, com suas malas prontas, se despedindo de Rosário) CARLA – Eu sei que já agradeci, mas vou dizer de novo. Muito obrigada pelo acolhimento madrinha. A senhora ajudou a gente, no momento mais difícil das nossas vidas. ROSÁRIO – Oh filha. (se abraçam, Carla começa a chorar) Você não acha que está bom de chorar? Limpa essas lágrimas, e lembre-se, vocês não estão sozinhas. Sempre que se sentirem sozinhas, sempre que precisarem de um apoio, vocês sabem onde nós encontrar. CARLA – Obrigada. ROSÁRIO – Vamos? CARLA – Vamos. Tchau Roberta, e vamos está te esperando lá hein? ROBERTA – Pode deixar que um dia eu apareço por lá. Tchau, e não esquece de manda notícias de você e dessas crianças. CARLA – Pode deixar. ROSÁRIO – Vamos meninas. (Rosário leva as meninas até a rodoviária) (Sérgio está na cozinha, quando Felipe aparece na sala, saindo de fininho. Felipe sai, ninguém se fala, e Roberto entra logo em seguida na cozinha) ROBERTO – Bom dia. SÉRGIO – Bom dia. ROBERTO – Então, está esperando o que, para você e o Felipe se acertarem agora? SÉRGIO – Eu nada, porque ele acabou de sair. ROBERTO – É o que? (corre até a porta) Ele saiu e não avisou para ninguém? SÉRGIO – Pois é. ROBERTO – Será que ele e a Luana se separaram? (Sérgio ouve o que o amigo disse na sala, termina seu café, veste uma camiseta em cima do sofá, e vai para rua) Para onde você vai? (Sérgio sai, sem dizer nada) JOANA – Pronto. Já convidei todos da lista, alguns não consegui ligar, mas vou tentar mais tarde. O vestido vai ser feito antes da data, do jeito que eu quero, e antes dessa barriga aparecer mais. Os doces, salgados e as bebidas, eu vou ver onde encontrar. ROSÁRIO – O Junior não disse que o chefe dele liberou algumas bebidas como presente de casamento? JOANA – Verdade, bem lembrando sogra. Então, devo me preocupar apenas com os doces e os salgados. ROSÁRIO – Se você quiser, eu tenho uma cliente que é confeiteira, e talvez ela possa fazer um preço bem razoável para gente. JOANA – A senhora faria isso por mim sogra? ROSÁRIO – Claro filha. JOANA – Maravilha. ROSÁRIO – Para nossa sorte, ela marcou uma consulta comigo hoje à tarde, aproveito e conversamos sobre isso. JOANA – Ótimo, então, agora vamos ver os padrinhos. ROSÁRIO – Isso eu acho que você deve escolher na presença do Junior, não acha? JOANA – Nada, não vou preocupar meu amor com esse detalhe. Quem eu escolher, o Junior vai aprovar. (Sérgio e Luana estão no jardim) LUANA – O que você está fazendo aqui? SÉRGIO – Você e o Felipe se separaram? LUANA – Não. Por que você está perguntando? SÉRGIO – Ele foi ontem ao meu apartamento, pedido para passar à noite lá, e hoje... LUANA – (interrompe) Espera aí, o Felipe passou à noite no apartamento de vocês? Ele ainda está lá? SÉRGIO – Não, ele saiu hoje cedo, sem avisar a ninguém. LUANA – Típico dele. SÉRGIO – Então vocês não estão separados? LUANA – Não estamos, Sérgio. É que os últimos acontecimentos desta casa, vem deixado essa família um pouco separada. SÉRGIO – Mas está tudo bem com você? LUANA – Está. Agora você tem que ir, tenho que contar isso pra Viviane, talvez ainda temos tempo de encontrar o Felipe. SÉRGIO – (sarcástico) A boa esposa sempre preocupada com o marido. LUANA – Não entendi esse seu sarcasmo? SÉRGIO – Nada. Vai lá, continua fingindo ser a esposa dedicada, para um cara que não está nem aí para você. Não se preocupa comigo, conheço a saída. (Sérgio vai embora, e Luana volta para dentro)Anoitecendo...
CLÁUDIO – Devo confessar que não imaginava que você iria me convidar para vir buscar sua amiga na rodoviária com você. CAMILA – Não foi você quem disse que queria agradecer a minha amiga, por ter feito a gente se conhecer naquele dia. CLÁUDIO – Foi, mas não pensava que você levaria a sério. CAMILA – Levo tudo a sério. CLÁUDIO – Sei, mas é bom eu ter vindo, assim posso te prevenir de esbarrar com outra pessoa, e talvez gostar dela, mais do que eu. CAMILA – Olha lá, acho que é aquele ônibus. Vamos... (Cláudio e Camila caminham até o ônibus que acabou de chegar) (Sérgio chega ao apartamento chateado) ROBERTO – Já voltou? SÉRGIO – Não começa, Roberto. ROBERTO – Calma, que bicho que te mordeu? Não precisa dizer, conheço esse bicho. O que foi agora? SÉRGIO – Estou cansado de ser um idiota. ROBERTO – A gente te avisa sobre isso todos dias. SÉRGIO – Quer saber. Eu não estou afim de ter essa conversar agora. Vou tomar um banho, e ir deitar. (vai para o quarto) (Carla e Paula chegam em casa, mal elas entram e se emocionam lembrando o que viveram ali) PAULA – Saudade da minha casinha. CAMILA – Eu tentei dar uma arrumada, quando você ligou que estava voltando. CARLA – Obrigada Camila, ficou bom. PAULA – Então aquele é o amigo, que você esbarrou quando foi para São Paulo? CARLA – Pelo que me pareceu, não são simplesmente amigo. CAMILA – Sabia que vocês iriam falar sobre isso. Está bem, a gente começou algo. CARLA – Então vocês estão namorando? CAMILA – Não chamaria de namoro, a gente se beija e tal, mas, pode se dizer que estamos nos conhecendo ainda. CARLA – Sei. PAULA – Eu vou ver o meu quarto. CARLA – Está bem. (Paula corre para o quarto) CAMILA – Se você precisar de ajuda, para limpar o resto, podem contar comigo. CARLA – Eu sei. Tudo ainda continua do jeito quando ela se foi. CAMILA – Ainda sente falta dela né? CARLA – Acho que isso nunca vai passar. CAMILA – Deixa eu te contar, dia desses tinha um senhor aqui em frente, olhando pela janela. CARLA – O que ele queria? CAMILA – Ele achou a casa bonita, estava procurando os donos, para saber se estavam vendendo a casa. CARLA – Perdeu a viajem, nunca vamos vender esta casa. CAMILA – Foi o que eu disse. CARLA – Também estou com saudades do meu quarto. (Carla vai até seu quarto, Camila logo atrás dela. Enquanto Carla ia ver seu quarto, lá fora, com o violão na mão, está Felipe olhado para a janela do quarto dela)Continua no Capítulo 48...