"Que a Verdade Seja Dita"
FELIPE – (rir) Gostei da piada, mas agora realmente tenho que ir Fred. (se levanta e vai em direção à porta) FREDERICO – Não é piada Felipe. Eu sou seu pai. FELIPE – (sério) Que significa isso? Que brincadeira é essa Fred? FREDERICO – Não é brincadeira. Eu e sua mãe, éramos mais que amigos. Eu amo a sua mãe. FELIPE – Para! FREDERICO – Escuta filho... FELIPE – Não me chama de filho. Você não é meu pai. FREDERICO – Eu e sua mãe, podemos explicar tudo para você. FELIPE – Melhor você ir embora, essa conversa acabou. FREDERICO – Sei que é um choque você descobrir sua vida inteira, que a pessoa quem você chamava de pai, não é realmente quem você... FELIPE – VOCÊ NÃO É MEU PAI. Meu pai morreu. E se você não sair agora, vou chamar a segurança. FREDERICO – Está bem. (vai em direção à porta, e Felipe não olha para ele) Mas você não vai poder mudar isso, Felipe. (vai embora, Felipe volta para sua mesa e se senta sério e pensativo) (Cláudio e Camila continuam se beijando. Cláudio encerra o beijo e olha para Camila) CLÁUDIO – Eu quero ficar perto de você. CAMILA – (se afasta dele) Eu não estou pronta para iniciar um relacionamento assim... de cara. CLÁUDIO – Podemos ir devagar. (volta a se aproximar dela) Eu só não quero ficar longe de você. CAMILA – Eu também gosto quando estou com você. Me sinto tranquila, segura. CLÁUDIO – Então... vamos tentar isso pela gente? CAMILA – Não posso. (se afasta novamente) Não dar. Eu não estou pronta ainda. CLÁUDIO – Por que não? CAMILA – Eu não posso falar. CLÁUDIO – (se aproxima e segura em suas mãos) Confia em mim? CAMILA – Não posso, sinto muito. (caminha até a sala, abre a porta, e Cláudio entendendo a mensagem vai embora. Ela fecha a porta, e chora ali mesmo) (Luana está sozinha na sala de ultra, e acaba perdendo as esperanças de Felipe chegar) MÉDICO – Seu marido não veio? LUANA – Ele deve ter dito um imprevisto. MÉDICO – Ele vai perder esse momento tão especial na vida de um casal. (O médico começa os procedimentos, Luana escuta o coração do bebê batendo, e se emociona) LUANA – Minha filha, minha menininha! (Felipe chega em casa com raiva e vai direto para o quarto de sua mãe) FELIPE – (invade o quarto) Por que a senhora mentiu pra mim? VIVIANE – O que você está falando filho? FELIPE – Por que a senhora não disse, quem era meu pai de verdade? VIVIANE – Quem te contou isso? FELIPE – (chocado) Então é verdade?! VIVIANE – Não era para você ter descoberto assim filho, não por terceiros. (se aproxima dele) FELIPE – Eu não sou filho do papai! (se afasta dela chorando e com raiva) A senhora não devia ter escondido isso de mim. VIVIANE – Eu também não sabia meu filho... FELIPE – A senhora não sabe o que eu tive que abandonar, para seguir o grande sonho daquele quem eu acreditava ser meu pai. VIVIANE – Ele é o seu pai. Ele quem cuidou de você e do Paulo. FELIPE – Não. VIVIANE – Filho... vamos conversar, se acalma, eu vou contar toda a história para você. (se aproxima dele novamente) FELIPE – Eu não quero ouvir mais nada da senhora. VIVIANE – Filho... (tenta tocar no rosto dele, mas ele se afasta) FELIPE – Não me chama de filho. (ele engole a raiva, choro, e sai do quarto de Viviane, desse as escadas correndo, e vai para rua. Viviane senta na cama chorando) (Carla continua deitada na cama, quando Paula entra no quarto) PAULA – Alguém quer te ver lá em baixo. MIGUEL – Oi. CARLA – (triste) Oi. MIGUEL – Você sumiu esses dias. Não atende minhas ligações, não responde minhas mensagens... CARLA – Estava precisando de um tempo para mim. MIGUEL – Eu soube o que aconteceu. Sinto muito. Você está bem? (caminha até ela, mas ela desvia dele e caminha até o sofá) CARLA – Estou tentando. MIGUEL – Eu fui até o seu trabalho, e a gerente disse que você não trabalha mais lá. CARLA – Eu pedi demissão. MIGUEL – Por que você fez isso? (senta ao lado dela) CARLA – Eu talvez vá embora daqui, talvez volte para o Rio! MIGUEL – Você não pode ir. Não agora. CARLA – O que você veio fazer aqui Miguel? MIGUEL – Eu já disse. Estava preocupado com você, e vim saber como você estava. CARLA – Não decidimos que cada um iria seguir seu rumo separado agora. MIGUEL – Eu não decidi nada. CARLA – Mas eu sim. (se levanta) E é isso que eu vou fazer. MIGUEL – E você acha que fugir é a melhor forma de resolver as coisas? (se levanta e vai atrás dela) CARLA – O que eu faço ou devo de fazer não te interessa. MIGUEL – Interessa sim. Eu me preocupo com você. Eu não vou deixar que você estrague sua vida ainda mais com essas crianças que você está esperando. CARLA – Como você sabe? MIGUEL – Agora está fácil de percebe... (olha para barriga)... mas descobri tem um tempo já. O que importa, que eu gosto de você Carla. E posso ser o pai para essas crianças, se você quiser claro. CARLA – Eu não estou procurando um pai para elas. Elas têm a mim e isso basta. MIGUEL – Bem, eu não deixaria faltar nada, nem para você, e nem para eles. CARLA – Só porque você é rico? Pensa que só porque você tem dinheiro, você vai poder ter tudo que você quer? MIGUEL – Não, não é isso. Você me interpretou mal, Carla. CARLA – Nem eu e nem meus filhos estamos precisando de dinheiro. Muito menos precisando de um pai. (vai até à porta) Então não precisamos de você. (abre) MIGUEL – Eu posso cuidar de vocês. CARLA – Tchau Miguel. (Miguel sai, ela fecha à porta, volta para o quarto, volta a chorar e pensa em Felipe) (Felipe está na praia, chorando. Pensa em seu pai, nas brigas que tiveram, pensa em sua morte, no que abandonou para seguir o sonho dele, para tentar amenizar a culpa da morte do pai e pensa em Carla) (após a ultra, Luana recebe uma mensagem de Sérgio, pedindo que ela se encontrasse com ele. No local marcado, Luana chega e caminha até Sérgio) SÉRGIO – (estava sentando em um banco, mas levanta quando ver Luana) Que bom que você veio. LUANA – O motorista está ali me esperando, então para que você me chamou aqui? SÉRGIO – Quero saber, como está o nosso filho? Se você está precisando de alguma coisa? LUANA – Não tem "nosso filho". Essa criança é minha e do Felipe. E não me falta nada, porque o Felipe nos proporciona tudo que eu e ela precisa. SÉRGIO – Então é menina? Bem então, quase acerto no presente. (mostra uma sacolinha que estava ao lado dele sobre o banco e entrega para ela) LUANA – O que é isso? SÉRGIO – Pega. (ela pega) Bem, eu comecei a trabalhar tem pouco tempo, juntei um dinheiro e comprei esse presente para ele, desculpa, para ela. (Luana abre a sacolinha, e tira um sapatinho de bebê amarelo de dentro dela) Eu não sabia qual era o sexo da criança, então comprei dessa cor. Serve tanto para menina, como para menino. LUANA – (ela gosta do presente, mas pretende continuar bancando a séria) Não posso aceitar. SÉRGIO – Aceita, por favor. Eu sei que talvez eu não tenha tanto dinheiro que o Felipe, mas você pode ter certeza, que vou dar tudo que minha filha precisar. LUANA – Obrigada. (guarda o sapatinho dentro da sacola) SÉRGIO – Você disse que estava no hospital, está tudo bem com ela? LUANA – Está. Só fui fazer uma ultra. SÉRGIO – Queria ter indo com você. (os dois se encaram por um tempo, ele se aproxima, mas ela se afasta) LUANA – Eu vou ter que ir agora. O motorista deve está desconfiado essa demora toda com você. Obrigada pelo presente. (ela volta apressada para o carro, e Sérgio não esconde o sorriso do rosto) FREDERICO – Que bom que você veio. VIVIANE – Você não tinha o direito de contar a verdade para o Felipe. FREDERICO – Ele é meu filho, Viviane. Eu não podia mais perder tempo sem me aproximar dele. VIVIANE – Pois esse seu ato sem me avisar, apenas afastou ele da gente. FREDERICO - Podemos chamar ele para uma conversar. Tenho certeza que se nós dois conversamos com ele, ele vai acabar entendendo. VIVIANE – Não, não vai Frederico. Ele não quer me ouvir, você que não entende. O Fernando era um espelho para o Felipe, mesmo que não pareça, era no Fernando, quem o Felipe queria parecer. FREDERICO – Isso não o impede de querer parecer comigo. VIVIANE – Você devia ter esperando. Eu quem deveria contar para ele. Agora ele não atende minhas ligações, saiu por aí com raiva de mim. FREDERICO – Ele precisa de um tempo. Quando ele absorver essa notícia, ele vai nós ouvir. VIVIANE – Está vendo? Você conhece ele há alguns meses, e já acha que o conhece. Eu o conheço há 20 anos, Frederico. Eu sei o que ele pensa. O que ele sente. FREDERICO – Eu só fiquei com medo. Não quero perder mais ninguém quem eu amo. VIVIANE – Pois veja o que esse seu ato fez. (vai embora e Frederico fica em pé na sala, pensativo)Anoitecendo...
LUANA – O Felipe não atende minhas ligações. PAULO – Ele deve estar em alguma reunião. LUANA – Espero, que para ter faltado na ultra da filha dele, deve ter sido um compromisso muito importante. VIVIANE – O Felipe ainda não chegou? (descendo as escadas) PAULO – Não mamãe. VIVIANE – Espero que ele não suma que nem antes. LUANA – A senhora acha que ele pode ter viajado, sem avisar a família? PAULO – O que foi mamãe? A senhora parece preocupada. VIVIANE – Vocês vão saber isso mesmo, então quero que vocês saibam por mim. O Felipe... ele não é filho do Fernando. PAULO – O quê? Que história é essa mamãe? VIVIANE – É isso que você ouviu filho, o Felipe não é filho do Fernando. LUANA – E quem é o pai dele? VIVIANE – O pai do Felipe é... é o Frederico. PAULO – O Fred? LUANA – Não acredito. VIVIANE – Eu vou contar tudo, não se preocupem. Chega de mentiras nesta casa. PAULA – Então, não tem mais jeito? CARLA – Não. Dessa vez é definitivo. PAULA – Pena, vocês formavam um casal lindo. Seria um bom pai para seus filhos. CARLA – Não começa, Paula. Eu não estou procurando nenhum pai para eles. Eu não estou procurando um companheiro e eu estou muito bem sozinha. PAULA – Mudando de assunto, você realmente vai querer voltar para o Rio? CARLA – Vou. Aqui não é meu lugar. PAULA – Estava gostando daqui já! CARLA – Você não precisa vir comigo. Você pode ficar aqui, terminar seu curso... PAULA – Não, nem vem com essa, que eu não vou largar você. Prometemos que iríamos ficar juntas, e ainda temos um assunto para resolver, esqueceu? CARLA – O papai. Deixamos esse assunto parado tempo demais. PAULA – Também acho. E agora que vamos voltar para o Rio, talvez fica mais fácil de encontrarmos alguma pista do paradeiro dele. LUANA – (surpresa) Que história. VIVIANE – Tenta ligar para ele novamente filha. LUANA – Vou tentar. (ela se retira da sala, e vai até o escritório tentar ligar para Felipe) VIVIANE – Tudo bem filho? Você ficou em silêncio... PAULO – A senhora não devia ter feito isso. A senhora não devia ter escondido isso da gente. VIVIANE – Eu sei filho, eu errei. Mas eu também não sabia. E o Felipe gosta muito do seu pai. PAULO – Mas ele não é filho do papai. VIVIANE – Paulo, filho, não fique contra mim também. Preciso de seu apoio pelo menos. PAULO – Agora está difícil entender a senhora. (sobe para o quarto, e Luana volta para sala) LUANA – Continua caindo na caixa postal. VIVIANE – Então deixa filha. Resta agora rezar, para que ele volte para casa.Amanhecendo...
LUANA – Então a senhora sabia? VERÔNICA – Claro que eu sabia. Eu tinha avisado para Viviane, que a aproximação desse cara, iria trazer intrigas para nossa família. LUANA – Por que a senhora não me contou isso? Eu nem precisava me casar com o Felipe, já que ele é pobre. VERÔNICA – O Felipe é herdeiro daquela fortuna inteira. Ele está registrado como filho do Fernando, e Viviane não deserdaria o filho predileto. Então ele continua ainda o nosso pote de ouro. LUANA – É mamãe, mas a senhora já pensou se ele quiser abandonar tudo agora? Porque deste ontem que ele não aparece em casa. VERÔNICA – Ele apenas deve estar precisando de um tempo sozinho. Você já tentou ligar para ele hoje? LUANA – Já. Ele deve ter desligado, que só cai na caixa postal. VERÔNICA – Em breve ele aparece. E você continua fazendo o seu papel, de esposa companheira, nesse momento precisamos que o Felipe fique louco por você. (Frederico está andando em uma rua conhecida do seu passado. Ele está procurando uma casa... casa esta que ele abandonou 15 anos atrás) FREDERICO – Será que elas ainda moram aí? (caminha até à porta, bate, mas ninguém responde) Será que não tem ninguém? (caminha até à janela) CAMILA – Com licença. Oi, procurando alguém? FREDERICO – Oi. É... alguém mora aqui? CAMILA – Não. O pessoal dessa casa, tem algum tempo que se mudaram. FREDERICO – Hum. CAMILA – Você quem é? FREDERICO – Ninguém importante. É que eu vi ela toda fechada, achei bonita, pensei que estava à venda. CAMILA – Não, os donos não estão pensando em vendê-la. FREDERICO – Pena, bonita casa. Bem, eu vou indo. (Frederico vai embora, Camila repara se a janela não estava arrombada ou algo do tipo, volta para porta e entra) (Viviane continua na sala, esperando Felipe voltar para casa. Paulo vem descendo as escadas) VIVIANE – Bom dia filho. (ele não responde e vai direto para cozinha. Viviane segue o filho) O seu irmão ainda não chegou, ele ligou para você? (continua sem responder) Não faz isso filho. Tenta entender meu lado, os motivos que me fizeram a fazer isso. (ele prepara uma bandeja com seu café da manhã, e volta para o quarto. Viviane continua na cozinha, triste) ROSÁRIO – Você sabe que não precisa fazer isso filha. CARLA – Precisa madrinha. Foi um erro ter saído da minha casa. ROSÁRIO – Assim eu vou ficar ofendida. CARLA – Não madrinha, não tem nada a ver com a senhora. ROSÁRIO – Então por que você quer ir embora filha? CARLA – É que... já demorei muito tempo com este assunto do papai. E lá no Rio, tenho certeza que vou encontrar alguma pista sobre ele. ROSÁRIO – Não é só por isso filha, eu tenho certeza. Se for pelo Diego... CARLA – Não é isso madrinha. Eu adorei o tempo que passei aqui. Muito obrigada por receber eu e minha irmã em sua casa, mas acho que tá na hora de começar a escrever meu próprio caminho sozinha. ROSÁRIO – E essas crianças? CARLA – Eu vou saber cuidar delas madrinha, igual minha mãe cuidou da gente. (Camila chega em seu apartamento, mas antes que ela saísse da sala, sua campainha toca) CLÁUDIO – Precisamos conversar. CAMILA – Já conversamos tudo que tínhamos para conversar, Cláudio. CLÁUDIO – Não. Apenas você falou, você ainda não me ouviu. Posso entrar? CAMILA – Melhor não, daqui a pouco saio, diga o que você quer aqui fora. CLÁUDIO – Ok. Eu gosto de você Camila, não escondo isso de você. E eu também sei que você gosta de mim ou pelo menos sente algo bom por mim. O que importa, é que eu quero ficar com você. Não se afasta de mim Camila, se há algum problema, deixa eu te ajudar a resolver. Só não se afasta de mim. (se aproxima dela) CAMILA – Por favor Cláudio... (ele coloca o dedo na boca dela, continua se aproximando e finalmente à beija)Continua no Capítulo 47...