"Mundo Pequeno"
BIANCA – Então, o que estamos comemorando? VIVIANE – O aniversário do meu filho. E você não foi convidada! BIANCA – Do seu filho? É seu Paulo? PAULO – Não, é do meu irmão. VIVIANE – (surpresa) Como você sabe que o nome dele é Paulo? BIANCA – A gente se conhece, né Paulo? VIVIANE – De onde você conhece essa mulher filho? PAULO – Ela me ajudou por um tempo. VIVIANE – Não importa, você não foi convidada, então não tem nada para fazer aqui. BIANCA – Claro que tenho. (caminha até Paulo) Vi pegar o que é meu de direito. VERÔNICA – Você não tem nada aqui, vai embora ou vou ter que chamar à segurança. VIVIANE – Calma, Verônica. Não vamos estragar a festa surpresa do meu filho. BIANCA – Ninguém veio aqui para estragar nada. Só vim aqui para conversar. Se você não quer que o que eu tenho pra falar seja dito no meio desse pessoal todo, é melhor a gente conversar em um lugar mais particular, não acha? VIVIANE – Não temos mais nada para conversar. Por favor, saia dessa casa agora. BIANCA – Você que sabe. (retira da bolsa o teste) Eu tenho aqui em minhas mãos, a prova de que minha filha tem parte nessa casa sim. Um teste de DNA, realizado por seu filho Paulo e minha filha. PAULO – Do que você está falando? Eu não fiz teste nenhum. BIANCA – Você não, mas eu peguei uns fios de cabelos seus e uns da minha filha, e com eles fiz o teste. Importa que esse teste é verdadeiro e comprova o que estou dizendo a verdade. Minha filha é dona desta casa também. PAULO – Do que essa mulher está falando mamãe? VIVIANE – (começa ficar preocupada e com medo de seu segredo ser revelado) Chega, vamos conversar lá dentro do meu escritório. Você fica tomando de conta da festa Verônica. Recepciona os convidados, deixa tudo pronto, quando o Felipe chegar. E você me acompanhe. (Bianca com um sorriso estampado no rosto, guarda o teste dentro da bolsa, e segue Viviane até o escritório) PAULO – Você sabe o que está acontecendo Verônica? VERÔNICA – Não se preocupa querido. Sua mãe vai resolver isso. Vamos, me ajuda aqui com os convidados. (Joana está na cozinha tomando um copo d’água, quando Junior entra e a surpreende) JUNIOR – Como vai nossa menininha? JOANA – Bem, eu acho. Se bem que está no inicio ainda, não dar para sentir nada. JUNIOR – Então, agora você pode me dizer o que estava te incomodando hoje? JOANA – Não é nada amor. Não precisa se preocupar com isso. JUNIOR – Mesmo assim, eu quero saber. O que foi? JOANA – Eu estava pensando na Camila. Será que ela tá namorando e não me contou nada? JUNIOR – Bom, se ela está namorando, isso eu não sei. Mas se você está tão curiosa, porque você não vai até ela e descobre? JOANA - Eu fui hoje até apartamento dela, mas ela não estava. JUNIOR – Liga pra ela! JOANA – Eu não sei. Se eu ligar, vai parecer que eu que estou tentando reatar a nossa amizade e depois ela vai começar a jogar piadinha em cima disso. JUNIOR – Eu não acho que a Camila faria isso. JOANA – É porque você não a conhece. Ela dizia ser minha amiga, mas sempre gostava de jogar piadinhas em cima de mim. Não só ela, mas a aquela outra (referindo-se a Adriana) também. JUNIOR – Para com isso amor. A Camila é muito gente boa. Para com esse orgulho todo e liga pra ela. JOANA – Não, se ela quiser que ela ligue. PAULA – (surpresa) Gêmeos? CARLA – Exatamente, Paula. São gêmeos, um menino e uma menina. PAULA – E agora Carla? O que você vai fazer? CARLA – Eu não sei. Se com um eu não tinha ideia do que fazer, imagina agora dois. PAULA – Você precisa encontrar o pai deles. Você não pode criar duas crianças sem um pai. CARLA – E como eu vou fazer isso Paula? Não sei o endereço dele, não tenho o telefone. Nem sei se tá solteiro ou se tem outra. PAULA – Mesmo assim. Ele tem que saber da existência desses bebês. Você tem que encontrá-lo. (o telefone de Carla toca, e ela se alegra um pouco em ver quem é) CARLA – Oi! – Oi, atrapalho? CARLA – Não. – Como está? CARLA – Bem. – Sua voz parece meio triste? Acontecendo alguma coisa? CARLA – Não é nada. Só os mesmos problemas de sempre. – Se quiser conversar... sair, se distrair um pouco? CARLA – Eu agradeço, mas hoje não dar. – Certeza? Pegar um ar um pouco às vezes faz bem. CARLA – Tenho. Quem sabe um outro dia. Tchau. (desliga e fica um pouco receosa por não ter aceitado o convite) PAULA – Quando vocês finalmente vão começar a namorar? CARLA – Não começa Paula, não nesse momento. PAULA – Desculpa, só estava tentando alegra o clima. (campainha) CAMILA – Estou indo. (ela se olha mais um pouco no espelho. Caminha até a porta, mas antes de abrir, se arruma mais um pouquinho, e abre) CLÁUDIO – Oi. (sorrir) Você tá linda. CAMILA – (envergonhada) Obrigada. CLÁUDIO – Então, está pronta? CAMILA – Estou. Só vou pegar minha bolsa, que está lá no quarto. CLÁUDIO – Claro. (ela corre pra dentro, enquanto ele fica lá fora esperando. Tempo depois, ela está de volta, com sua bolsa na mão) CAMILA – Agora sim, estou pronta. CLÁUDIO – Então vamos. (Viviane está vendo mais detalhadamente o teste, quando Bianca está sentada em frente a ela) BIANCA – Você está vendo à prova. A minha filha é filha do Fernando sim. VIVIANE – Eu sabia disso. BIANCA – (confusa) Sabia? VIVIANE – Sim, mas não vem ao caso agora. (joga o teste em cima da mesa) Está certo que você quer buscar os direitos da sua filha. Mas será que não podemos resolver isso outro dia. Hoje é aniversário do meu filho e preparamos essa surpresa para ele, e não queria estragar essa noite. BIANCA – Eu posso até deixar esse assunto pra manhã. Mas não vão pensando que vocês vão se livrar de mim, até conseguir tudo aquilo que eu tenho direito. VIVIANE – Resolveremos tudo isso amanha. BIANCA – Ok, mas isso vai ficar comigo. (pega o teste em cima da mesa) VIVIANE – Eu queria que você me prometesse que não vai contar nada para ninguém. Muito menos para o Paulo. BIANCA – Fica tranquila... Ninguém precisa saber um assunto tão familiar assim. VIVIANE – Então, vamos. (as duas voltam para sala) VERÔNICA – Então, o que vocês conversaram? VIVIANE – Vamos resolver esse assunto amanha. Hoje é o dia do meu filho. BIANCA – Então eu vou indo. Acho que seu filho, não vai gostar de me ver aqui. (vai embora, com o sorriso no rosto. Viviane e Verônica ficam na porta recepcionando os convidados) VERÔNICA – Você vai me contar o que aconteceu? VIVIANE – Ela conseguiu. Ela fez um teste de DNA e comprova que a filha dela realmente é filha do Fernando. VERÔNICA – E o que você pensa em fazer? VIVIANE – O que é certo a se fazer. Ter que aceitar essa garota aqui dentro, melhor do que perder meu filho. Cadê o Paulo? VERÔNICA – Está lá na cozinha. VIVIANE – Vou atrás dele então. Você continua recepcionado eles aqui por favor. (Viviane vai para cozinha, Verônica sai da casa) (Lá fora, Camila e Cláudio chegam à festa) CAMILA – Será que não vai dar problema? Eu não fui convidada Cláudio. CLÁUDIO – Você está comigo. Relaxa, não vai dar problema nenhuma. (antes de chegarem à entrada, eles esbarram em Bianca) BIANCA – Olha só quem eu encontrei? Boa noite filha. CAMILA – O que você faz aqui? CLÁUDIO – Ela é sua mãe Camila? CAMILA – Não. É apenas uma conhecida. BIANCA – Não quer mostrar sua mãe para o seu namorado? CAMILA – Vamos entrar, por favor. (eles caminham até a porta, mas Bianca segura Camila pelo braço) BIANCA – Eu sei que eu fiz muito mal pra você filha. Mas tudo vai mudar agora. Estou feliz que você tenha encontrado alguém que goste de você. (solta o braço dela, e Camila entra sem dizer nada. Bianca caminha em direção a saída, quando Verônica à chama) VERÔNICA – Ei, senhora. (Bianca para de andar e espera Verônica se aproximar) Que bom que alcancei você. BIANCA – O que quer? VERÔNICA – Vim dar um recado, que minha amiga pediu. BIANCA – Que recado? VERÔNICA – Ela pediu que você fosse amanha até minha casa, para conversarem. BIANCA – Combinei com ela que conversaríamos aqui! VERÔNICA – Eu sei, mas amanhã, devido a festa, vai tá uma bagunça e não dará para vocês conversarem. E na minha casa, será mais seguro. BIANCA – Isso não é nenhuma tentativa para me passarem as pernas, não né? VERÔNICA – Claro que não querida. Iremos resolver tudo isso amanhã. Confie na gente. BIANCA – (Bianca desconfia desta conversa, mas acaba aceitando) Onde você mora? VERÔNICA – Você me espera aqui? Vou lá dentro anotar em um papel e já volto. BIANCA – Está bem. (Verônica volta apressada para dentro de casa. Lá dentro, no escritório, ela pega uma folha de papel e anota seu endereço. Sai do escritório e vai direto onde estava Bianca) VERÔNICA – Aqui está. (entrega para ela) BIANCA – Acho que sei onde fica. Mas, qualquer coisa pego um táxi. VERÔNICA – Ótimo, então até amanhã querida. BIANCA – Até. (Bianca sai, Verônica à observa com um sorriso no rosto) VERÔNICA – Se minha amiga não consegue se livrar de você, eu mesma terei que fazer isso. (volta para dentro de casa) (Cláudio e Camila estão no jardim) CLÁUDIO – Aquela mulher é a sua mãe? CAMILA – Não, minha mãe morreu. Eu também não quero falar desse assunto. Se não eu vou embora daqui mesmo. CLÁUDIO – Tá bom. Venha, deixa eu te apresentar a minha irmã. (segura na mão dela e caminha em direção a Luana que estava na beira da piscina) Luana, quero te apresentar minha amiga, Camila. LUANA – Amiga? Deste quando você tem amiga, Cláudio? Prazer, Luana. CAMILA – Prazer. CLÁUDIO – Cadê a mamãe? LUANA – Eu não sei. Eu também estou procurando ela. CLÁUDIO – E o Felipe chega que horas? LUANA – Isso eu também não sei. Eu vou descobrir agora. (ela volta para dentro da casa, em direção à cozinha. Cláudio e Camila segue ela, mas os dois param na sala) CAMILA – Qual é mesmo o nome do seu cunhado? CLÁUDIO – Felipe. CAMILA – Não acredito. (começa a rir) CLÁUDIO – O que foi? CAMILA – Eu conheço o seu cunhado! CLÁUDIO – Ah é? CAMILA – É... Não estou acreditando, o mundo realmente é muito pequeno. CLÁUDIO – De onde vocês se conhecem? CAMILA – É uma história complicada. A gente quase ia sendo irmãos. CLÁUDIO – (rindo também) Como assim? Conta, que fiquei curioso agora. (Roberta, Paula e Carla estão na sala. Carla está tentando ligar para Camila) CARLA – Ela não está atendendo! PAULA – Talvez tenha saído. CARLA – Não importa, eu ligo para ela amanhã. PAULA – Eu ainda acho que você devia ir atrás daquele cara. ROBERTA – Eu também acho Carla. CARLA – Mas como eu vou atrás de um cara que mal lembro o nome, e mal sei onde mora. PAULA – Investiga, ver na internet. Mas ele tem que saber da existência dessas crianças. ROBERTA – Essas crianças precisam de um pai Carla. CARLA – Ah meninas, chega! Eu não quero mais saber dessa história. Já tem coisa demais na minha cabeça, e se vocês me dão licença, vou me deitar. (sobe para o quarto) ROBERTA – Você sabe que ela não vai atrás dele. PAULA – Eu sei. Mas se ela não vai, eu vou. (Adriano e Roberto estão na sala prontos para irem para o aniversario de Felipe, quando veem Sérgio saindo do quarto) ADRIANO – Resolveu ir foi? SÉRGIO – Não posso fazer isso com meu amigo. ADRIANO – É assim que se fala. Eu não recomendaria você contar para o Felipe hoje, porque é aniversário dele, e não é um bom presente descobrir que foi traído pelo próprio amigo. SÉRGIO – Também decidi que vou contar isso tudo amanhã para ele. ROBERTO – Então tá. Vamos? SÉRGIO – Vamos. (Lucas e Karina estão descendo as escadas) MIGUEL – Não vão sair hoje não? KARINA – Hoje não. Decidimos ficar aqui com você. LUCAS – Então, fazendo o que? MIGUEL – Estudando. Tenho uma prova amanhã. KARINA – Orgulho ver meu irmão se interessando tanto assim nos estudos. LUCAS – E precisa de ajuda em alguma coisa? MIGUEL – Não, eu me garanto aqui. LUCAS – Então vai ter problema nenhum assistirmos TV aqui, né? MIGUEL – Fiquem tranquilo. A sala é toda de vocês, eu já ia mesmo para o meu quarto. KARINA – Que isso irmão, não precisa sair por causa da gente. MIGUEL – Eu já ia mesmo e também não quero ficar presenciando pega-pega de vocês aí no sofá. A sala é toda de vocês. (ele pega sua mochila, e sobe para o quarto) LUCAS – Bem, já que sala é toda nossa. (os dois se beijam, e nem ligam a TV, caem logo em cima do sofá) CLÁUDIO – Eu não estou acreditando nessa história. Então aquela mulher realmente é a sua mãe? CAMILA – Infelizmente sim. CLÁUDIO – E porque você não quis apresentar ela pra mim? CAMILA – Eu e ela não temos uma relação muito boa. E também não quero falar nisso. CLÁUDIO – Ok. CAMILA – Seu cunhado está demorando? CLÁUDIO – Verdade. Os convidados estão reparando também. (Luana se aproxima dos dois novamente) LUANA – Eu não consegui encontrar a Viviane. CLÁUDIO – E os convidados acho que já estão começando a ficar entediados. LUANA - O pior que eu também não encontro o Paulo. CLÁUDIO – É ele ali. (aponta para Paulo descendo as escadas. Luana vai atrás de Paulo) LUANA – Onde você estava? PAULO – No quarto, depois que aquela mulher teve aqui, me senti mal. LUANA – Você viu sua mãe? PAULO – Não. Ela não está no quarto dela? LUANA – Eu já fui lá, e também não está. PAULO – O que você quer com ela? LUANA – Saber se o Felipe já está vindo. Você ligou novamente para a empresa? PAULO – Era sobre isso que eu queria falar, antes daquela mulher invadir nossa casa. LUANA – O que você está falando? PAULO – O Felipe não vai vir. LUANA – Por quê? PAULO – Ele fez uma viagem. E só vai voltar daqui a dois dias. LUANA – (surpresa) Mas pra onde ele foi? (Karina e Miguel estão se agarrando e se pegando no sofá mesmo, quando a campainha toca e estraga o romance) LUCAS – Quem será? Está esperando alguém? KARINA – Não. Vou ver quem é. LUCAS – Não amor, deixa que eu vou. (ele caminha até a porta, e a abre com calma) Felipe? FELIPE – Oi, boa noite. Atrapalho?Continua no Capítulo 33...
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