"É Uma Menina"
(Luana e Sérgio continuam se encarando) SÉRGIO – Eu vim falar com o Felipe. LUANA – Ele não está. Está na empresa, e vai chegar só à noite. SÉRGIO – Sei. Você poderia dizer que eu vim atrás dele. Quer saber, não se preocupa Luana. Não precisa avisar que eu vim. (vai embora logo em seguida) VERÔNICA – Quem é esse rapaz? LUANA – Ninguém mamãe. VERÔNICA – Senti um clima entre vocês. O que tá acontecendo filha? LUANA – Nada mamãe. (caminha em direção à escada) VERÔNICA – Onde vai, filha? LUANA – Para o meu quarto! VERÔNICA – Mas logo irão servir o almoço! LUANA – Diga que estou com dor de cabeça. (sobe para o quarto) (Carla, Roberta e Rosário estão na cozinha) ROSÁRIO – Pena que você vai embora amanha, Camila. CAMILA – Eu não posso deixar meu apartamento muito tempo sozinho. Eu só vim ajudar minha amiga, e como vejo que ela já estar melhor... CARLA – Só por fora, porque por dentro. ROSÁRIO – Está tudo bem filha? CARLA – Está sim madrinha, não se preocupa. ROSÁRIO – E sua família Camila? Sua mãe ou seu pai não devem está preocupados por você ter vindo pra São Paulo sozinha? CARLA – A Camila é sozinha no mundo madrinha, seus pais morreram muito cedo. ROSÁRIO – Oh, desculpa querida. Eu não sabia! CAMILA – Que é isso, não precisar se preocupar. ROBERTA – (entrando na cozinha) Então, esse almoço sai ou não? ROSÁRIO – Tá saindo. Cadê seu irmão? ROBERTA – Já chamei ele, deve está vindo. Porque você vai amanha Camila? CAMILA – Tenho que resolver umas coisas lá no Rio, o retorno das aulas na faculdade, meu apartamento... ROBERTA – Porque não deixou com alguém para ficar olhando, assim você poderia ficar mais tempo, nem conheceu a cidade direito. CAMILA – Quem sabe na próxima. CARLA – E aquele assunto Roberta, você resolveu? ROBERTA – Ah sim, venham comigo! (puxa Carla para o quarto e Camila vai logo atrás) ROSÁRIO – Eu já vou servir o almoço, onde vocês vão? ROBERTA – Já voltamos mãe. (no quarto) Eu consegui marcar pra quarta, pela manha. CARLA – Nessa quarta logo? ROBERTA – Tem algum problema? Quiser posso tentar remarcar? CARLA – Não, não precisa. Já deve ter sido um trabalhão para você marcar essa. Pode deixar eu vou. ROBERTA – Este é o endereço. Eu quero ser a primeira à saber o sexo dessa criança hein. CAMILA – Chegou tarde, eu vou ser a primeira. ROBERTA – Então eu me contendo sendo a segunda, só não deixe de me contar o sexo, se não vou ficar muito chateada, viu. CARLA – Pode deixar Roberta, você será uma das primeiras a saber! Agora vamos voltar, se não a madrinha vai ficar chateada, por termos saído da cozinha que nem loucas. (Hilda, Junior e Joana almoçam na cozinha) HILDA – Já pensaram o nome para a menina? JUNIOR – Que menina mamãe? HILDA – Vão me dizer que eu estraguei a novidade? (os dois se olham surpresos. Junior passa a mão na barriga de Joana e sorrir) JUNIOR – Quer dizer que é uma... HILDA – Desculpa meus filhos, se eu soubesse que vocês não sabiam ainda do sexo da criança, eu nem teria comentado. JOANA – (emocionada) Uma menina, amor. Nossa menininha! JUNIOR – Ainda não estou acreditando. Uma menina Joana, nossa menina. (beija a barriga dela) É sério mesmo mamãe? HILDA – Eu nunca errei nas minhas previsões filho, não vai ser agora que eu vou errar. JUNIOR – Eu devo ser o cara mais feliz do mundo, em ter uma mãe maravilhosa que nem a senhora, uma mulher fantástica que nem a minha, e uma filha, que nem nasceu, mas já é amada. HILDA – Então, qual será o nome dela? JOANA – Bem, nem pensamos ainda, porque não sabíamos se era um menino ou uma menina. JUNIOR – Mas agora que sabemos que é uma menina, eu tenho uma ideia para o nome da nossa filha. JOANA – É? HILDA – E que nome é filho? JUNIOR – Ana, o nome da vovó! JOANA – Ana é um nome lindo, e já que foi a senhora que nos revelou que é uma menina, nada melhor do que homenageamos com o nome da sua mãe! HILDA – (emocionada) Oh meus filhos. Obrigada. JOANA – Ana terá muita sorte, por fazer parte dessa família. JUNIOR – Disso você pode ter certeza, amor! (dão um pequeno beijo) ADRIANO – Já voltou cara? (Sérgio chega em casa e fica andando de um lado para o outro) Então contou para o Felipe? SÉRGIO – Ele não estava em casa. ROBERTO – E que cara é essa? SÉRGIO – É a que eu tenho Roberto! (vai para o quarto) ROBERTO – Uau, nervosinho o cara, hein? ADRIANO – Não sei, mas então... você vai ou não? ROBERTO – Claro que vou, estou com fome. ADRIANO – Então vamos. ROBERTO – Não vamos chamar o Sérgio? ADRIANO – Não, melhor deixar o senhor emburradinho aí esfriar a cabeça. Seja o que tenha acontecido, ficar sozinha vai acalma-lo. (os dois saem. No quarto de Sérgio, ele está deitado na cama, olhando para o teto e tem uma lembrança com a Luana) SÉRGIO – (após o fim da lembrança) Porque eu não consigo te esquecer, Luana?Anoitecendo...
(Karina e Lucas chegam em casa cada um com um sorriso de orelha a orelha) MIGUEL – Casalzinho chegou feliz, pelo visto o dia foi bom? LUCAS – Você nem sabe o quanto Miguel, eu e sua irmã, aproveitamos muito esse dia juntos. MIGUEL – Estou vendo. Olha só a cara de boba dela. KARINA – E não é pra estar, com um marido desses. (os dois se beijam) E você? Não vai me dizer que você passou o dia todo em casa? MIGUEL – Não exatamente. Cheguei quase agora também. LUCAS – Pensando o que Karina, o Miguel também sabe se divertir. KARINA – Estou vendo, e foi pra onde? MIGUEL – Digo se vocês me disserem o que vocês aprontaram fora? LUCAS – Ah irmãozinho, isso é segredo. MIGUEL – Então estamos conversados. LUCAS – Vamos amor, precisamos de um banho. (se beijam) MIGUEL – Eu sei que vocês se amam, mas se vocês pretendem continuar isso, não é melhor vocês subirem logo para o banheiro. KARINA – Já estamos indo. (sobem as escadas, trocando beijos) (Cláudio está na sala, pensando em Camila. Verônica vem descendo as escadas e encontra o filho pensativo) VERÔNICA – Da ultima vez que você estava assim, você me disse que estava apaixonado por uma garota. É isso de novo? CLÁUDIO – Não, mamãe. Pelo menos, acho que ainda não. VERÔNICA – Está bem, vou fingir que acredito nisso. Não dou uma semana e você está me trazendo está garota jantar com a gente. CLÁUDIO – Não viaja mãe! (levanta e sobe para o quarto) (Frederico está no quarto e faz uma ligação suspeita) FREDERICO – Oi! Que bom que você atendeu. Estou precisando de seu serviço. Eu sei que você está devendo um favorzinho para mim e chegou a hora de você paga-lo. SÉRGIO – (entrando na sala) O que vocês estão fazendo? ADRIANO – Vendo TV! SÉRGIO – Bom pra vocês. (caminha em direção à porta) ROBERTO – Vai sair? SÉRGIO – Vou! Ao contrário de alguns, tenho uma vida para viver! Boa noite, fui! (sai) ADRIANO – Isso foi meio que uma indireta pra nós, né? ROBERTO – Pra quem tava com raiva hoje à tarde, agora tá bem relaxado... até saiu pra rua. (Carla, Camila e Paula estão no quarto conversando) PAULA – Ansiosa em saber o sexo do bebê Carla? CARLA – Um pouco! PAULA – E já tem ideia para o nome? CARLA – Não, não pensei nisso ainda. PAULA – Acho que isso deve ser discutido com a presença do pai, só que o pai nem sabe da existência desse filho, nem sei se ainda lembra da existência da mãe. CAMILA – A Paula tem razão, Carla. Vai que esse cara que você conheceu naquela noite, nem lembra mais de você? Vai que tem até outra? CARLA – Ele talvez não lembre de mim... (passando a mão em sua barriga) ...mas esse filho, vai me fazer sempre lembrar dele. PAULA – Essa criança não pode impedir você de se apaixonar novamente irmã. Você é jovem, linda, inteligente. Tem uma vida inteira pela frente, não pode ficar totalmente presa a ela. CARLA – Eu não estou presa, eu ainda consigo amar. CAMILA – Isso não é verdade. Se fosse assim, você teria aceitado o convite daquele rapaz que você conheceu no ônibus! CARLA – Eu já falei porque não pude aceitar. Tinha que ficar com a Camila, não podia sair com um cara que acabei de conhecer e deixar uma amiga sozinha numa cidade que não conhece. CAMILA – Pois é... então vamos lá! Pega o seu telefone agora mesmo, liga para ele e marque para amanha vocês se encontrarem. Eu não vou está mais aqui, então nada te impede agora. CARLA – Tem sim... CAMILA – Posso saber quem? CARLA – A Paula, ela precisa de mim. CAMILA – Fala sério, Carla? PAULA – Verdade, Carla. Eu já sou bem grandinha, e também estou a favor da Camila. Anda minha irmã, dê essa oportunidade para você tentar ser feliz. CARLA – Mas eu sou feliz! CAMILA – Não, você não é feliz, Carla. Pode fingir pra qualquer um, mas não pra você mesma. PAULA – Anda, tá esperando o que para ligar para ele. Se você quiser eu ligo? (toma o telefone da mão dela) CARLA – Não, me dar isso aqui. Deixa que eu ligo. PAULA – Então vai lá. Liga! (Carla procura o número de Miguel, olha um pouco para o telefone, olha para as meninas, e acaba não ligando) PAULA – Sabia que não iria ligar, me dar isso aqui, deixa que eu ligo. CARLA – Não, eu ligo amanha. PAULA – E porque não liga hoje? CARLA – É tarde! Ele deve está dormindo. Amanha, quando a Camila estiver embarcando, eu ligo. CAMILA – Vou fingir que acredito. Você vai ficar de testemunha pra me dizer se ela vai ligar ou não, viu Paula? PAULA – Pode deixar Camila, se ela não ligar eu ligo.Amanhecendo...
(Sérgio leva uma garota loira até fora do apartamento, em silêncio para não acordar os outros) SÉRGIO – Pode deixar que eu te ligo. (os dois se beijam, e Sérgio fecha a porta) ADRIANO – Posso saber quem é a gata? (diz levantando do sofá e dando um susto no amigo) SÉRGIO – Que susto cara! Há quanto tempo você estar aí? ADRIANO – Eu acho que dormir aqui, devo ter agarrado no sono vendo o filme. SÉRGIO – Sei... Bem, ela é só uma amiga, que eu conheci ontem! ADRIANO – Uma amiga que conheceu ontem, e que já dorme no seu quarto! SÉRGIO – É isso aí... agora ver se você se arruma, e vai comprar logo os pães pra gente? ADRIANO – Estou indo estressadinho. (Frederico está com uma mulher e um jovem rapaz, sentados em um banco. Ele entrega um envelope amarelo bem volumoso para a tal mulher. Não longe dali, dentro de um carro, está Thomas observando tudo)Continua no Capítulo 27...
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