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Águas de Março
Capítulo 1 de 1
Águas de Março
✍️ Charlotte Marx ·📅 08 Feb. 2020 ·👁 2 leituras
Atravessando o morro do Pão de Açúcar, eis a cidade maravilhosa. É pau, é pedra, é o fim do caminho, é um resto de toco, é um pouco sozinho, é um caco de vidro, é a vida, é o sol,  é a noite, é a morte, é um laço, é o anzol, é peroba no campo, é o nó da madeira, Caingá Candeia, é o matita Pereira. Os quiosques nas praias começam ser abertos, os primeiros raios do sol despontam no oceano. Coqueiros provocam as primeiras sombras pela caçada. Na avenida Atlântica, algumas pessoas e casais aproveitam a aurora para caminhar, outros preferem a bicicleta. É madeira de vento, tombo da ribanceira, é o mistério profundo, é o queira ou não queira, é o vento ventando, é o fim da ladeira. É a viga, é o vão, festa da ciumeira, é a chuva chovendo, é a conversa ribeira. Gaivotas caçam mariscos onde as ondas caem. Pegadas dos apaixonados formam uma fileira pela sílica.

O cheiro molhado e salgado de maresia invade a esquina da Rua Anchieta, onde no Edifício Mascarenhas, é possível na varanda de um apartamento do sétimo andar, escutar a doce composição de Tom Jobim e Elis Regina no rodar de um disco de vinil. Ao lado, é possível se notar uma espreguiçadeira com um cinzeiro. Nele, ainda sobre sua roupa de banho, Marina acaba de deixar a última bituca de seu Marlboro. Finalmente terminara de rascunhar o desfecho de sua trama folhetinesca. Passarinho na mão, pedra de atiradeira. Uma ave no céu, uma ave no chão, é um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão. Retirou a agulha e a vitrola desligou. Despiu-se a caminho do banheiro e ligando o gás, abriu o registro do chuveiro, deixando a água cair sobre seu corpo moreno. 

Observação : Todas as falas das personagens encontram-se numa formatação de marcador padrão. 

***

Marina já sobre seu jaleco branco, achou graça daquele comentário em relação ao adesivo fosforescente no alto da parede. Era seu décimo paciente aquele dia. Ela era pediatra e simplesmente era apaixonada pela sua profissão. Entrou na curiosidade do menino.

 Ele a surpreendeu com a réplica 

Marina se encantou com aquela manifestação pró-diversidade, mas resolveu não apoiar, porque a mãe do menino que o acompanhava fez uma cara de desgosto e logo interveio.

Ela fez uma anamnese bem detalhada e mesmo concluindo ser uma amigdalite rotineira e tomando cuidado para não passar benzetacil afinal poderia traumatizar a criança, além de ser mais indicada em caso de sífilis, encaminhou para um otorrinolaringologista já que dada a frequência dos episódios de infecção, talvez fosse necessário retirar as tonsilas. 

***

Terminou de pesar seu prato no self-services do hospital e foi até a mesa, em que sua amiga e colega de trabalho, pediatra também, Letícia a aguardava.

Letícia discorda.

Marina confirma. 

Letícia é conclusiva

***

Hector chega de seu escritório de advocacia, deixando sua pasta em cima do sofá. Ele afrouxa a gravata e retira os sapatos, pegando-o nas mãos e caminhando até o quarto, onde Marina o aguardava fumando. Ele sobe na cama e a rouba um beijo. No entanto, os olhos da mulher não conseguem se entregar ao sentimento como de costume. Quando ele vai ao banheiro, ela dispara.

Ele se volta curioso.

Ela não se aguenta e começa a chorar.

Ele se aproxima preocupado e limpa suas lágrimas.

Hector se preocupa.

Marina se levanta, não conseguindo encará-lo.

Hector estranha.

Marina abaixando a cabeça revela.

Hector não entende nada e a abraça por trás.

Marina fecha os lábios dele com seus dedos.

Ele cai sentado na cama. Ela ainda de costas para ele se apoia num criado mudo, chorava desesperadamente. Ele a questiona.

Ela se vira tomando coragem e braveja.

Lágrimas começam a escorrer pelo canto dos olhos dele. 

Ela senta ao lado dele na cama e pega suas mãos. 

Ele se levanta transtornado, já desconfiava do que podia ser. Contemplou-a por um instante em silêncio. 

Ela confirma. Entendeu que ele percebera.

Hector se segura no criado para não cair.

Marina segurava o choro para poder falar, mas estava difícil.

Hector esmurra o criado.

Aquelas palavras a provocam uma náusea tão forte que ela o encara incrédula.

Hector a enfrenta.

Marina se desespera com aquilo.

Hector ri

Marina abre o guarda-roupa num gesto de repulsa tão grande e começa a jogar as roupas dele no chão.

Ele a puxa pelos braços e a esbofeteia na cara, jogando-a na cama.

E recolhendo suas vestes, ele sai do quarto. Ela corre até a sala. Ele a olha de cima abaixo com asco.

Ele sai pela porta do apartamento e ela a bate assim que ele vai embora;

E chorando de soluçar, desliza pela porta.

 ***

No aeroporto Riogaleão,  Letícia termina de tomar um café com Marina.

Marina desconversou.

Letícia a questiona feliz.

Marina pega nas mãos da amiga.

O auto-falante anunciou seu vôo, ela se despediu da amiga com um abraço e sumiu na plataforma.

***

A clínica de Doutor Pernetta ficava no centro de Londres, próximo ao The Langham hotel, em frente a  universidade de Westminster! Era reconhecido internacionalmente por ser um urocirurgião de renome, especializado em cirurgias de mudança de sexo. No entanto, recentemente uma de suas pesquisas de alguns anos havia realmente elaborado um projeto aceito pela sociedade científica: o transplante de útero em trans com aspirações de engravidar. Muitas mulheres já haviam realizado a operação e uma parcela delas já estava em processo de gravidez assistida. Marina sabia que não era fácil sustentar o feto. Muitos abortos espontâneos havia acontecido, mas ela precisava ir até o fim se quisesse realizar esse sonho e assim fez. Recuperou-se inicialmente do transplante e já iniciou as tentativas de fertilização num banco de esperma dali mesmo. 

Estava hospedada no Charlotte Street Hotel a pouco do parque Crabtree Fields, lugar onde resolveu a partir de um aluguel de bicicletas, pedalar um pouco. Estava friozinho naquele outono. As folhas amareladas das árvores revelavam uma verdadeira pilha colorida naquele estreito que se abria. Passando por alguns pinheiros, percebeu que o pneu da bicicleta se esvaziou de uma vez. Uma tachinha! Parou num banco de frente para um campo aberto e observou em silêncio uma família fazendo um piquenique. Desejou naquele instante ser a matriarca de tudo aquilo. Invejou aquela mulher loira que adiante ria com o marido e seu casal de filhos.

Não era muito adepta a ideais perfeccionistas, de família margarina, mas não podia negar o que estava sentindo, ela queria ser uma mulher comum, uma mulher cis, ter nascido dentro da heteronormatividade! Foi um carma tão grande do destino ter lhe dado um corpo de homem, aprisionado-a tanto tempo numa matéria que não era a dela e finalmente quando conseguiu enfrentar isso, enfrentar a moral da sociedade, quando achava que se veria livre dos seus problemas, eis que  a tortura continuou! Será que no fundo não passava de um homem mutilado como Hector mesmo lhe dissera? Uma aberração? Por que ela parecia estar se sentindo culpada pelo seu término. Por quê? Eis que a menininha do piquenique apareceu em sua frente, dando-lhe um susto.

Marina voltou-se surpresa com aquele comentário.

Marina se encantou com aquele gesto. Os britânicos sempre pareceram extremamente práticos e pouco afetivos! Agora aquela família convidava uma estranha para um jantar? A educação a mandava recusar! Mas estava se sentindo só há um tempo! Precisava de um pouco de companhia! Falar com Letícia e outros amigos pelo telefone não era a mesma coisa de tê-los pessoalmente! Por isso que aceitou o convite, apresentando-se a todos em língua estrangeira.

O engraçado foi quando seus olhares cruzaram os de Charles. Sentiu levemente seu rosto corar. 

***

Chegaram num sobrado de esquina a uns 700 metros dali. Ao passar pela porta da sala, Marina se encantou com a disposição dos móveis, as estantes amadeiradas bem limpas, os tapetes coloridos, legos a um canto, bonecas do outro, uma cabaninha feita de lençóis antigos e caixas de papelão ao fundo, embaixo da escada. 

No caminho, Meline ouviu o choro de seu bebê e percebeu que ele estava no quarto de baixo.

Ao pegar Gregório pelos braços a partir de um berço e começar a brincar provocando risos nele, Marina se emocionou. Como queria estar no lugar dela e ter aquele bebê! Por um momento, uma ideia maluca lhe invadiu a mente. Havia uma vassoura a um canto daquele quarto e se matasse a paulada Meline? E lhe roubasse a criança? Fugindo pela janela? A porta da chave do quarto estava para dentro! Só notariam depois de horas aquele fato! Falsificava uma certidão de nascimento e voltava para o Brasil. O seu visto estava por vencer mesmo!

Ela despertou de seu transe. Já era a quinta vez que Meline a chamava para irem a cozinha. A pediatra pediu desculpas e a acompanhou. Agora entendera por que aquele era o ambiente predileto de Meline! Era extremamente aconchegante! As janelas voltadas para um jardim solar. Havia uma árvore no centro da cozinha e a montagem das paredes seguiam as excentricidades dos galhos. Fora com certeza elaborada por um arquiteto muito talentoso. A anfitriã riu.

E batendo palma, a chama do fogão acendeu, duas palmas seguidas apagaram a chama. O fogão possuia mecanoreceptores. 

O Jantar não demorou para ser servido. Bangers and Mash. Basicamente Salsichas de Cumberland acompanhadas de purê batata. Um prato simples, mas que com certos temperos se tornava maravilhosamente apetitoso. As crianças saíram mais cedo e a empregada já dispensada, ficaram apenas os três : Meline, Marina e Charles a mesa. Até que certo momento, Gregório começou a chorar e Meline lembrou-se de amamentá-lo, deixando os dois a sós a mesa. Charles que não parava de trocar olhares com ela, rompeu o silêncio.

Ela corou-se levemente.

Ele sorriu para ela meio sem graça.

Marina gostou daquele interesse dele. No entanto, envergonhou-se de si mesma por admitir isso.

Rapidamente, lembrou-se da discussão com Hector! Como aquilo a fazia mal! Certamente,  havia pego um bode do cara que um dia desejava estar para sempre em sua vida! Chorou muito depois daquela discussão e às vezes tinha uma recaída que a transformava numa perfeita idiota! Como podia se sentir culpada pelo término do relacionamento? Foi ele que a rejeitou! Foi ele que a chamou de aberração! 

Meline voltou para o jantar e aquele momento não se postergou de meia-hora. Quando se deu conta, estavam conversando na varanda da sala. 

Pensou em recusar mais uma vez, todavia o ressoar de uma buzina a fez desistir. Charles já estava dentro de sua caminhonete anos 60, segurando o volante do lado direito. Meline riu. Marina aceitou a carona.

Ela riu e o explicou enquanto ele dirigia.

Ele a surpreendeu.

Ela se recordou.

Eles ficam em silêncio. Ela decidiu perguntar.

Ele gargalhou.

Ela se empolgou.

Ele palpitou.

Ela mostrou-se interessada.

Ele riu alto.

Ela o apoiou.

Ele gozou daquele relato.

Ela riu e abriu a porta do carro. Já haviam chegado no hotel. Ele a agradeceu.

Ela se despediu com um aceno assertivo enquanto o carro partia. Ao  fechar-se em seu quarto, largou-se deixando escorregar pelo amadeirado da porta. Havia tempos que um homem não conseguia roubar-lhe um sorriso no rosto! Charles era tão espetacular. Estava em chamas por dentro. Literalmente com borboletas no estômago. Acariciou de leve seu braço com sua face e sorriu ao perceber que o perfume dele ficara marcado. 

***

No outro dia pela manhã terminava de fumar mais um cigarro assistindo a um telejornal brasileiro. Finalmente os deputados ultraconservadores assassinos da vereadora Marielle Franco iriam ser presos. Recordou-se do final de 2018, quando uma rua feita em homenagem a socióloga na Alemanha foi inaugurada. Precisava um dia conhecer esse lugar! 

Desceu para tomar café e experimentar um brioche feito com açúcar de beterraba e noz-moscada. Ao lado das mesas do salão, havia um porta-revistas com anúncios de atividades pela capital. Engraçou-se ao descobrir que havia um galpão na região norte de Londres que estaria tendo uma exposição de manifestações artísticas brasileiras. Adorava essa circularidade cultural! Tava aí um bom entretenimento para aquele dia! 

***

Desceu de um ônibus vermelho de dois andares próximo a uma cabine telefônica e virou a esquina de um grande muro branco. Reparou uma conduta interessante. Não havia muitos carros estacionado ali. O comportamento dos britânicos definitivamente era bem diferente! Tinham a noção que ecologicamente falando compensava mais andar de transporte público ao privado, além do mais este último, poderia provocar maiores congestionamentos também. Muita gente adotava uma postura alternativa também como chegar ali a pé ou de bicicleta. 

Não demorou muito para notar que Zeca Pagodinho estava tocando a todo vapor no ambiente. Alegrou-se ao perceber pessoas sambando. Num primeiro momento, pediu uma cervejinha gelada e assim que foi se socializando, decidiu ousar e em meio ao cavaquinho e ao tamborim de Martinho da Vila, descalça, Marina deixou a timidez de lado e se entregou a melodia. 

Para sua surpresa, quando todos bateram palmas ao final, alguém a observava e era ninguém menos que Charles. 

***

Letícia termina finalmente sua grade de plantões. Ao desativar o alarme de seu carro, estacionado a poucos metros de si, Hector a aborda, puxando-a pelo braço.

Ele larga sem graça.

A pediatra ri.

Hector mostrou-se arrependimento, quando ela entrou e bateu a porta do carro.

A mulher já estava ligando o carro, o encarando com ódio, mas acabou cedendo.

***

Marina e Charles chegam ao hotel, depois de comerem pipoca caramelizada comprada numa catedral ali perto. 

Ela notou que havia falado de mais.

Ele sorri.

Quando ele vai investir um passo para tentar um beijo. Eis que Meline aparece.

Ele se recorda.

Marina se despede do casal e quando atravessa a rua para entrar. Assusta-se com o olhar fuzilante e colérico que Meline empregava a ela distante. 

***

Acordou-se com estrépito. Estava sem falta de ar. Tivera uma paralisia do sono. Episódios frequentes aconteciam com ela quando criança. Mas depois de adulta, fora a primeira vez que tivera. Pegou a jarra de água num móvel na cabeceira e por um copo, bebeu duas doses de uma só vez, seus lábios estavam secos, estava sedenta. Olhou pela cortina e percebeu que estava geando. O inverno propriamente dito só começaria daqui alguns dias. Foi quando o telefone tocou e ela descobriu que havia uma visita para ela na recepção.

Não acreditou quando desceu e constatou ser Hector. Fazia meses que ela não o via. Ele estava mais magro, pálido, descuidado. Isso recordara o tempo que o conheceu, na época, ele sofria de depressão severa. 

E correu para abraçá-la. Marina se esquivou. Ele não entendeu.

Ela sorriu irônica.

Hector se ajoelhou perante ela. Percebia que seus olhos estavam vermelhos.

E pegou-lhe a mão, mas ela as retirou das dele.

Ele chorava, quando ela abaixou e tocou seu rosto.

Ele rebateu carente.

Ela se levantou e olhou com piedade.

Hector se levantou e gritou naquele salão. 

Ela não conseguiu olhar para trás, quando ele chamou diversas vezes pelo seu nome transtornado. Ela se adentrou em seu quarto e trancou a porta. Abafou o choro em um travesseiro. Seus olhos estavam encharcados.

***

Dia de Luz. Festa de sol. E um barquinho a deslizar no macio azul do mar. Tudo é verão, o amor se faz, num barquinho pela mar que desliza sem parar.  Sem intenção, nossa canção vai saindo desse mar e sol… Vejo o barco e a luz. Dias tão azuis... Marina hidratava com carinho sua pele macia, tocando levemente cada cantinho do seu corpo, cada marquinha que pudesse ter, sentindo-se leve, original, plena. Era tão grandioso parar e pensar que não havia nenhum ser humano como ela em nenhum lugar do mundo. Isso dava uma força interior. O barquinho vai...a tardinha cai…

Folheava o livro Abaixo a família Monogâmica de Sérgio Lessa naquela quarta-feira da semana posterior na praça de alimentação do Westfield Stratford City quando uma ligação que aguardava vingou. Passara numa entrevista de emprego e iria trabalhar num hospital na cidade. Quando saía com algumas sacolas daquela avenida, um caminhão invadiu a calçada que estava e só teve tempo de fechar os olhos…

Segundos depois os abriu. Muitos gritos podiam se ouvir. Uma correria. Um cheiro de fumaça. Mas ela estava salva, no outro lado da rua, nos braços de Charles.

***

Abriu a porta de seu quarto e o ajudou a entrar, ele mancava.

O homem se explicou.

Marina voltou, molhando o gaze numa solução alcóolica e limpando o ferimento superficial na testa do britânico. 

Charles discordou enquanto ela cuidava de outras feridas nos braços dele. 

Marina rebateu.

Charles segura em sua mão.

Ela sorri para ele e liga televisão.

Assim que ela entra no banheiro, ele dispara abrindo o zíper da calça.

E estampou no rosto, um sorriso amarelo.

Marina terminava de se ensaboar, quando puxou o frasco de shampoo do alto da janela, apertando um pouco na mão e massageando seus longos fios pretos. Depois de um pequeno intervalo de tempo, fechou os olhos e decidiu repassar. Quando os abriu, ficou petrificada ao ver Charles nu na sua frente, do lado de fora do box.

A protagonista sentiu uma forte náusea ao vê-lo excitado. Aqueles pêlos enormes formando um verdadeiro tapete em cima do peitoral, braços e pernas daquele sujeito. O mais assustador era o olhar dele. Maníaco. Fora de si. Levemente biruta. Invadiu o chuveiro, fechando o box.

E passou o braço peludo por cima dela num tom feroz. Ela sentiu o odor daquele corpo. Enfrentou-o.

Ele riu. 

Marina cuspiu em sua cara.

Charles não lhe deu ouvidos e foi logo beijando seu pescoço. Ela tentou chutar as genitálias, mas ele foi mais rápido e prendeu suas mãos e pés. Ela começou a gritar desesperada por socorro, mas ele a esmurrou.

E a virando de costas a estuprou. 

***

Acordou no chão, com o barulho da água que escorria para o ralo. O chuveiro estava a todo vapor. Levantou e fechou o registro. Na frente do espelho, constatou pelas marcas e hematomas que ele a deixara. Ela havia sido abusada. Sentiu uma vulnerabilidade em si. Uma fragilidade em não ter impedido tudo aquilo. Meneou e começou a chorar feito criança. Ele era um monstro. Um monstro! Abriu a latrina e vomitou incessantemente. 

***

No outro dia pela manhã, ao se levantar, percebeu que na noite anterior havia acabado com os três maços de cigarro que comprara para aquele dia dado o tamanho estado de nervo que se encontrava. Fitava em seu celular o número de Letícia. Era a pessoa que mais confiava naquele momento, mas sentia medo, pavor por se lembrar daquelas palavras de Charles. Quando ela iria imaginar que um homem tão doce num primeiro momento iria ser um maníaco sexual? Mas ela não podia deixar Meline sem saber do marido que possuia! Será que ele fazia o mesmo com a mulher? E se abusasse de seus filhos também?  Precisava enfrentar aquela situação! Esse homem não podia ficar solto por aí! Não podia!Era uma mulher tão forte nas palavras.

Defendia com unhas e dentes o empoderamento feminino, a resistência contra o machismo, a luta por igualdade de gênero e quando a situação acontecia consigo, ela fraquejava? Naquele momento o que precisava fazer era procurar um lugar longe dali para morar. Fugir de vista! Assim poderia se tranquilizar e pensar numa solução melhor para tudo aquilo! Num lugar seguro! Voltaria ao Brasil? E Abandonar o tratamento hormonal de desenvolvimento ovariano e de seu útero, recém implantados? 

Foi quando recebeu uma mensagem de celular e notou ser de Hector! Para sua felicidade ainda estava em Londres! Ainda que estivesse extremamente magoada com tudo que ele lhe dissera e não sentisse mais a mesma coisa por ele, sentia que seria bom ter um conhecido por perto naquelas horas. Respondeu naquele instante e marcaram de se encontrar.

***

Marina empurrou a porta da Starbucks localizada na East Block, provocando um cintilar de suaves sinos e subiu as escadas para o segundo pavimento, onde Hector a encontrava numa mesa em um repartimento discreto. Estava muito diferente da última vez que a vira. Bem vestido, portando uma boina. Sorriu quando o viu. 

Ela fingiu um sorriso, mas ele percebeu.

Hector a observou.

Ela se emocionou com aquele gesto, mas abaixou a cabeça.

Foi quando ela avistou pela janela, do outro lado da rua, Charles observando-a sinistramente. Ele percebeu que ela o notara e balançou a cabeça num tom irônico de reprovação. Marina engoliu seco. Estava apavorada. Aquele homem a seguia para todo canto que andava, a assombrava. Começou a chorar. Hector percebeu.

Ela gritou desesperada.

Ele a questionou mais vezes, contudo ela acabou o convencendo. Foram para seu hotel que ficava do outro lado da cidade. No caminho, dessa vez, ela atentou-se para o fato de não estar sendo seguida. 

A sós no quarto, ela deu-lhe um abraço apertado e pegando suas mãos, decidiu contar-lhe tudo. 

***

Hector se revoltou com o acontecido. A vontade que tinha era de espancar aquele infeliz! Ela disse que tinha muito medo de voltar ao hotel onde estava porque ele deveria estar rodeando e não podia sequer imaginar que ela contou alguém a verdade, ameaçou-a de morte. Só que ao mesmo tempo ela não podia deixar Meline e as crianças sem assistência. Tinha receio deles esconderem a verdade também por medo. O advogado prometeu ajudá-la no que fosse necessário independente dela estar com ele ou não e afirmou que sempre iria acompanhá-la nas idas à clínica do doutor Pernetta. 

***

Já fazia algumas semanas que não via Charles e aquilo a tranquilizava. Era antevéspera de natal quando recebeu uma notícia inesperada pelo médico.

Ela o fitou ansiosa.

Ele confirmou.

Ela pulou de alegria no consultório. Era tão incrível imaginar que trans agora poderiam realizar aquele sonho. No entanto, ele completou a frase.

Ela sentou-se por um instante.

Ele revelou.

Ela se curvou.

Ele não entendeu.

Ela não pode acreditar no que estava acontecendo. Estava grávida do seu próprio estuprador. 

***

Assim quando entra no carro de Hector, ela dispara para o advogado.

Ele a abraça totalmente encantado.

Ela agradece num tom melancólico e ele não entende.

Ela é conclusiva.

Deixando Hector sem palavras.

***

Letícia termina sua sessão de Yoga quando recebe um telefonema de Marina. 

Um pouco nervosa, ela decide dar a notícia da gravidez para a melhor amiga, mas não diz quem é o pai, deixando-a crer que fora resultado da fertilização ou inseminação, uma vez que a outra não sabe de toda a história. 

Assim que desliga, ela arremessa o celular longe.

***

Hector acorda e Marina está a folhear um livro de embriologia básica do Moore. 

O advogado a abraça feliz, ele liga o rádio numa estação e uma música do Tom Jobim está tocando. Vou te contar, os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender, fundamental é o mesmo amor, é impossível ser feliz sozinho. 

Marina pega uma garrafa de vidro e faz dela seu microfone, completando a canção já de pé. 

Ele toma a garrafa de sua mão.

Ela toma de volta.

E no fim ambos cantam juntos

E Marina acaba indo parar no braços de Hector. Ele a rouba um beijo e ela se apoiando em sua nuca, mostra-se recíproca. O clima começa a esquentar e ele a a levanta, encostando-a na parede, beijam-se loucamente. Ela arranha de leve suas costas e segura firme nos fios de cabelo dele, ele a deixa sem ar de tanto beijá-la, virando sua face. Ela se entrega sorrindo e puxa sua camiseta, despindo-o, jogando-o na cama, ela sobe em cima, deixa-o inverter a posição e retirar sua blusa e seu sutiã com a boca. Arrepia-se toda quando ele aproxima os lábios levemente barbados da sua genitália. Os olhos da transsexual reviram-se.

***

Quarenta e cinco dias mais tardes, no aeroporto de heathrow, Marina já com a barriga um pouco crescida corre para abraçar a amiga, por entre os braços dela, Letícia troca olhares macabros com Hector. 

Encontram uma casa do pão de queijo por lá e a protagonista exige saber das novidades brasileiras. Letícia revela.

Marina vibrou.

Hector não se recorda.

Marina fica passada.

A história embrulha o estômago do advogado.

Letícia impaciente, interrompe a conversa.

Marina confirma alegre. Letícia finge felicidade.

Hector beija o rosto da jovem por trás e sarcástico pisca para Letícia. Eram cúmplices.

***

O advogado percebe que a pediatra está no décimo sono e desce para o estacionamento, onde dentro de seu carro, Letícia o espera no banco do carona.

Hector beija a parceira. 

Letícia o bate no ombro.

Hector a questiona.

Letícia justifica.

Hector continua 

Hector compartilha daquele sentimento.

Letícia o acalma.

***

Na manhã seguinte, Marina visita uma loja de enxovais para bebê e se encanta quando encontra um conjuntinho cor-de-rosa. Seria menino ou menina? Seu celular toca e ela descobre que precisa ir para o hospital, o diretor pediu para começar as consultas mais cedo. Quando deixa o comércio, avista do outro lado da rua ninguém menos que Charles.

Ela se desespera e começa a procurar pelo carro de Hector que estaria a aguardando por ali mesmo, estacionado. Mas não o encontra. O homem atravessa a rua e se aproxima obcecadamente com seu sorriso amarelo e ela alarga o passo. Para sua surpresa, ele também faz o mesmo e ela desata a correr desesperada pelas quadras de Londres num verdadeiro jogo de gato e rato, até que ela o perde de vista e se escora na parede, cansada.

Do outro lado da rua, Letícia esmurra Charles e Hector que riem da cena.

Charles se intriga.

Letícia transparece.

Os dois ficam em estado de choque com as palavras da vilã. Ela tinha pretensões de roubar o bebê de Marina também. 

***

Marina chega no apartamento de Hector juntamente com ele e se joga nos braços da melhor amiga que troca olhares enojados com o homem.

Letícia finge preocupação.

A protagonista disparou cansada depois de um dia de atendimento clínico.

Letícia olhou segurando o riso para Hector

***

Letícia acalentou o coração revoltado da amiga, demonstrando entender aquela situação, apesar de pedir para ela esquecer aquela história já que ele a ameaçara de morte. Convenceu-a tomar um calmante e assim que jovem caiu no sono, bateu a porta do quarto, saindo a tagarelar com Hector.

Naquele fim de semana mesmo, voltou ao Brasil, deixando o parceiro e o irmão no comando de seu plano diabólico para destruir a vida de Marina. Meses foram se sucedendo e o acompanhamento pré-natal foi importantíssimo para assistir aquela gravidez nas palavras de Doutor Pernetta de risco. Parou definitivamente de fumar. 

Linha primitiva. Notocorda. Três camadas germinativas embrionárias: ectoderme, endoderme e mesoderme. Arquêntero. Blastóporo. Placa Neural. Sulco Neural. Prega Neural. Gota Neural. Tubo Neural. Crista Neural. Cefalização. Saco vitelínico. Âmnio. Alantóide. Vilosidades Coriônicas. Placenta. Coração. Fígado. Somitos. Membros. Ouvidos. Nariz. Olhos. Lanugo. Cabelo. Vernix Caseosa. Dobras orofaríngeas. Sistema Respiratório. 30ª Semana. Era uma menininha. 

Abriu o salão que alugara e recebera as convidadas de braços abertos. Amigas de faculdades. Parentes distantes. Primas. Letícia veio logo fingindo simpatia e trazendo um presente enorme. 

Marina riu quando seus olhos foram vendados e ela foi extremamente maquiada. Bolos doces e balões coloridos. Entre as pessoas, Letícia não via a hora de sair dali ainda mais depois de Marina relatar a todos que sentiu Maria Eduarda chutar. O único chute que ela queria dar era naquela barriga! Mas não abriria mão de poder ser mãe!

***

Em uma tarde ensolarada em seu consultório acompanhada da neuropediatra, ela levou uma mãe a lágrimas no seu último dia antes da licença ao fazer uma garotinha de quatro anos vítima de poliomielite recuperar o movimento das pernas. 

As médicas se emocionaram. 

Agradeceu a mãe risonha. Marina a abraçou.

***

Marina está lendo um livro sobre o fantástico mundo dos bebês, achando graça e descobre que eles se comunica entre si com poucos sons. Quando vai acariciar o barrigão, escuta um barulho peculiar, avista o tapete do quarto e constata: a bolsa estourou. Grita pelo nome de Hector que estava tomando banho.

Ela revela. 

Ele se desespera de nervoso.

Ela confirma. Ele a beija. Mas ela logo começa a sentir as contrações.

***

Letícia entra maquinalmente no hospital, empurrando a porta de emergência e  trajando seu jaleco médico. Caminha descompassadamente ansiosa até a sala de cirurgia na qual Marina já estava em trabalho de parto normal, fazendo força.

Os olhos esverdeados da serpente reluzem perante a cena, ela encontra os de Hector assim que afasta os fios loiros da testa pondo dentro da touca e ele estranhamente os despista. Olhou para o eletrocardiógrafo e pensou em desassistir aquela desgraçada, deixá-la vulnerável a pré-eclampsias e quem sabe um infarto letal. Sentiu-se mal ao presenciar toda aquela atenção que sua amiguinha de anos recebia. Era para ela estar naquela cama, tendo o dia mais feliz de sua vida e não aquele alienígena!

Marina apertou forte a lateral da cama e fazendo forças, urrou uma, duas, três…

Pernetta se preocupou.

A mocinha bravejou.

E pegando as mãos de Hector, gritou fazendo força e a criança começou a descer pelo colo do útero e canal vaginal até começar a chorar. Ela escancarou um sorriso de encantamento no rosto. Hector foi ao pranto e Letícia não gostou nenhum pouco.

De repente, Marina começou a tremer e a se sentir zonza. Os enfermeiros alertaram o médico que a pressão havia caído muito. Sentiu uma exaustão profunda e desmaiou para uma satisfação imensurável de Letícia. A cena se apagou. 

***

Doutor Pernetta entrou na companhia da Nutricionista na manhã seguinte, enquanto a jovem se espreguiçava na cama. 

Marina confirma.

Ele explica revelando portar o manômetro hospitalar.

Hector se levanta da poltrona. Marina exige saber.

Letícia está contemplando a bebezinha pelo vidro do lado de fora do berçário.

A megera leva um baita susto com a chegada da rival. Troca olhares com Hector que novamente os despista. No entanto, consegue contornar a situação.

Marina a abraça e vestindo uma roupa apropriada se adentra na sala. Letícia bufa de raiva. Olhou para uma funcionária da limpeza limpando as escadas e imaginou jogando Marina degraus abaixo.

***

Alguns dias depois, Marina finalmente tem alta e se recupera em casa. Letícia e Hector se encontram com Charles no sobrado do rapaz. 

Charles confirmou. Ela se felicitou.

O homem acenou que sim e ao chamá-la, ela veio da cozinha. Letícia a cumprimentou.

***

Marina terminava de amamentar a filha, quando recebeu um torpedo de celular, já era noite. 

“ Sequestrei a sua amiga” 

Ela se desesperou. Que brincadeira de mal gosto era aquela?

“ Vai para janela se quiser que ela sobreviva”

Ela correu desesperada e constatou ser Charles, desesperando-se. Segundos depois a foto de Letícia amarrada surgiu no seu visor. 

***

Letícia sorriu quando viu no visor os prints que Charles a havia mandado das mensagens com Marina. Pegou uma escova e pôs a pentear sombriamente seus cabelos na frente de um espelho oval naquele corredor do segundo andar. Hector recebera o chamado para cuidar de Duda e Marina disse para ele não se preocupar. 

Apagou as luzes no disjuntor e aguardou peconhentamente o irmão trazer a vítima. Instantes depois, sentada na escada, ouviu o desligar do motor do carro e passos em direção a porta, correu para cima.

Marina chegou ao local perdida.

Charles riu. 

Ela não entendeu.

Ele fechou a porta e do alto da escada portando uma lamparina a velas, Letícia se revelou com um roupão manchado de sangue.

Marina estranhou. Por que ela estava vestida daquela maneira? Por que se dirigia a ela naquele tom?

Marina estava petrificada perante aqueles dizeres. O que sucedendo naquela casa? Estaria sonhando? Tendo um pesadelo? 

Foi quando com um toque no interruptor, apenas uma luz se acendeu no centro da sala e para o desespero de Marina, havia uma mulher ensanguentada.

Marina se virou enojada com aquela cena.

Letícia gargalhou alto. Desfez-se maldita.

Marina se emocionou.

Letícia gargalhou.

Marina a surpreendeu.

Letícia se amedrontou com aquele disparate e olhou atordoada para o irmão, o qual sem delongas a agarrou pelos braços.

Marina se dirigiu ao disjuntor e acendeu todas as luzes. Hector se adentrou, trazendo Duda nos braços.

Letícia olhou sem acreditar para Hector, quem a encarou séria. Marina continuou.

Letícia se irritou.

Marina completou.

Retirando uma arma da calça, destravou e sobre as luvas que portava, apontou para a megera.

A outra pediatra agora esmorecia de medo. Num gesto repentino, virou para a governanta envolvida numa tramóia de falsa de morte e disparou incessantemente cinco tiros nas costas da farsante sobre os berros de Letícia. Marina voltou rindo para a sua melhor amiga.

Letícia se desesperou.

Marina deu de ombros.

E num gesto brusco, Charles dopou a própria irmã que relutava esperneante. Ao observá-la desacordada, pôs a arma entre suas mãos e sentou contemplativa no braço do sofá. 

Pegou o dinheiro num saco pardo na bolsa de Hector e pagou Charles.

E saiu com sua filhinha no colo. Dirigiu com o advogado para o aeroporto. No caminho ele a questionou.

Marina se irritou.

Hector riu de nervoso Marina arqueia as sobrancelhas num tom soturno Ela saca uma faca na bolsa e o aponta eufórica.  Ele se borra de medo, estacado. Ela retira um celular das vestes e bate uma foto não se aguentando de tanto rir. Hector fica aliviado Marina se emociona e cerra os lábios dele com o indicador Ele a ergue no ar e a beija apaixonado. Começa a tocar Maria Maria de Elis Regina

***

Aterrissou no Brasil algumas horas depois e teve a confirmação em seu celular por Charles que a polícia invadiu a casa e prendera Letícia com a arma na mão, em flagrante. Agora aquela ordinária iria passar o resto da vida atrás das grades! Como merecia! 

***

Uma chuva serena e tranquila caía sobre aquele entardecer alaranjado naquela praça. Promete que não vai crescer distante, promete que vai ser para sempre assim, promete esse sorriso radiante todas as vezes que você pensar em mim. Marina ajudava Duda já com três anos a escalar uma barra de macaco. Promete cuidar bem dos seus cachinhos e sempre me abraçar quando chegar. Promete sorrir sempre com os olhinhos e cantar cantigas na sala de estar. Ela desceu junto com Duda entre as pernas o escorregador. Que eu prometo ser para sempre o seu...porto seguro! Prometo dar-te eternamente o meu amor. Girava a filha no gira-gira. Quando Hector apareceu com a mão rodeada de três cachorros-quentes. Duda saiu correndo em sua direção.

Ele a abraçou, encostando-a em suas pernas.

Marina o beijou e devolveu o carinho.

Promete ser para sempre o meu menino, me deixar cantar para te fazer dormir, que eu prometo que vou te contar para sempre, eu te amo infinito, meu guru. 

Por fim, Marina empurra sua pequena no balanço que pende para o alto e avante.

FIM

Depoimento final de Charlotte Marx:

A motivação para escrever esse web filme surgiu quando desejei retratar a biografia de uma transsexual que possuia o sonho de ser mãe. Longe de mim, querer ousar e denunciar a transfobia! Creio que careço de bagagem necessária para tamanha responsabilidade! Ainda mais porque não tenho lugar de fala nessa questão! O que eu pretendia fazer era contribuir! Mas como? Naturalizando! Retirando esteriótipos que empregam a esse grupo social. Assim, Marina Belmont poderia ser perfeitamente uma mulher cis! Mas é trans. Quis humanizar a personagem, não reduzí-la a um atributo de identidade de gênero, que é, sem sombra de dúvida importante, mas não mais que o seu todo. Espero que tenham gostado! 

 
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Cap. 1 Águas de Março
Comentários do capítulo
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CH
Charlotte Marx11/02/2020
Outro comentário incrível e de um autor que nem preciso comentar o talento né? Estou terminando de ler Divas! Me aguarde rsrsrsrsnnEu sou apaixonada por MPB, Bossa Nova e Samba clássico. Poder enunciar as letras e as melodias desse universo em minha trama é muito gostoso de fazer. Contudo, o êxtase de tudo é poder mesclar a cronicidade dos textos do Maneco com a eletricidade dos dramas de JEC. Águas de Março, pretendia esse intento e é por isso que considero meu melhor web filme até aqui, ousei e acho que cheguei perto dessa esperada simbiose. nnQuanto a Marina ser uma Helena! Nem preciso reafirmar que devemos nos comunicar por telepatia, né? Porque foi exatamente no que eu pensei! Uma Helena trans! Doce e forte! nnWave é perfeita, ainda mais, retratando uma cena de amor totalmente atípica para os romances nas grandes mídias tradicionais. nnTe aguardo para Estação Medicina! E para meu próximo web-filme em fase terminal de produção: Caleidoscópios.
TA
Tales D.11/02/2020
Amei! O início é tranquilo e poético, com os versos de sucessos da MPB. Mas do meio pro final é eita atrás de eita. HahahhanSão muitas surpresas e reviravoltas. Fiquei chocado com a descoberta de que o bebê foi fruto da violência que ela sofreu. Mais chocado ainda com esse final. nParabéns por conseguir naturalizar a personagem, que podeira até, ser uma Helena de Manoel Carlos. Marina poderia ter, como já te disse, uma novela inteira pra chamar de sua. É uma personagem muito interessante e que rende muita história.nLinda a cena do casal cantando Wave. Essa música me dá uma profunda nostalgia e saudades da minha infância, por ser tema de abertura de Páginas da vida.nParabéns pelo filme! Estou ansioso para Estação Medicina!