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Riacho Paraíso
Capítulo 2 de 38
Capítulo 2
✍️ Raphaelle Leandro ·📅 08 Jul. 2020 ·👁 0 leituras

Alguns minutos depois Fernanda estava deitada na cama e amamentava o bebê enquanto Tânia e dona Joana se encontravam ao lado.

 — A senhora acertou, dona Joana, o meu bebê é um menino.

— Um lindo gurizinho. — disse Tânia.

— É a experiência, minha filha. O guri é forte e saudável vai dar para trabalhar na terra.

— Será que quando crescer vai ser um peão de boiada igual foi meu pai?

— Qual é o nome do guri? — perguntou a parteira.

 Fernanda olha entristecida para Tânia que devolve a amiga um olhar de amparo.

— Eu ia colocar o nome dele igual do pai, mas mudei de ideia. O nome dele é Inácio assim como se chamava o avô.

— Uma bonita homenagem, amiga.

A ribeirinha olha emocionada para o filho em seus braços.

— Te amo, meu filho, meu Inácio.

Amanheceu no pantanal e um casal de araras-azuis estavam em cima de um galho de uma árvore comendo sementes. Na varanda do casarão da Fazenda Dois Rios estava Luana encostada na pilastra e olhava para o horizonte até que Rafael se aproxima e a abraça por trás.

— Meu amor, estava te procurando.

— Estou aqui perdida em meus pensamentos.

— Sabe que te amo, Luana, e aconteça o que acontecer estarei sempre aqui para te apoiar. — segurou no queixo dela a fazendo olhar para ele.

Luana olha para Rafael e desaba a chorar.

— Eu sei, Rafael, é que me sinto tão culpada. — abraça o marido que a aconchega em seus braços. — Como eu não percebi que havia algo de errado com ele? O nosso filho Bento morreu por minha culpa.

— Não, meu amor, a culpa não é sua e o que aconteceu foi uma fatalidade.

 — Eu queria ser forte, queria poder superar toda essa dor, porém eu sou uma fraca.

— Não, meu amor, você não é fraca. Você é forte e destemida. É a mulher que sou apaixonado e tenho orgulho de ter ao meu lado. Nada neste mundo será capaz de apagar a lembrança do nosso filho Bento e a vida continua, meu amor. Eu sinto a perda do nosso filho do meu jeito tentando ocupar a minha mente com a fazenda e o que tem mais é trabalho.

— Eu preciso me ocupar e continuar com a minha vida. Não quero viver o resto da minha vida nesta tristeza. Para sempre vou guardar a lembrança e o meu amor pelo nosso filho.

— Seja onde estiver ele sabe o quanto foi esperado e amado por nós dois. Eu acredito que ele quer que a mãe volte a sorrir e dando de vez em quando um puxão de orelha no pai. — deu uma risada e passa o dedo no rosto dela limpando uma lágrima.

— Está com saudades dos meus puxões de orelha, Rafael? — deu uma risada. — Só você para me fazer rir.

O casal se olha e faz uma breve pausa.

— Sou capaz de tudo para te ver sorrindo. — a beija.

— Eu tive uma ideia. — colocou os braços envoltos do pescoço dele.

— Qual?

— Cavalgar. Faz tanto tempo que não ando a cavalo. Topa?

— É claro que sim.

— Se prepara para perder novamente, Rafael. — disse em tom de brincadeira.

 — É o que veremos.

Luana e Rafael saíram de mãos dadas para fora do casarão. Alguns minutos depois em uma estrada nas terras da fazenda estava o casal de fazendeiros cavalgando em disparada. Ela a frente e montada em um cavalo da raça Manga-larga Machador de pelagem castanha enquanto ele se encontrava logo atrás e montado em um cavalo da raça Quarto de Milha de pelagem preta.

Luana parou ao lado da cerca e ficou de baixo da sombra de uma árvore e Rafael se aproximava.

— Eu ganhei de você de novo, Rafael, e olha que fazia tempo que não cavalgava.

 — É, nisso eu tenho que aceitar que na cavalgada ninguém é páreo para você, Luana, e em duplo sentido também! — está ao lado dela.

— Rafael! Você anda muito saidinho. — o beija. — e eu gosto disso.

De repente um carro aparece na estrada.

— Tem alguém vindo aí.

O carro se aproxima do casal.

 — É o Anderson. — disse o fazendeiro.

Anderson estaciona o carro ao lado.

— Bom dia.

— Bom dia. — o casal respondeu quase ao mesmo tempo.

— Vou passar alguns dias na cidade resolver alguns assuntos de trabalho e depois retorno para pegar o resto das minhas coisas e vou embora para Campo Grande e não volto mais para Corumbá.

— Como assim você não vai mais voltar? — perguntou a cunhada.

— Vou me casar com Verônica, ela está grávida e também pouco me importa esse lugar odeio tudo que tem a ver com essa fazenda, essa gente e esse pantanal.

— Parabéns, pelo seu filho.

— Obrigado, cunhada.

— E o que você vai fazer com seus clientes já que não vai mais voltar? —perguntou o irmão.

 — Eu indiquei alguns colegas advogados para substabelecer alguns clientes meus de Corumbá.

— Tem certeza que não vai mesmo voltar para cá, Anderson?

— Rafael, eu já estou decidido que não vou mais voltar e não quero falar mais desse assunto. — olha para Luana com interesse. — Que bom em ver a minha cunhada assim feliz porque tristeza não combina com a sua beleza, Luana, é uma mulher atraente demais para ficar chorando pelos cantos.

Luana olha para Rafael que demonstra ficar enciumado.

— Se o Rafael não tivesse te laçado primeiro, eu não teria deixado escapar. — deu uma gargalhada.

 — Como é? Está dando em cima da minha mulher, seu guri atrevido!

 — Não fique com ciúmes, Rafael. Tchau! — ligou o carro e saiu pela estrada.

 Anderson dá um sorriso satisfeito no canto da boca e olha pelo retrovisor o irmão e a cunhada.

— Calma, Rafael, não leve a sério o que o Anderson diz.

— Como posso ficar calmo? Ele deu em cima de você na minha frente!

— Seu irmão é assim um paquerador profissional, só avança na paquera se der chance para ele.

— Que ele não se atreva!

— Meu amor você fica tão engraçado com ciúmes, está tão vermelho que parece um pimentão. — deu uma risada.

— Sou engraçado com ciúmes, é?

— Humrum, sim.

— Pois ele fique querendo, fique chupando o dedo porque essa gazela aqui eu conquistei. — a puxa rapidamente do cavalo, a coloca entre as pernas e a beija.

Os dias se passaram e Fernanda e Anderson não se falaram mais após aquela discussão. Em uma tarde no barco estavam Fernanda com o bebê nos braços, Tânia e Cido, o barqueiro, no rio nas proximidades da comunidade ribeirinha.

— O médico disse o mesmo que a dona Joana sobre o Inácio, o meu bebê nasceu forte e saudável.

— Graças a Deus! amiga. Mudando de assunto eu estou tão nervosa porque o Expedito disse que vai falar com os meus pais amanhã. Ele vai pedir a minha mão em casamento.

— Que notícia boa, Tânia. Estou feliz por vocês.

— Eu quero te chamar para ser a madrinha.

 — Amei o convite. Esse casamento não perco por nada desse mundo, comadre. — pisca o olho e sorrir.

— Você sabe que estou juntando um dinheirinho para o enxoval há algum tempo…

De repente Cido olha de longe um fogaréu tomando todas as casas da comunidade ribeirinha, pessoas correndo e gritando.

—Tá pegando fogo! — apontou em direção a comunidade.

Tânia e Fernanda olham para direção que Cido apontou.

— As nossas casas estão pegando fogo! — gritou a Tânia se levantando.

— Meu Deus! A minha casa! Socorro! — Fernanda gritou desesperada.

— A minha família está lá! Socorro! Alguém acuda! — gritou a Tânia colocando a mão sob a cabeça.

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