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Não mais Amar
Capítulo 8 de 15
Episódio 8
✍️ Well ·📅 15 Apr. 2020 ·👁 2 leituras

Episódio 8: Mal de Família

Não considero exagero quando ouço alguém dizendo: "Antes um estranho, que um parente"!

- Estamos morando no Rio de Janeiro, nem sabíamos que vocês estavam aqui. Disse meu tio, Jocélio.

- Soubemos de tudo hoje! Explicou a tia Marinha

- Como souberam? Quem contou? Achei que estivessem muito bem escondidos...

Tio Jocélio preparava-se pra responder quando o interrompi:

- O engraçado é que ninguém lhes avisou sobre a nossa chegada aqui, mas pra dar essa notícia terrível, souberam muito rapidamente como encontra-los. Estamos há meses aqui. Falei com segurança, afinal, estava indignada.

- Pedimos desculpa, olha nós estamos muito abalados. Arrasados por não ter tido a oportunidade de rever nossa irmã em vida, poder abraça-la, matar um pouco da saudade que guardamos por tantos anos. Dizia tia Marinha, chorando.

Meu olhar era fixo no choro da tia Marinha, logo ele se refletia a mim me fazendo derramar mais algumas lágrimas, eu só lembrava de nossos momentos juntas, como grandes amigas e confidentes.

- Era nossa irmã, Camille. Estamos sem chão. Tenha certeza se tivéssemos  ideia que vocês estavam aqui, teríamos  vindo. Precisamos falar com você, precisamos te ajudar no que for preciso! Acrescentou o tio Jocélio.

- Tudo bem, Camille? Quem são vocês? Aproximou-se dizendo dona Neusa, após sair do carro intrigada.

- São meus tios dona Neusa, irmãos da minha mãe.

- Ah! Então depois de morta, a sua mãe ficou visível pra eles? Vão embora! Chegaram tarde demais ! Reclamou dona Neusa, irritada.

- Quem é essa mulher? Camille, somos seus tios, sua família. Estamos aqui pra te ajudar.

- Não, desculpem. Vocês eu não conheço! Ela, "essa mulher" como você disse, é minha família agora, ela esteve o tempo todo ao nosso lado, quando precisamos. Declarei em defesa da dona Neusa, logo depois me afastei dando as costas e logo ouvi um resmungo " Mal agradecida". Nesse momento parei, virei-me diante o casal e questionei:

- Que grau de amor sentiam pela irmã de vocês? Não sei, mas Deus é oniciente e com certeza saberá a resposta.

- Chega, vamos embora Marinha, existem pessoas que definitivamente não merecem ser ajudadas. Respondeu o tio Jocélio, completamente transtornado enquanto puxava a irmã pelo braço afastando-se de nós.

- Aí amiga, que cara grosso! Olha vamos embora, você realmente não precisa deles.

- Querida, você vai continuar lá em casa, ouviu? Desculpe meu descontrole, mas tá na cara que eles já sabiam há muito tempo que vocês estavam na cidade. Não quiseram ajudar , foi isso o que aconteceu.

- Obrigado por intervir, também percebi um certo cinismo.

- O João Victor e eu vamos visitar os pais dele em Vitória hoje a noite. Vamos ? Se não vou acabar me atrasando. Disse Viviane.

- Sim, sim, vamos! Já, já vai escurecer.

Tentei dormir, mas não a tirava cabeça, sua cama ainda estava alí, no mesmo quarto que o meu. O quarto onde tagarelavamos por um bom tempo antes de dormir, estava em um silêncio deprimente. Ja passava das 23 horas quando resolvi ir ate varanda, talvez me sentisse melhor com a brisa calma no rosto e o som dos grilos.

Ao olhar pro jardim, me assustei. Ricardo, o misterioso e bonito rapaz por quem me encantei há alguns dias estava lá, ele acenava pra mim e sorria entusiasmado em me ver. Retribui o sorriso e desci até o jardim, estava tarde e frio. Fiquei meio intrigada por ele estar ali espreitando, mas medo não senti, algo naquele moço me deixava muito tranquila, sempre que o vi, me senti protegida de alguma maneira. Com ele me sentia segura. Ricardo já me esperava sentado no banco do jardim.

- Você me assustou, homem! Falei, enrolada num sobretudo.

- Estava louco pra te ver, fiquei sabendo sobre sua mãe, eu sinto muito. Declarou ele.

- Obrigada, minha maior perda! Mas, como soube? Respondi lhe olhando nos olhos.

- A cidade é pequena, aqui não precisa nem de jornal local. Tudo corre boca a boca! Explicou ele.

- Está tarde, o que fazia aqui, sozinho? Questionei, envergonhada.

- Eu queria te ver, faz um não nos vimos, desde a festa da cidade semana passada.

- Você é tão... Misterioso... Hora some, hora aparece do nada. Também gostei muito de você. Sabe, eu cheguei a pensar que você fosse um fantasma.

Ele gargalhou, estava zombando de mim:

- Sério, achei que você fosse o filho morto da dona Neusa. Expliquei.

- Nossa!!! Camille que loucura. Olha, toca aqui, tô vivo! Disse ele, colocando minha mão em seu braço.

- É que tinha uma foto sua, pendurada na geladeira dela.

- Sério? Perguntou ele parecendo estar preocupado.

- Sim, que cara é essa? Questionei intrigada.

- Uma foto minha, e o que houve com ela? Perguntou ele, tenso.

- Sumiu! Mas, esquece!

- Estou aqui, Camille! A essa hora, nesse frio... por você! Sei que está muito triste pelo o que aconteceu com sua mãe, por todo o sofrimento na doença e agora com o pior de tudo, a morte dela. Estou aqui, porque quero que saiba que pode contar comigo, no que for preciso, seja em um abraço, uma palavra amiga, ou....

Calou-se.

E eu estava impressionada com suas palavras, não sei se estava apenas me seduzindo, mas não pareceu. Ele demonstrava sinceridade no olhar e isso me fez cometer uma ação repentina, mas que com certeza selou nossa relação: Nossos olhares eram penetrantes, o frio substituiu-se por um calor que vinha de dentro para fora, ápice foi inevitável, nos beijamos, e naquele momentos o mundo exterior havia sido esquecido.

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