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Família por acaso
Capítulo 10 de 12
Episódio 10
✍️ Ramon Silva ·📅 11 Feb. 2019 ·👁 0 leituras

 

 

FAMÍLIA POR ACASO

EPISÓDIO 10

EPISÓDIO ESCRITO POR:

LEONARDO ANTUNES

EPISÓDIO DE HOJE:

“MAS O QUE É CONVIVÊNCIA MESMO?”

 

CENA 01. CASA DO ABSURDO. QUARTO MASCULINO. INTERIOR. DIA. Quarto uma zona. Há roupas e muitas outras coisas espalhadas por ali. Vitor ali deitado mexendo no cel. Eduardo entra todo arrumado, calça, tênis, camisa social e uma pasta debaixo do braço. VITOR                 — Nossa! Posso saber aonde você foi todo arrumado desse jeito? EDUARDO          — Ao contrário de você que só fica deitado, eu saio em busca de emprego! VITOR                 — Ah é? Mas me responde uma coisinha aqui. Você sai atrás de emprego. Mas conseguiu alguma coisa? EDUARDO          — Não! VITOR                 — Tá vendo só porque eu não perco o meu tempo? Eu não vou encontrar nada mesmo! EDUARDO          — Você não vai encontrar nada se não se mexer, né? Ficar aí nesse celular o dia todo é moleza! Quero ver sair, dar as caras e cair dentro! VITOR                 — Eu caio dentro! EDUARDO          — (Sorrir) Faça-me rir, Vitor! E olha só esse quarto! Quando eu sair de manhã, não estava tão podre assim! VITOR                 — É que eu estava procurando uma coisinha aqui e acabei fazendo essa baguncinha. EDUARDO          — Baguncinha? Parece que passou um tsunami aqui! VITOR                 — Relaxa, nerd. Pra que todo esse drama por isso? EDUARDO          — Eu sabia! Eu sabia que ia ser impossível dividir o quarto com você! Eduardo sai rapidamente. VITOR                 — (P/si) Cara mais dramático! Nem é tanta bagunça assim! Dafne 2! CORTA PARA: CENA 02. CASA DO ABSURDO. QUARTO FEMININO. INTERIOR. DIA. Quarto uma bagunça só. Há muitas coisas por ali jogadas. Laís entra no quarto. LAÍS                    — Mas o que é que aconteceu aqui? THAÍS                 — Aqui? Nada! LAÍS                    — Como nada? Olha só o redevú que esse quarto está! THAÍS                 — Para de drama, Laís! E tá bagunçado do seu lado, não o meu! LAÍS                    — Porque você é cara de pau demais e joga as suas imundices pro meu lado! THAÍS                 — Imundice uma ova! Laís pega tudo que está ali e joga em cima de Thaís arrematando. LAÍS                    — Isso é seu! Não vou tolerar esses troços do meu lado! THAÍS                 — Que história é essa de lado agora? Dafne entra. DAFNE               — O que é que está acontecendo aqui, gente? LAÍS                    — É a Thaís que tem se mostrado bastante imunda com o quarto. THAÍS                 — (Cresce) Olha só. Eu não vou nem te responder, pra não te magoar! Porque a resposta que está aqui, ó (aponta pra garganta) era daquelas bem cabeludas! DAFNE               — Gente pelo amor de Deus! Ordem! A Laís tem razão, Thaís. Esse quarto está um horror! THAÍS                 — E o que é que eu posso fazer? DAFNE               — Arrumar! THAÍS                 — Mas eu não durmo aqui sozinha! LAÍS                    — Mas acontece que a bagunça é sua! THAÍS                 — Mas o que é que custa vocês me ajudarem? LAÍS                    — Eu me recuso a te ajudar! Essa bagunça é tua! Laís sai do quarto. Thaís encara Dafne. DAFNE               — Não me olha com essa cara! Eu não vou te ajudar! Dafne sai. THAÍS                 — (P/si) Eu mereço! CORTA PARA: CENA 03. CASA DO ABSURDO. SALA. INTERIOR. DIA. Eduardo ali sentado puto. Laís vem do quarto. EDUARDO          — Que cara é essa? LAÍS                    — Cara de quem não aguenta mais dividir o quarto com uma pessoa imunda! EDUARDO          — Eu também! LAÍS                    — Não me diga que o Vitor tá deixando o quarto uma zona? EDUARDO          — Zona? Zona é apelido! Aquilo lá está inabitável! LAÍS                    — Eu não me conformo com isso! Como é que uma pessoa pode ser tão desleixada desse jeito? EDUARDO          — Tá ficando difícil, Laís! LAÍS                    — Tá mesmo! Conviver assim, tá impossível! CORTA PARA: CENA 04. CASA DOS PAIS DE DAFNE. SALA. INTERIOR. DIA. Sérgio sentado lendo jornal. Marta vem do quarto arrumada para sair. SÉRGIO              — Tá indo aonde, Marta? MARTA              — Indo resolver algumas coisas por aí. SÉRGIO              — Ah sim. E eu posso saber que coisas são essas? MARTA              — Não! Não pode saber não, Sérgio! SÉRGIO              — Por quê? MARTA              — Não é você mesmo que sai e diz a mesma coisa pra mim? SÉRGIO              — Ah... Entendi... Tá retribuindo na mesma moeda, né? MARTA              — É isso que dá ficar escondendo as coisas da esposa! SÉRGIO              — Só espero que não tenha nada a ver com a Dafne! MARTA              — O que é que é, hein, Sérgio? Você tá querendo me privar de ver, de falar com a nossa filha? SÉRGIO              — Não! A única coisa que eu estou querendo evitar é que vocês duas briguem de novo! MARTA              — Não se preocupe que isso não vai acontecer! Marta sai. SÉRGIO              — (P/si) Essa mulher não é mole não! Só espero que ela não esteja indo atrás da Dafne. Ele fica ali preocupado. Instantes. CORTA PARA: CENA 05. CASA DO ABSURDO. SALA. INTERIOR. DIA. Eduardo, Laís, Thaís e Vitor ali sentados. Em pé, perante eles está Dafne andando de um lado para o outro arrematando. DAFNE               — Gente... Antes de morarmos nesta casa, eu conversei muito com vocês! E se tem uma coisa que eu não deixei de falar, foi sobre CONVIVÊNCIA! Mas eu acho que o que eu falei, entrou por um ouvido e saiu pelo outro. VITOR                 — Pra que a gente tá perdendo tempo com isso aqui, gente? DAFNE               — Isso aqui não é perca de tempo não, Vitor! Se você acha isso.... Então nós temos um grande problema! EDUARDO          — Temos mesmo! Porque não é possível uma pessoa viver num chiqueiro daquele e achar que tá tudo bem. LAÍS                    — Concordo! E a Thaís é igualzinho! DAFNE               — Gente, foco! O que eu preciso saber é se todos estão de acordo a começarem a fazer o ambiente em que vivemos agradável? Poxa, os quartos estão horríveis! Olha só, vou ser curta e grossa! Ou vocês mudam ou a nossa convivência dentro desta casa ficará impossível! EDUARDO          — Você quis dizer mais impossível do que já está, né? DAFNE               — Ou vocês arrumam a bagunça que fizeram... Ou nós, três seremos obrigados a pegar mais pesado! Closes alternados em todos. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 06. CASA DOS PAIS DE DAFNE. SALA. INTERIOR. DIA. Sérgio ali sentado pensativo. Anderson chega da rua. ANDERSON       — E aí, paizão? O que o senhor faz aí? SÉRGIO              — Eu? Estou aqui pensando em uma coisa. ANDERSON       — Ah é? E o senhor tá pensando em que coisa? SÉRGIO              — Estou aqui intrigado com a sua mãe. ANDERSON       — O que a dona Marta fez dessa vez? SÉRGIO              — Ela saiu daqui toda misteriosa e não me disse aonde estava indo. ANDERSON       — E o senhor sabe por que isso, né? Anderson vai para o quarto. SÉRGIO              — (P/si, intrigado) O que será que ele quis dizer com isso? Ele fica ali intrigado. Instantes. CORTA PARA: CENA 07. CASA DO ABSURDO. SALA. INTERIOR. DIA. Continuação imediata da cena 05. THAÍS                 — O que você está querendo dizer com isso? VITOR                 — Eu acho que ela está nos expulsando de casa! THAÍS                 — Mas como assim? Eu também pago tudo como qualquer outro morador desta casa! Quer dizer... As mulheres pagam tudo, né? Porque os homens são uns inúteis! EDUARDO          — Que isso! Agora você já está ofendendo! DAFNE               — Chega, gente! Essa conversa está tomando um rumo muito perigoso! VITOR                 — Então acaba logo com essa merda então! DAFNE               — Calma, senhor estressadinho! Eu não quis dizer que vocês devem sair de casa. Eu só quero dizer que vocês têm que começar a fazer as coisas direito! THAÍS                 — Tá bom, senhora Dafne! Eu vou arrumar o quarto. EDUARDO          — E você, Vitor? Vai arrumar aquela zona que está o nosso quarto? Atenção Sonoplastia: Entra aqui cuíca de grilo. VITOR                 — Tá! Eu arrumo! DAFNE               — Ótimo! Logo que tudo já está resolvido, eu vou fazer umas contas da DAFITI! LAÍS                    — E eu vou sair! Dafne vai para o quarto e Laís sai para a rua. EDUARDO          — Espero que você cumpra com a sua palavra! Ele vai para o quarto com Vitor arrematando. VITOR                 — Ah... Ou! Vai dormir! THAÍS                 — Tá pensando no mesmo que eu? VITOR                 — Não! Eu vou arrumar aquele quarto logo de uma vez! THAÍS                 — Eu não tô te entendendo mais, Vitor! Cadê aquele cara que armava contra esse povo? VITOR                 — Ele morreu! Tô na paz agora! Ele vai para o quarto. THAÍS                 — (P/si) Essa casa tá ficando cada vez mais chata! CORTA PARA: CENA 08. BAR DO BAIRRO. SALÃO. INTERIOR. DIA. Bar com movimento mediano. Marta ali sentada tomando uma latinha de refrigerante. Luíza entra no bar e se senta ao lado ela. LUÍZA                 — (P/garçom) Traz uma latinha de refri aí! Ela olha para Marta e arremata. LUÍZA                 — Afogando as mágoas nesse poço calórico, é? MARTA              — Pois é! Eu estou aqui porque sou uma rejeitada! A minha filha não está nem aí pra mim! LUÍZA                 — Nossa, menina! Então estamos no mesmo barco! A minha filha não dá a mínima pra mim também! MARTA              — Por quê? LUÍZA                 — E ela ainda é ignorante comigo! MARTA              — Esses jovens de hoje em dia são fogo, né menina? LUÍZA                 — Verdade! As duas permanecem ali conversando fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 09. RUA DE TERRA DO BAIRRO. EXTERIOR. DIA. Rua deserta. Laís caminhando. Montanha se aproxima dela. MONTANHA      — Olá, Laizinha! LAÍS                    — Oi, Montanha! Tá sumido! Desde aquele dia que eu não te vejo. MONTANHA      — É... Eu andei ocupado. LAÍS                    — E como é que você está? MONTANHA      — Bem! E o que você faz por aqui? LAÍS                    — Eu estava fazendo uma fezinha no jogo do bicho ali. MONTANHA      — Ah sim. Então você gosta de jogar, né? LAÍS                    — Gosto! Adoro jogar! MONTANHA      — Ah é? Então vamos até o bar e você me conta mais! LAÍS                    — Pode ser. É até bom que eu fico sabendo mais de você, Montanha! Você é um cara misterioso! MONTANHA      — Eu tenho que ser, né, Laizinha? Tenho que ser! Os dois vão caminhando. CORTA PARA: CENA 10. CASA DOS PAIS DE DAFNE. SALA. INTERIOR. DIA. Sérgio ali sentado. Anderson vem do quarto. SÉRGIO              — O que você quis dizer naquela hora? ANDERSON       — O senhor sabe! SÉRGIO              — Não, não sei! Será que teria como você me explicar? ANDERSON       — O senhor sabe que a Dafne e eu achamos da dona Marta sempre dar a palavra final em tudo. SÉRGIO              — Isso não é verdade! Eu também tenho voz própria! ANDERSON       — Aonde? Que eu ainda não vi! SÉRGIO              — Então é isso? Vocês me acham com cara de capacho da sua mãe? ANDERSON       — Não sou eu quem está falando isso. SÉRGIO              — Mas você quis insinuar! ANDERSON       — Pensa pai! Pensa que eu tenho certeza que o senhor vai entender! Ele vai para a rua. SÉRGIO              — (P/si) Não acredito que os meus filhos têm essa imagem de mim. CORTA PARA: CENA 11. BAR DO BAIRRO. SALÃO. INTERIOR. DIA. Bar com poucas pessoas. CAM vai passando pelas mesas. Laís e Montanha ali conversando e se divertindo fora de áudio. CAM para em Marta e Luíza. LUÍZA                 — Então as nossas filhas se parecem! MARTA              — Pois é menina! LUÍZA                 — Será que ela ainda vai voltar pra casa? MARTA              — Claro que vai! Essas meninas não vão conseguir sobreviver sozinhas por muito tempo! Elas que não fazem ideia do quão é difícil morar sozinha e ter responsabilidades com contas e tudo mais... LUÍZA                 — Eu tenho medo, sabe? MARTA              — Tem medo de que mulher? LUÍZA                 — De que a Thaís precise da minha ajuda e não venha me procurar! MARTA              — Relaxa, Luíza! As nossas filhas não têm mais a quem procurar, a não ser a gente! Fecha em Luíza ali aflita. CORTA PARA: CENA 12. RECANTO. EXTERIOR. ANOITECER. Takes descontínuos do anoitecer no bairro. Instantes. CORTA PARA: CENA 13. CASA DOS PAIS DE DAFNE. SALA. INTERIOR. NOITE. Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior. Sérgio ali sentado. Marta entra. MARTA        — Oi, Sérgio! O que você tá fazendo aí? SÉRGIO        — Tô aqui pensando no nosso relacionamento! MARTA        — Por que isso agora? SÉRGIO        — Porque as pessoas têm a imagem de um homem que é subordinado pela esposa! MARTA        — Como assim, Sérgio? SÉRGIO        — Eu descobrir que os nossos filhos têm essa imagem de mim! MARTA        — E porque você tá se preocupando com isso? SÉRGIO        — Porque eu não quero as pessoas dizendo por aí que eu sou mandado pela minha esposa! Ele vai para o quarto. MARTA        — (P/si) E mais essa agora! Ela fica ali de braços cruzados. Instantes. CORTA PARA:

FIM DO DÉCIMO EPISÓDIO

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