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Família por acaso
Capítulo 7 de 12
Episódio 7
✍️ Ramon Silva ·📅 31 Jan. 2019 ·👁 0 leituras
   

FAMÍLIA POR ACASO

EPISÓDIO 07

EPISÓDIO ESCRITO POR:

RAMON SILVA

EPISÓDIO DE HOJE:

“AS REGRAS DO BAIRRO”

CENA 01. CASA DE SÉRGIO E MARTA. SALA. INT. DIA. Sérgio ali puxando um ronco no sofá. Anderson jogando no cel. Marta chega da rua. MARTA              — Só sabe dormir, hein, Sérgio! Ele acorda rapidamente e dá um pulo do sofá. SÉRGIO              — O que é que foi sargenta, Marta? Reação de Anderson que sorrir. MARTA              — Muito engraçadinho, né, Sérgio? Isso! Vai brincando mesmo! A nossa filha sai de casa pra viver com aquele bando de jovens desmiolados e você aí... Todo esparramado nesse sofá como se nada estivesse acontecendo! SÉRGIO              — E você queria que eu fizesse o que, Marta? A Dafne é adulta! Ela sabe o que é o melhor pra ela! MARTA              — Eu não vou argumentar mais porque isso já foi discutido a alguns episódios atrás. ANDERSON       — (Olhando pro cel.) É, foi mesmo! Eu não estava nos cinco primeiros episódios, mas eu li os textos! Vocês estão falando absolutamente a mesma coisa. MARTA              — Cala boca garoto! Não te mete nisso não! SÉRGIO              — Para com esse drama que a menina foi morar logo ali. ANDERSON       — Logo ali... Vocês é que não sabem as coisas que estão falando daquele bairro. MARTA              — O que tão falando filho? ANDERSON       — Lá tá sendo comandado por milícia! MARTA              — Ai Jesus... E a minha menininha foi morar no meio disso. SÉRGIO              — Calma, meu amor! MARTA              — Como você quer que eu tenha calma, Sérgio!? Só Deus sabe se a minha filha está em perigo ou não! Fecha em Marta ali aflitíssima. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 02. CASA DO ABSURDO. SALA. INT. DIA. Continuação imediata da última cena do episódio anterior. Todos ainda ali morrendo de medo. JUDITH               — É claro que eu não vou matar vocês! De onde você tirou isso garota? LAÍS                    — Ah sei lá! A senhora me entra aqui na nossa casa com esses caras armados! JUDITH               — Não se preocupem que eles estão aqui para garantirem a minha segurança! THAÍS                 — Então será que dá pra eles abaixarem esse troço!? JUDITH               — Claro! Ela olha pra eles que acatam o pedido. EDUARDO          — Não me leve a mal... Como é mesmo o seu nome? JUDITH               — Judith! Eu sou a presidenta da associação dos moradores do Recanto! EDUARDO          — Pois bem senhora Judith. Que mal lhe pergunte, o que a senhora está fazendo aqui mesmo? JUDITH               — Vim lhes entregar isso! Ela passa a Eduardo um folheto. DAFNE               — Mas o que é isso, gente? JUDITH               — Essas são as regras para se viver tranquilamente no Recanto! E detalhe, hein! Caso alguém descumpra com as normas... Ela passa o dedo no pescoço. JUDITH               — Vamos homens! Ela sai junto com os dois homens. LAÍS                    — Jesus Amado! Aonde é que a gente foi se meter, hein! VITOR                 — A minha intuição não falha! Desde a primeira vez que eu coloquei meus limpos e maravilhosos pés aqui nesse bairro que eu tenho ranço! E agora está aí a resposta do meu ranço! THAÍS                 — Até que essa Judith me parece ser uma pessoa legal! DAFNE               — Legal? Você só pode ter ficado maluca! A mulher entra aqui com dois homens armados e você ainda me diz que ela é legal? Ah, faça-me o favor, né, Thaís?! EDUARDO          — (Olhando pro folheto) Gente... Mas o que é MIRRE, MIRE. Judith entra arrematando e todos se assustam. JUDITH               — É, MIRE! Milícia do Recanto! E olhem... Tomem muito cuidado com o que vocês falam... Eu sei de tudo que se passa nas casas do Recanto! Ela sai dando gargalhadas. VITOR                 — Quanto mais eu conheço o povo desse bairro... Mais eu tenho ranço! CORTA PARA: CENA 03. CASA DE SÉRGIO E MARTA. SALA. INT. DIA. Marta ali ao tel. Sérgio ali aflito e Anderson continua a jogar no cel. MARTA              — (Aflita) Nada! Só cai na caixa postal! Será que aconteceu alguma coisa com a nossa filha, Sérgio? SÉRGIO              — Não sei meu amor! MARTA              — O que mais me mata de ódio é essa calmaria que você fica aí! SÉRGIO              — Marta, eu não tenho muito o que fazer! Não vai adiantar nada eu ficar aqui arrancando os meus cabelos! ANDERSON       — Ai vocês tem que brigar por tudo, hein! Agora eu entendo a Dafne. (Cresce) Eu também quero sair dessa casa! É uma coisa tão simples, mas vocês dificultam tudo! Logo que o papai sabe onde é a casa, por que ele não vai lá e ver como estão as coisas?!  Viu só, não é tão difícil assim! Ele vai para o quarto “pistola”. Os pais dele ainda ali surpresos. MARTA              — Nossa! Eu nunca vi o Anderson desse jeito! SÉRGIO              — A verdade tem que ser dita, né? Dessa vez eu tenho que concordar com ele! É a coisa mais simples do mundo. Vou lá ver como estão as coisas! MARTA              — Eu vou com você! SÉRGIO              — Melhor não! Deixa que eu vou sozinho! Ele sai e Marta fica ali passada. MARTA              — (P/si) É mole uma coisa dessas? É por isso que a gente briga! CORTA PARA: CENA 04. CASA DO ABSURDO. SALA. INT. DIA. Vitor ali na janela com um copo d’água. Dafne e Eduardo olhando o folheto. DAFNE               — É um absurdo isso aí! Essa mulher não tem o direito de mandar dentro da nossa casa! EDUARDO          — Pois é! Mas agora que alugamos a casa, vamos ter que ficar o mês todo! DAFNE               — Não se a minha vida estiver em perigo! Os dois olham Vitor... EDUARDO          — O que cê tá fazendo aí, Vitor? VITOR                 — Tô aqui de olho! Se aquela mulher voltar, eu saio correndo pela porta dos fundos! DAFNE               — Acho uma péssima ideia! Se correr é pior! VITOR                 — Gente, eu sinceramente tô repensando se vale mesmo a pena morar aqui. DAFNE               — Relaxa, Vitor... Você não vai deixar essa mulher te intimidar, vai? EDUARDO          — É. Nem parece homem! VITOR                 — Vai aproveitando desse meu momento de fragilidade mesmo, Eduardo! Aviso aos navegantes... Quando eu voltar, eu vou voltar com tudo, hein! DAFNE               — (P/Edu) Fica aí vendo o folheto que eu vou ao banheiro! Depois nós temos que ter uma reuniãozinha! Ela vai para o banheiro e Edu fica ali sorrindo de Vitor que continua na janela. Instantes. CORTA PARA: CENA 05. CASA DO ABSURDO. QUARTO FEMININO. INT. DIA. Thaís e Laís ali. LAÍS                    — É nessas horas que eu mais sofro de ter saído de casa. THAÍS                 — Por quê? LAÍS                    — Porque a uma hora dessas eu estava em casa comendo aqueles bolinhos de chuva maravilhosos que a minha mãe faz! THAÍS                 — Ah tá. E de tanto comer esses bolinhos de chuva, você tá aí parecendo um. Se jogar uma caldinha de chocolate deve ficar uma delícia. LAÍS                    — Humm... Ridícula! THAÍS                 — Eu tava mesmo pra te perguntar... Você ainda tá jogando no bicho? LAÍS                    — Tô! Claro que tô! Semana passada mesmo eu ganhei 500 reais! THAÍS                 — Ah é? E que bicho deu semana passada? LAÍS                    — Elefante! THAÍS                 — Ah tá... Então você acertou por se identificar com a sua família, né? LAÍS                    — Olha, Thaís. Eu não vou te responder a altura porque essa abstinência dos bolinhos de chuva da minha mãe tá acabando comigo. CORTA PARA: CENA 06. CASA DO ABSURDO. FRENTE. EXT. DIA. Rua com pouco movimento. A mesma senhora ali sentada olhando o carro de Sérgio que se aproxima devagar... Ele para frente à casa e desce o vidro. SÉRGIO              — (P/si) É aqui! E agora? Eu desço e vou ver como as coisas estão? Ele abre a porta do carro, chega a colocar um dos pés para fora, mas recua. SÉRGIO              — (P/si) Não! Melhor não! Ela se mudou hoje e não ia gostar nada de me ver lá. Melhor ficar aqui observando. CORTA PARA: CENA 07. CASA DO ABSURDO. SALA. INT. DIA. Edu ali mexendo no cel. Vitor ali na janela. EDUARDO          — Sabe, Vitor...? Eu andei pensando e cheguei à conclusão de que talvez amanhã, nós dois devêssemos sair para procurar emprego, o que você acha? VITOR                 — Ah não. Deixa pra outro dia. EDUARDO          — Como deixa pra outro dia? Nós temos que arrumar um jeito de conseguir dinheiro antes que esse aluguel vença! VITOR                 — Eu sei! Mas eu só quero relaxar esses dias. Depois a gente vai procurar emprego. EDUARDO          — Quer deixar tudo pra cima da hora, né? Depois fica aí todo desesperado não sabendo como pagar as contas. VITOR                 — Olha, Eduardo. Eu só estou falando pra gente deixar pra outro dia porque eu estou passando mal. EDUARDO          — Ah está passando mal, é? VITOR                 — Estou! Estou com uma dorzinha no estômago que você nem imagina! EDUARDO          — Sei. (P/si) Típica desculpa de preguiçoso pra não trabalhar! VITOR                 — Como é que é? Falou comigo? EDUARDO          — Não! Estava apenas pensando em voz alta. VITOR                 — Ah bem. Fecha em Edu indignado com a preguiça do colega. CORTA PARA: CENA 08. BAR DO BAIRRO. INT. DIA. Bar com pouco movimento. Garçom servindo a mesa em que Judith está. Montanha se aproxima. MONTANHA      — Dona Judith! JUDITH               — Sente-se, Montanha! MONTANHA      — (Se senta) Posso saber o motivo dessa reunião às pressas? JUDITH               — Tenho um trabalho pra você! MONTANHA      — Ah é? E eu vou ter que fazer o quê? JUDITH               — Nada demais! Eu quero apenas que você mais tarde, vá até os novos moradores da rua 9, e os deixe avisados das normas. MONTANHA      — Ué! Mas isso não é a senhora mesma quem faz? JUDITH               — Sim, mas eu não senti firmeza neles! MONTANHA      — Pode deixar! Pode deixar que eu vou botar o Pau pra quebrar! JUDITH               — Que botar pau pra quebrar o quê!? Eu só quero que você converse com eles! Não quero ninguém lá machucado! Algum me diz que nós temos muito a ganhar com aqueles jovens morando no Recanto. Fecha nela ali que come um petisco que está a mesa. Instantes. Tensão. CORTA PARA: ANOITECE. CENA 09. CASA DO ABSURDO. SALA. INT. NOITE. Dafne, Eduardo, Laís, Thaís e Vitor ali. DAFNE               — Pois bem gente... Marquei essa reunião aqui com vocês para conversarmos sobre o nosso futuro. VITOR                 — Poxa, de novo isso? THAÍS                 — É. Você tá falando isso desde o primeiro episódio. DAFNE               — Sim, Thaís. Mas acontece que no primeiro episódio nós não estávamos morando juntos. E quando eu me referia ao nosso futuro, eu estava falando da nossa amizade. Mas agora é diferente! Agora nós somos quase uma família. LAÍS                    — Agora eu entendei. VITOR                 — E o que que tu mandas? DAFNE               — Eu queria conversar com vocês para deixar todos a par da nossa real situação. Nós só temos grana para o primeiro mês! Todos começam a falar ao mesmo tempo. DAFNE               — Gente... Gente, assim não dá. Um de cada vez! Edu levanta o dedo. DAFNE               — Pode falar, Edu! EDUARDO          — Se nós só temos dinheiro para o primeiro mês, o que será da gente no próximo mês? DAFNE               — É justamente sobre isso que eu quero dialogar com vocês. LAÍS                    — Pois então vai lá. Diz aí. Eu não vou ficar sem comida! VITOR                 — (P/si) Essa gorda só pensa em comida, gente! Impressionante! DAFNE               — Gente, não tem outra alternativa... Se a gente quiser sobreviver juntos... Todos terão que trabalhar! EDUARDO          — Isso inclui todo mundo, hein! Não é pra fazer como na escola. Vocês ficavam à toa enquanto eu fazia todo o trabalho! DAFNE               — Olha, gente. Eu sei que vocês estão cansados de ouvir isso, mas... Eu preciso saber se todos aceitam essa condição? Caso contrário, vamos ter que voltar pra casa das nossas mães! EDUARDO          — Eu tô dentro! LAÍS                    — Eu também! THAÍS                 — Pra casa eu não volto mesmo! VITOR                 — (Olhando pro cel.) É, pode crer! Fecha em Dafne olhando Vitor que está olhando para o cel. Ela está desconfiada. Instantes. CORTA PARA: CENA 10. CASA DE SÉRGIO E MARTA. SALA. INT. NOITE. Marta ali sentada aflita. Sérgio chega da rua. MARTA              — Graças a Deus, hein, Sérgio! Você demorou demais! SÉRGIO              — Calma, meu amor! Pode ficar tranquila que está tudo bem. MARTA              — Ah está tudo bem, é? Então por que essa demora toda? SÉRGIO              — É que eu encontrei com o Magno e fiquei batendo um papo com ele. MARTA              — Lindo! Eu aqui morrendo de preocupação e você lá de papinho furado com o seu amiguinho? Ela vai para o quarto. SÉRGIO              — (P/si) Mulher chata! Não posso nem conversar com os meus amigos! MARTA              — (OFF) Como é que é, Sérgio? SÉRGIO              — Nada não, meu amor! Estava pensando em voz alta! CORTA PARA: CENA 11. CASA DO ABSURDO. QUARTO FEMININO. INT. NOITE. As três meninas ali. DAFNE               — Meninas, eu quero dividir uma coisa com vocês. LAÍS                    — O que, amiga? DAFNE               — Na hora em que conversamos, o Vitor foi o único que eu não senti firmeza. THAÍS                 — Também achei! LAÍS                    — Mas ele vai ter que colocar a mão na massa como outro qualquer! THAÍS                 — Verdade! Não tem a menor condição de nós estarmos trabalhando e ele aqui dentro de casa o dia todo coçando saco. DAFNE               — Real! CORTA RÁPIDO PARA: CENA 12. CASA DO ABSURDO. CORREDOR. INT. NOITE. Vitor ali atrás da porta. Ele vai em ponta de pé para a sala. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 13. RECANTO. EXT. NOITE. Takes descontínuos do bairro. Campinho ali todo iluminado, bar do bairro cheio. Instantes. CORTA PARA: CENA 14. CASA DO ABSURDO. SALA. INT. NOITE. Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior. Dafne, Laís, Thaís e Vitor ali sentados mexendo no cel. Todos eles com fone de ouvido, mas não deixamos isso evidente. Alguém bate na porta. Edu vem do quarto. EDUARDO          — Mas como são imprestáveis, né? (Repara algo) Ah... Tinham que está com essa droga de fone de ouvido. Ele abre a porta e Montanha logo entra rapidamente e todos se assustam e tiram o fone. THAÍS                — Mas o que que é isso, gente? Que invasão é essa? MONTANHA      — É o seguinte... (Vê Edu) Eduardo? EDUARDO          — Montanha? O que você tá fazendo aqui cara? MONTANHA      — Eu vim a mando da dona Judith. DAFNE               — Eu não acredito que é essa mulher de novo! Laís toda fogosa se aproxima de montanha. LAÍS                    — Oi, montanha! Tudo bem com você! MONTANHA      —Tudo! E quem é a delícia? LAÍS                    — (Sorrir) Ah obrigada! Eu sou Laís! Ele beija a mão dela. MONTANHA      — Prazer, Laís! Ela fica ali toda, toda. MONTANHA      — Bom... Como o meu mano aqui, Eduardo mora nesta casa... Eu não vou dar o choque de ordem. Mas agradeçam a ele! Valeu, Eduardo? EDUARDO          — Valeu! Eles se cumprimentam. Ele vai até a porta aonde joga um beijo pra Laís e sai. LAÍS                    — Mas que homem é esse meu Deus do céu? THAÍS                 — Sossega essa bacorinha garota! VITOR                 — Quem diria que o Montanha gostava de pessoas cheias. THAÍS                 — Que horror, Vitor! Por que você tá falando isso? VITOR                 — Porque ele tava no bar com aquelas gostosas e agora tá aí querendo a Laís! EDUARDO          — O Montanha é assim mesmo! (P/Laís) Se tiver querendo alguma coisa com ele, devo logo lhe alertar... Ele é um homem putão! Passa o rodo em geral! LAÍS                    — Ai gente... Imagina ele passando o rodo em mim! VITOR                 — Uma visão dos infernos! Só se for rolo compressor que ele vai passar em você, né? Assim diminui essa merda dessa barriga! Laís faz uma careta pra ele. VITOR                 — Quem diria que um dia o Eduardo ia nos salvar! DAFNE               — Pois é! Ele é o nosso herói! As meninas vão abraçar ele que faz uma careta se achando pra Vitor que está sério. Instantes. CORTA PARA:

FIM DO SÉTIMO EPISÓDIO

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