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Família por acaso
Capítulo 3 de 12
Episódio 3
✍️ Ramon Silva ·📅 17 Jan. 2019 ·👁 0 leituras
     

FAMÍLIA POR ACASO

EPISÓDIO 03

EPISÓDIO ESCRITO POR:

LEONARDO ANTUNES

EPISÓDIO DE HOJE:

“CONHECENDO A CASA NOVA”

CENA 01. RUA DO BAIRRO. EXTERIOR. DIA. Rua bastante movimentada. Pessoas ali sentadas papeando e muitas crianças brincando. O nosso quinteto vem caminhando. Vitor repudiando a vizinhança. EDUARDO          — Que cara é essa, Vitor? VITOR                 — Cara de quem nem conhece a vizinhança e já tá com ranço! LAÍS                    — Pois eu tô é gostando! Aqui as coisas parecem ser animadas. VITOR                 — Claro que você tem que gostar! É fofoqueira como eles! Olha aquela véia sentada ali. CAM mostra uma senhora sentada distante deles olhando pra eles. VITOR                 — Com certeza é uma véia fofoqueira! THAÍS                 — (Brinca) Deve ser o G1 do bairro! Todos sorriem. DAFNE               — Só vocês mesmo pra me fazer rir! CAM mostra que a senhora pega o banquinho que estava sentada e entra pra dentro. VITOR                 — Olha lá! Com certeza foi avisar pra amiga fofoqueira que tem novas pessoas no bairro! LAÍS                    — Deve ter ido avisar a fofoqueira suprema! Eles chegam a fachada de uma casa toda feia. Sem pintura, janela quebrada. E muito mato ao redor da casa. DAFNE               — (Entusiasmada) É aqui gente! Essa é a casa que o colega do meu pai está alugando. VITOR                 — Nossa! Como se já não bastasse essa vizinhança, nós ainda vamos ter que morar nessa casa? LAÍS                    — Também não gostei muito não! EDUARDO          — Vamos ver o interior da casa e o que ela tem a nos oferecer antes de tomar qualquer atitude! DAFNE               — É isso aí, Edu! Pelo menos uma pessoa aqui está me apoiando. THAÍS                 — Vamos entrar logo de uma vez por todas e ver o que essa casa tem de bom, porque a fachada é uma droga! Eles vão em direção a entrada da casa. CORTA PARA: CENA 02. CASA DO ABSURDO. SALA. INTERIOR. DIA. Sala vazia. Mas a janela está quebrada, a pintura toda molhada, devido a infiltração. O grupo entra. LAÍS                    — Jesus Amado! VITOR                 — (Imitando Edu) “Vamos entrar e ver o que o interior da casa tem a nos oferecer”. Olha aí a droga do interior da casa! EDUARDO          — Ué! Eu pensei que era melhor! THAÍS                 — Se o lado de fora era daquele jeito, nós já deveríamos esperar por isso. DAFNE               — Calma, gente! Deixa eu explicar! Vocês engatam numa falação e não me deixa explicar. VITOR                 — Então vai, nos explique porque essa casa tá um horror! DAFNE               — É que a casa ainda vai passar por uma reforma! E só depois eles vão alugar. LAÍS                    — Agora sim tá explicado! Porque não tem a menor condição de um ser humano viver aqui nessa casa. DAFNE               — Vamos ver o resto da casa pessoal! Eles vão para os quartos. CORTA PARA: CENA 03. CASA DOS PAIS DE DAFNE. SALA. INTERIOR. DIA. Marta ali varrendo o chão. Sérgio chega. SÉRGIO              — (Feliz) Olá, meu amor! Como é que você está? MARTA              — Como é que eu estou? Péssima! SÉRGIO              — Mas por que meu bem? MARTA              — Porque a sua filha não sabe fazer outra coisa a não ser me desafiar! SÉRGIO              — O que a Dafne fez dessa vez, Marta? MARTA              — (Desconfiada) Mas antes... Por que essa felicidade toda? SÉRGIO              — É que eu sair na rua e aconteceu umas coisas aí... MARTA              — Como é que é? (Dando vassouradas nele) Eu não acredito que você me sai de casa pra procurar vagabunda pela rua! SÉRGIO              — Para, Marta! Não é nada disso que você tá pensando não! MARTA              — Ah não? Então que coisas são essas que aconteceram pra você tá todo felizinho assim? SÉRGIO              — Eu encontrei com o Magno e ele ficou de arrumar um emprego pra mim! MARTA              — Só isso? SÉRGIO              — Como “só isso”? Não é você mesma que vive dizendo que eu tenho que voltar a trabalhar o mais rápido possível? MARTA              — Sim, eu digo isso, mas do jeito que a sua lombar anda... Você não vai durar um mês nesse emprego! Ela vai pra cozinha com a vassoura. SÉRGIO              — (P/si) Vá entender essas mulheres! CORTA PARA: CENA 04. CASA DO ABSURDO. SALA. INTERIOR. DIA. O grupo volta dos quartos. THAÍS                 — Eu sinceramente não consigo enxergar potencial nenhum nessa casa! LAÍS                    — Nem eu! Essa casa tá acabada, Dafne! DAFNE               — Eu sei gente. Mas fazem uma forcinha aí. E como o proprietário é amigo do meu pai, ele vai fazer um precinho camarada pra gente. EDUARDO          — Eu gostei da casa! Consigo enxergar um grande potencial nela. VITOR                 — Claro que você gostou! Você viveria tranquilamente aqui nessa caverna! EDUARDO          — Saiba você, Vitor. Que o ambiente mais propício pra fazer bulying comigo acabou, tá? Nós não estamos mais na escola! VITOR                 — Como se o cenário fizesse alguma diferença! Do que é que adianta você mudar de lugar, se você continua o mesmo, com essa cara aí? THAÍS                 — Eu respondo. Não adianta nada! VITOR                 — Viu só? (P/Thaís) Muito obrigado querida! DAFNE               — Gente, vamos parar com essa conversinha mole e vamos logo. LAÍS                    — É, vamos logo antes que eu pegue uma rinite sinistra aqui! O grupo sai da casa. CORTA PARA: CENA 05. CAMPINHO. EXTERIOR. DIA. Partida de futebol rolando, mas desta vez é infantil. Campinho lotado. O Grupo se aproxima DAFNE               — Gente... Eu só peço uma coisa a vocês. Que cumpram com a palavra de vocês! Eu já enviei pra vocês o valor do aluguel. E como nós somos cinco, não vai sair caro pra ninguém. Mas se alguém começar a ralentar, nós nunca vamos conseguir sobreviver todos juntos! LAÍS                    — Da minha parte você pode ter certeza que eu vou cumprir com as minhas obrigações. THAÍS                 — Eu também! Tenho até umas economias guardadas pra caso de emergência. EDUARDO          — Podem contar comigo também! Vitor disfarça como se não fosse com ele. Atenção Sonoplastia: Entra aqui cuíca de Grilo. LAÍS                    — Desse daí eu já esperava isso! EDUARDO          — Assim não vai dar! Pra conseguirmos sobreviver juntos, todos tem que cumprir e ter palavra! DAFNE               — Vitor, vamos deixar uma coisa bem clara aqui... Se você não tiver disposto a entrar nessa com a gente, é só falar cara! VITOR                 — Pra que esse drama todo gente? Eu vou entrar nessa com vocês! EDUARDO          — Só quero ver se depois vai cumprir com o combinado! LAÍS                    — Gente, agora eu tenho que ir. Tchau! THAÍS                 — Eu vou com você amiga! As duas se afastam. Só ficam ali: Dafne, Eduardo e Vitor. EDUARDO          — Dafne, eu estava mesmo querendo falar com você à sós. Os dois olham pra Vitor que está sobrando. VITOR                 — Se quiseram conversar vai ter que ser na minha frente! Daqui eu não saio! EDUARDO          — Cara chato e inconveniente! DAFNE               — O que você quer falar comigo, Eduardo? EDUARDO          — Você acredita mesmo que nós cinco morando juntos daria certo? Eu fiz essa mesma pergunta pra Laís. DAFNE               — Olha, Eduardo... Eu não sei se vai dar certo. Mas é aquilo, né! A gente não vai saber se não tentar. Agora deixa eu ir lá meninos! Ela se afasta. Vitor fica ali mordendo os beiços. EDUARDO          — Que cara é essa? Parece até que tá vendo um filé super suculento na sua frente! VITOR                 — E estou! Olha só aquela bundinha perfeita da Dafne! EDUARDO          — Desiste! Você nunca vai conseguir conquistar ela. VITOR                 — Nunca diga nunca! Se eu que sou eu não tenho chances, imagine você então! EDUARDO          — É, mas ao contrário de você eu não fico alimentando falsas esperanças! VITOR                 — Vamos assistir um jogo descente! EDUARDO          — Ué! Eu pensei que você gostava de ver as crianças jogando! VITOR                 — Gosto nada! O time todo tá aonde a bola está! Falta de organização. Os dois vão caminhando. CAM foca um pouco nas crianças ali jogando. CORTA PARA: CENA 06. CASA DOS PAIS DE DAFNE. SALA. INTERIOR. DIA. Sérgio ali sentado lendo jornal. Dafne chega da rua. DAFNE               — Oi, pai! SÉRGIO              — Oi, minha princesinha! DAFNE               — (Se senta) A dona Marta está? SÉRGIO              — Não. Ela foi ali na casa da Ana. E aí? Tá tudo bem entre vocês? DAFNE               — Sempre que o senhor me pergunta isso é porque ela fez fofoquinha. SÉRGIO              — Não, filha. Dessa vez só quero me certificar que vocês duas estão bem. DAFNE               — Pois então o senhor vai ter que continuar se certificando porque nós duas não estamos nada bem! SÉRGIO              — O que aconteceu dessa vez? DAFNE               — Ela estava atrás da porta ouvindo a nossa conversa ontem. CORTA RAPIDAMENTE PARA: CENA 07. CASA DOS PAIS DE DAFNE. COZINHA. INTERIOR. DIA. Marta entra pela porta da cozinha descontraída quando ouve a voz de Sérgio. SÉRGIO              — (OFF) Eu não acredito que a Marta estava ouvindo a nossa conversa! DAFNE               — (OFF) O senhor precisava ver o jeito como ela falou! Pra ter falado daquele jeito, ela só podia estar atrás da porta ouvindo. SÉRGIO              — (OFF) A Marta tá errada! Aquele era um momento só meu e seu! Ela não tinha o direito de ficar ouvindo a nossa conversa. Quando ela tem que conversar com você eu não fico na espreita ouvindo nada! Marta faz uma careta. DAFNE               — (OFF) Pois é, pai. Isso é pro senhor ver do que a dona Marta é capaz! SÉRGIO              — (OFF) E como é que foi lá na casa? DAFNE               — (OFF) Um horror, né pai! A casa tá toda acabada! SÉRGIO              — (OFF) Mas eu tinha te falado que a casa ia passar por uma reforma primeiro, não disse? MARTA              — (P/si) Então ele tá ajudando a nossa filha a sair de casa? Desgraçado! CORTA PARA: CENA 08. CASA DOS PAIS DE DAFNE. SALA. INTERIOR. DIA. Sérgio e Dafne ali sentados. DAFNE               — Não vejo logo a hora dessa casa ficar pronta! Marta vem da cozinha. MARTA              — (Firme) Então é isso, né, Sérgio?! Você tá ajudando a nossa filha a sair de casa! Closes alternados nos dois. Instantes. Suspense. Tensão. CORTA PARA:

CONTINUA...

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