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Família por acaso
Capítulo 1 de 12
Episódio 1
✍️ Ramon Silva ·📅 10 Jan. 2019 ·👁 0 leituras

FAMÍLIA POR ACASO

EPISÓDIO 01

EPISÓDIO ESCRITO POR:

LEONARDO ANTUNES

EPISÓDIO DE HOJE:

“E AGORA?”

CENA 01. RUA DE TERRA DO BAIRRO. EXTERIOR. DIA. Dia ensolarado. Rua bastante movimentada. Vemos um grupo de cinco amigos caminhando. CAM vai se aproximando e já ouvimos que eles dizem. LAÍS                    — Nossa! Mas que calor é esse gente? VITOR                 — Sabe o que é isso? É a gordura que tá afetando o teu termômetro interno! LAÍS                    — (Cresce) Eu não vou nem me dá ao trabalho de te responder porque tá quente demais pra isso! DAFNE               — Para com isso, Vitor! A Laís tem razão! Tá quente demais mesmo! EDUARDO          — (Olhando pro cel.) De acordo com um aplicativo de meteorologia que eu tenho aqui... Está                                     fazendo 37,6 graus Celsius. (Guarda o cel. No bolso) E se vocês não sabem o que são graus                                         Celsius... Eu explico! Existem três formas de se medir a temperatura/ Vitor o interrompe tapando a boca dele. THAÍS                 — Cala a boca desse insuportável, Vitor! Calor desses e ele falando igual não sei o que! Inferno! VITOR                 — Vou soltar tua boca, promete que não vai voltar a falar de temperatura? Ele meneia a cabeça que sim. Vitor então tira a mão da boca dele. VITOR                 — (P/Edu) Tava todo colado, né viado? EDUARDO          — (Não entende) Como assim? VITOR                 — Tá achando que eu não vi o texto todo aí na tela do celular?! EDUARDO          — Você tá muito enganado ao meu respeito! Eu decorei tudo! VITOR                 — (Duvida) Sei. THAÍS                 — Voltem pra cena pelo amor de Deus!!! VITOR                 — (Reparando o bairro) Esse bairro aqui é um horror! Olha o chão! Não tem nem um mísero                                      asfalto! Isso pra vocês verem o quão miserável é o ambiente em que estamos! Hoje em dia                                        qualquer pobre tem asfalto gente! LAÍS                    — Cala boca, Vitor! Você reclama demais! VITOR                 — Como se eu tivesse errado, né? Olha a árvore. Tadinha, deve ter morrido de desgosto por ter                                  brotado nesse lugar. THAÍS                 — Nisso aí eu tenho que concordar! A coitadinha foi brotar logo num lugar desses num país tão grande! EDUARDO          — Para ser mais exato, o nosso país tem uma extensão territorial de mais de 8 milhões de                                           quilômetros quadrados! THAÍS                 — E quem é que quer saber disso gente? No próximo episódio vou falar pro roteirista calar a boca                            desse garoto insuportável! A sua palavra vai ser caçada, Eduardo!!! DAFNE               — Deixa o menino, Thaís! Ele é a cultura do nosso grupo! Sem ele, nós nunca saberíamos, por                                    exemplo que as joaninhas também são besouros! LAÍS                    — Depois disso eu nunca mais conseguir enxergar as joaninhas com os mesmos olhos! DAFNE               — Chega, né gente! Vamos focar aqui. Nós estamos aqui para decidirmos qual vai ser o nosso                                    destino daqui pra frente. THAÍS                 — Nosso futuro daqui pra frente? O meu vai ser engravidar de um jogador de futebol! Todos começam a dar altas gargalhadas e ela não entende. EDUARDO          — Essa foi a melhor do dia! THAÍS                 — Posso saber do que é que vocês tanto relincham? LAÍS                    — Quem relincha é a senhora tua/ THAÍS                 — (Corta) Nem se atreva a completar essa frase! Se não eu vou começar a pegar pesado também! VITOR                 — Eu não sei qual seria o jogador de futebol maluco que te engravidaria criatura, mas em fim... THAÍS                 — Vocês têm é inveja de mim! Eu sou linda, gostosa e principalmente... Sexy! Já vocês... DAFNE               — (Dá um grito poderoso) Chegaaaa!!! Todos se assustam. LAÍS                    — Nossa! Que garganta é essa amiga, arrasou! DAFNE               — Nós estamos aqui para discutir sobre o nosso futuro e não para ficar aí discutindo esse monte                                de coisas desnecessárias! VITOR                 — Ela tem razão, gente! Vai lá, Dafne, fala! DAFNE               — Gente... Nós terminamos o ensino médio a alguns meses e até então nós ainda não tínhamos se                             visto, correto? TODOS               — Correto! LAÍS                    — É difícil ficar longe de vocês! Esse é o grupo do absurdo, gente! THAÍS                 — Até parece que está sentindo a falta de alguém! Isso é tudo uma tremenda de uma falsidade,                                 isso sim! LAÍS                    — Nossa, Thaís! Que bruta! Quer você queria, quer você não queira eu estou sentindo falta até                                   dessa sua brutaria. VITOR                 — Explica logo o porquê dessa reunião nesse bairro asqueroso que eu tô com medo de ser                                         assaltado nessa merda aqui! DAFNE               — Então gente... Eu andei pensando e cheguei à conclusão de que a gente não tem mais porque                                continuar se encontrando uma vez na vida e outra na morte. THAÍS                 — Aonde é que você está querendo chegar com essa conversinha, Dafne? DAFNE               — Eu vou explicar. Aqui nesse bairro tem casas baratas para alugar. THAÍS                 — Pera aí. Será que eu estou entendendo o que eu estou entendendo? Você não tá pensando em                               colocar todo mundo pra morar junto, está? DAFNE               — Sim! THAÍS                 — Não! Eu me recuso a morar com esse povo! EDUARDO          — Bruta! Também não é pra tanto, né? LAÍS                    — (Indignada) Pois é. Acho que ela tá pensando que a gente tem alguma doença ruim, só pode! DAFNE               — Então gente... Eu gostaria de propor a vocês uma sociedade. Que tal se alugássemos uma casa e                            morássemos todos juntos? THAÍS                 — Isso nunca vai dar certo, gente! Só eu que tô enxergando isso? DAFNE               — Como é que você sabe que não vai dar certo, Thaís? Você nem tentou! EDUARDO          — Eu tô com a Dafne! Esses dias inclusive, eu tenho colocado a cabeça no travesseiro e me                                         perguntado: “E agora? O ensino Médio acabou e eu não tô mais vendo os meus amigos.”. LAÍS                    — Confesso que também pensei nisso! DAFNE               — Ótimo! Depois de tanta enrolação, nós estamos finalmente chegando a um acordo. Quem                                       estiver de acordo. Coloque a mão aqui em cima da minha. Eduardo é o único. EDUARDO          — Vamos, gente? VITOR                 — Não custa nada tentar, né? Vitor coloca a mão. LAÍS                    — Não tenho nada a perder mesmo! Laís coloca a mão. DAFNE               — Só falta você Thaís! Ela meneia a cabeça que não. EDUARDO          — Anda, Thaís, vem! LAÍS                    — Os nossos dias não serão os mesmos sem a sua brutaria! DAFNE               — Concordo! Vem! VITOR                 — Falem por vocês! THAÍS                 — Tá bom, vai! Ela coloca a mão. DAFNE               — Sabia que vocês não iam me deixar nessa! Esse é o grupo do... TODOS               — Absurdo!!! Eles erguem as mãos para o alto e ficam ali felizes. Instantes. CORTA PARA: CENA 02. CASA DOS PAIS DE DAFNE. SALA. INTERIOR. DIA. Sérgio ali sentado lendo seu jornal. TV ligada. Marta chega da rua com várias sacolas de supermercado. MARTA              — (Reclamando) Ai que peso! Graças a Deus que eu cheguei! Olha Sérgio que continua a ler o seu jornalzinho. MARTA              — Mas é um imprestável mesmo, né? Não serve nem pra ajudar a esposa com as sacolas! SÉRGIO              — O que, meu amor? Falou comigo? MARTA              — Não, Sérgio! Não falei contigo não! Sim, porque atualmente você não anda com cabeça pra mais nada! SÉRGIO              — É que eu tava aqui concentrado na minha leitura! MARTA              — Tá, Sérgio! Agora será que dá pra você largar essa merda desse jornal e vim aqui me ajudar com                            essas sacolas!? Ele se aproxima e pega quase todas as sacolas arrematando. SÉRGIO              — Tá bom, meu amor! Nossa! Mas pra que todo esse mal humor? MARTA              — Por que esse meu mal humor? É culpa do senhor presidente! SÉRGIO              — (Não entende) Como assim a culpa é do presidente, Marta? O cara tá lá no canto dele e você tá aí culpando-o! MARTA              — E você acha que o preço das coisas estarem um absurdo é culpa de quem? Os dois vão para a cozinha. CORTA PARA: CENA 03. CASA DOS PAIS DE DAFNE. COZINHA. INTERIOR. DIA. Eles colocam as sacolas ali sobre a mesa. MARTA              — Nós moramos num dos países mais caros do mundo, e temos o que de retorno? Nada! SÉRGIO              — Contente-se que isso aqui é Brasil, minha querida! Enquanto a população não acordar, as coisas                             nunca vão mudar! MARTA              — Verdade! (Indignada) O que mais me mata de raiva nessa casa é o fato de só eu ter que ir ao                                  supermercado e voltar carregada de sacolas! Vocês estão me achando com cara de que? De                                         burra de carga? SÉRGIO              — Meu amor, você sabe que eu não fui contigo porque a lombar tá me pegando hoje. MARTA              — Pelo menos você tem alguma coisa te pegando, já eu... Um mês! Um mês que a gente não faz                                nada, Sérgio! SÉRGIO              — Calma meu amor! Não é nem meio dia ainda e você está dando piti. Meu bem, você tá ficando                              viciada em piti! MARTA              — (Grita) E você queria que eu fizesse o que? Ele recua. MARTA              — Cadê a Dafne? Ela é outra que não me ajuda em nada! SÉRGIO              — Ela foi encontrar com os amiguinhos dela! MARTA              — Como é que é? A minha filha foi se encontrar com aquele pessoalzinho? SÉRGIO              — E o que é que tem ela se encontrar com os amiguinhos dela? MARTA              — Você é lesado ou o que, Sérgio? Você esqueceu que ela tava com aquela ideia louca de morar                               com aquele povo? SÉRGIO              — Pois é! Então prepare-se pra dá mais piti ainda. MARTA              — Não me diga que ela foi morar com eles e nem me avisou? SÉRGIO              — Ainda não! Mas com certeza ela foi com os amiguinhos ver uma casa para alugar! CORTA RAPIDAMENTE PARA: CENA 04. RUA DE TERRA DO BAIRRO. EXTERIOR. DIA. O quinteto ali sorrindo e conversando fora de áudio. MARTA              — (OFF) Se a Dafne tá pensando que vai morar com aquele pessoal, ela está muito enganada! Nem                            que para isso eu tenha que acabar com a amizade deles! A minha filha nunca vai morar com eles! Eles ali conversando e sorrindo fora de áudio. Instantes. Tensão. CORTA PARA: FIM DO PRIMEIRO EPISÓDIO
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Cap. 1 Episódio 1 Cap. 2 Episódio 2 Cap. 3 Episódio 3 Cap. 4 Episódio 4 Cap. 5 Episódio 5 Cap. 6 Episódio 6 Cap. 7 Episódio 7 Cap. 8 Episódio 8 Cap. 9 Episódio 9 Cap. 10 Episódio 10 Cap. 11 Episódio 11 Cap. 12 Episódio 12 NOVO
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