ATO DE ABERTURA
FADE IN
CENA 1 INT. - CEMITÉRIO – DIA
ÂNGULO BAIXO – Um par de sapatos de couro preto aproxima-se de um jazigo, coberto por algumas rosas brancas. CLOSE na inscrição:
“Catarina Guerra dos Santos 12.09.1995 – 07.10.2016
CAM BUSCA as mãos masculinas do visitante, segurando uma rosa VERMELHA, sem espinhos, com afinco. Quando vai depositá-la no jazigo /
VOZ MASCULINA É muito bonita.
No SOBRESSALTO, o visitante deixa a rosa cair no meio das outras, e volta-se. É Batista.
BATISTA Seu João, eu…
João dá um tapinha camarada em seu ombro.
JOÃO Está no seu direito, rapaz. Direito este que ajudei a tirá-lo de você. Peço perdão por/
BATISTA (por cima) Por favor, não. Quem me deve perdão é o seu Avelino, mas….O que é dito num confessionário, fica no confessionário.
JOÃO Tem razão. (encara-o, simpático) Ela teria orgulho de você.
Batista olha para o jazigo, angustiado.
BATISTA É. Acho que sim.
CENA 2 EXT. - RUAS DA CIDADE - DIA
Algumas MULHERES conversam perto da IGREJA; Outras saem da praça. Movimento normal. A pickup de João estaciona diante da igreja. Portas abrem-se; João e o padre descem. As mulheres cochicham entre si, entreolhando a cena com asco.
BATISTA Obrigado, seu João. Espero vê-lo mais vezes por aqui.
JOÃO Digo o mesmo. Apareça na fazenda.
Ambos sorriem. João se prepara para entrar no carro, quando nota as mulheres encarando-o, enquanto fofocam. João acena.
JOÃO Bom dia!
As mulheres apenas cumprimentam com a cabeça, esboçando desprezo. ZOOM-OUT – Um MENINO de uns 10 anos, de costas para a CAM, arremessa uma pedra no carro de João. Este, volta-se, no susto. Corre até ele.
JOÃO EI, MOLEQUE! O QUE É ISSO?
Uma MULHER, beirando os 40 anos, rapidamente abraça o menino, recuando-o.
MULHER #1 O senhor me desculpe, seu João. Ele deu algum prejuízo?
João olha para o carro, respira fundo.
JOÃO Não, nada. (para o moleque) Mas isso não é coisa que se faça, garoto.
João dá as costas, Batista faz a negativa para a situação.
MENINO O SENHOR MATOU SUA FILHA!
Batista cobre a boca, tenso. João se volta, arredio.
JOÃOO que você disse, seu moleque?
A tal mulher tenta levar o garoto dalí, mas ele teima.
MENINO É o que tão dizendo, moço. O senhor é ruim! O senhor é ruim!
E sai correndo. A mulher, envergonhada, vai atrás. João encara as outras mulheres.
JOÃO É isso que vocês andam espalhando para seus filhos? É isso?
BATISTA Seu João, vamos entrar. Não adianta bater boca /
JOÃO Eu to sendo mal visto na cidade onde eu nasci, padre! (para as mulheres) As senhoras deviam arrumar alguma coisa melhor pra fazer do que ouvir besteiras e sair espalhando. Isso é calúnia e difamação! Ouviram?
Batista vai levando João para o interior da igreja, enquanto ele, furioso, encara as alcoviteiras.
CENA 3 INT. - IGREJA – DIA
Em mãos masculinas que BATEM contra a madeira.
JOÃO (furioso) INFERNO! INFERNO!
Batista faz sinal de oração, surpreso.
BATISTA Seu João, estamos na Igreja!
João esfrega as mãos na testa, percebe o erro.
JOÃO Perdão, padre. (faz sinal da cruz diante do altar) Mas é que isso me enerva! Nasci e fui criado aqui, povo sempre respeitou a mim e ao Avelino, mas agora vão ficar só do lado dele? O cara que veio lá do Rio fazer a vida aqui? Não aceito, sou contra.
BATISTA O senhor sabe como é o povo do interior; Tudo que acontece é motivo de alarde, mas depois aparece outra coisa e esquecem o ocorrido.
João toca os ombros do padre, encara-o, firme.
JOÃOEsse é o problema; Esquecerem que a minha filha foi assassinada, que o assassino continua por aí, mas eu é que sou visto como bandido da história. Padre, se eu afrouxar, saio da cidade com má fama.
Batista engole a seco, olhar inquieto.
BATISTA Mas o que o senhor pode fazer? Se o seu Avelino estiver colocando todos contra o senhor, até a polícia!
João se afasta, contorna o padre, pensativo.
JOÃO Unir provas, provas concretas de tudo o que ele fez. (volta a encarar o padre). Ele não tá sozinho nessa, padre; Todo mundo acaba tendo um cúmplice e o dele eu sei bem quem é. Aquele traste do Mazinho gosta de jogar sujo, mas tem cara de deixar rastros. Pode ter certeza disso.
Em Batista, curioso.
CENA 4 EXT. - FAZENDA GUERRA – DIA
Pelo estreito caminho de terra, Alice vem caminhando, enquanto fala ao telefone.
ALICE (ao tel.) Queria ter falado com o seu João, mas ele saiu cedo. Nem celular atende. (T) Eu sei, Noel, mas você tava dormindo. O seu João precisa saber que o Mazinho tá disposto a tudo.
Ao FUNDO, um JIPE VERDE se aproxima, em alta velocidade. Alice nem ouve.
ALICE (ao tel.) Provar que o seu pai mandou matar a Catarina, não vai ser fácil, mas podemos bolar uma estratégia antes que ele tente cumprir a ameaça que fez /
Uma BUZINA assusta a garota que, ao virar-se, dá com o JIPE vindo em sua direção. Alice recua, para dar passagem, mas o jipe vai pra cima. Vemos que é Mazinho quem dirige. Alice se apavora.
Pelo PONTO DE VISTA de Mazinho, Alice corre, desesperada, olhando para trás, aos GRITOS.
ALICE PARA COM ISSO! PARA!
Mazinho GARGALHA.
VOLTA A CENA, Alice vai perdendo o fôlego, faz a curva numa ESTRADINHA, o JIPE em cima. CORTA PARA Walter, SAINDO da FAZENDA SANTOS, preocupa-se ao ver a cena.
WALTER EI! EI!
O jipe vai com tudo pra cima de Alice, aflita, já largou o celular em algum canto. Até que ela, percebendo que não há jeito, SALTA sobre o capô e é ARREMESSADA contra uma CERCA. A cerca é derrubada e Alice rola do outro lado. Walter chega alí no desespero, apoia Alice em seus braços.
WALTER Alice, você tá bem?
O rosto de Alice, muito próximo do peito de Walter. OUVIMOS o coração dele BATER forte. Há uma troca intensa de olhares; Alice, sem entender a situação, ofegante; Walter, realmente preocupado. A SONOPLASTIA cessa. Alice, com os braços escoriados, se solta dele, assustada, e levanta-se, rispidamente.
ALICE Me solta! Ainda pergunta se to bem?
Mazinho, já fora do jipe, encara a cena fingindo preocupação.
MAZINHO Você se machucou, Alice? Não sei o que houve, eu não consegui frear. Desculpa.
ALICE Aham, sei. Tentou frear em cima de mim, né? Você me perseguiu. Walter deve ter visto né? Ou vai dizer que não?
MAZINHO Qualé, garota? To sendo sincero. Cê acha que se eu quisesse te matar, ia ser assim? De dia, a céu aberto? Eu hen!
WALTER Melhor você ver esses freios, Mazinho, antes que mais alguém se machuque. Vamos, Alice, cuidar desses ferimentos.
ALICE Eu sei me cuidar sozinha!
E Alice se afasta, injuriada. Walter fecha o semblante e Mazinho esconde o riso.
CENA 5 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESCRITÓRIO – DIA
Avelino e Mazinho discutem, às portas fechadas.
AVELINO Que ideia de jerico foi aquela, Mazinho? Tentar matar a Maria Alice em plena luz do dia e com testemunha? Você ficou maluco?
MAZINHO Não é a primeira vez, né? Sei fazer o serviço, pô.
AVELINO Da outra vez a testemunha era uma CRIANÇA, Mazinho! E era só pra dar um susto. Tu já fazia merda desde aquela época, francamente /
Mazinho agarra Avelino pelo colarinho. Este mede força, sem medo.
MAZINHO Tu não me arrasa, não hen. Que isso tudo que você tem foi graças a mim. Até parece que foi prejuízo eu ter mandado a mãe do padreco pro beleléu.
Avelino se afasta dele, bruscamente.
AVELINO Já falei pra você não tocar mais nesse assunto, caramba! Aquilo já foi enterrado, e você muito bem recompensado.
MAZINHO Morando na fazenda que também é minha? Muito obrigado pela recompensa!
AVELINO Devia me agradecer por ainda estar aqui. Não pensa que eu não sei que você colocou na cabeça do Alessandro de fingir casamento só pra me afrontar, não tá? Até nisso você fez merda. Até nisso!
Mazinho se apoia na mesa e aproxima-se do irmão.
MAZINHO Não se esqueça que eu ajudei a camuflar a merda que você fez. Se não, tu ia ser apontado na rua como o assassino da Catarina.
Avelino também se apoia na mesa, ficando cara a cara com o irmão.
AVELINO Você acha mesmo que eu matei a garota, é? Se eu quisesse matá-la, nem teria deixado nascer. Você apenas afrouxou a cela depois do acidente. A acusação contra João tinha que ter fundamento, poxa!
MAZINHO Mas se não foi você, quem teria motivo pra matá-la? Maria Alice pode ser tudo, mas não é mentirosa.
Avelino, exaltado, caminha até a porta.
AVELINO Ah, sei lá! Cristina Ravela, Rafael Oliveira, qualquer um sem paciência para personagem insosso. Agora vê se toma jeito, se não vou ter que colocar o Alessandro nessa roda e fazer o que você não consegue, ok?
Avelino abre a porta e SAI. Em Mazinho, socando a mesa.
CENA 6 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ALICE - DIA
Alice está sentada na cama, enquanto Noel, de frente, limpa seus ferimentos usando um algodão.
NOEL Mazinho já tá indo longe demais, Alice. Vai contar pro seus pais?
ALICE Meu pai estrangula o Mazinho, cê sabe. Precisamos contra-atacar.
Noel para um instante, embebeda o algodão em um utensílio com água.
NOEL Já temos o Paulo e a Ana do nosso lado. Seus pais, com certeza, compram essa briga. Mas… A gente precisa contar com mais alguém daqui. Alguém que eles possam ouvir e acreditar, sabe?
ALICE Em quem?
NOEL O Walter. (Alice, surpresa) Ele já demostrou que gosta da gente e pode ser um forte aliado contra os próprios irmãos. É a nossa grande sacada!
Em Alice, sem acreditar.
FADE OUT
FIM DO ATO DE ABERTURA
CAPÍTULO 5
DIABO A QUATRO
PRIMEIRO ATO
CENA 7 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ALICE - DIA
Alice levanta-se, repentinamente, quase derrubando o primo.
ALICE Nem pensar!
Noel ajeita-se, confuso. Alice anda de um lado para o outro, com as mãos na cintura.
NOEL Ué, como assim? Nele eu confio.
ALICE Pois não devia! Eu não acredito nesse apoio todo que ele quer nos dar, Noel. Veja! Minha mãe não apoia o teu pai e onde ela tá?
NOEL Primeiramente, sua mãe é casada. Segundo, tio Walter não tem por que deixar a fazenda; É tão dele quanto do meu pai. Terceiro /
ALICE Ele não tem como se manter sozinho, blá blá blá. Ele não tem nem pulso forte pra calar a boca do Mazinho. Tá sempre apaziguando as coisas.
NOEL Ih, tá querendo ver tiro, porrada e bomba é? Tio Walter é sensato, da paz, mas isso pode mudar se a gente deixá-lo chegar, sacas? (ele percebe a prima agitada) O que foi? Seu problema com ele é maior do que com o tio Mazinho?
ALICE (disfarça) Claro que não, garoto! É que /
NOEL Então bora! (abraça Alice) Walter será nosso aliado.
Noel sorri; Alice força o sorriso.
CENA 8 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA - DIA
Alice e Noel descendo as escadas. Alessandro e Mazinho, até então conversando, param para olhar os dois.
ALESSANDRO (provoca) Que coisa feia, hen dona Alice? Querer acusar o nosso tio de tentativa de assassinato? (faz a negativa).
ALICE Ele joga o carro em cima de mim e /
ALESSANDRO (por cima) Você viu que ele tava sem controle e ficou na frente dele, garota. Pra que isso? Vamos jogar limpo.
NOEL Deixa, Alice. Eles estão se fazendo de vítimas, coitados. Querem estar certos, sem serem.
MAZINHO Admite que você fez de propósito, Alice. Vou tentar até relevar, mas antes de tudo que você tenha humildade, né não, Alê?
ALESSANDRO Humildade é o que diferencia tudo.
ALICE Cês não sabem nem o que é respeito, vem falar em humildade. Me poupe!
Alessandro aproxima-se de Alice, expressando asco.
ALESSANDRO Respeito? Olha aí, tio! A amante do seu João quer respeito. Tu não presta mesmo.
Alice tenta acertar um TAPA, mas Alessandro segura seu braço a tempo. Ambos encaram-se, expressão de raiva.
AVELINO Posso saber o que tá havendo aqui? Ah, tinha que ser vocês dois.
Alice se solta de Alessandro, ríspida.
AVELINO Eu vou dar uma saída. Alice, comporte-se, ok? Aprenda a conviver conosco, por Deus.
Alice bufa, sem acreditar. Alessandro e Mazinho riem da cara deles. Noel observa o pai SAINDO, apressado.
CENA 9 EXT. - CABANA – DIA
Um jipe verde (a mesma usada por Mazinho na cena 4) estacionada próxima ao local.
CENA 10 INT. - CABANA – DIA
Avelino e Tina, sentados frente a frente e diante de cartas dispostas sobre a mesa.
AVELINO Como assim você não vê coisa boa pra mim nessas cartas? Tá tudo dando certo, mulher. Em breve terei aquela fazenda, em breve.
TINA Só espero que não tente fazer o mesmo que você fez contra o seu Jaime.
Avelino levanta, possesso.
AVELINO Mas será o Benedito? Tiraram o dia pra me atormentar com isso? Se não fosse por mim, aquelas terras jamais seriam produtivas. Jaime não sabia conduzir um negócio.
TINA Você destruiu uma família, Avelino!
AVELINOE você, como vidente que é, sabia de tudo. Minha cúmplice, pronto.
TINA Eu te pedi pra não fazer nada, Avelino! Naquela época, quem ia acreditar em mim, caso eu dissesse alguma coisa? Você não tem remorso pelo padre?
AVELINO Cê sabe por que ele é padre, Tina? Porque EU dei estudos a ele, EU dei um futuro pra ele e pra irmã dele. As coisas só saíram um pouco do controle.
= = FLASHBACK = =
CENA 11 INT. - CASARÃO / FAZENDA / QUARTO - DIA
SURGE A LEGENDA: SETEMBRO DE 1995
Avelino (mais jovem) está diante de um homem (45 anos, branco, cabelos curtos e pretos) acamado, visivelmente doente.
HOMEM #1 É o que eu to dizendo, Lino. Meu pai nunca registrou esse terreno. Roubou o dinheiro da minha mãe e comprou essas terras, mas como ela era matuta, nunca exigiu o documento. Tenho vergonha de dizer isso, mas eu precisava.
AVELINO Mas por que ela não o denunciou? Ela não tinha como provar?
JAIME Meu pai era safo. Fez amizade com Deus e o mundo, isso inclui gente graúda. Fazia ameaças, sabia que a minha mãe não tinha pra onde ir. Eu só soube disso após a morte dele, mas quando eu descobri que não havia nada registrado, minha mãe morreu. Meu amigo, preciso deixar minha esposa e meus filhos amparados. Não quero repetir a história.
AVELINO Trarei o escrivão aqui, seu Jaime. Sua fazenda há de ser registrada.
JAIME Obrigado. Você é mais do que um funcionário pra mim; É um amigo.
Avelino sorri, concordando. Ao fundo, pela fresta da porta, uma MULHER espia.
Corta para o
CORREDOR
Onde a mulher (branca, 30 anos, cabelos longos e pretos, trajando um vestido bege, rendado, encobrindo a barriga grande de grávida) esboça preocupação e SAI dalí. Logo atrás, surge Mazinho (mais jovem), que a segue.
CENA 12 INT. - CASARÃO / FAZENDA / ESCRITÓRIO – DIA
A mulher, da cena anterior, revira gavetas, dispõe pastas sobre a mesa, abre-as e verifica os papéis. O telefone TOCA. A mulher ATENDE.
MULHER #1 Alô? (T) Oi, Tina (T) Não, nada bem. Você estava certa, amiga, o perigo que nos ronda se chama Avelino. (T) É fácil deduzir depois do que você viu nas cartas. Ele quer nos passar a perna!
CAM BUSCA a fresta da porta, onde Mazinho OUVE tudo, preocupado.
CENA 13 INT. - CASARÃO / FAZENDA / SALA – DIA
Avelino desce as escadas, Mazinho vem na contramão, intercepta-o.
MAZINHO (Murmura) Avelino! Temos um problema.
AVELINO Fale logo, to com pressa.
MAZINHO A dona Mariana já sabe sobre você. Ela saiu daqui direto pro cartório pra registrar a fazenda.
AVELINO Mas o quê?! E o que você ainda tá fazendo aí? Já devia ter ido atrás dela, rápido!
Mazinho titubeia, tenso.
CENA 14 EXT. - ESTRADA DE TERRA – DIA
ÂNGULO ALTO - Um JIPE BRANCO cortando o cenário em uma velocidade média.
CORTA PARA
Mariana, dirigindo, enquanto olha rapidamente o banco do carona no qual está uma pasta preta. Volta a atenção para a estrada, espia algo pelo
RETROVISOR
Um JIPE MARROM logo atrás. BUZINA.
Mazinho aproxima-se com o seu jipe ficando lado a lado com Mariana.
MAZINHO A senhora tá indo pra onde, dona? O seu médico recomendou descanso.
MARIANA Tô indo fazer uma coisa que eu devia ter feito há muito tempo.
MAZINHO Para esse carro, dona! Vai se machucar.
MARIANA Vai à merda!
E Mariana acelera com o seu jipe, levantando poeira.
MAZINHO (estupefato) Mas que vadia!
Mazinho PISA no acelerador.
Mariana, aflita, olha para trás, sem perder o ritmo.
Mazinho, na cola, não desiste, até que BATE na traseira do outro jipe.
Mariana GRITA, perde o controle e o jipe SAI da pista CAPOTA e PARA adiante.
Mazinho desce do carro, tenso, corre até o jipe. Ao olhar pela janela, encontra Mariana desacordada sobre a pasta, com a testa sangrando. É quando se depara com uma CRIANÇA (6 anos) no banco traseiro, ilesa, encarando-o, inocentemente.
Na cara assustada de Mazinho.
CENA 14 INT. - CASARÃO / FAZENDA / QUARTO – DIA
Sentado na cama, Jaime segura na gola de Avelino, muito angustiado.
JAIME Como assim? Como tá a minha mulher? FALA, HOMEM!
AVELINO (segurando suas mãos) Ela entrou em trabalho de parto.
JAIME Ela vai ficar bem, não é? Você falou com os médicos? Foi grave o acidente? (tenta se levantar) Cadê o meu filho? Não quero que saiba por aí.
AVELINO Não vai ser preciso.
JAIME Como não? Anda, me ajuda.
AVELINO Seu filho tava no carro.
Jaime encara Avelino, pasmado. Avelino esboça lamento.
AVELINO Sinto muito.
JAIME Não pode ser...(abaixa a cabeça, desolado) Não...Meu filho não pode tá morto! Não pode!
Ao tentar se levantar, Jaime GEME de dor, põe a mão no peito. Avelino tenta ampará-lo, mas Jaime vai ao chão.
AVELINO Seu Jaime, Seu Jaime! (Jaime, de olhar frio) Seu filho não tá morto, ouviu? Ele não morreu.
Em Jaime, inerte. Avelino TOCA sua jugular e se assusta; Jaime está morto.
= = FIM DO FLASHBACK = =
CENA 15 INT. - CABANA – DIA
VOLTA EM AVELINO, diante de Tina.
AVELINO Não era pra ter sido assim.
TINA Se não tivesse sido assim, você teria levado um tiro no meio dos cornos, Avelino! Jaime perderia a fazenda, mas mandaria você pro quinto dos infernos!
Avelino pega Tina pelos ombros e a levanta, abruptamente.
AVELINO De que lado você está, mulher? Eu me abro contigo, sou sincero, mas você não perde a chance de me atacar!
TINA (raiva) Sinceridade não diminui o mal que você fez. E você sabe muito bem porque ainda te aturo.
Os dois encaram-se. Tina esboça preocupação e empurra Avelino.
TINA Tem alguém se aproximando.
CENA 16 EXT. - CABANA – DIA
Tina e Avelino chegam da porta. Espiam.
TINA Pensei que era alguém. Mas é melhor você ir.
AVELINO Melhor mesmo. Só perdi meu tempo vindo aqui. Você tá sempre contra mim.
Avelino SACA, de dentro do bolso da camisa, um maço de dinheiro. Entrega a ela.
AVELINO Pra não sair dizendo que não pago as consultas.
Tina bufa, mas pega o maço e esconde no decote. Avelino já descendo as escadas.
CAM BUSCA os arvoredos onde encontra-se Noel, de olho na cena. Pelo seu PONTO DE VISTA, Avelino entra no carro, Tina volta para a cabana.
Em Noel, desconfiado.
FADE OUT
FIM DO PRIMEIRO ATO
SEGUNDO ATO
FADE IN
CENA 17 EXT. - ESTÁBULO / FAZENDA SANTOS – DIA
Noel vem caminhando, para, pousa a mão no estábulo; Descansa. CLOSE em seu rosto. Ao seu lado, a fresta da madeira revela algo. Noel espia.
Maria José e Mazinho aos beijos, rolando pela palha.
VOLTA Em Noel, esperto.
CENA 18 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA – DIA
Noel adentra, dá uma averiguada pelo local, Alice descendo as escadas. Noel se apressa, pega a prima pelas mãos.
NOEL Alice, vem cá, rápido!
ALICE O que houve?
Noel puxa a prima até o sofá. Sentam-se.
NOEL Eu já sei como você vai se reaproximar do Walter.
ALICE Me reaproximar? Você ainda tá com essa ideia?
NOEL Você tem outra? Olha, nessa casa a gente tem mais inimigos que amigos, e você reclamou que o Walter é muito na dele, não toma partido, certo? (Alice faz que sim) Pois então, agora cê já imaginou se ele flagra a noivinha com o irmão? Pensa.
ALICE Você faria isso?
NOEL Não é show? Os dois estão lá no estábulo, traindo o nosso tio. Se ele pega, pode expulsar a noiva e, de quebra, não pensará duas vezes antes de ficar contra ele, seja lá o que acontecer. Vamos matar dois coelhos com uma cajadada só!
ALICE Não sei...E se der a louca no Walter e ele matar os dois?
NOEL (ri) Desculpe, mas matar é um nível muito hard pra ele.
Enquanto riem, Walter ADENTRA a sala, procurando algo.
WALTER Esqueci a minha carteira. Deve tá no quarto.
Noel faz sinal para Alice, enquanto Walter SOBE. Alice se levanta, rapidamente.
ALICE Walter! (Walter volta-se prontamente) Tio Walter...Será que podemos conversar rapidinho?
WALTER (sem esconder a satisfação) Ahn...Claro.
CAM ENCONTRA, no alto do 2º andar, Cícero, dando a entender que ouviu tudo.
CENA 19 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – DIA
Alice e Walter andando lado a lado, calados.
ALICE e WALTER Então…
Ambos se encaram, sem graça.
ALICE e WALTER Pode falar.
Ambos riem.
WALTER Eu acho que não estamos nos entendendo.
ALICE Não, é que...Eu queria te pedir desculpas por hoje cedo.
WALTER E o que você fez pra isso?
ALICE Eu fui ríspida. Não é fácil estar num lugar sem ser bem-vinda.
WALTER Você e o Noel sabem que podem contar comigo, não sabem? E quem sabe o Avelino não faz as pazes com vocês?
ALICE Pelas atitudes do Mazinho, acho meio difícil.
WALTER Mazinho é uma pessoa meio difícil de lidar, mas não é má pessoa.
Alice para diante dele, incrédula.
ALICE O Mazinho já tentou me matar duas vezes, Walter! Ele já provou que não é só meio difícil de lidar.
WALTER Não, Alice, também não é assim. Mazinho é turrão, arrogante, mas, no fundo, tem coração.
Alice, chateada, olha adiante e vê o
ESTÁBULO
VOLTA EM Alice, encorajada.
ALICE (raiva / aproveita e encena) Sabe que é isso que me irrita em você? Sempre compreensivo, paz e amor, pagando de bom moço. Ainda perdi meu tempo pedindo desculpas.
Alice apressa o passo na direção do estábulo. Walter atrás.
WALTER Peraí, Maria Alice! Desculpa!
No exato instante em que Alice para DIANTE DO ESTÁBULO, Maria José e Mazinho estão SAINDO, agarrados e aos beijos.
Walter flagra, petrificado.
WALTER Maria José?!
Maria José larga Mazinho, subitamente, apavorada.
WALTER Como você faz isso debaixo do meu nariz, Mazinho?
MAZINHO Pera lá, irmão...
ALICE (debocha) Calma, Walter! Mazinho, no fundo, tem coração; ama demais, né?
Alice disfarça o riso. Maria José agarra Walter, desesperada.
MARIA JOSÉ Walter, por favor, é só você que eu amo, acredite/
WALTER (solta as mãos dela / estranhamente calmo) Você vai pegar as suas coisas e sair daqui agora.
Walter se afasta, desolado. Alice debocha na cara de Maria José e Mazinho.
CENA 20 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA – DIA
Walter atravessa o local, Maria José atrás, aflita, puxa o cara pelo braço.
MARIA JOSÉ Por favor, Walter! Eu fui fraca, me perdoa!
WALTER Você vai pegar as suas coisas ou quer que eu mesmo faça?
MARIA JOSÉ Walter, foi um momento de fraqueza, você nunca olhou pra outra mulher?
WALTER Eu nunca te traí, Maria José!
MARIA JOSÉ Nem em pensamento?
Walter paralisa com a pergunta. Ambos percebem Noel e Cícero, do outro lado, observando.
WALTER Eu vim pegar minha carteira, e quando eu voltar do serviço, não quero te encontrar aqui.
Walter sobe as escadas deixando Maria José preocupada.
CENA 21 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE WALTER – DIA
A porta é escancarada, Maria José entra e BATE a porta com força. Põe as mãos na cabeça, irada, trêmula. Vai até o guarda-roupa, abre e apanha suas roupas. Arremessa contra a cama.
MARIA JOSÉ Merda! Merda!
A garota se agacha, apanha uma mala azul debaixo da cama, joga sobre ela. Abre-a. Começa a dobrar as roupas de qualquer jeito, amassa e joga contra a mala.
A porta é aberta abruptamente. Avelino ENTRA, sem cerimônia, arrogante como sempre.
MARIA JOSÉ Como o senhor entra sem bater no meu quarto?
AVELINO Você ainda tem um quarto? Cê tem que dar graças a mim que você ainda vai levar suas coisas, porque metade do que você tem foi comprado com o meu dinheiro.
MARIA JOSÉ O dinheiro também é do Walter, não se esqueça.
AVELINO Isso tudo aqui é meu, garota! Eu sempre soube que tu é vadia, mas que bola fora você deu, hen.
Maria José vai a sua direção e aponta o dedo.
MARIA JOSÉ Vadia o caramba!
Avelino segura sua mão com força e, com a outra, aperta sua nuca.
AVELINO Vadia sim! Eu não via a hora desse dia chegar e ter o prazer de ver você e aquele folgado do teu pai longe daqui.
E solta a garota, que CAI no chão, já em lágrimas.
AVELINO E seja rápida com isso. Vou mandar a Ana desinfetar esse quarto, e preparar um jantar comemorativo. O frouxo do Walter até que merece.
Avelino SAI e bate a porta. Maria José seca as lágrimas, com ódio no olhar. Vai se levantando, meio atordoada.
MARIA JOSÉ Isso não ficar assim não, velho maldito. Não vai não.
A garota volta pra cama, pega as roupas, mas logo para, pensativa. Põe a mão no bolso da calça e retira seu smartphone. Dá uma sacada. Sorri, maliciosa.
CENA 21 EXT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA – DIA
Alguns policiais fazendo uma ronda. Ao fundo, através da imensa janela, João observa, confuso.
CORTA PARA O SEU
INTERIOR
João vira-se para Helô, que acaba de entrar na SALA.
JOÃO Helô, tem uns policiais aqui em frente. Aconteceu alguma coisa?
Helô vai espiar.
OS POLICIAIS, VOLTA E MEIA, OLHAM PARA A FAZENDA
HELÔ Que estranho...Melhor perguntar.
CENA 22 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – DIA
João e Helô está próximos à cerca, diante de um policial, preocupados.
JOÃO Bandidos? Não soube de nenhum vizinho que tenha sido roubado.
POLICIAL #1 Temos apenas a suspeita, seu João. Nada ainda alarmante.
HELÔ Como não? A polícia não costuma fazer ronda sem que haja um caso comprovado de roubo ou outro crime. E eu to percebendo que vocês estão concentrados aqui em frente. Há suspeita de que somos o alvo deles?
POLICIAL #1 Podem não ser o alvo exatamente...De qualquer maneira, quando tivermos a certeza, vocês serão os primeiros a saber. Com licença.
O policial se afasta, deixando João e Helô desconfiados.
CORTA PARA
Takes da cidade. A praia agitada, ônibus chegando, quiosques a todo vapor.
CAM AÉREA sobre a FAZENDA SANTOS /
CENA 23 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESCRITÓRIO – DIA
Avelino acaba de ENTRAR, mas para. Mostra-se indignado com o que vê. Maria José está sentada de costas para a porta, tranquila, sagaz.
AVELINO Posso saber o que você ainda faz aqui?
MARIA JOSÉ Eu tava te esperando pra tentar nos entender.
AVELINO Eu não me entendo com vadia, sai daqui, anda!
Avelino avança, mas a garota exibe o celular com uma gravação. Avelino baqueia.
A GRAVAÇÃO MOSTRA AVELINO PAGANDO PROPINA AO POLICIAL LUCAS (cena 16 – cap. 2)
MARIA JOSÉ (O.S) Certeza que não quer conversar?
Avelino, tomado de fúria, tenta arrancar seu celular, mas Maria José une forças. Vence. A garota se levanta, procura ficar bem afastada.
MARIA JOSÉ Que é, velho? Tá achando que sou besta? Tenho cópias. Se tentar alguma coisa contra mim, meu pai exibe o vídeo pra toda família. Aí o senhor vai ter que explicar por que pagou um policial no dia em que ele abafou o tal acidente da Catarina.
AVELINO Você tá achando que eu a matei? (empurra a cadeira, aproxima-se / Maria José treme) Devia ter mais cuidado. Porque se eu matei uma vez, não me custará matar de novo.
MARIA JOSÉ (esquiva-se até onde pode) Não conseguirá matar dois ao mesmo tempo, não é? Porque o meu pai tá me esperando lá fora. Se eu não sair em dez minutos, ele vai abrir o verbo pra toda família.
Avelino trinca os dentes, pensa. Contorna a mesa.
AVELINO É dinheiro que você quer? (abre a gaveta, apanha um cheque) Diz quanto, que eu faço aqui e você se manda.
MARIA JOSÉ Eu não quero sair daqui.
AVELINO (Pega a caneta, ignora) Diz logo. Cinco mil? Dez, talvez?
MARIA JOSÉ Acha que eu vou me contentar com dez mil? O meu negócio é casar com o Alessandro.
Ambos encaram-se. Avelino gargalha, deixando a garota chateada.
AVELINO Você está louca? Namorou o Walter, foi pra cama com o irmão, agora quer casar com o sobrinho deles? Anda, diz logo quanto quer. Dez mil, mesmo?
MARIA JOSÉ A parte da herança que ele vai receber vale mais que dez mil.
AVELINO (Bufa) Tá meio difícil a gente se entender.
MARIA JOSÉ (firme) Não tá não. Eu ajudo o Alessandro a abocanhar essa grana e ninguém saberá o que o senhor aprontou.
AVELINO Você foi expulsa daqui, esqueceu? Vou dizer o que pra eles?
MARIA JOSÉ Inventa. Tu não é o dono da fazenda? Dá seu jeito. E é bom tratar bem sua futura nora.
Maria José segue até a porta. Dá uma última olhada para ele. Sorri, debochada. Bate a porta. Em Avelino.
FADE OUT
FIM DO SEGUNDO ATO
ATO FINAL
FADE IN
CENA 24 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / COZINHA – NOITEPLANO GERAL – Mesa posta para o jantar. Quase todos presentes, com a exceção de Maria José, Cícero e Mazinho. Aparentemente, um jantar tranquilo.
É quando Mazinho chega, cara de pau.
MAZINHO Boa noite, família!
E ele vai se sentando ao lado de Alessandro, sem cerimônia alguma. Walter o encara, indignado.
WALTER Família? Depois do que você fez, você vem com esse papo de família?
MAZINHO Pô, Walter, foi mal, né? Já pedi desculpas, não? E também tu sabe que quando dois não quer /
ALESSANDRO Tio, menos, tá?
WALTER Você não tem um mínimo de respeito pelas pessoas, mas não fico espantado pelo que fez; é bem a tua cara.
AVELINO Ah, já chega vocês dois! (silêncio) Walter, eu sei que você está chateado agora, mas lembre-se que Mazinho é seu irmão; Maria José é uma qualquer que não merece sua raiva. Não deixe que uma mulher destrua nossa família. Família é para sempre.
Noel ri, Alice não resiste e ri junto.
NOEL “Família é para sempre”. Me lembrou o filme Halloween.
ALICE Michel Myers entre nós.
ALESSANDRO Não falem besteira! Que comparação de péssimo gosto.
AVELINO Vocês deviam dar graças a Deus que eu aceitei me sentar com vocês. Aproveitem que to de bom humor.
MARIA JOSÉ (O.S) Boa noite!
Walter mostra-se perplexo ao ver Maria José e Cícero chegando de cabeça erguida. Os olhares de todos se cruzam. Cícero sorri, debochado.
CENA 25 EXT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA – NOITE
Dois policiais parados, conversando algo sobre qual não ouvimos. Ao fundo, revela-se Paulo, à espreita das árvores, atento.
CENA 26 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / SALA DE ESTAR – NOITE
Numa mesa circular e grande, João, Helô, Tarsila e Wagner jantam.
WAGNER Eu vou dizer uma coisa, eu teria ido jantar naquela fazenda, viu. Mazinho aprontou uma vez, vai aprontar de novo.
TARSILA E deixar o João e a Helô sozinhos aqui, com essa guarda toda lá fora?
WAGNER Mas é a polícia, gente! (para geral) Vocês estão com medo da polícia?
Tarsila entreolha João, rapidamente.
HELÔ É que eu não to segura que essa polícia aí está querendo nos proteger. Muito estranho montar guarda só aqui em frente, não acham?
JOÃO Peço que vocês tenham cuidado, não deem bobeira à noite. A polícia não ia fazer proteção 24 horas se não for paga pra isso.
Paulo surge pelo lado da cozinha, afoito. Meio sem jeito de adentrar, mas João, ao vê-lo, faz sinal para ele se aproximar.
JOÃO Chega aí, Paulo, aconteceu alguma coisa?
PAULO Desculpa, seu João. Boa noite a todos. Sabe o que é, seu João, eu fiquei à espreita lá fora e ouvi uma conversa entre os guardas.
João limpa a boca com uma toalha e volta a atenção ao Paulo, ansioso.
JOÃO Diga lá. O que descobriu?
PAULO Eles disseram que só saem dalí sob ordem do seu Avelino.
JOÃO O quê?
João BATE a toalha sobre a mesa e levanta-se, revoltado. Assusta a todos.
JOÃO Eu sabia! Desgraçado!
HELÔ Por favor, João, vai com calma.
JOÃO Com calma? Ele vai ter que me explicar isso direitinho e vai ser agora.
WAGNER (já se levantando) Bora! To contigo!
Tarsila e Helô, atordoadas, apenas se levantam e seguem seus maridos.
CENA 27 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / COZINHA – NOITE
Maria José e Cícero já estão se servindo à mesa. Clima.
WALTER Quer dizer que eu vou ter que aturar essa mulher aqui? É sério isso?
Maria José encara-o, irônica.
AVELINO É por uma boa causa, Walter. Se ela voltasse pra casa do tio, tu acha que ele ia acreditar que ela aprontou? Ele ia preferir acreditar na família.
ALICE Verdade, nem todo mundo é como o senhor, né mesmo, seu Avelino?
Avelino dá uma olhada em Alice, observa Noel segurando o riso.
AVELINO Como eu tava dizendo, Walter, o João acabou de perder a filha. Pode achar que é implicância nossa. É por pouco tempo, acredite.
NOEL É melhor duvidar, hen tio. Ele disse praticamente a mesma coisa pra gente (aponta para Alice).
Em meio aos risos...
AVELINO JÁ CHEGA!
Avelino se levanta, indignado. Assusta geral.
AVELINO Não vou permitir essa afronta em minha fazenda!
JOÃO (O.S) Pois eu digo o mesmo.
Todos, curiosos, veem João, Helô, Wagner e Tarsila chegarem.
JOÃO Que negócio é esse de você pagar policiais pra montar guarda em minha fazenda?
Forte expectativa. Cada um se entreolhando, até parar em João, aguardando uma resposta.
CENA 28 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESCRITÓRIO – NOITE
Avelino já entrando, seguido por João, Helô e Mazinho.
AVELINO Vamos tentar conversar civilizadamente /
JOÃO (alterado) Civilizadamente o caramba! Você pagou um policial pra ficar na minha cola. Qual a intenção?
MAZINHO Você podia agradecer. Avelino tá te fazendo um favor.
João se volta e puxa Mazinho pelo colarinho.
JOÃO Você cala a tua boca, seu pau mandado!
João larga-o, Mazinho nem avança. Fica na dele.
JOÃO (para Avelino) Cê vai dizer agora ou então /
Avelino bate de frente, encara-o, prepotente.
AVELINO Ou então o quê? Hen? Sinceramente, João? Se eu fosse você, na sua situação, eu já teria me mandado. Tá faltando o quê? Vergonha na cara?
João agarra-o pelo colarinho, Helô mostra-se apreensiva.
JOÃO Vergonha você vai ter se eu decidir expor sua vida, seu filho da mãe! Tu paga de verdadeiro, mas é mais falso que uma nota de um real!
AVELINO E você vai expor o quê? Que eu estendi minha mão pra você? Catarina foi um belo presente, não?
João vacila o olhar, Helô estranha a pergunta.
AVELINO (cont.) Eu não tenho culpa se você não soube dar valor a minha amizade, nem cuidar da sua filha. Fez pouco do meu presente.
JOÃO Desgraçado!
João acerta um SOCO em Avelino, que cai sobre a mesa. Derruba tudo. Mazinho ainda vai pra cima, tenta apartar, mas João avança em Avelino e o joga de contra a parede. Helô abre a porta, aflita.
HELÔ Alguém ajuda aqui!
Avelino e João trocam socos, o pau come. A tropa vem atrás; Walter e Alessandro adentram e tentam separar. Wagner, do lado de fora, debocha.
WAGNER Separa não, gente!
TARSILA Wagner!
Ao fundo, Maria José e Cícero se afastam.
CENA 29 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / CORREDOR – NOITE
Cícero e Maria José observam a confusão.
MARIA JOSÉ (murmura / animada) Cê tem ideia, pai? Se o meu tio sair da cidade, os pais da Maria Alice também podem sair e isso pode desmotivá-la a ficar aqui.
CÍCERO (murmura) E se o Avelino soubesse que você não fez cópia daquele vídeo, nós já teríamos voado daqui rapidinho, né?
MARIA JOSÉ Ai, pai, esqueci. Mas já vou providenciar isso.
CÍCERO Então, acho melhor você se dividir em duas. Maria Alice e o Noelzinho jogaram muito sujo contigo, filha.
MARIA JOSÉ Como assim? Jogaram sujo?
CÍCERO Foi armação deles. Maria Alice armou o seu flagra, minha filha.
Em Maria José, passada, até fechar a cara. Seu olhar cruza com o de Tarsila, percebendo seus cochichos.
CENA 30 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESCRITÓRIO – NOITE
Walter segura João, lutando para se desvencilhar, enquanto Alessandro segura Avelino, sangrando pelo nariz.
AVELINO Idiota! Bater em mim não vai mudar sua reputação. Já já todo mundo vai saber que a polícia ta na sua cola. Melhor não fugir hen! (gargalha)
JOÃO Esse empenho todo é porque você tem alguma coisa a ver com isso, né?
TARSILA Como você é boçal, Avelino. Não bastou roubar os irmãos, agora quer tomar a fazenda do João usando a morte da filha dele? Tu não tem respeito algum por ninguém.
JOÃO (para Avelino) Veja isso! Nenhuma novidade quando vem de você, né? Dá até pra fazer uma lista com seus apelidos.
AVELINO (recua, receoso / disfarça) Ah, venda logo suas terras e saia dignamente daqui, é o melhor que você faz.
JOÃO Pois eu não saio da cidade! Coloco o Noel pra administrar a minha fazenda, mas pra você eu não vendo nunca, NUNCA!
E João se desvencilha de Walter, de forma bruta e sai puxando Helô. Todos encarando Avelino, que limpa a boca.
ALESSANDRO Poxa, pai! Precisava disso tudo?
AVELINO Me deixa, me deixa!
Avelino SAI bufando dalí. Walter encara Alessandro e Mazinho, e SAI, em seguida. Em Alessandro.
FADE OUT
FADE IN
CENA 31 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ALICE – MAIS TARDE
Alice (com camisola preta, discreta) está deitada na cama, assistindo algo na
TV
A logo da série A Dama Negra surge na tela.
VOLTA EM ALICE, que usa um controle remoto e desliga a TV. Ao seu lado, um abajur aceso. Alice prepara-se para apagar a luz, quando há BATIDAS na porta. Alice levanta, segue até a porta. Ao abrir, Maria José sai EMPURRANDO e fecha a porta, rapidamente.
ALICE O que é isso? Tá maluca?
MARIA JOSÉ Maluca ficou você de se meter na minha vida. Acabou pra você, sua vaca! Vai aprender a nunca mais armar contra ninguém.
Forte tensão. No olhar de Alice, preocupada.
FADE OUT
FIM DO CAPÍTULO
APRESENTANDO
CHRISTIANA UBACK.......................Maria Alice Pimentel
JOÃO VÍTHOR OLIVEIRA........................…...Noel Santos
MARCO PIGOSSI.............................Alessandro Santos
OSVALDO MIL..................................Mazinho Santos
JULIANA LOHMANN...........................Maria José Guerra
LUCINHA LINS....................................Helô Castro
HERSON CAPRI…................................Avelino Santos
LUCCI FERREIRA................................Walter Santos
MURILO GROSSI............................…………...João Guerra
TONICO PEREIRA................................Cícero Guerra
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
BIA ARANTES.................................Catarina Guerra
ELENCO SECUNDÁRIO
RAPHAEL VIANA..................................Paulo Borges
CAIO BLAT.....................................Padre Batista
CLÁUDIA NETTO..............................………………Tina
DANI BARROS...................................Tarsila Santos
MARCO RICCA..................................Wagner Pimentel
ATORES CONVIDADOS NESSE CAPÍTULO
FLÁVIO TOLEZANI........................................Jaime
MARIANA LIMA.........................……………….....Mariana
Essa obra não possui nenhum vínculo/contrato com os atores citados acima.
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