Widcyber
👁 0
Tamanho 18
Fonte
Tema
0% lido
Em nome do filho
Capítulo 8 de 40
Capítulo 8
✍️ Antônio Pedro Santos ·📅 25 Jul. 2024 ·👁 0 leituras

CENA 01: MANSÃO DA FAMÍLIA AMORIM, INTERIOR, NOITE.

Marina e Ivan conversam sobre o embrião-gêmeo de João, congelado na clínica.

IVAN – Acho que gerar o embrião congelado será uma forma de ver o nosso João nascer outra vez! Não será ele, será seu gêmeo, mas não importa, será nosso filho e nós daremos amor e carinho para ele.

MARINA – Então, eu posso procurar o Dr. Vitor?

IVAN – Deve! Um filho vai florescer a nossa vida monótona e triste.

Marina sorri, levanta da mesa e dá um beijo em Ivan.

OLGA – Os senhores pretendem gerar o irmão gêmeo do João?

MARINA – Sim! Não vai ser lindo ver esse filho que vai nascer 25 anos depois de ter sido criado no laboratório?

OLGA – Jesus Cristo, isso me assusta só de pensar! Mas que vai ser lindo ver o irmão gêmeo do João, isso será!

IVAN – Além do mais, uma criança vai alegrar essa casa, Olga. É tudo que nós precisamos: alegria! Um filho vai renovar a nossa vida.

Marina sorri e concorda com o marido. Eles seguem tomando café da manhã, entusiasmados.

CENA 02: JARDIM BOTÂNICO, EXTERIOR, MANHÃ.

Luiza, Miguel e Davi passeiam pelo Jardim Botânico. Entre árvores, flores, lagos e gramados, a família aproveita as primeiras horas de sábado. Eles estendem uma toalha na grama e sentam em volta para fazer um piquenique. Davi está animadíssimo e deixa Luiza e Miguel alegres com a sua euforia.

LUIZA – Piquenique é tão gostoso… Faz tempo que a gente não fazia!

MIGUEL – Verdade! A gente é tão ocupado, às vezes falta tempo ou o cansaço fala mais alto.

DAVI – Eu queria sair mais vezes com vocês dois. É tão legal ficar junto com minha mãe e meu pai ao mesmo tempo, mas de dia vocês estão sempre trabalhando.

LUIZA – E mesmo trabalhando tanto, a gente sempre arruma um tempinho pra sair com você, meu anjo. A gente pode não passear tanto quanto outras famílias, mas sempre que conseguimos não desperdiçamos tempo!

MIGUEL – Bom, agora chega de papo e vamos atacar essa comida que tá deliciosa! Café da manhã ao ar livre, que chique!

Luiza e Davi riem e ajudam Miguel a tirar a comida do cesto. E a manhã deles é assim, cheia de alegrias e diversões.

CENA 03: RUA, EXTERIOR, MANHÃ.

Cecília está saindo da padaria da vila onde mora, que fica ao lado do bar onde E esto está tomando uma cerveja. Quando ela passa, ele a observa fixamente e a segue até alcançá-la. Eles conversam caminhando.

ERNESTO – Bom dia, Cecília!

CECÍLIA – Você de novo? Quer outro tapa?

ERNESTO – Que isso, Cecília, sem agressividade… Eu vim me desculpar pelo modo te tratei ontem na feira.

CECÍLIA – É bom que reconheça sua ousadia comigo. Eu sou uma viúva de respeito!

ERNESTO – Disso eu nunca duvidei! Inclusive eu ouvi uma conversa por aí que você é viúva há 25 anos. É mesmo?

CECÍLIA – É verdade sim, E esto.

ERNESTO – E a senhora nunca teve nenhum outro homem?

CECÍLIA – Óbvio que não! Eu sou da época em que mulher era apenas de um homem a vida inteira!

ERNESTO – Eu sei, também sou da sua época, mas como você vivia na condição de viúva, nada lhe impedia de arrumar um novo amor.

CECÍLIA – Aonde você quer chegar com essa conversa?

ERNESTO – Até onde você permitir!

Cecília chega a sua casa e entra no portão com a sacola de compras.

CECÍLIA – Eu já cheguei a casa, tenha muito serviço pra fazer, não tenho tempo pra ficar ouvindo suas marolinhas.

E esto sorri e Cecília o ignora, entrando em casa. Ele vai embora, crente que a envolveu em sua lábia.

CENA 04: CASA DA FAMÍLIA AMARAL, QUARTO DE CECÍLIA, INTERIOR, MANHÃ.

Cecília se olha fixamente no espelho, alisa seu rosto e penteia seus cabelos.

CECÍLIA – Será que o E esto tá me paquerando? Será que ele se interessou por mim? Linda eu ainda sou, mas não sei o que é o carinho de um homem há 25 anos. Vou até confessar pro meu espelho: senti um calorzinho hoje! (ri por alguns instantes, mas logo para). – Ai, mas eu não posso, tenho que honrar a memória do falecido!

Cecília sai do quarto, confusa com a situação.

CENA 05: CLÍNICA DE DR. VITOR, INTERIOR, TARDE.

Dr. Vitor está se despedindo de uma cliente, que sai de sua sala com muito entusiasmo. Quando ele vai fechar a porta, alguém bate. Ele a abre e vê Marina, mas não a reconhece, pois há 25 anos não há vê. Eles se cumprimentam e sentam.

VITOR – Pois não, em que posso ajudá-la?

MARINA – Bom, eu acho que o senhor não se lembra de mim, mas eu fiz uma reprodução assistida aqui na sua clínica em 1990.

VITOR – Desculpe, mas já fazem tantos anos, é difícil lembrar. Qual o seu nome?

MARINA – Meu nome é Marina Amorim. Eu sou daquele caso dos embriões-gêmeos que eu e meu marido deixamos um dos embriões congelados e geramos o outro. Repercutiu muito! Lembra-se de mim agora?

Dr. Vitor leva um choque. Ele jamais pensou que veria novamente Marina e que o embrião seria procurado. Sua mente começa a vagar para o dia em que cometeu a troca de embriões e inseminou Luiza com o embrião de Marina e Ivan. O geneticista fica pálido.

MARINA – O que foi, Dr. Vitor? O senhor está bem? Ficou pálido de repente.

VITOR – Foi apenas uma queda de pressão. Eu me lembro da senhora sim, como esquecer esse caso?

MARINA – Pois é, foi uma revolução científica na época. Eu não sei se o senhor acompanhou na mídia, mas o meu filho morreu. Ele sofreu um acidente de carro no Parque Barigui, em 2010.

VITOR – Lembro vagamente… Meus pêsames!

MARINA – Obrigada. Cinco anos após a morte do meu filho, eu e o meu marido tomamos uma decisão: vamos gerar o embrião que deixamos congelado aqui na clínica. Ele é gêmeo do meu filho falecido, mas mesmo que não fosse gêmeo, eu e meu marido temos a intenção de gerá-lo. Estamos dispostos a pagar quanto for pelo tratamento.

Dr. Vitor fica chocado com a afirmação de Marina e não sabe o que falar, apenas a observa com fixação e cada vez mais pálido.

MARINA – Dr. Vitor, o que está acontecendo? Não estou entendendo as suas reações, aconteceu algum problema com o embrião, é isso?

VITOR – Não, não é isso… Me desculpe, mas eu estou cheio de afazeres hoje e a senhora não marcou hora, tenho um compromisso nesse momento.

MARINA – Ah sim, me perdoe, eu fiquei tão eufórica que me esqueci de marcar hora. Semana que vem, eu e meu marido voltamos.

Dr. Vitor sorri forçadamente e Marina aperta sua mão, saindo da clínica. O geneticista fica extremamente abalado com a visita e o pedido da cliente.

VITOR – Ela quer gerar o embrião que deixou aqui, mas como ela fará isso se o embrião já nasceu! Como eu vou escapar dessa situação? Um escândalo está prestes a eclodir, eu não vou suportar isso acontecer na minha clínica…

Dr. Vitor fica nervoso demais e começa a sentir falta de ar e uma dor no peito. Logo, ele desmaia e cai da sua cadeira, ficando descordado no chão de sua sala.

CENA 06: MANSÃO DA FAMÍLIA TRAJANO, QUARTO DE HELOISA E RICARDO, INTERIOR, TARDE.

Heloisa e Ricardo estão deitados na cama, assistindo um filme romântico, abraçados e comendo pipoca. Vez ou outra, eles se beijam, felizes com o momento. Porém, Inês entra no quarto e se aproxima do casal.

INÊS – Desculpe interromper o lazer dos patrões, mas a Pietra está sentindo dores nas articulações de novo. Eu acabei de dar o remédio que o médico receitou.

HELOISA – Ai meu Deus, vai começar de novo essas dores!

INÊS – Vocês não podem perder as esperanças. Quem sabe os estudos da Fundação de Pesquisa, em Boston, não descobrem logo algum tratamento eficaz ou até mesmo a cura?

RICARDO – É o que eu mais desejo, Inês, mas é impossível não ficar desanimado ao viver numa situação dessas.

Inês compreende e sai do quarto. Heloisa e Ricardo ficam em silêncio e assistem ao filme sem ânimo. Logo, lágrimas escorrem dos olhos de ambos, que se abraçam e desabafam suas tristes com o problema de Pietra.

CENA 07: CLÍNICA DE DR. VITOR, INTERIOR, TARDE.

Dr. Vitor foi encontrado caído no chão por sua secretária. Um médico, colega de trabalho na clínica, socorreu o geneticista, que acordou do desmaio um tempo depois. Foi diagnosticada uma queda brusca na pressão, ele tomou medicamentos e melhorou, embora ainda se torture mentalmente ao pensar no pedido de Simone.

CENA 08: PENSÃO TITITI, INTERIOR, NOITE.

Gean, Vera e os outros moradores da pensão estão sentados à mesa de jantar. Antonia vem da cozinha e trás uma panela grande, colocando no centro da mesa.

VERA – Eu estou com uma fome de leão!

ANTONIA – Claro né, falta de trabalho na vida dá fome mesmo.

VERA – Estou desempregada, mais respeito!

GEAN – O que tem de rango hoje, Dona Antonia?

ANTONIA – Eu fiz uma sopa caprichada com as verduras e legumes! E pra acompanhar, tem um suco de limão natural.

Todos ficam com fome e se servem, degustando o jantar em meio a conversas paralelas.

VERA – Mas essa sopa tá uma delícia! As verduras e legumes da feira na vila sempre foram ótimos.

ANTONIA – Ah, mas eu não fiz com os produtos da feira, essas verduras e legumes eu achei dentro de uma sacola em frente ao cemitério.

Todos os hóspedes ficam chocados e cospem a sopa no prato, limpando a boca com o guardanapo.

GEAN – Você fez sopa com produtos de despacho do cemitério?

ANTONIA – Querido, isso é crendice popular, eu não acredito nessas coisas! Imagina se eu ia deixar essas belezuras de verduras e legumes jogadas no cemitério, peguei e fiz a sopa. Ficou deliciosa, não é?

VERA – Ai, mas que absurdo! A gente paga o aluguel e é assim que a senhora retribui? Com uma comida de macumba?

ANTONIA – Que revolta é essa, Vera? Você já viu o preço que tá os produtos agrícolas no supermercado? Fora que vem tudo cheio de agrotóxico, faz mal a saúde.

GEAN – Olha Antonia, se eu tiver dor de barriga por culpa dessa sopa maldita, eu vou te processar hein!

ANTONIA – Ah, vai te catar! Se não querem a sopa, deixem que eu como, tá uma delícia!

Todos os hóspedes levantam da mesa e vão para seus quartos, revoltados, enquanto Antonia segue na mesa comendo a sopa sozinha.

CENA 09: MANSÃO DA FAMÍLIA AMORIM, QUARTO DE MARINA E IVAN, INTERIOR, NOITE.

Ivan está deitado na cama, com o abajur ligado e lendo um jo al. Marina sai do banheiro que há no quarto e deita na cama com uma camisola de seda.

IVAN – Meu amor, como foi lá na clínica hoje? Você ainda não me disse.

MARINA – Foi muito estranho. O Dr. Vitor ficou pálido e mudo quando eu disse que queria gerar o embrião.

IVAN – Mas porque isso? É um direito nosso, o embrião nos pertence.

MARINA – Também não entendi a reação dele. Já marquei pra nós irmos conversar com ele sobre o assunto.

IVAN – Tá certo, eu vou contigo, quero ver as reações desse geneticista também. Mudando de assunto, sabia que você tá linda nessa camisola?

MARINA – É mesmo? Não acha que fica melhor se eu tirá-la?

Ivan sorri e Marina se despe. Eles se beijam apaixonadamente e tem uma noite de amor.

CENA 10: PENSÃO TITITI, INTERIOR, MANHÃ.

A fila para o banheiro é imensa, pois todos os hóspedes estão com dor de barriga devido à sopa do cemitério. Gean é o primeiro da fila e espera ansioso para que o hóspede de dentro do banheiro saia logo.

GEAN – Vai demorar muito? Seja rápido, eu tô tendo uma erupção aqui dentro!

HÓSPEDE – E eu tô desenca ando! Vai esperar a tua vez, moleque!

Gean se retorce de dor no estômago, assim como Vera e os demais moradores. Logo, surge Antonia no corredor, se agarrando pela paredes.

Todos veem a cena e se espantam. Antonia caminha apoiada na parede até que perde as forças e cai, rastejando até a porta do banheiro, levantando com ajuda de Gean.

ANTONIA – Ai meu Deus, o que eu fiz pra merecer essa dor terrível!

VERA – Tá passando mal pela sopa de macumba também, Dona Antonia?

ANTONIA – Ai Vera, eu acho que engoli uma pomba-gira porque meu intestino tá girando sem parar! Eu preciso usar o banheiro o mais depressa possível…

GEAN – É só entrar na fila.

ANTONIA – Mas que petulância! Eu sou a dona da pensão, tenho direito a passar na frente de todos vocês!

GEAN – Não mesmo! Eu tô esperando o cara sair do banheiro há quase meia-hora e eu não vou sair pra você entrar!

ANTONIA – Ah é? Então, pode fazer tuas malas e ir morar embaixo da ponte, seu cretino!

Gean ignora. Logo, o hóspede abre a porta do banheiro, Gean e Antonia disputam para entrar no cômodo ao mesmo tempo, enquanto o hóspede fica dentro do banheiro tentando sair. Logo, Antonia empurra Gean, que cai no chão do corredor. Ela entra no banheiro e fecha a porta, mas logo nota que o hóspede ficou dentro do banheiro também.

ANTONIA – Saia mediamente do banheiro, seu tarado!

O hóspede ri e sai, deixando Antonia sozinha. Os outros moradores da pensão continuam a sofrer na fila, pois só há um banheiro no estabelecimento.

CENA 11: DIAS DEPOIS.

Luiza, Miguel e Davi seguem a vida com a família feliz que possuem. Cecília passou a se enfeitar mais após receber cantadas de E esto, embora mantenha a personalidade de viúva respeitável. Marina e Ivan aguardaram ansiosos o dia de ir à clínica. Dr. Vitor continuou cada dia mais tenso, pois não sabe como contar ao casal o erro que cometeu.

CENA 12: CASA DA FAMÍLIA AMARAL, INTERIOR, MANHÃ.

Luiza, Miguel e Davi estão sentados no sofá da sala, assistindo o jo al na TV. De repente, Cecília entra na sala, com um corte de cabelo diferente e maquiada.

MIGUEL – Minha sogra, mas que mudança é essa?

CECÍLIA – Gostaram? Resolvi renovar o visual depois de tanto tempo.

LUIZA – Tá linda, mamãe! A mudança me pegou de surpresa, não esperava isso. Algum motivo em especial?

CECÍLIA – E tem que ter motivo? Mudei por mudar, ué.

DAVI – A vovó nem parece mais vovó, ficou mais jovem!

CECÍLIA – Oh, meu netinho querido, era tudo o que eu queria ouvir!

Davi sorri e põem sua mochila nas costas, saindo com Luiza e Miguel para a escola. Cecília se olha no espelho da sala e dá os últimos retoques na maquiagem.

CECÍLIA – Chega de viver reclusa na viuvisse, eu tenho direito de aproveitar a vida que me resta!

Cecília sorri e pega sua bolsa, saindo de casa para o incerto.

CENA 13: CLÍNICA DE DR. VITOR, INTERIOR, MANHÃ.

Dr. Vitor está analisando uns exames em sua sala, quando é surpreendido pela chegada de Marina e Ivan. Os três se cumprimentam e sentam.

IVAN – Bom, Dr. Vitor, acredito que o senhor já está a par da situação. A minha esposa esteve dias atrás conversando contigo sobre o nosso desejo.

VITOR – Sim, eu estou a par. Eu acho muito bonita a atitude de vocês, mas eu quero alertá-los para os perigos de uma gestação após os 40 anos. Há uma chance considerável de o bebê nascer com problemas, além de todo o processo gestacional provocar problemas de saúde na mãe. É importante destacar que a fertilização in vitro de mulheres acima de 40 anos diminui para apenas 8% de chances do embrião se desenvolver no útero.

MARINA – Nossa, eu não sabia desses dados… Mas mesmo assim, doutor, eu quero arriscar! Eu e meu marido estamos dispostas a tudo para dar vida a esse embrião congelado.

VITOR – Eu entendo, mas como médico eu devo salientar que essa gravidez será perigosa. Pode até ocorrer de, na hora do parto, vocês terem que escolher entre o filho e a mãe. É correto arriscar dessa maneira?

IVAN – Eu não estou entendendo o seu discurso, Dr. Vitor. Está parecendo que o senhor não quer que nós geremos esse embrião.

MARINA – Eu também estou notando isso, Ivan. Doutor, seja franco: houve algum problema com o nosso embrião?

Dr. Vitor fica tenso com a situação. Ele olha para Marina e Ivan e lembra-se do dia que cometeu a troca de embriões. O geneticista tem vontade de revelar a verdade, mas tem medo. O silêncio perdura por alguns instantes na sala e deixam o casal intrigado.

IVAN – Dr. Vitor, o senhor está bem? Porque não diz nada?

VITOR – Está certo, vocês querem saber a verdade? Pois então, eu vou dizer a verdade.

Marina e Ivan se olham, intrigados, enquanto Dr. Vitor tenta encontrar as palavras certas para sua revelação.

← Capítulo anterior
Capítulo 7
← anterior
Próximo capítulo →
Capítulo 9
próximo →
Índice de capítulos
Ver obra completa →
Cap. 1 Capítulo 1 Cap. 2 Capítulo 2 Cap. 3 Capítulo 3 Cap. 4 Capítulo 4 Cap. 5 Capítulo 5 Cap. 6 Capítulo 6 Cap. 7 Capítulo 7 Cap. 8 Capítulo 8 Cap. 9 Capítulo 9 Cap. 10 Capítulo 10 Cap. 11 Capítulo 11 Cap. 12 Capítulo 12 Cap. 13 Capítulo 13 Cap. 14 Capítulo 14 Cap. 15 Capítulo 15 Cap. 16 Capítulo 16 Cap. 17 Capítulo 17 Cap. 18 Capítulo 18 Cap. 19 Capítulo 19 Cap. 20 Capítulo 20 Cap. 21 Capítulo 21 Cap. 22 Capítulo 22 Cap. 23 Capítulo 23 Cap. 24 Capítulo 24 Cap. 25 Capítulo 25 Cap. 26 Capítulo 26 Cap. 27 Capítulo 27 Cap. 28 Capítulo 28 Cap. 29 Capítulo 29 Cap. 30 Capítulo 30 Cap. 31 Capítulo 31 Cap. 32 Capítulo 32 Cap. 33 Capítulo 33 Cap. 34 Capítulo 34 Cap. 35 Capítulo 35 Cap. 36 Capítulo 36 Cap. 37 Capítulo 37 Cap. 38 Capítulo 38 Cap. 39 Capítulo 39 Cap. 40 Capítulo 40 NOVO
Comentários do capítulo
Faça login para comentar