O nascimento
n— Inês, corre aqui! São eles. Sim, são eles, venha rápido! — Disse Kátia, ansiosíssima. Inês correu até a janela e gritou de alegria. — É ele sim! Nosso irmãozinho!
nJosé e Lúcia Galeano chegavam à casa orgulhosos do recém integrante da família: um bebê lindo, esperto e saudável, chamado Nathan. Aquele três de setembro seria um dia inesquecível. Primavera.
nDevagarinho o automóvel se aproxima e as duas disputam para ver quem abre a porta primeiro. Inês, a mais velha e mais forte, empurra a irmã e gira a maçaneta. Correm porta afora para receberem o pequenino.
nJosé estacionou e ajudou Lúcia a descer do carro. Saiu com dificuldade, bem cuidadosa. Parto difícil o de Nathan. Finalmente, Lúcia ficou de pé, a segurar o precioso pacotinho cheio de vida. E como era pesadinho! Orgulhosa, a mamãe entregou-o ao pai.
nAs duas meninas correram em direção à Lúcia, saltaram sobre ela a cobriram de beijos:
n— Tenham cuidado! Desse jeito vocês me derrubam — Alertou Lúcia com largo sorriso.
n— Papai, podemos vê-lo? Por favor, deixa, vai! — Suplicaram como se tivessem ensaiado a fala.
nJosé ergueu delicadamente o xale branco que cobria aquele rostinho angelical. Revelou-se, então, um par de bochechas rechonchudas, cabelinhos loiros, lisos e brilhantes, como fios de seda, e um par de olhinhos parecidos com bolinhas de gude escuras. Impossível deixar de notar a boquinha rosa que sugava sem parar. As duas irmãs queriam muito segurá-lo.
n— Tenham calma, por favor! — Pediu José em sua habitual e sorridente gentileza.
nForam todos juntos em direção à porta da casa, enquanto os vizinhos observavam a cena e parabenizavam a família. Lúcia retribuía com sorrisos e acenos de mão. O retorno ao aconchego do lar lhe era precioso. José acompanhou-a até o quarto e colocou o bebê no berço, ao lado da cama do casal.
nNathan dormia profundamente e Lúcia aninhou-se para cochilar. José deslizou a mão por entre os cabelos da esposa e com um beijo, disse:
n— Amo você.
nEla acariciou o rosto do marido e sorriu. Logo o cansaço a fez cair num sono reparador.
nInês e Kátia entraram sorrateiramente no quarto e debruçaram sobre a grade do berço para ver o irmãozinho:
n— Fala sério, parece um bonequinho! – Disse Kátia com olhos curiosos e vidrados no bebê.
n— É mesmo. Ele é fraquinho ainda. Como sou a mais velha, vou segurá-lo primeiro. Tenho prática. Quando você nasceu, eu trocava suas fraldas — Revelou Inês, com toda a vivência de seus doze anos.
n— E por falar nisso, mocinhas, vamos já para sala. Quero conversar com as duas — Disse José, chamando-as em voz baixa. — São bem grandinhas e, a partir de hoje, assumirão uma missão importante. O papai viaja muito e a mamãe precisará de ajuda.
nAs meninas prestavam atenção como se estivessem recebendo instruções para uma missão secreta importantíssima.
nJosé continuou:
n— Inês, por ser mais experiente, ficará encarregada das trocas de fralda do bebê e de auxiliar nas tarefas da casa sempre que a mamãe pedir.
n— Está bem, papai.
n— Agora você, Kátia, ficará encarregada de vigiar Nathan para que ele esteja sempre bem e nunca se machuque. − Kátia arregalou os olhos e retrucou:
n— Isso é difícil! Como é que saberei se ele está bem ou não? Ele é um bebê, e bebês não falam.
n— Choram né, burrinha! — Rebateu Inês sem dar tréguas.
n— Calma. Não fale assim com sua irmã — tentou apaziguar José. — Basta observar se ele chora ou se comporta de um jeito estranho. Aí, é só avisar a mamãe.
n— Se for só isso, então é fácil! — Respondeu Kátia saltando do sofá e caindo direto no colo de José. Ambos rolaram pelo chão e as cócegas começaram. José puxou Inês pelo braço e os três viraram a sala de pernas para o ar. Por fim, ele, quase sem fôlego segurou ambas, uma em cada braço:
n— Meninas, agora chega. Desse jeito vamos acordá-los. Queria dizer só mais uma coisa.
n— O quê? – Perguntaram as duas em coro.
n— Amo vocês.nAssim selaram a união eterna com um abraço.