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Em tempos de pandemia
Capítulo 2 de 3
Aventuras em um planeta desconhecido
✍️ Ana Carolina Tavares · Antologia: Anderson Silva ·📅 23 Oct. 2021 ·👁 4 leituras


Quando a gente sai do interior, a gente se sente em outro planeta em uma cidade grande. É bem diferente da nossa realidade: imagine só, tem metrô! Linha azul, linha verde... Eu sempre fico confusa.

Mas é muito interessante também. Eu sei que não se pode comparar com viagens longas e baldeações diárias, mas como para mim é fato raro, eu acho divertido sim passear de metrô — me julgue.

De toda forma, a aventura se iniciou antes mesmo da chegada à grande cidade.

Já no ônibus de Indaiatuba para São Paulo, eu me deparei com uma emergência biológica e tive que ir ao banheiro do próprio transporte... que situação! Balança daqui, balança de lá. E não toque porque você não tem álcool em gel. Segure com um papel para amenizar o contato com as superfícies dos locais e lembre-se sempre: você está indo para uma zona de risco!

Poxa! Há mais de dois anos que eu não ia a um evento em cidade grande e justo esse evento ocorre em um final de semana após a confirmação de uma pandemia global?

Pois bem.

A regra era clara: não se tocar quando chegar e nem durante o evento.

Não foi bem assim.

No começo estavam todos convictos, mas depois a amizade falou mais alto.

Mas calma aí, que tem um detalhe antes da chegada.

Um detalhe não. Uma boa parte da história.

Após descer do ônibus, estava esperando um amigo. E cadê?

Quase uma hora depois e nada.

Pra fechar com chave de ouro a situação, meu celular havia caído no chão do ônibus ao tentar ajudar uma mulher.

Aí lascou.

Sem comunicação. Sem achar o amigo.

E eu o vi.

Gritei seu nome.

E ele nem sequer me viu.

Então tive a brilhante ideia de pedir para anunciarem seu nome no microfone.

Resultado?

Em vão.

Eu estava após a catraca. Não tinha como ir atrás dele nem ligar.

E aí devo ir ao evento nos moldes do passado: pedindo informação.

E pergunta dali, pergunta de cá... deu certo.

Cheguei.

Mas sem celular. Sem internet.

O evento ocorreu sem problemas e, no fim, veio o retorno.

Com gostinho de quero mais.

Relacionamentos novos e antigos sempre são benéficos e, em um planeta desconhecido, a gente quer mais é se sentir acolhido.

E por falar em acolhimento...

A quarentena veio em boa hora: colocar as leituras em dia, os filmes também. Curtir a família, o lar, descansar e estudar...

Será?

Eu só sei que não tenho que reclamar de nada.

Tenho um lar agradável e aconchegante, alimento de sobra e não estou na linha de frente dos hospitais escolhendo quem vive e quem morre.

Eu só fico preocupada com a situação de caos que pode vir a ocorrer quando a população, ensandecida e aos surtos, começar a saquear e usar e abusar da violência.

Mas é claro que o buraco é mais embaixo.

Tem muita coisa rolando.

Pra não falar de tantas mortes — em um único dia.

Claro que temos milhares de mortes todos os dias no mundo por causas diversas, mas a velocidade em que tudo está ocorrendo está chocando o planeta.

Com a globalização e o acesso à informação tão imediato, com dados explodindo em tudo que clicamos, consumimos mais informações do que dispomos de tempo e interesse para processar.

Nossa capacidade de discernir o certo e o errado é abalada e a dúvida paira no ar.

E isso é só o começo.

Aguardemos o que está por vir.



 

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