"New York, New York"
Daqui um ano...
SAMUKA – (se aproxima de Lia) Quem foi, Lia? Quem atirou em Pedro? LIA – Eu não sei. Eu apenas acho que talvez a polícia hora dessa já saiba quem atirou. A Mônica quem ficou lá na universidade, coletando as informações com a Elizabeth. (Arthur senta-se em uma das poltronas) SAMUKA – Quem fez isso vai ter que pagar. (furioso) Quem atirou em Pedro precisa pagar pelo o que fez. (chuta uma das poltronas. Elisa caminha até ele, Arthur fica assustado ao vê-lo daquele jeito) ELISA – Calma, Sam. Estamos em um hospital. Senta um pouco, você tá muito nervoso. (com jeito, leva Samuka até uma poltrona) SAMUKA – (começa a chorar) O Pedro não merecia isso, Elisa. Ele não merecia isso. Maldita hora que ele foi aprovado para entrar nessa universidade. Tudo isso é por minha culpa. Se eu não tivesse mostrado para ele aquele panfleto idiota, ele não estaria aqui nesse momento. ELISA – Você não tem culpa de nada, está bem. (ajoelhe-se ao lado dele) Olha para mim! (Samuka enxuga suas lágrimas, olha para Elisa) Vai ficar tudo bem. Pedro vai conseguir sair dessa e ele voltará a cantar com a gente. Ninguém aqui tem culpa do que aconteceu, está bem. Agora fica calmo, vou pegar um copo d’água para você. (levanta-se, faz um carinho no ombro dele, em seguida caminha até o bebedouro. Lia caminha até Arthur, que continua desesperado por dentro) LIA – Gente, quem será que fez uma coisa dessa? Pedro não tem nenhum inimigo na universidade, sempre tratou todo mundo bem. SAMUKA – Seja quem foi, ele vai pagar. Pode ter certeza disso. (Arthur olha para Samuka, e com medo de confessar tudo ali na frente de todos, levanta-se apressado em direção a saída) LIA – Onde você vai, Arthur? Ué, o que será que deu nele? (Samuka o observa, porém não diz nada. Segundos depois, Elisa volta com um copo d’água) ELISA – Toma, Sam. (repara que Arthur não está mais na sala) Onde está o Arthur? LIA – Acabou de ir embora. ELISA – Embora? Por que? LIA – Não sei. Simplesmente levantou da cadeira e foi em direção a saída. ELISA – Eu vou atrás dele. (saí apressada atrás de Arthur)Agora...
(após cantar, Pedro retornou para a mesa para comemorar junto com seus amigos) ELISA – Vai ser legal você dividir o apartamento com os meninos. Será uma despesa a menos que você irá gastar quando vier para cá. PEDRO – Eu ainda preciso conversar com a minha tia. Ela está planejando vim morar comigo aqui, então eu não sei. SAMUKA – Não, está decidido. Você irá morar com a gente. E pode deixar, que se for preciso, eu mesmo converso com a sua tia e a convenço disso. (Pedro ri) PEDRO – Boa sorte. (repara a hora em seu celular) Acho que é melhor a gente ir, turma. Volto cedo amanhã para o Brasil. SAMUKA – Tá, certo. ELISA – Acho que vamos ficar mais um pouco, né amor? ARTHUR – Sim. Podem ir indo na frente, pessoal. Vou mais tarde. SAMUKA – Beleza. (levanta-se, junto com Pedro) Divirtam-se! PEDRO – Boa noite! ELISA – Boa noite. ARTHUR – Boa noite, Pedro. (assim que os garotos saem da lanchonete, Arthur se aproxima de Elisa) Bem, bebê... somos só nos dois agora. (os dois se beijam brevemente, sorriem em seguida)Amanhecendo...
(Alice desperta, senta-se na cama, olha para seu quarto por alguns segundos, sorri em seguida) ALICE – (volta a se deitar) Como eu estava com saudades da minha caminha. (Felipe bate na porta do quarto, Alice senta-se novamente) FELIPE – Alice? Acordada? ALICE – Acabei de acordar, pai. Mas o senhor pode entrar. FELIPE – (caminha até Alice, beija a testa dela) Bom dia, filha. ALICE – Bom dia, pai. FELIPE – (sentando-se na cama) Dormiu bem? ALICE – Dormi. Não aguentava mais dormir em camas de hotéis ruins. Estava sentindo falta do meu quartinho. Ainda bem que voltei para casa. FELIPE – Ainda bem mesmo. Eu estava sentindo muito sua falta. ALICE – Também estava, pai. (levanta-se, caminha até seu espelho) Mas o que o senhor quer? Para ter vindo tão cedo assim no meu quarto, é porque o senhor quer algo. FELIPE – (levanta-se, caminha até ela) Como você chegou tarde ontem, eu achei melhor você descansar, antes de conversarmos sobre qualquer coisa. ALICE – Sobre o que o senhor quer conversar? FELIPE – Sobre o seu irmão. (Alice fica alguns segundos parada sem dizer nada ao ouvir a palavra “irmão”) ALICE – O que tem ele? FELIPE – Ele participou ontem das audições para uma vaga em uma universidade de música em Nova York, e ele conseguiu entrar. (Alice solta um leve sorriso) ALICE – Claro que conseguiria. Pedro é tão talentoso quanto eu. (volta para a cama) FELIPE – Ele está voltando hoje para o Brasil, então eu pensei que assim que ele chegasse, poderíamos preparar um jantar parabenizando-o por ter conseguido a vaga. ALICE – Por mim tudo bem. FELIPE – (sorri) Que bom. Fico feliz que não tenha ficado nenhum sentimento estranho entre vocês, depois daquilo. Bem, vou conversar com a mamãe e pedir que ela organize tudo. ALICE – (começa a arrumar sua cama) Ok. FELIPE – (caminha até Alice, beija a testa dela novamente) Tenha um bom dia, filha. (Alice sorri, Felipe sai do quarto em seguida. Alice para de arrumar a cama, senta-se e pensa em Pedro) (Pedro entra na sala com sua mochila no ombro se despedido dos seus amigos) ARTHUR – E trate de terminar logo seu Ensino Médio, viu. Nem pense de repetir de ano. PEDRO – Isso não vai acontecer. Minhas notas sempre foram boas. SAMUKA – Você tá falando é com um aluno aplicado, Arthur. ARTHUR – Assim espero. Boa viagem, mano. (caminha até ele e o abraça) PEDRO – Valeu. ARTHUR – Você vai voltar para cá depois, Sam? SAMUKA – Eu acho que não. Combinei com a Mônica de comprarmos algumas coisas. ARTHUR – Então eu acho que vou com vocês até lá embaixo, e vou levar a minha chave. SAMUKA – Não se preocupa, estou com a minha. ARTHUR – Beleza. (os três caminham em direção a porta) E tenta convencer sua tia, Pedro. Temos uma vaga disponível apenas, hein! PEDRO – Vou tentar. Mas quando aquela ali coloca uma coisa na cabeça, é meio difícil tirar. SAMUKA – Isso é porque ela ainda não conversou comigo. Mas relaxa, tudo no seu tempo. Vamos, porque Nova York também é conhecida por longos congestionamentos. E você não quer perder seu voo, quer? PEDRO – Não. Preciso voltar para o Brasil. PEDRO – Então vamos, logo. (os três saem do apartamento, Arthur fecha a porta) (Pedro e Samuka estão dentro do táxi, rumo ao aeroporto. Estão parado um pouco, devido um leve trânsito. Pedro observa as maravilhas da cidade) SAMUKA – Não ver a hora de morar aqui, né? PEDRO – Confesso que estou ansioso. Ano que vem parece ser um grande ano. SAMUKA – Não pensa em se despedir da cidade?! PEDRO – O que? Aqui no táxi? SAMUKA – Ué... o que tem? Você não pode sair da cidade, sem se despedir de forma correta. PEDRO – Não acredito que irei fazer isso. (Pedro sorri, volta a olhar para cidade, uma música começa a ser tocada e ele começa a cantar)Start spreading the news 1 I'm leaving today I want to be a part of it New York, New York These vagabond shoes Are longing to stray Right through the very heart of it New York, New York I wanna wake up in that city 2 That doesn't sleep And find I'm king of the hill Top of the heap These little town blues Are melting away I'll make a brand new start of it In a old New York If I can make it there 3 I'll make it anywhere It's up to you New York, New York New York, New York I want to wake up In the city that never sleeps And find I'm A, number one, top of the list King of the hill A number one These little town blues 4 Are melting away I'm gonna make a brand new start of it In old New York And If I can make it there I'm gonna make it anywhere It's up to you New York, New York, New York
Anoitecendo...
(Otávio entra na cozinha, sentindo o cheirinho da comida que Eduardo está preparando) EDUARDO – (ao ver Otávio entrando) É já que a comida saí, Otávio. Estou só terminando de preparar a carne aqui. OTÁVIO – Precisa de ajuda? Posso arrumar a mesa se quiser. EDUARDO – Já arrumei, na verdade. (Otávio senta-se) OTÁVIO – Acho que a partir de amanhã já podemos começar a preparar a minha playlist para o programa. EDUARDO – Sim, também estava pensando nisso na viagem de volta. Os jurados gostaram muito da sua primeira apresentação, precisamos agora manter o mesmo ritmo. OTÁVIO – Sim. Eu estava ouvindo algumas músicas. Depois quero mostrá-las para você. EDUARDO – Ok. (Eduardo apaga o fogo, começa a levar algumas panelas para a mesa) Me dar aqui seu prato, Otávio! OTÁVIO – (entregando para Eduardo) Obrigado! EDUARDO – (após enchê-lo, coloca a frente de Otávio novamente) Está um pouco quente, cuidado. (começa a se servir) OTÁVIO – Será que a sua amiga vai conseguir continuar na competição? EDUARDO – Eu espero que sim. Letícia... quer dizer, Larissa é muito talentosa. Ela merece continuar participando do programa, independente da profissão que ela tenha. OTÁVIO – Imagino o que ela deve ter sentindo, ao ver as pessoas chamando-a de... você sabe. EDUARDO – (sentando-se) Creio que ela não ficou muito ofendida com isso. Larissa é forte, e conhecendo ela bem, garanto que ela vai lutar muito para ir até a final do programa. OTÁVIO – Então tenho uma grande rival para enfrentar. EDUARDO – Pode se dizer que sim. (os dois sorriem, começam a comer) (Larissa está em frente ao espelho com o celular nas mãos, ainda aguardando uma ligação da produção do programa. Um pouco triste, ela coloca o celular na mesinha, se olha no espelho e ergue a cabeça orgulhosa) LARISSA – Permaneça com a cabeça erguida, Larissa. Como meu querido Nathan diria... eles não sabem o tamanho da estrela que estão perdendo. (sai de seu quarto sorrindo) (Mônica, Samuka, Arthur e Elisa estão reunidos em uma mesinha) MÔNICA – Pedro hora dessa deve ter chegado em casa já. SAMUKA – Acho que ainda não. Ele me disse que iria me mandar mensagem assim que chegar. MÔNICA – (provoca um pouco Arthur) Pedro é um ótimo cantor, né mesmo. Acho que encontramos um competidor a sua altura, Arthur. ARTHUR – Pedro pode cantar bem, mas não estou com medo. Apesar de tudo, ele será calouro. MÔNICA – Um calouro talentoso, diga-se de passagem. ARTHUR – Eu não vou competir com o Pedro, tá?! Até porque eu não preciso, ao longo desses anos eu construí um longo respeito naquela universidade. Posso conseguir um papel em qualquer produção ali, num estalar de dedos. MÔNICA – Se é você que está dizendo, quem sou eu para contrariar. ELISA – Pensei que a gente topou sair, para se divertir e não para ficar dizendo quem é melhor em que. SAMUKA – A Elisa tem razão, vamos brindar então? (todos erguem seus copos, Arthur e Mônica continuam se encarando) ELISA – Um brinde a nossa amizade! (todos tocam seus copos, bebem em seguida)Daqui um ano...
(Arthur sai do hospital chorando, Elisa em poucos segundos o acompanha) ELISA – Arthur... espera. (o percebe chorando) O que houve, amor? Por que você está assim? ARTHUR – Tudo isso é por minha culpa, Elisa. Pedro está nesse hospital por minha culpa. ELISA – Eu não estou entendendo. O que está acontecendo, Arthur? (antes que Arthur explicasse alguma coisa, uma viatura estaciona em frente do hospital, logo atrás dela, o carro de Elizabeth) ARTHUR – Eles vieram me buscar! ELISA – Te buscar? (dois policiais saem da viatura, Elizabeth e Mônica saem do outro carro, ambos caminham em direção a Arthur) POLICIAL – Arthur Oliveira? ARTHUR – Yes, it's me! POLICIAL – We need you to accompany us. (sem resistir nem nada, Arthur os acompanha até a viatura, de cabeça baixa e chorando) ELISA – Wait... What is happening? (Mônica a impede de acompanhá-los) Por que estão levando ele? (Arthur entra no banco de trás da viatura, os policiais fecham a porta) Por que estão levando ele, Mônica? O que está acontecendo? ELIZABETH – Os policiais precisam fazer algumas perguntas para ele. ELISA – Perguntas? Que tipos de perguntas? MÔNICA – As digitais que foram encontradas na arma que atirou em Pedro são do Arthur, querida. Foi o Arthur quem atirou em Pedro!Contínua no capítulo 04...
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