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Partes de Mim
Capítulo 4 de 60
Capítulo 4
✍️ Ramon Silva ·📅 03 Jun. 2019 ·👁 0 leituras

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ALFREDO

ALVINHA

GLÓRIA

MARIA

MARTA

SOL

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

DELEGADO, DIRETOR (HOSPITAL), ENFERMEIRA, RECEPCIONISTA.

  CENA 01. HOSPITAL. FACHADA. EXT. DIA. Várias pessoas e carros passando. CAM vai buscar Alfredo vindo caminhando com flores nas mãos. Ele entra no hospital. CORTA PARA: CENA 02. HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA. Sol ali deitada aos prantos, inconsolável. Alfredo entra com flores e arremata. ALFREDO     —  (Se preocupa) Meu amor... Por que você está chorando, aconteceu alguma coisa? SOL               —  (Chorando) Aconteceu uma desgraça, Alfredo. ALFREDO     —  (Não entende) Mas como assim? O que aconteceu? SOL               —  (Chorando) Os nossos filhos... ALFREDO     —  O que é que tem? SOL               —  (Chorando) Eles sumiram durante a noite! ALFREDO     —  Como é que é? SOL               —  (Chorando) É. Eles não sabem como aconteceu. Foram buscá-los para amamentar e eles não estavam mais lá. ALFREDO     —  Mas como uma coisa dessas é possível meu Deus do céu!? Isso é um absurdo! Eu vou processar esse hospital! SOL               —  (Chorando) Justo quando as coisas iam bem... Me acontece uma desgraça dessas! Às vezes eu fico pensando... Será que eu nasci pra ser feliz? ALFREDO     —  Como assim, meu amor? Todo mundo nasceu pra ser feliz! SOL               —  Eu não! Parece que o universo conspira contra mim! Primeiro meu pai morre e agora os meus filhos somem sem mais, nem menos! ALFREDO     —  Calma, meu amor! Nós vamos ter os nossos filhos de volta. Ele abraça a amada que não para de chorar. Instantes. Tristeza. CORTA PARA: CENA 03. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA. Clipe bem caprichado do Rio no ano de 1999. Instantes. CORTA PARA: CENA 04. RODOVIÁRIA NOVO RIO. INT. DIA. Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior. Rodoviária cheia. Um ônibus se aproxima e as pessoas começam a saltar. Maria fica ali olhando com expectativa. Marta salta com uma figurante que está com um de seus “filhos”. MARTA        —  (P/Figurante) Muito obrigado, querida! Ela passa o bebê a Marta. Maria se aproxima e arremata. MARIA          —  Oi, amiga! Quanto tempo, hein! MARTA        —  Pois é! Agora segura um aí que eu tô com meu braço doendo. Se não tivesse encontrado aquela mulher caridosa eu estava ferrada. MARIA          —  Nossa! Eles são lindos! MARTA        —  São, não são? MARIA          —  São! Mas e o pai dessas crianças, Marta? MARTA        —  O pai?... (Muda de assunto) Depois a gente conversa sobre isso, Maria! Agora vamos que eu tô cansada! Pode parecer que não, mas uma viagem de São Paulo para o Rio cansa. MARIA          —  Então vamos que eu vou preparar aquele almoço bem gostoso que você! Marta pega sua mala com o motorista que está a tirar do bagageiro. As duas seguem se afastando. CORTA PARA: CENA 05. HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA. Alfredo, Sol e Delegado ali. DELEGADO —  Qual foi a última vez que você esteve com os seus filhos? SOL               —  Quando eu amamentei. Acho que foi por volta de dez da noite. DELEGADO —  E depois disso você não os viu mais? SOL               —  Não! ALFREDO     —  Pelo amor de Deus, delegado! Vocês têm que prender quem fez uma atrocidade dessas! DELEGADO —  Faremos o possível! Com licença! Ele sai. SOL               —  Enquanto eles fazem o “possível”, nossos meninos ficam por aí! ALFREDO     —  Tô aqui pensando na dona Glória quando souber disso! SOL               —  É... Mas não tem como esconder isso dela! ALFREDO     —  Como você acha que a gente deve falar pra ela? CORTA RÁPIDO PARA: CENA 06. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. DIA. Glória ali vendo no vídeo cassete, vídeo aulas de exercícios físicos. Ela faz polichinelos e agachamentos seguindo a aula. GLÓRIA        —  (Faz careta de dor) Ai, ai... Eu tô ficando velha pra isso! Atenção Sonoplastia: o tel. fixo toca. GLÓRIA        —  (P/si)           Quem será agora, hein? Ela vai atender. GLÓRIA        —  (Ao tel.) Alô? Ah oi, Alfredo. Ir até o hospital? Mas por que se a visita só é a tarde? Como assim? Que problema? Não venha querendo me enganar não, hein! Tá bom, pode deixar que daqui a pouco eu chego aí. Outro, tchau! Ela desliga. GLÓRIA        —  (P/si, intrigada) O que será que aconteceu? A voz do Alfredo estava estranha. Bom... Se eu não for, não vou saber do que se trata! Mas só vou depois de tomar um belo banho porque a macaca aqui tá braba! Ela sobe a escada. CORTA PARA: CENA 07. CASA DE MARIA. SALA. INT. DIA. Maria e Marta chegam da rua. Marta deixa a mala ali e as duas se sentam. MARIA          —  Ai, amiga... Quando você ligou dizendo que vinha pra cá eu fiquei sem entender nada. MARTA        —  Por quê? MARIA          —  Porque você disse que sua vida em São Paulo estava ótima e de repente decide vir pra cá?! MARTA        —  Estava ótima. Até que o pai das crianças não parava de me seguir. MARIA          —  Você também se mete com cada homem que eu vou te contar, viu! MARTA        —  Como é que eu ia adivinhar que o cara era tão louco assim? MARIA          —  Mas e aí? Ele sabe que você veio pra cá? MARTA        —  Não! Saí sem deixar rastros! Quero recomeçar a minha vida aqui no Rio. Esquecer esse cafajeste. MARIA          —  Pois é. E agora com mais duas bocas pra alimentar, você vai ter que ralar mesmo! MARTA        —  É... Mas amanhã mesmo eu estou saindo atrás de emprego. CORTA PARA: CENA 08. HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA. Alfredo e Sol ali apreensivos. Glória entra. GLÓRIA        —  Vim o mais rápido que pude! O que aconteceu? SOL               —  (Chora) Os seus netos.... GLÓRIA        —  (Aflita) O que tem os meus netos, Sol? Ninguém responde nada. GLÓRIA        —  Anda gente! Estou à espera de uma resposta! O que aconteceu com os meus netos? E não me escondam nada! ALFREDO     —  Então, dona Glória... Os gêmeos foram sequestrados! GLÓRIA        —  (Reage forte) O quê? CORTA PARA: CENA 09. CASA DE MARIA. COZINHA. INT. DIA. Maria ali descascando legumes. Marta vem da sala com um dos gêmeos. MARIA          —  Ué! Esse daí não dormiu não, é? MARTA        —  Não! Fiquei um tempinho com ele deitado, mas nada dele dormir. MARIA          —  Esse daí não gosta de dormir pelo jeito. MARTA        —  É... Eu queria até te perguntar, você tem leite aí? MARIA          —  Ter até tem, mas não é leite para criança recém-nascida. MARTA        —  Ah tá. MARIA          —  (Desconfia) Mas você não deveria ter leite materno? O que aconteceu com o seu leite? MARTA        —  (Despista) O que aconteceu? É que... Ele secou! MARIA          —  Nossa! Que pena! Mas por quê? MARTA        —  O médico me explicou, mas eu não me liguei muito não. Então eu vou ter que sair pra comprar alguma coisa pra eles. Você se importa de passar o olho nele enquanto eu vou ao mercado? MARIA          —  Não! Pode deixar ele aqui comigo! Marta passa a criança a Maria e sai arrematando. MARTA        —  (Saindo) Brigada, amiga! Prometo que não demoro! MARIA          —  (P/si, desconfiada) Muito estranho o leite dela ter secado assim. Ela fica instantes desconfiada, depois começa a brincar com o bebê. Instantes. CORTA PARA: CENA 10. HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA. Continuação imediata da cena 08. Clima tenso. Todos ali apreensivos. GLÓRIA        —  Mas como foi acontecer uma coisa dessas, gente? ALFREDO     —  É o que nós gostaríamos de saber também! GLÓRIA        —  Meu Deus do céu, filha... Como você está com tudo isso? SOL               —  Indignada e arrasada! É como se um pedaço meu tivesse sido arrancado quando a enfermeira me deu essa notícia. GLÓRIA        —  E isso já faz muito tempo? SOL               —  Já! A enfermeira me deu essa péssima notícia logo após o dia amanhecer. GLÓRIA        —  E por que você não me ligou avisando antes, Sol? SOL               —  Eu nem pensei nisso, mãe! Na hora eu fiquei tão nervosa que a minha única reação foi chorar e gritar! GLÓRIA        —  E o hospital? Disse alguma coisa? ALFREDO     —  Ainda não! Eles estão deixando por conta da polícia! GLÓRIA        —  Isso é um absurdo! Eles têm que dar uma satisfação! Glória sai saindo determinada com Sol arrematando. SOL               —  (Preocupada) A senhora vai aonde, mãe? Pelo amor de Deus, mãe! Não arrume problemas! (Aflita) Ai jesus! (P/Alfredo) Vai atrás da mamãe, Alfredo! Vai atrás dela antes que ela faça alguma besteira. ALFREDO     —  Pode deixar! Alfredo sai e Sol permanece ali aflita. Instantes. CORTA PARA: CENA 11. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. DIA. Local vazio. Glória vem determinada até a recepcionista. GLÓRIA        —  Eu quero falar com o responsável pelo hospital! RECEPCIONISTA — Sim, mas quem deseja? GLÓRIA        —  Quem deseja não te interessa! Eu quero falar com o responsável por isso aqui! RECEPCIONISTA — Calma senhora! GLÓRIA        —  Calma é o escambal! Chama o diretor dessa pocilga aqui agora! Alfredo vem até glória. ALFREDO     —  Calma, dona Glória! Desse jeito a senhora vai acabar perdendo a razão! A recepcionista pega o tel. e disca para alguém. GLÓRIA        —  Que calma o quê? Duas crianças somem daqui e eles não falam nada! ALFREDO     —  Eu sei que é um absurdo! Mas não adianta querer resolver as coisas dessa maneira! Dois seguranças se aproximam e abordam Glória. SEGURANÇA     — Com licença, senhora! Nós precisamos que a senhora se retire! GLÓRIA        —  Mas era só o que me faltava! Além dos meus netos terem sumido aqui de dentro, vocês ainda vão querer me expulsar daqui? Daqui eu não saio! E ai de vocês se encostarem um dedo se quer em mim! Eu os processo! Os dois seguranças recuam. GLÓRIA        —  Eu quero, eu exijo falar com o diretor desse hospital! Ele tem que dar um parecer pelo sumiço dos meus netos! Não adianta ele ficar se escondendo e deixar tudo pra polícia não! Eu quero uma resposta vinda da boca dele! RECEPCIONISTA — Eu vou ligar pra ele. Ela pega o tel. e começa a discar. Alfredo olha pra Glória com medo, pois ela está soltando fogo pelas ventas. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 12. RUA. CASA DE MARIA. FRENTE. EXT. DIA. Rua movimentada. Crianças e adultos ali. Marta vem caminhando distraída com uma sacola de supermercado. Alvinha vem em sua direção também distraída e as duas se esbarram. MARTA        —  Desculpa, senhora! ALVINHA     —  Marta? É você? MARTA        —  Desculpe, eu te conheço? ALVINHA     —  Claro que conhece! Sou eu, Alvinha! Você não está me reconhecendo não? MARTA        —  Ah é você, Alvinha? Tá muito diferente, mulher! ALVINHA     —  Pois é, menina. O tempo muda a gente. Você também está muito diferente! MARTA        —  Pois é. Depois de se tornar mãe, as coisas mudam. ALVINHA     —  Não brinca! Você já é mãe? MARTA        —  Sim. E de gêmeos ainda por cima. ALVINHA     —  Que legal! MARTA        —  Agora que eu voltei pro Rio e com duas crianças, tenho que arrumar emprego o mais de pressa possível! ALVINHA     —  Você aceitaria trabalhar em casa de família? MARTA        —  Claro! O que aparecer pra mim é lucro! ALVINHA     —  Então pode deixar que amanhã mesmo eu falo com a minha amiga pra ela avisar o patrão dela. Um homem de cinquenta anos solteiro... O serviço deve ser moleza. MARTA        —  Obrigadão mesmo, hein, Alvinha! ALVINHA     —  De nada! Qualquer coisa eu ligo aí pra Maria te dando a resposta! Tchau! MARTA        —  Tá bom! Tchau! Alvinha segue andando e Marta entra na casa. CORTA PARA: CENA 13. CASA DE MARIA. SALA. INT. DIA. Maria ali sentada sozinha. Marta chega da rua com a sacola de supermercado. MARTA        —  Ué! Cadê o bebê? MARIA          —  Dormiu! MARTA        —  Como você consegue fazer essas coisas, Maria? Você nunca pensou em ter filhos não? Pelo visto você leva jeito pra coisa! MARIA          —  Que isso, Marta? Eu não levo jeito nenhum com criança! Por eu não querer formar uma família, já perdi vários namorados. MARTA        —  Mas amiga... Você não é nenhuma novinha mais não! Daqui a pouco passa da época de ter filhos! MARIA          —  Se preocupa não, amiga! Quando eu estiver pronta, eu faço isso! MARTA        —  Então tá, né! Ah... Já ia me esquecendo da novidade. MARIA          —  Que novidade? MARTA        —  Eu encontrei com a Alvinha aqui em frente e ela ficou de arrumar um emprego pra mim! MARIA          —  Que bom, amiga! Agora com essas crianças, só trabalhando mesmo! MARTA        —  Verdade. Amanhã ela disse que traz uma resposta! MARIA          —  Tomara que dê tudo certo! MARTA        —  É... CORTA PARA: CENA 14. HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA. Alfredo, Glória e Sol ali. Diretor do hospital entra. DIRETOR      —  Licença! Me disseram que vocês queriam falar comigo? GLÓRIA        —  Sim! Nós estamos querendo uma resposta de vocês! O que aconteceu aqui dentro não pode voltar a se repetir! SOL               —  Calma, mãe! GLÓRIA        —  Calma nada! Uma criança some de dentro do hospital e eles agem como se nada estivesse acontecendo! Um absurdo isso! (Ameaça) Olha só... Se vocês não derem conta dos meus netos... Eu juro que me transformo e acabo com esse hospital inteirinho! Não vai sobrar uma seringa, uma agulha pra contar história! Fecha do diretor assustado. Instantes. Tensão. CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 15.  HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA. Continuação imediata da cena anterior. Clima de tensão no ar. Todos ali tensos. ALFREDO     —  Calma, dona Glória! Lembre-se daquela nossa conversa! Se a senhora continuar agindo dessa maneira, vai acabar perdendo a razão! GLÓRIA        —  Desculpa, diretor! Eu tô descontrolada com tudo isso. DIRETOR      —  Eu sei que está sendo difícil pra todos essa situação, mas... Infelizmente não há muito que o hospital possa fazer. Nós temos que deixar agora a polícia fazer o seu trabalho. GLÓRIA        —  Mas pelo que parece vocês estão pouco se lixando pelo que aconteceu com os meus netos. DIRETOR      —  Também não é assim, dona Glória! O hospital está ativo, participando da investigação da polícia! Todos os funcionários que estavam de plantão de madrugada vão prestar depoimentos. SOL               —  Só espero que tudo isso resulte em alguma coisa! ALFREDO     —  Calma, meu amor! Nós vamos ter os nossos filhos de volta. DIRETOR      —  Eu quero dizer que nós sentimos muito pelo que aconteceu e que nós estamos trabalhando duro para solucionar esse caso. Isso nunca aconteceu aqui! Tá sendo novidade pra gente também! Eu só peço a compreensão de vocês! Com licença! Ele sai. GLÓRIA        —  Vontade de pular no pescoço desse cara! Do jeito que as coisas estão nós não vamos a lugar algum! (Determinada) Não quero saber! Eu quero os meus netos de volta! E esse hospital aqui que me aguarde no tribunal!!! Closes alternados em todos ali apreensivos. Instantes. Suspense. Tensão. CORTA PARA: CENA 16. CASA DE MARIA. SALA. INT. DIA. Marta e Maria ali sentadas. MARTA        —  Sabe do que eu estou lembrando aqui? MARIA          —  O quê? MARTA        —  Você e a Alvinha ainda não se acertaram? MARIA          —  Ainda não. MARTA        —  Ah, que isso, Maria? A briga de vocês já dura mais de dez anos! MARIA          —  Eu sei. Mas eu nunca vou conseguir perdoar ela pelo que fez comigo! MARTA        —  Erámos todos jovens, Maria! É natural que essas coisas acontecessem. MARIA          —  Eu era jovem! Eu tinha quinze anos na época e ela vinte e dois. O que a Alvinha fez comigo foi imperdoável! MARTA        —  Você acha que ela fez aquilo contigo por quê? MARIA          —  E por que mais seria? Inveja! O Lucas gostava de mim e ela sempre foi apaixonada por ele. MARTA        —  E ela ficou com ele? MARIA          —  Ficou nada! O Lucas nem mora mais aqui! MARTA        —  (Sorrir) Essa guerra toda pra no fim nenhuma das duas ficarem com ele! MARIA          —  Pois é. Mas isso são águas passadas. Meu foco agora é outro! MARTA        —  (Curiosa) Ah é? E eu posso saber que foco é esse? MARIA          —  Eu quero agora é iniciar a minha faculdade de Relações Internacionais! Esse sempre foi o meu sonho! Relação que não fizer parte do nome da minha faculdade, eu quero é distância! As duas continuam a conversar fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 17. CIDADE DE SÃO PAULO. EXT. DIA. Takes descontínuos da cidade em 1999. No último deles, a fachada do hospital. Já ouvimos a voz de Sol vindo da próxima cena. SOL               —  (OFF) Depois de tudo que aconteceu eles querem me dar alta? CORTA RÁPIDO PARA: CENA 18. HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA. Sol ali sentada na cama. Alfredo perante ela. ALFREDO     —  Eu sei, meu amor. Mas talvez é melhor mesmo ir para casa. Não vai adiantar nada ficar aqui! SOL               —  Vai sim! Comigo aqui, dá pra cobrar deles respostas! ALFREDO     —  Dá pra fazer isso de casa também! Vamos! Você vai ficar aqui fazendo o quê? Se torturando ainda mais lembrando dos nossos filhos? SOL               —  E você acha que indo pra casa eu não vou sofrer? E o quartinho deles lá todo arrumadinho só esperando por eles? ALFREDO     —  Eu sei, meu amor! Mas agora o que nos resta é ir pra casa e pedir a Deus que os nossos filhos estejam bem e que eles voltem logo pra casa. SOL               —  Você tem razão! ALFREDO     —  Claro que tenho! O melhor a se fazer agora é voltar pra casa! SOL               —  (Se levanta) Cadê a mamãe? ALFREDO     —  Não sei não! Ela passou por mim feito um furacão! Acho que ela foi pra casa! SOL               —  Tomara que ela tenha ido pra casa mesmo! Mamãe está atordoada com tudo isso! CORTA PARA: CENA 19. AVENIDA PAULISTA. INT/ EXT. DIA. Avenida movimentadíssima. Glória ali ao volante olhando pra calçada. GLÓRIA        —  (Atordoada) Meus netos! Corta para fora do carro: CAM mostra uma mulher caminhando na calçada com uma criança no colo. Glória começa a buzinar. GLÓRIA        —  É o meu neto! É o meu neto! (Coloca a cabeça pra fora e grita) Ela está com o meu neto! Alguns curiosos olham e a mulher, que assustada começa a caminhar a passos largos. Corta para dentro do carro: GLÓRIA        —  (P/si) Ela não vai conseguir escapar com o meu neto! Ela dá a partida e vai seguindo a mulher. CAM fica em Plano Geral. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 20. HOSPITAL. CORREDOR. INT. DIA. Enfermeira do capítulo anterior vem caminhando fazendo anotações nos prontuários. Sol e Alfredo saem do quarto. SOL               —  Às vezes eu acho que tô cercada de pessoas falsas! Como é que pode as crianças terem sumido assim do nada nesse hospital, gente? ALFREDO     —  Verdade, meu amor! Mas agora só a polícia pode nos responder essa dúvida. Os dois passam pela enfermeira que está visivelmente nervosa. Sol a encara e ela começa a andar a passos largos. SOL               —  (Chama) Ei! Você! Ela de costas pra eles fecha os olhos de nervosismo e se vira a eles. ENFERMEIRA    — Pois não? SOL               —  Não era você que estava cuidando dos meus bebês? Fecha na enfermeira nervosíssima. Instantes. Suspense. Tensão. CORTA PARA: CENA 21. AVENIDA PAULISTA. EXT. DIA. Glória salta do carro e aborda a mulher com a criança. GLÓRIA        —  Ei, você! Onde você arrumou essa criança? MULHER      —  Como assim aonde eu arrumei essa criança? Esse é meu filho! GLÓRIA        —  Não! Não é não! Cadê o outro? Eram dois meninos! O que você fez com o outro? MULHER      —  Sai sua maluca! Me deixa em paz! Ela vai caminhando e Glória coloca a mão na cabeça e ali fica rodando atordoada por um instante. Até que entra no carro e sai disparada. Tensão. CORTA PARA: CENA 22. AVENIDA PAULISTA. EXT/ INT. DIA. Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior. Glória ali fazendo várias ultrapassagens arriscadas, feito uma louca em alta velocidade. CAM mostra que mais à frente há um semáforo. CAM vai buscar um caminhão que está a vir em direção ao cruzamento. Ritmo. Tensão. Corta para dentro do carro: CAM mostra os pedais do carro. Glória pisa com força no acelerador. Corta para o velocímetro apontando 100 km/h. Tensão. Corta para o cruzamento: Glória vem e o caminhão bate na porta do motorista que fica toda amassada. O carro roda na pista, mas não capota. Corta para dentro do carro: Ela ali desmaiada com a cabeça ao volante. Sangue escorrendo de sua testa. Instantes. Suspense. Tensão. CORTA PARA:

FIM DO 4º CAPÍTULO

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