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Partes de Mim
Capítulo 1 de 60
Capítulo 1
✍️ Ramon Silva ·📅 27 May. 2019 ·👁 0 leituras

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ALFREDO

GLÓRIA

 MARTA

 SOL

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

FIGURAÇÃO

CENA 01. CIDADE DE SÃO PAULO. EXT. DIA. LETREIRO: SÃO PAULO, 1999. Mostramos um clipe bem caprichado daquela época na cidade. Carros, pessoas passando pela CAM. Mostramos por último a fachada da mansão Moraes, no bairro do Morumbi. Já ouvimos a voz de Sol vindo da próxima cena. SOL               —  (OFF, Chorando) É inacreditável que uma coisa dessas aconteceu, mãe.... CORTA PARA: CENA 02. MANSÃO MORAES. QUARTO DE SOL. INT. DIA. Atenção Sonoplastia: Instrumental triste entra aqui. Sol deitada no colo de Glória que está a fazer cafuné na filha. GLÓRIA        —  Filha, eu sei que é difícil aceitar que seu pai se foi, mas... Ele estava sofrendo demais! SOL               —  (Chora) Eu sei, mãe. Mas mesmo assim dói demais! GLÓRIA        —  Eu sei, filha. Acredite, tá doendo demais em mim também, mas se Deus quis assim, quem somos nós para contestar? SOL               —  (Chora) Só de lembrar dele ontem... Ele ali me olhando com aquele olhar... Eu nunca vou me esquecer disso! GLÓRIA        —  Calma, filha. Seu pai foi um bom homem. Com certeza ele está lá no céu agora. SOL               —  (Chora) Tomara, mãe... Tomara. Parece que ele sabia que isso ia acontecer. Ontem ele segurou em minha mão e chorou muito. Eu fiquei sem entender e agora tá aí a resposta. Ele estava se despedindo de mim. Glória abraça a filha que continua a chorar. Instantes. Tristeza. CORTA PARA: CENA 03. MANSÃO MORAES. COZINHA. INT. DIA. Marta ali sentada, quando arremata. MARTA        —  (P/si) Com certeza isso tudo é drama da Sol... Ela nem ligava pro pai dela. Aí depois que morre fica aí fazendo todo esse showzinho! Ela pode até conseguir enganar os outros, mas a mim ela não engana não! Glória vem da cozinha. GLÓRIA        —  Falando sozinha, Marta? MARTA        —  (Se levanta) Não, dona Glo! Eu só estava/ GLÓRIA        —  (Corta) Quantas vezes eu vou ter que falar que não gosto de ser chamada desse jeito? Principalmente por você! MARTA        —  Desculpe dona Glo... Glória encara ela seriamente que completa a frase. MARTA        — ...ria GLÓRIA        —  Menos mal. É assim que tem que ser. Leve uma água com açúcar pra Sol que ela não está nada bem. MARTA        —  Sim, senhora. Glória volta para a sala. Marta arremata preparando a água com açúcar. MARTA        —  (P/si) Dramática demais essa Sol! CORTA PARA: CENA 04. MANSÃO MORAES. QUARTO DE SOL. INT. DIA. Sol ali deitada, lágrimas estão escorrendo pelo seu rosto. Marta bate na porta e entra arrematando. MARTA        —  Com licença, Sol. SOL               —  Oi, Marta. Entre! Ela se aproxima e entrega a água a Sol que bebe tudo. MARTA        —  Você está bem? SOL               —  Não muito! Acabei de enterrar o meu pai. MARTA        —  Sei bem como é isso. Eu mesma passei por isso quando a minha vozinha morreu. Eu sofri demais. Ela era a pessoa que eu mais gostava da minha família. SOL               —  Mas e os seus pais? MARTA        —  Com esses daí eu não quero mais ideia. SOL               —  Por quê? MARTA        —  Nada não, Sol! Estou aqui para falarmos de você. CORTA PARA: CENA 05. CIDADE DE SÃO PAULO. EXT. ANOITECER. Takes descontínuos do anoitecer no ano de 1999. CORTA PARA: CENA 06. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior. Glória com Alfredo ali. Os dois estão sorrindo. GLÓRIA        —  Eu sei que não deveria tá rindo. Afinal de contas, eu acabei de enterrar o meu marido, mas é impossível ficar séria perto de você, Alfredo! ALFREDO     —  Desculpe, dona Glória. Eu também não deveria está fazendo piadinhas, mas eu creio que o seu Silvestre ia querer nos ver assim, felizes! GLÓRIA        —  Verdade. Do jeito que o Sil era, ele ia querer nos ver felizes mesmo. Ele odiava clima de baixo astral. ALFREDO     —  É. Com ele era sempre alegria. Uma pena que o meu sogrão do coração não está mais entre nós. Glória meneia a cabeça concordando. ALFREDO     —  Mas e a minha Sol, como ela está? GLÓRIA        —  Está lá em cima trancada. Parece que a Sol era a menos preparada pra isso. Graças a Deus eu já fui me conformando quando o médico disse que o câncer dele estava em estado avançado. ALFREDO     —  (Muxoxa) Uma pena.... Coitadinha da Sol. GLÓRIA        —  Acredite, Alfredo... Não está sendo nada fácil pra nós duas. CAM mostra Marta escondida ouvindo a conversa dos dois. Ela vai para a cozinha. CORTA PARA: CENA 07. MANSÃO MORAES. COZINHA. INT. NOITE. Marta vem da sala e ali ela arremata. MARTA        —  (P/si, feliz) Não acredito que ele tá aqui. Tão lindo. Não sei o que ele viu nessa sem sal. Sou muito mais eu pra ele do que aquela dramática sem graça! CORTA PARA: CENA 08. MANSÃO MORAES. QUARTO DE SOL. INT. NOITE. Sol ali deitada cabisbaixa, abraçada com uma foto de Silvestre. CAM detalha a foto. Glória entra. GLÓRIA        —  Oh, filha... Levanta daí! SOL               —  (Dramática) Eu não sei se tenho razão para viver. Uma das principais pessoas da minha vida não está mais aqui. GLÓRIA        —  Ei! E eu, o Alfredo? Nós somos importantes na sua vida, não somos? SOL               —  Claro que são! Vocês dois agora são as únicas pessoas que realmente importam. GLÓRIA        —  Então filha... Por que não usar isso como uma espécie de motivação? Se o Alfredo e eu somos importantes na sua vida, então nós precisamos de você e você da gente! Mas você tem que deixar a gente te ajudar. Ficar aqui deitada nessa cama não vai adiantar de nada. Infelizmente nada trará o seu pai de volta! SOL               —  A senhora tem razão, mãe! Eu tô até começando a me convencer de que talvez foi melhor assim. Dói... Dói demais saber que ele não estará mais aqui, porém, ele estava sofrendo demais com essa doença. GLÓRIA        —  Filha... Pensa da seguinte forma: seu pai, ele não morreu, ele descansou! Essa maldita dessa doença estava acabando com ele. SOL               —  O Alfredo ainda está aí? GLÓRIA        —  Sim. Ele estava querendo te ver. SOL               —  Não tô nem com cabeça pra pensar no que vestir. GLÓRIA        —  Vem, eu te ajudo! As duas abrem o guarda roupa e tiram algumas peças de roupas. CORTA PARA: CENA 09. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. Alfredo ali sentado. Marta vem da cozinha e arremata. MARTA        —  Oi. Com licença! ALFREDO     —  Pois não? MARTA        —  Eu não queria incomodar, mas... Eu trabalho aqui na casa. ALFREDO     —  É... Deu pra perceber. Você está usando uniforme. MARTA        —  (Cai na real) É mesmo. Mas eu vim aqui perguntar se o senhor deseja alguma coisa? ALFREDO     —  Que isso? Não precisa me chamar de senhor não. Afinal de contas, nós dois devemos ter a mesma idade. MARTA        —  É. Só que ao contrário de mim, você e a Sol deram sorte de nascer numa família em que é mais... Abundante, vamos dizer assim. ALFREDO     —  (Sorrir) Verdade. Mas você não deveria se sentir assim por ter nascido pobre. Se tem uma coisa que eu aprendi é que as dificuldades te ensinam coisas. MARTA        —  Você aprendeu isso? Deixa de onda, vocês não sabem o que nós pobres passamos. ALFREDO     —  Acredite... Eu gosto muito de conversar com as pessoas e elas sempre me relatam esse tipo de coisa... Os dois continuam a conversar fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 10. MANSÃO MORAES. QUARTO DE SOL. INT. NOITE. Sol sentada, já vestida com outra roupa. Gloria ali penteando o cabelo da filha. GLÓRIA        —  (Sorrir) Pentear o seu cabelo me traz tantas lembranças... Tempos que não voltam mais... SOL               —  Mãe... Agora que o papai não está mais aqui eu fico pensando... Será que não seria melhor se um homem morasse com a gente? GLÓRIA        —  Não sei, filha. Mas por que isso agora? SOL               —  Nada não. Eu só estava pensando aqui. GLÓRIA        —  Não vem com essa não que a mim você não engana, Solange Moraes! Eu sei muito bem que você quer que o Alfredo venha morar com a gente. Acertei, não acertei? SOL               —  Acertou. Eu só não propus isso antes porque eu tinha cisma do papai, sabe? GLÓRIA        —  Sei. E do jeito que o Silvestre era, ele não aceitaria mesmo não. SOL               —  Mas e então, mãe? O que a senhora me diz? GLÓRIA        —  Olha, filha... Por mim tudo bem, mas você tem que saber do Alfredo. Será que ele vai querer vir morar aqui? SOL               —  Não sei. Mas vamos acabar logo com essa dúvida e perguntar ele. As duas saem do quarto. CORTA PARA: CENA 11. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. Alfredo e Marta ali sorrindo. Sol e Glória descem a escada. GLÓRIA        —  Mas o que é que é isso, gente? SOL               —  É! Será que eu posso saber o que está acontecendo aqui? Closes alternados em todos sérios. Instantes. Suspense. Tensão. CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 12. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. Continuação imediata da cena anterior. ALFREDO     —  Que isso, meu amor? Eu só estava aqui conversando com a Marta, que por sinal é gente boa. SOL               —  Mas a Marta deveria estar colocando a mesa do jantar! GLÓRIA        —  Concordo! Ela não é paga pra ficar sentada conversando! MARTA        —  (Se levanta) Desculpe dona Glória e Sol. Eu só vim aqui ver se o rapaz precisava de alguma coisa. SOL               —  O MEU namorado está bem, Marta. Agora você pode ir. MARTA        —  (Saindo) Com licença! Ela vai para a cozinha. ALFREDO     —  Que isso, gente? Também não precisava tratar ela desse jeito, né? GLÓRIA        —  Claro que precisava! Esses empregados são folgados demais! Se não dermos um basta neles, a folga tende a aumentar! CORTA PARA: CENA 13. MANSÃO MORAES. COZINHA. INT. NOITE. Marta ali arrumando as coisas para o jantar. MARTA        —  (P/si, sorrir) Tá na cara que o Alfredo simpatizou comigo. A outra ficou se mordendo de ciúmes... Mas é isso mesmo que eu quero! Um homem lindo daqueles com uma mulher como a Sol, é inacreditável! GLÓRIA        —  (OFF, Gritando) Anda, Marta! Estamos com fome! MARTA        —  (Grita) Já vai dona Glória! (P/si) Véia chata! Ela vai pra sala com duas travessas. CORTA PARA: CENA 14. MANSÃO MORAES. SALA DE JANTAR. INT. NOITE. Alfredo, Glória e Sol sentados à mesa. Marta terminando de servir o jantar. GLÓRIA        —  Parece está ótimo, Marta! MARTA        —  Fiz exatamente como a senhora falou. GLÓRIA        —  É, mas quem dá o veredito sou eu! MARTA        —  Sim, senhora, com licença. Marta vai para a cozinha. Todos provam da comida. SOL               —  Nossa! A comida está ótima! GLÓRIA        —  Está mesmo. Por incrível que pareça, a Marta se superou dessa vez. ALFREDO     —  Com todo respeito. Mas a Marta sempre fez comidas deliciosas! Todas as vezes que eu filei boia aqui, a comida estava divina! SOL               —  (Ciúme) Que isso, Alfredo? Mal falou com a empregada e já tá assim, é? ALFREDO     —  Assim como? SOL               —  Não me diga: assim como! Você tá aí enchendo a bola da Marta. ALFREDO     —  Só por que eu disse que a comida está boa? Sério mesmo que você quer iniciar uma discussão por causa disso? GLÓRIA        —  Gente, pelo amor de Deus! Antes que vocês comecem... Eu me sinto na obrigação de lembrá-los que o Silvestre acabou de ser enterrado! E outra... O intuito desse jantar aqui é outro! Esse jantar tem outra finalidade. Closes alternados em Alfredo e Sol que se olham seriamente. Instantes. CORTA PARA: CENA 15. MANSÃO MORAES. COZINHA. INT. NOITE. Marta vem da sala esfregando as mãos e sorrindo. MARTA        —  (P/si) Isso! É isso mesmo que eu gosto de ver! Comigo aqui, o Alfredo vai perder a libido pela Sol e vai me querer! Ele vai me desejar! Ela fica ali sorrindo, vai até a mesa e se senta. MARTA        —  (P/si, sonha) Acho que os nossos filhos seriam lindos! Eu sou maravilhosa e ele não é de se jogar fora. Com certeza a nossa família seria linda! Mas pra isso acontecer, a Sol tem que sair dos nossos caminhos! Mas como eu posso tirar ela de cena? Ela fica ali pensativa. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 16. CIDADE DE SÃO PAULO. EXT. NOITE. Takes descontínuos da cidade em 1999, o passar de algumas horas. CORTA PARA: CENA 17. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. Alfredo, Glória e Sol ali sentados. GLÓRIA        —  O papo tá muito bom, mas... Eu vou me deitar um pouco. A minha enxaqueca tá atacada hoje! Ela se levanta. SOL               —  Claro, mãe. Vai lá descansar. GLÓRIA        —  (P/Alfredo) Fique à vontade, Alfredo! ALFREDO     —  Obrigado, dona Glória! Melhoras! Ela sobe a escada. ALFREDO     —  (Olha p/relógio) Tá ficando bem tarde, né? SOL               —  Pois é... ALFREDO     —  (Se levanta) Acho melhor eu ir... SOL               —  (Se levanta) Ainda não! Eu ainda não te falei qual é a finalidade do jantar. ALFREDO     —  Pois então diga! SOL               —  Logo que o papai não está mais aqui entre nós, eu andei pensando e a mamãe disse que se você aceitasse ela está de boa. ALFREDO     —  (Não entende) Está de boa? Do que é que você está falando, Sol? SOL               —  Nós queremos que você venha morar aqui! ALFREDO     —  Como é que é? SOL               —  É isso mesmo que você ouviu! Nós queremos um homem morando nessa casa. ALFREDO     —  Olha, meu amor... Eu não sei se isso é uma boa ideia. SOL               —  Claro que é! Nós dois poderíamos dormir juntinhos lá no meu quarto. ALFREDO     —  Verdade? SOL               —  É. Esse sempre não foi o seu sonho? ALFREDO     —  Foi! Eu sempre quis dá uns pegas em você lá. SOL               —  Então por que não fazemos isso agora? ALFREDO     —  É pra já! Ele a surpreende pegando-a no colo. Os dois sobem a escada. CAM mostra Marta olhando tudo. MARTA        —  (P/si, invocada) Droga! Ela fica ali indignada. Instantes. CORTA PARA: CENA 18. MANSÃO MORAES. QUARTO DE SOL. INT. NOITE. Atenção Sonoplastia: Entra aqui a música tema do casal. (Romântica). Eles ali se beijando intensamente. Corte descontínuo. Eles debaixo do edredom no “rala e rola”. Instantes. Romance. CORTA PARA: CENA 19. SÃO PAULO. EXT. AMANHECER. Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior. Takes descontínuos dos pontos turísticos da cidade em 1999. Instantes. CORTA PARA: CENA 20. MANSÃO MORAES. SALA DE JANTAR. INT. DIA. Mesa farta: Glória ali sentada tomando seu café. Marta vem da cozinha com um bolo e o coloca sobre a mesa. MARTA        —  Dona Marta, não querendo ser intrometida. GLÓRIA        —  Mas já sendo... MARTA        —  Exatamente. A Sol tá bem? É que ela ainda não desceu pra tomar café. GLÓRIA        —  Esquece a Sol, Marta. Acho que o Alfredo dormiu aqui essa noite. Cá entre nós... Eu ouvi alguns barulhos suspeitos. MARTA        —  (Curiosa) Ah é? E que tipo de barulhos suspeitos? GLÓRIA        —  Não te interessa! MARTA        —  Que isso, dona Glo... Glória a encara seriamente e ela completa. MARTA        —  ...ria. GLÓRIA        —  Vai cuidar dos seus serviços que você ganha mais, Marta! Ela vai para a cozinha. GLÓRIA        —  (P/si) Essa empregadinha tá muito folgada pro meu gosto! CORTA PARA: CENA 21. MANSÃO MORAES. JARDIM. EXT. DIA. Marta ali caminhando. Ao fundo há um jardineiro ali cuidando do jardim. MARTA        —  (P/si) Com certeza os dois se divertiram à beça a noite toda... Mas isso ainda vai chegar ao fim! (Muxoxa) Poxa, por que a Sol consegue manter um relacionamento e eu não? Já foram cinco caras e todos eles correm de mim! O que será que tem de errado comigo? Será que eu sou meio hostil ou agressiva? Não...  Eu não sou assim. Eu tenho que descobrir o que faz os homens fugirem de mim. Ela fica ali intrigada. Instantes. CORTA PARA: CENA 22. MANSÃO MORAES. SALA DE JANTAR. INT. DIA. Glória ali terminando seu café da manhã. Alfredo e Sol vem. SOL               —  Acordada a essa hora, mamis? GLÓRIA        —  E você acha que isso são que horas? Já está tarde, minha filha. SOL               —  Nossa! Eu nem vi o tempo passar. Os dois se sentam a mesa com Glória arrematando. GLÓRIA        —  É... Posso bem imaginar... Já que eu ouvir algumas coisas lá do meu quarto. SOL               —  (Preocupada) Como assim? A senhora ouviu o quê? GLÓRIA        —  Nada demais, apenas barulhos! SOL               —  A senhora não ficou atrás da porta não, né? GLÓRIA        —  Claro que não, Sol! A última coisa que eu faria era ficar atrás da porta ouvindo vocês dois fazerem saliência! ALFREDO     —  A senhora me desculpa, dona Glória! Eu sei que o que a gente fez não foi correto! GLÓRIA        —  Eu sei disso!... Mas agora que vocês já fizeram não tem porquê eu falar alguma coisa. ALFREDO     —  Viu só, Sol? Você ficou preocupada à toa! GLÓRIA        —  Homens sempre são ordinários! É natural que você queria fazer essas coisas dentro de um local do qual até alguns meses atrás tinha um general que não deixava passar nada. SOL               —  Verdade. Papai parecia aqueles cães farejadores da polícia! Se ele pressentisse que tinha alguma coisa errado, ele investigaria até saber o que é. GLÓRIA        —  (Sorrindo) Tá aí uma das coisas que fizeram com que eu me apaixonasse pelo meu Sil. Eles permanecem conversando fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 23. CIDADE DE SÃO PAULO. EXT. DIA. Takes descontínuos da cidade em 1999, no último deles o seguinte Letreiro: MESES DEPOIS. CORTA PARA: CENA 24. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. DIA. Glória ali sentada. Sol em pé, quando de repente começa a sentir uma tontura. Rapidamente, Glória a coloca sentada no sofá. Fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 25. MANSÃO MORAES. CORREDOR. INT. NOITE. Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior. Glória vem caminhando e ouvindo alguma coisa, mas não ouvimos, pois estamos fora de áudio. Ela chega a porta do banheiro e fica ali meneando a cabeça negativamente. CAM mostra Sol no banheiro vomitando no vaso sanitário. CORTA PARA: CENA 26. MANSÃO MORAES. QUARTO DE SOL. INT. DIA. Sol ali sentada pensativa. Glória entra com uma sacolinha. GLÓRIA        —  Pronto! Vamos acabar com esse ponto de interrogação que está sobre essa casa! MARTA        —  (Não entende) Como assim, mãe? GLÓRIA        —  A princípio, todos esses sintomas que você está sentindo são de gravidez. MARTA        —  (Sorrir) Não! Será que eu tô grávida, mãe? GLÓRIA        —  Não sei filha! Por isso eu fui até a farmácia e trouxe uma resposta. CORTA RÁPIDO PARA: CENA 27. MANSÃO MORAES. CORREDOR. INT. DIA. Marta ali atrás da porta ouvindo. GLÓRIA        —  (OFF) Mas pra acabar logo de uma vez por todas com isso... Eu comprei esse teste de farmácia. SOL               —  (OFF) Cruzes, mãe! Olha o tamanho disso! Eu vou ter que enfiar isso lá na...? MARTA        —  (P/si, sorrindo) Tola! GLÓRIA        —  (OFF) Claro que não, Sol! Vem que eu vou te ensinar como fazer! Marta entra em outro quarto. As duas saem do quarto. SOL               —  Mas é muito difícil fazer isso, mãe? GLÓRIA        —  Não! É a coisa mais simples do mundo! As duas entram no banheiro. Marta ali da porta do quarto arremata. MARTA        —  (P/si) Era só o que me faltava. Já é feliz com o Alfredo e agora ainda arruma filho! Desgraçada! Fecha nela ali séria. Instantes. Tensão. CORTA PARA:

FIM DO 1º CAPÍTULO

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Cap. 1 Capítulo 1 Cap. 2 Capítulo 2 Cap. 3 Capítulo 3 Cap. 4 Capítulo 4 Cap. 5 Capítulo 5 Cap. 6 Capítulo 6 Cap. 7 Capítulo 7 Cap. 8 Capítulo 8 Cap. 9 Capítulo 9 Cap. 10 Capítulo 10 Cap. 11 Capítulo 11 Cap. 12 Capítulo 12 Cap. 13 Capítulo 13 Cap. 14 Capítulo 14 Cap. 15 Capítulo 15 Cap. 16 Capítulo 16 Cap. 17 Capítulo 17 Cap. 18 Capítulo 18 Cap. 19 Capítulo 19 Cap. 20 Capítulo 20 Cap. 21 Capítulo 21 Cap. 22 Capítulo 22 Cap. 23 Capítulo 23 Cap. 24 Capítulo 24 Cap. 25 Capítulo 25 Cap. 26 Capítulo 26 Cap. 27 Capítulo 27 Cap. 28 Capítulo 28 Cap. 29 Capítulo 29 Cap. 30 Capítulo 30 Cap. 31 Capítulo 31 Cap. 32 Capítulo 32 Cap. 33 Capítulo 33 Cap. 34 Capítulo 34 Cap. 35 Capítulo 35 Cap. 36 Capítulo 36 Cap. 37 Capítulo 37 Cap. 38 Capítulo 38 Cap. 39 Capítulo 39 Cap. 40 Capítulo 40 Cap. 41 Capítulo 41 Cap. 42 Capítulo 42 Cap. 43 Capítulo 43 Cap. 44 Capítulo 44 Cap. 45 Capítulo 45 Cap. 46 Capítulo 46 Cap. 47 Capítulo 47 Cap. 48 Capítulo 48 Cap. 49 Capítulo 49 Cap. 50 Capítulo 50 Cap. 51 Capítulo 51 Cap. 52 Capítulo 52 Cap. 53 Capítulo 53 Cap. 54 Capítulo 54 Cap. 55 Capítulo 55 Cap. 56 Capítulo 56 Cap. 57 Capítulo 57 Cap. 58 Capítulo 58 Cap. 59 Capítulo 59 Cap. 60 Capítulo 60 NOVO
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