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O Leão
Capítulo 5 de 30
Capítulo 5
✍️ Marcelo Delpkin ·📅 14 Aug. 2019 ·👁 1 leituras

CENA 01. MANSÃO IVAN. SALA JANTAR. INT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

ALBERTO (assustado) Você não pode estar falando sério? Doutor Ivan, você vai sujar ainda mais a memória do seu filho fazendo isso.

IVAN Mais sujo de sangue do que já está, impossível. Não posso ficar aqui de mãos atadas, assistindo o nome do meu menino ser malhado como judas. Eu não aceito... (raiva) Eles não me conhecem, Alberto. Vou fazer todos se ajoelharem a meus pés.

ALBERTO Isso se você não for destruído antes.

IVAN Ninguém é capaz de derrotar um pai com sangue nos olhos. As hienas tentam comer os filhotes, mas o leão sempre põe pra correr. É a lei da natureza, Alberto.

Alberto com expressão mais assustada ainda, não reconhece o patrão. Ivan volta a comer. Expressão de ódio e rancor nos olhos.

CENA 02. MANSÃO HELENA. FRENTE. EXT. NOITE.

Sonoplastia: Viagem – Nova Era. Anoitece. Tempo nublado, próximo de chover.

CENA 03. MANSÃO HELENA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

Helena e Raul discutem como sempre, de pé perto da mesa.

HELENA Raul, já depositei uma boa quantia na sua conta, como você pediu. O que você quer mais? Não vê que tenho muito o que fazer?

RAUL Helena, não seja injusta. Só vim te dar um beijo... Relembrar os velhos tempos... Você bem que podia voltar pra mim. Somos um casal perfeito.

HELENA Perfeito? Mas é muita petulância você querer ficar comigo a essa altura. Estamos separados e não pretendo mudar isso. Nosso casamento não deu certo, lembra? Aliás, nem sei o que meu pai viu em você pra me obrigar a casar.

RAUL Minha lábia. Charme, esperteza, savoir-faire...

Raul se aproxima devagar. Acaricia o pescoço dela e tenta beijá-la. Helena se esquiva.

HELENA Nem tenta!

RAUL Se faz de difícil, mas é só frescura. Você não resiste a mim. Nem a sua hóspede, aquela loira bonita, resistiu.

HELENA (irritada) Você não teve a audácia de...

RAUL E ela gostou. Dei carona a ela, se quer saber. Mas não se irrite. Ela não chega a seus pés.

Raul aproxima-se novamente e desta vez consegue beijá-la. Tenta desabotoar a blusa de Helena. Ela se esquiva e dá um tapa nele.

HELENA Abusado! Sai da minha casa agora, antes que...

RAUL (corta, cínico) Admite que você gostou. Amor, se você voltar pra mim, prometo fazer da sua vida um ninho de amor.

HELENA (grita) Já falei FORA!!!!!

RAUL Tá bom, eu vou. Mas não pensa que vai se livrar de mim tão cedo.

Raul manda beijo e sai. Helena irritada.

CENA 04. MANSÃO HELENA. SALA. INT. NOITE.

Raul em direção à saída; cantarola. Solange entra e dá de cara com ele. Raul galanteia a moça.

RAUL Você de novo? Que surpresa?

SOLANGE É, acabei de voltar lá de casa. Tem mais alguém aqui?

RAUL Só a deusa. Digo, a Helena. Eu a amo muito, mas como ela é teimosa! Você bem que podia me ajudar a reconquistar. Ela foi com sua cara. (olha-a de cima a baixo) E eu também.

SOLANGE (sorri) Foi mesmo? Que sejamos bons amigos... (olha-o com desejo) ou... Vou subir. Foi bom te ver, Raul.

RAUL Até mais ver. (ela sobe as escadas) Gostosa!

Raul sai feliz da vida.

CENA 05. MANSÃO HELENA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

Helena conversa com Nelson no tablet, em chamada de vídeo. Ela está sentada na cadeira.

NELSON (vídeo) Mas você não vai mesmo cobrar aqueles milhões da noiva dele?

HELENA Como, Nelson? A moça nem sabia do roubo, esqueceu? Quanto mais onde Mário teria enfiado o dinheiro. Também acho covardia tomar do pai dele, por mais milionário que seja. Ele não merece pagar pelo crime do filho. Além do mais, a polícia vai descobrir onde está o dinheiro.

NELSON (vídeo) E se não descobrir? Não dá para ser bom samaritano nessas horas. Como você mesma diz, é patrimônio da sua família. Cobre o homem e recupere seus bens. E depois, se descobrirem onde o roubo está, devolve a ele. Ele é o responsável pelos atos do filho morto.

HELENA Também não é assim, Nelson. Se fosse com a Letícia, você gostaria de ser condenado pelos erros dela? Penso muito no meu filho, nessas horas. Não vamos atingir Ivan Rangel, e está decidido. Se o dinheiro for descoberto com ele, aí sim a gente age.

Virgínia entra para falar com a mãe.

VIRGÍNIA Mãe, vou sair com umas amigas para aquela festa.

HELENA Da Mayara Campos de Siqueira, não é? Podia ir com uma roupa melhor, não? Esse vestido é muito cafona.

VIRGÍNIA Mãe, só vão as meninas lá da escola. Não vou me emperiquitar só pra isso. Tchau!

A menina sai. Helena continua a conversa com Nelson.

NELSON (vídeo) Helena, deixa sua filha. É só uma festinha qualquer. Letícia também teve essa fase.

HELENA Não deixo. Ela já está se tornando uma mulher, e tem que começar a agir como tal. E a sua filha sempre foi madura nessas coisas. Bonita e elegante, como boa moça de sociedade.

NELSON (vídeo) Ah, tá? E por acaso você não lembra daquela fase gótica da Letícia? Toda de preto e com cabeça raspada? Pare de ser tão sisuda com tudo, Helena.

HELENA (desdém) Vou tentar.

CENA 06. APARTAMENTO LETÍCIA. SALA. INT. NOITE.

Letícia e Marcos no sofá. Olham uma foto da fase gótica dela. Ele fica surpreso.

MARCOS Não pode ser. Essa não é você.

LETÍCIA Pode acreditar, sou eu mesma. Minha mãe ainda era viva. Ela ficava apavorada toda vez que eu raspava a cabeça, colocava esses piercings. (ri) Eram bons tempos. E você? Teve a fase de rebeldia?

MARCOS Quem dera? Minha mãe nem deixava. Ela torce o nariz até pra música clássica da Vivi. Até hoje ela não sabe nem que fui ao puteiro com quinze anos. Ai, meu Deus, me desculpa, não devia...

LETÍCIA Tudo bem, meu pai já me contou essa história umas quinhentas vezes. Ele e seu pai te levaram pra perder a virgindade com uma mexicana.

MARCOS Doutor Nelson te conta essas coisas? Nossa...

LETÍCIA Pior foi o dia em que ele esqueceu a porta do banheiro aberta. Eu estava morrendo de cólica. Corri pro banheiro e o flagrei to... fazendo aquilo. Que mico. (eles riem, ela volta para a foto) Então, nessa época aqui, eu dormia até em cemitério. Uma vez foi em cima do túmulo do pai de um ex-namorado. Outra vez, comemorei o aniversário de uma amiga na área dos indigentes, ouvindo Nightwish. São mil e uma histórias.

MARCOS E eu sempre fui muito certinho. Bom aluno, boas notas, modelo de comportamento, modelo de empresário. Às vezes eu gostaria de fazer loucuras. Mas é o nome da rainha Helena do reino de Bellatex pesando nas minhas costas.

LETÍCIA E o nosso casamento faz parte disso. (pausa) Me diz uma coisa. Se você pudesse, romperia nosso noivado?

CENA 07. SÃO PAULO. EXT. DIA.

Sonoplastia: Johnny Love – Metrô.

Letreiro: “Uma semana depois”.

Imagens do trânsito de São Paulo em alguns pontos. Tempo de sol.

CENA 08. APARTAMENTO SÉRGIO. SALA. INT. DIA.

Apartamento de luxo no Jardins. Sérgio sentado numa escrivaninha atrás do sofá, digitando um relatório no notebook.

SÉRGIO Isso não está bom. Vou inverter os parágrafos. (toca a campainha) Mas quem será a essa hora? Hum... Tudo salvo.

Fecha a tampa do notebook e abre a porta. A princípio não reconhece o homem, mas logo se dá conta de quem é.

SÉRGIO Ivan? É você mesmo?

IVAN Sérgio! Há quanto tempo a gente não se via, meu amigo?

SÉRGIO Há uns quinze anos. Desde que a Vera... Vamos, entra.

Ivan entra e abraça o outro. Sérgio fecha a porta. Ambos se sentam no sofá.

SÉRGIO E então? Você sumiu desde então, não deu mais notícias. Como vai a vida lá em Petrópolis, naquele paraíso?

IVAN A mesma vidinha simples numa casinha branca em meio ao mato. É um sonho. Qualquer dia te levo lá. Você nunca visitou, se eu me lembro bem.

SÉRGIO Não mesmo. Soube que o Mário está aqui em São Paulo, como ele está?

Ivan fecha a cara, melancólico.

SÉRGIO Ivan, que cara é essa? Vocês brigaram? Os dois sempre foram muito apegados.

IVAN Você não soube, Sérgio? Saiu em tudo que é jornal, TV, site.

SÉRGIO Não tenho estado com tempo pra ler nada. Estou até a goela de tanta coisa pra fazer. Um julgamento atrás do outro. (pausa) Não vai me dizer que...

IVAN Da pior forma.

CENA 09. MANSÃO HELENA. PISCINA. EXT. DIA.

Solange está de roupão e óculos escuros. Senta num banco para pegar sol. Depois de um tempo, percebe que Marcos está na piscina.

SOLANGE Ai, meu Deus, não vi você aí.

MARCOS Não tenha medo. Vem, entra.

SOLANGE Não deveria. Imagina se sua noiva pega a gente junto.

MARCOS É só um banho de piscina, Solange.

Solange olha para um lado e outro, para ver se tem alguém por perto. Ela tira o roupão, ficando só de biquíni. Entra na piscina. Marcos se aproxima dela.

SOLANGE E então, Marcos? Pensou no que te disse no outro dia?

MARCOS No quê, mesmo?

Ela vê se tem alguém por perto. Ela se aproxima de Marcos e o beija demorada e sensualmente. Sonoplastia: sensual. Marcos corresponde. Nágila aparece sem ser percebida e vê o beijo. Sonoplastia: suspense. Fica chocada. CORTE RÁPIDO.

CENA 10. APARTAMENTO SÉRGIO. SALA. INT. DIA.

Continuação da cena 08.

SÉRGIO (chocado) Vingança!?

IVAN E você vai me ajudar. Pela amizade que temos desde crianças. Você é o padrinho de Mário, portanto sei que posso contar com você.

SÉRGIO Mas vingança é algo muito sério, Ivan. Por que não espera que a justiça seja feita?

IVAN Que justiça? Aquela que condena meu filho com base num papel qualquer tirado do computador dele? Nem se sabe se o roubo foi feito dali mesmo. Qualquer hacker poderia fazer isso. E é o que quero descobrir. Sérgio, pelo amor de Deus, me ajuda!

Sérgio pensativo por um instante.

SÉRGIO Tá bem! E o que tenho que fazer?

IVAN É simples. Arruma pra mim uma exposição de quadros. Trouxe vários de Petrópolis. Vou aproveitar pra vender, e assim me aproximar dos elementos que conviveram com meu filho. Me infiltro na vida deles. Fico íntimo. Descubro os segredos, e a verdade logo aparece.

SÉRGIO Ivan, isso é muito arriscado.

IVAN Nada é arriscado em nome de um filho, Sérgio. Me ajuda!

CENA 11. MANSÃO HELENA. PISCINA. EXT. DIA.

Continuação da cena 09, mantendo a sonoplastia de suspense.

Nágila observa o beijo de Solange e Marcos. Ela sai sem ser vista. O beijo termina. Fim de sonoplastia.

MARCOS Não devia ter feito isso, a Letícia...

SOLANGE Se você a amasse, não me beijaria. Para de fingir pra agradar sua mãe. Letícia não é mulher pra você. Só Helena não percebe isso.

MARCOS As coisas não são simples assim, Solange. (pausa) Tenho que ir.

SOLANGE Marcos, fica...

Marcos sai da piscina. Pega a roupa do chão e sai. Solange também sai da piscina. Fala sozinha, sorridente.

SOLANGE Você está louquinho por mim, Marcos. Em breve você será meu. A casa será minha. Tudo será meu. (gargalha)

CENA 12. APARTAMENTO IVAN. SALA. INT. DIA.

Ivan e Sérgio entram no apartamento do pintor.

SÉRGIO Quer dizer que agora somos vizinhos?

IVAN É só atravessar a rua. Foi fácil achar um bom apartamento aqui. Olha ali na parede.

Ivan mostra o quadro que fez para o filho, pendurado entre dois janelões.

SÉRGIO Um autorretrato? Quando você pintou?

IVAN Terminei quando Mário partiu. Eu ia dar de presente no dia do prêmio como empreendedor do ano. Era o grande favorito. E agora, nem citado pôde ser.

O celular toca. Sérgio atende.

SÉRGIO Tudo bom. Sim, te liguei ainda há pouco. É que tem um amigo aqui comigo querendo fazer uma exposição de quadros... Ivan Rangel... O mais rápido que conseguir... (a Ivan) Sábado, três de fevereiro?

IVAN Perfeito. Não, não dá. Parece que o herdeiro da Bellatex se casa nesse dia, vai ser um grande evento.

SÉRGIO (no telefone) Ele não pode... (a Ivan) Sexta, dia dois?

IVAN (sorri) Ótimo! Confirma.

SÉRGIO (no telefone) Pode ser... Marcado... Peço a ele pra passar aí pessoalmente... Obrigado. Passar bem.

Sérgio desliga o telefone. Ivan esbanja algum sorriso de boca, de satisfação. Closes alternados entre os amigos.

CENA 13. BELLATEX. SALA HELENA. INT. DIA.

Letreiro: “Dias depois”.

Helena e Nelson despacham na sala. Magda bate à porta e entrega umas correspondências a Helena. Esta abre uma a uma.

HELENA Vejamos... faturas, documentos, papéis... O que é isso? (abre um envelope azul) Exposição de quadros de Ivan Rangel. (lê) Na véspera do casamento.

NELSON Sem condições!

HELENA Magda, confirma presença, por favor.

NELSON Helena, ele é o pai do...

HELENA (corta) E você vai comigo. Faço questão de presenciar e dar apoio. Responsabilidade social da empresa, não esqueça. E nem um piu sobre o roubo.

NELSON Você está arrumando corda pra se enforcar, Helena. Depois não vem falar que ninguém te avisou.

CENA 14. ATELIÊ DAS NOIVAS. PROVADOR. INT. DIA.

Sonoplastia: elegante. Letícia prova o vestido de noiva. A costureira faz um ajuste aqui, outro ali. A estilista conversa com Virgínia e com a costureira.

COSTUREIRA Você não parece muito animada para o casamento.

LETÍCIA Está tão na cara assim?

VIRGÍNIA Ainda há tempo de desistir. Marcos também não quer. Ele até tem andado muito junto da Solange.

LETÍCIA Da Solange? Como assim?

VIRGÍNIA Ontem no jantar eles estavam conversando animados. A Nágila, lá do canto, fez uma cara.

Marcos entra apressado com a mochila que Virgínia teria esquecido em casa. Vê Letícia com o vestido.

MARCOS Virgínia, seu material!

VIRGÍNIA (desespero) Marcos, o que você está fazendo? Sai daqui.

COSTUREIRA Não sabia que olhar a noiva com vestido antes da hora traz má sorte?

A menina arrasta o irmão para fora.

CENA 15. MANSÃO HELENA. SALA JANTAR. INT. DIA.

A família almoça. Helena já soube do ocorrido e explode.

HELENA Eu não acredito que você fez esse deslize, Marcos! Isso pode destruir seu casamento.

MARCOS Foi mal, mãe, desculpa.

SOLANGE (cínica) Helena, não se preocupa, é tudo crendice. Conheço muita gente que fez bom casamento, apesar disso. Teve um caso em que o noivo escolheu o vestido da noiva, e eles estão juntos até hoje.

HELENA É, Solange. Pode ser. Mas não quero arriscar. Que isso não se repita. Ouviu, Marcos?

MARCOS Tá bom, mãe. Só fui levar o material que a Virgínia esqueceu.

HELENA Outra irresponsável. Vocês tiveram o pai a quem puxar. Marcos, é o nome...

MARCOS (completa) Da Bellatex que não pode ser manchado. Já sei.

FADE TO BLACK.

CENA 16. PRAÇA DA SÉ. EXT. DIA. (PESADELO)

Sonoplastia: suspense. FADE IN.

Ambiente começa com muita fumaça, que se espalha até a nitidez. Personagens e muitos figurantes com figurino escuro de Idade Média. Exceção de Ivan, que usa roupa branca e atual. Cenografia também representa a Idade Média.

Mário anda pela praça. De repente, várias pessoas o cercam, querendo matá-lo: Solange, Pedro, Helena, Marcos, Raul, Nelson, guardas. Mário desesperado, suando frio, pálido. Dois soldados o pegam e prendem em um toco no meio da praça. Praça lotada de curiosos. Mário cada vez mais desesperado. Ivan aparece, um pouco longe ali. Vê o desespero do filho. Alberto tenta segurar o patrão, mas Ivan se solta e corre até onde Mário está. É segurado por soldados. Alguém com roupa de morte se aproxima com um balde. Molha Mário com álcool. Põe fogo. Mário arde em chamas, gritando de desespero. Ivan se solta dos soldados e corre até Mário. O fogo em Mário acaba. Arrasado, Ivan abraça o filho carbonizado. Mário se desmancha em pó e carvão, sujando toda a roupa do outro. Escorre sangue dos olhos de Ivan, que lança olhar vingativo para os demais.

CENA 17. APARTAMENTO SÉRGIO. SALA. INT. DIA.

Ivan dormindo no sofá, porém muito agitado. Acorda e dá um grito apavorado. Sérgio entra correndo e acode o primeiro.

IVAN Tive um pesadelo horrível.

SÉRGIO Vou pegar água com açúcar pra você. Me espera aí.

Sérgio corre para a cozinha. Ivan segue ofegante.

CENA 18. APARTAMENTO SOLANGE. SALA. INT. DIA.

Solange e Pedro sentados no sofá. Ela fala, enquanto ele beija sua boca e seu pescoço.

SOLANGE Soube de uma bomba ainda agora. O babaquinha pegou a noiva com o vestido do casamento, acredita?

PEDRO Puts, que sorte, hein? (ri) Só que não.

SOLANGE Agora ficou moleza dar o golpe. Vai ser na exposição.

PEDRO Naquela do pai do Mário? Você não devia se arriscar tanto, gata.

Sonoplastia: suspense.

SOLANGE Relaxa, já pensei em tudo. Vou arrastar o filhinho da mamãe pro banheiro, trepo com ele e faço a “Cocô de Chanel” pegar a gente. Eu me faço de coitadinha de novo, e a madame vai achar que o filhinho quis abusar de mim. E ela o obriga a casar comigo. (gargalha) Sou ou não sou demais?

PEDRO Sim, você é.

Solange gargalha. Pedro volta a beijá-la. Foco em Solange e seu sorriso sarcástico.

EFEITO DE FIM DE CAPÍTULO: imagem congela. Sonoplastia: rugido de leão.

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