NOVA CHANCE PARA AMAR
Novela de Ramon Silva
Escrita Por:
Ramon Silva
Direção Geral:
Wellington Viana
PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO
BEATRIZ
BELINHA
ELISA
GABRIELA
GUILHERME
GUSTAVINHO
JOSIAS
KLÉBER
LAURA
MARCELO
MAURÍCIO
MOREIRA
RAMIRO
REGINA
RICK
RODRIGO
SÉRGIO
SEVERO
VIVIANE
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:
MARÍLIA
CENA 01. BARRA DA TIJUCA. ORLA. EXT. NOITE. Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. Viviane se aproxima furiosa do casal e empurra o homem, que cai sobre a areia, ficando todo sujo. CAM mostra um homem com o cel. em mãos filmando toda a ação. VIVIANE — Escuta aqui seu infeliz! Casal completamente diferente de quem ela imaginava que fosse. Alguns curiosos param para olhar. MULHER — Quem é essa mulher, Alex? HOMEM — Eu não sei! MULHER — (Bate nele) É sua amante, é? Seu desgraçado! VIVIANE — (Sem graça) Não! Eu pensei que fosse meu marido. Desculpem. HOMEM — Eu nunca vi essa louca na minha vida! MULHER — (P/Viviane) Como você chega empurrando o noivo dos outros desse jeito? VIVIANE — Desculpe. Eu pensei que fosse meu marido. Se bem que eu não achei nada de que ele pode estar me traindo. MULHER — Olha, nesse ponto eu te entendo. Só toma mais cuidado da próxima vez que for abordar os outros. HOMEM — Pois é! Fiquei todo sujo. VIVIANE — Mais uma vez, me desculpem! Viviane se afasta toda sem graça e o casal fica ali a conversar fora de áudio. CORTA PARA O CARRO PARADO: Rick do lado de fora. RICK — O que aconteceu, dona Viviane? Quem era aquele casal? VIVIANE — Não interessa! Entre nesse carro e me leve de volta pra casa! Ela entra, Rick fecha a porta, entra e o carro se afasta. CORTA PARA: CENA 02. FÁBRICA. CASA REGINA. SALA. INT. NOITE. Continuação da cena 21 do capítulo anterior. Clima de tensão! Sérgio diante de Belinha e Regina. REGINA — O que você tá fazendo aqui, Sérgio? Você não pode vir aqui em casa! SÉRGIO — Regina, a gente precisa conversar a sério! REGINA — (P/Belinha) Belinha, você pode ir para o quarto, por favor? Eu preciso conversar com seu pai. BELINHA — Nada disso! Eu também quero saber o que vocês dois tem em segredinho! SÉRGIO — Filha, não dificulta as coisas. Faz o que a Regina tá pedindo. BELINHA — Não! Eu tenho o direito de saber o que está acontecendo! CORTA PARA: CENA 03. APART GABRIELA. SALA. INT. NOITE. Continuação da cena 20 do capítulo anterior. Gabriela e Guilherme ali na porta. GUILHERME — Eu posso entrar? GABRIELA — Claro. (Ele entra e ela fecha a porta) GUILHERME — Eu queria muito que/ GABRIELA — (Corta) Espera, Gui. Gabriela olha para Marília. MARÍLIA — Que foi? (Cai na real) Ah, a senhora quer conversar a sós. (Reclama) Agora que a vilã ia se dar mal. Amanhã eu vejo na reprise. Marília vai para o quartinho. GABRIELA — Obrigado, Marília. (P/Guilherme) Sente-se. (Os dois se sentam) GUILHERME — Eu queria muito, do fundo do meu coração, que você me desculpasse. GABRIELA — Tudo bem, Guilherme. Você agiu de cabeça quente, eu realmente errei. GUILHERME — (Pega na mão dela) E agora vamos fazer a coisa certa e juntos. GABRIELA — (Acaricia o rosto dele) Obrigado por todo esse apoio. Eu sozinha com todos esses problemas, não sei se daria conta. GUILHERME — Mas agora vamos trabalhar juntos! CORTA PARA: CENA 04. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. Beatriz e Ramiro ali sentados. BEATRIZ — No jantar quero conversar com você sobre os detalhes do lançamento da coleção de inverno. RAMIRO — Não é melhor deixarmos para discutir isso na reunião? BEATRIZ — Pode até ser. Mas quando será essa reunião? RAMIRO — Essa semana ainda. Só estou esperando a confirmação da presença de todos os acionistas. Viviane ainda em choque chega da rua. BEATRIZ — O que aconteceu, minha filha? RAMIRO — Essa não! Descobriu o que não queria? VIVIANE — Passei a maior vergonha de toda a minha vida. BEATRIZ — Como assim? VIVIANE — Eu estava indo pra empresa, quando vi um casal de costas sentado num dos bancos da orla. Manei o Rick imediatamente parar o carro e fui até o casal, empurrei o homem, mas não era o Rodrigo. RAMIRO — (Sorrir) Mas essa cena deve ter sido hilária! BEATRIZ — Filha, eu já falei pra você parar com essa obsessão! Ramiro me falou que o Rodrigo está na empresa trabalhando. RAMIRO — Pelo menos ele falou que ficaria, agora, se ele realmente ainda estiver lá, eu não sei. BEATRIZ — (Faz sinal para Ramiro parar) Você foi na empresa? VIVIANE — Não. Depois dessa vergonha em público, eu achei melhor voltar pra casa. BEATRIZ — Fez bem, minha filha. VIVIANE — Mas será que o Rodrigo está mesmo na empresa? Pode ser que esteja lá ou em outro lugar. Vá saber! CORTA PARA: CENA 05. BARRA. RESTAURANTE. INT. NOITE. Clima chique e sofisticado. CAM passeia pelo restaurante até chegar à mesa de Rodrigo e Elisa. Jantar servido, champanhe a mesa. ELISA — Você sabe que eu não me sinto muito confortável em ambientes chiques como este, né, Rodrigo? RODRIGO — Eu sei. Mas na hora H você desistiu da praia. Lá era bem melhor que você poderia se sentir mais à vontade. ELISA — Praia só ia me sujar de areia. Que ocasião estamos comemorando? RODRIGO — Como assim? É o nosso primeiro jantar em quinze anos. (Pega na mão de Elisa) E eu queria te falar uma coisa. ELISA — (Tira a mão da mesa) Pode falar. RODRIGO — Eu andei pensando bastante e vou pedir o divórcio. A gente vai pode ficar juntos, Elisa! Formar a nossa família que sempre foi o nosso sonho ELISA — Você tá louco, Rodrigo?! Eu jamais me casaria com você! Fecha em Rodrigo sem entender a reação de Elisa. Instantes. Suspense. CORTA PARA: CENA 06. FÁBRICA. CASA REGINA. SALA. INT. NOITE Continuação não imediata da cena 02. Sérgio ali de pé, aflito. Regina volta do quarto. REGINA — Pronto! Com Belinha trancada no quarto, a gente pode conversar. SÉRGIO — Dona Regina, o plano da senhora me parecia bom. Mas ele não contava com uma coisa. REGINA — O quê? SÉRGIO — Que o Kléber fosse querer que eu fizesse provas de lealdade. REGINA — Como assim? SÉRGIO — Ele quer que eu prove que realmente quero acabar com a senhora! REGINA — Ele disse como seria essa prova de lealdade? SÉRGIO — Ainda não porque a senhora passou aquele rádio. Mas ele disse que depois do tal evento, vou ter que provar que realmente estou do lado dele. REGINA — Então prove que está do lado dele! SÉRGIO — Mas como, dona Regina? Eu nem imagino o que o Kléber vai me mandar fazer. E se ele quiser que eu mate alguém? (Pausa) Ainda tem o Moreira que fica jogando lenha na fogueira. REGINA — Esse desgraçado do Moreira! Pensei que depois da nossa conversa, ele tinha entendido o que vai acontecer! CORTA PARA: CENA 07. BARRA. RESTAURANTE. INT. NOITE. Continuação imediata da cena 05. RODRIGO — Como assim: jamais casaria comigo? Eu pensei que você ainda gostava de mim. ELISA — Eu gosto... Amo você, Rodrigo. RODRIGO — Mas e então? Eu não entendo porque você disse isso. ELISA — Você sabe muito bem que nada é tão fácil. RODRIGO — Mas agora o que é que nos impede? Quinze anos atrás era a guerra das famílias. E agora, o que é? ELISA — Agora você é casado, que tem uma vida estável. Não quero que você largue tudo por minha causa! RODRIGO — Elisa, pelo amor de Deus! Se você for levar em conta as dificuldades antes de qualquer coisa, você sempre vai hesitar! Não existe nada que não tenha problemas! Acho que o importante é um sentir confiança no outro. Mas você tá agindo completamente ao contrário! ELISA — Rodrigo, entenda uma coisa: você é casado com a filha da minha patroa. Que me odeia por sinal. Eu preciso daquele emprego! RODRIGO — Eu sei que você precisa daquele emprego. Mas mesmo assim eu não entendo porque você tá fazendo isso. ELISA — Eu não quero viver sendo “a outra”. A sua esposa é a Viviane! RODRIGO — Tudo bem, Elisa. Mesmo não entendendo, eu vou respeitar a sua decisão. ELISA — Obrigada. Os dois continuam a jantar. Clima desconfortável para ambos. Instantes. CORTA PARA: CENA 08. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE. Laura e Gustavinho sentados assistindo TV. Severo vem do quarto sério e sai para a rua. GUSTAVINHO — O que o vô tem? LAURA — Olha, Gustavinho. Não é porque ele é seu avô, que eu não vou deixar de ser realista contigo. GUSTAVINHO — Vocês brigaram? LAURA — Seu avô é insuportável! Aliás, ele já era. Mas agora que tá ficando velho, tá pior! GUSTAVINHO — Pelo visto brigaram e feio! LAURA — (Indignada) Briguei mesmo! Véio mais insuportável! Não posso nem sair na rua e falar com quem eu quero porque a mamãezinha dele não hesitava de pular por aí no quarto dos outros! Fecha em Gustavinho, que mesmo não entendendo, sorrir. CORTA PARA: CENA 09. MANSÃO VIEIRA. QUARTO MARCELO. INT. NOITE. Marcelo ali analisando algo no caderno. Ramiro entra. RAMIRO — Pode entrar? MARCELO — Entra pai. RAMIRO — E então, como vai a letra da música? MARCELO — Pronta. RAMIRO — (Impressionado) Mas já? MARCELO — Comigo é assim mesmo, pai. Pediu, eu faço rápido. RAMIRO — Quem dera você fizesse os relatórios que eu peço tão rapidamente assim. MARCELO — Que isso, pai? Tá querendo acabar com a harmonia, é? RAMIRO — Não. Deleta esse comentário. Posso dar uma olhada? MARCELO — Claro. RAMIRO — Aliás, canta pra eu ver. Marcelo pega o vilão e começa a tocar. MARCELO — (Canta) Olha como ela entra na passarela Maravilhosa dos pés à cabeça Elegante, poderosa ela vem. Vira e faz um charme para os flashes Que disparam pra ela. Maravilhosa! De costas, ela continua diva e arrasa! RAMIRO — (Feliz, orgulhoso) Adorei, meu filho! Com certeza isso vai ser um sucesso e destaque junto da coleção! MARCELO — Que bom que o senhor gostou, pai! RAMIRO — Eu não falei que chegaríamos a um meio termo? Você continua fazendo o que gosta e está na empresa. (Tem ideia) Vou levar a letra pra Beatriz. MARCELO — Aquela lá vai rejeitar como sempre! Tudo que eu faço não presta, é coisa ruim! RAMIRO — Ela que ouse falar mal da letra que eu vou resistir até ela tocar junto com as modelos desfilando! Ramiro pega o caderno e sai. Marcelo sorrir, feliz de o pai ter se agradado de algo feito por ele. Instantes. CORTA PARA: CENA 10. FÁBRICA. CASA REGINA. SALA. INT. NOITE. Sérgio e Regina ali. REGINA — Tudo bem, Sérgio. Eu entendo o seu desespero. Conhecendo o Kléber, eu sei que pode ter alguma coisa absurda de morte ou até de ferir alguém de alguma forma. SÉRGIO — O que eu faço, dona Regina? REGINA — Olha, eu posso tentar impedir. Mas eu também não posso me impor tanto, pra que eles não desconfiem de nada. SÉRGIO — Tá. Então se eu tiver que matar alguém, eu vou ter que matar, é isso? REGINA — Você tem que se manter firme que eu vou ver o que posso fazer. Até lá, vou dando meu jeito de impedir que ele te peça algo. Atenção Sonoplastia: risadas de homens, vindo de fora da casa. SÉRGIO — (Desesperado) É o Kléber, dona Regina! O que eu faço? REGINA — (Pensa) Vai pro quarto da Belinha. A chave tá na porta. Se tranca com ela lá até eu disser que é seguro sair. Sérgio corre para o quarto. Regina se senta e age naturalmente. Kléber e Moreira entram. KLÉBER — Regina, eu convidei o Moreira pra jantar com a gente hoje. Tudo bem pra você? REGINA — Claro. Moreira é sempre bem-vindo nesta casa! Regina olha séria para Moreira, que fica meio nervoso. Instantes. CORTA PARA: CENA 11. BARRA. RESTAURANTE. FRENTE. EXT. NOITE. Elisa sai e Rodrigo vem atrás. Ele com a pasta em mãos. RODRIGO — Ei, Elisa. Também não precisava sair do restaurante desse jeito. ELISA — Foi um erro ter vindo! RODRIGO — Tudo bem. Você não é obrigada a nada. Mais uma vez a mesma história se repete. ELISA — (Não entende) Como assim? RODRIGO — Igual quando eu fui praticamente forçado a embarcar pra França. Lembra do que você me disse? CORTA RÁPIDO PARA: CENA 12. CANARINHO. PRAÇA. EXT. NOITE. INSERT de partes da cena 05, do capítulo 04. (...) Josias se afasta. Elisa vai para a asa do canarinho. Rodrigo ali escondido. RODRIGO — (Abraça-a) Que bom que você veio, Elisa! ELISA — O que está acontecendo, Rodrigo? RODRIGO — Meu tio ligou pro meu pai e agora ele quer que eu vá morar com ele na França. ELISA — Seu pai mora na França? RODRIGO — Mora. Eu nunca comentei nada contigo porque eu não gosto de falar sobre isso. ELISA — Mas se ele é seu pai, você tem que ir. RODRIGO — Mas é um pai que nunca veio me visitar! Ele nunca quis saber de mim. ELISA — Mas e se agora for diferente? RODRIGO — Eu tenho 17 anos. Ano que vem fico de maior. Dono do meu próprio nariz. ELISA — Mas agora ele é quem manda em você. RODRIGO — Elisa, eu não quero te deixar. ELISA — Rodrigo, eu não quero que você deixe de ir por minha causa. Se eu estiver sendo um atraso na sua vida, eu saio dela. RODRIGO — Elisa, não fale isso! Você não é atraso nenhum! Eu te amo! ELISA — Eu também te amo, Rodrigo. E justamente por te amar, eu acho que você deve ir sim morar com seu pai. Lá na França você vai ter melhores condições de vida, talvez... RODRIGO — Eu não quero ir! Josias acha os dois. JOSIAS — (Puxando-o pela blusa) Você vem comigo, moleque! RODRIGO — (Se solta das mãos do tio) Me larga tio! Eu preciso conversar com a Elisa primeiro. JOSIAS — Não temos tempo pra isso! Seu voo sai daqui à uma hora. ELISA — Vai, Rodrigo. Você tem o meu número. Quando puder, me liga. RODRIGO — Tá bom. Rodrigo se aproxima de Elisa e tasca um beijão apaixonado nela. Instantes. Romance. JOSIAS — (Puxando-o) Vambora moleque! Os dois seguem se afastando. Elisa triste. Josias entra num táxi com Rodrigo e se afasta. CAM mostra Rodrigo da janela do táxi a olhar Elisa. Instantes. Fim do insert. CORTA PARA: CENA 13. BARRA. RESTAURANTE. FRENTE. EXT. NOITE. Continuação da cena 11. RODRIGO — Você sempre pensa nos outros antes de pensar em si mesma! ELISA — Como você pode falar uma coisa dessas? Justamente por amar você, que eu te apoiei em ir morar com seu pai. Mas agora as coisas são diferentes! RODRIGO — Diferentes por quê? Você não me ama mais, é isso? ELISA — A questão não é essa Rodrigo! Naquela época éramos dois jovens inexperientes, sonhadores... Agora não! Somos adultos, com responsabilidades, você é casado! RODRIGO — Tudo bem, Elisa. Se você realmente prefere que eu continue casado com a Viviane, assim será! Elisa dá um beijo no rosto de Rodrigo e vai caminhando. Ela de costas para ele para por um instante, quase vira para olhar o amado, mas hesita e segue caminhando. Close em Rodrigo inconformado. Instantes. CORTA PARA: CENA 14. CASA JOSIAS. FRENTE. EXT. NOITE. Atenção Sonoplastia: Instrumental suspense. CAM subjetiva escondida atrás de uma árvore. Jô vem se aproximando distraído e para frente ao portão. JOSIAS — (P/si) Essa não! Será que eu deixei as chaves no bar? Ele procura nos bolsos. CAM subjetiva sai do esconderijo e vem se aproximando, coloca a mão no ombro de Jô, que se assusta. JOSIAS — (Assustado) Que isso? É assalto? (Olha) Você? CAM revela que se tratava de Severo. SEVERO — Nós temos muito que conversar (desdém) Garcia mau-caráter! Fecha em Jô olhando com desprezo para Severo. Instantes. Suspense. Tensão. CORTA PARA: CENA 15. MANSÃO VIEIRA. SALA DE JANTAR. INT. NOITE. Ramiro, Beatriz e Viviane sentados à mesa jantando. Beatriz com o caderno a olhar a letra da música. BEATRIZ — (Debochada) E isso aqui lá pode ser considerado uma letra de música? É um lixo! RAMIRO — Sendo um lixo ou não, essa música que vai tocar na hora do desfile! BEATRIZ — Você só pode ter perdido todos os sentidos, Ramiro! Em que universo uma música como esta toca nos desfiles? VIVIANE — Normalmente são instrumentais. BEATRIZ — Exatamente! RAMIRO — Ah, sim. E as duas dondocas vão ficar na mesma pra sempre? Não querem ser inovadoras pra chamar a atenção da mídia...? BEATRIZ — Eu não sei aonde eu estava com a cabeça, quando decidi que você seria o presidente da empresa. RAMIRO — Olha que eu respondo aonde essa cabeça tava! BEATRIZ — Você não seria tão desaforado! RAMIRO — Paga pra ver! VIVIANE — (Grita) Chega! Parem com isso! Deixa eu ver essa música. (Pega o caderno e olha) RAMIRO — Veja se não é uma boa música. VIVIANE — (Impressionada) Gente, mas isso aqui tem tudo a ver com o desfile. Nos dias de hoje, as mulheres são poderosas, independentes e a música deixa isso bem claro. Adorei! RAMIRO — Acho que alguém vai ter que dar o braço a torcer! BEATRIZ — Saiba que essa você só venceu, porque a Viviane gostou! Beatriz invocada levanta-se da mesa e vai para a sala de estar. Ramiro sorrir. CORTA PARA: CENA 16. CASA JOSIAS. FRENTE. EXT. NOITE. Continuação imediata da cena 14. JOSIAS — O que você tá fazendo aqui? SEVERO — (Intimidador) Vim te avisar pra ficar longe da Laura.! JOSIAS — (Debocha) Ou você vai fazer o quê? Me matar? SEVERO — Olha, até que não é uma má ideia! JOSIAS — (Debocha) Não poso fazer nada se os Borges não dão conta do recado e suas mulheres sentem atração pelos Garcia! SEVERO — (Furioso) Como é que é? Repete! Repete pra ver se eu não acabo com a sua raça! JOSIAS — Tem certeza que quer ouvir de novo? Acho desnecessário. Só você parar pra pensar. Das três gerações dessa família vocês tiveram que desviar um dos meus! SEVERO — Você é uma canalha! JOSIAS — Mas um canalha que a mulherada gosta pelo visto! Severo se descontrola e dá um soco no rosto de Jô, que cai batendo a cabeça no meio fio. Jô permanece desacordado. SEVERO — Agora vai dar um de que está desacordado! Acorda ou! (Dá um chutezinho em Jô) Levanta daí! (Preocupado) Levanta daí cara! (Se agacha e sacode Jô) Acorda! Acorda Garcia! (P/si, atordoado) Meu Deus... Eu matei ele. (Grita) Ajuda! Ajuda! Socorro! CAM mostra o táxi de Maurício se aproximando. Severo vai para o meio da rua e cerca o carro. Mauricio salta. MAURÍCIO — Que isso, Severo? O que tá acontecendo? SEVERO — Olha o Garcia caído aqui no chão! MAURÍCIO — Mas como aconteceu isso? SEVERO — Sei lá, cara. A gente tem que levar ele pro médico! Me ajuda! MAURÍCIO — Estranho você querer ajudar um Garcia, mas de boa. Maurício e Severo colocam Jô dentro do carro, entram e o táxi se afasta rapidamente. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 17. APART GABRIELA. SALA. INT. NOITE. Gabriela e Guilherme analisam as anotações antigas de Gabi. GUILHERME — Olhando tudo isso aqui, parece que você tinha tudo muito bem encaminhado. GABRIELA — É, mas só parece. (Pega o gravador) Guardo esse gravador até hoje. Tenho um grande carinho por ele. Meu companheiro de anos de pesquisas. Escuta esse áudio. Ela liga o gravador. GABRIELA — (OFF) Dermatologista pesquisadora da Ictiose, Gabriela Gonçalves para o relato de número 03. Após a descoberta da seiva de uma difícil e rara árvore na localização do bairro do Canarinho Amarelo. Comprovei que a seiva fresca da mesma resulta na melhora do quadro de Ictiose, mas ainda há muito que estudar. Devido à seiva fresca, uma grande melhora pode ser notada, porém, se a seiva não estiver fresca, a melhora não acontece. GABRIELA — Depois disso foram só frustrações. Melhor desistir de tudo. GUILHERME — (Acaricia o rosto dela) Ei. Não falei isso. Eu não disse que estou aqui pra te ajudar com isso? Você não está sozinha! Ela pega na mão dele e sorrir. Rola um clima. Os dois se beijam intensamente. Instantes. Romance. CORTA PARA: CENA 18. UPA. FRENTE. EXT. NOITE. Clima de tensão. Táxi de Maurício chega e para. Severo corre e pega uma cadeira de rodas. MAURÍCIO — Me ajuda aqui, Severo. Eles colocam Jô ainda desacordado na cadeira de rodas. E seguem para dentro da UPA. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 19. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. NOITE. Takes do Jockey Club, Lagoa Rodrigo de Freitas. Instantes. CORTA PARA: CENA 20. UPA. SALA VERDE. INT. NOITE. Jô ainda desacordado, agora com a cabeça enfaixada. Maurício e Severo entram e se aproximam. MAURÍCIO — Até agora não entendi como o Jô caiu e bateu com a cabeça. SEVERO — (Nervoso) Ele tava vindo caminhando e escorregou, foi isso. MAURÍCIO — (Desconfiado) Mas e você, Severo? SEVERO — O que tem eu? MAURÍCIO — O que você tava fazendo justamente ali pela rua da casa do Jô? Severo nervoso não fala nada. Jô resmunga algo. SEVERO — (Disfarça) Ele tá acordando. Jô abre o olho e sorrir ao ver Maurício, mas ao ver Severo, que acena pra ele, logo fica sério. MAURÍCIO — Parece que o Jô não se agradou em te ver, cara. Jô de supetão levanta da cama e pega Severo pelo pescoço, esgoelando ele. JOSIAS — Eu vou te matar! Seu Borges desgraçado! Não queria me matar? Agora quem vai morrer esgoelado é você seu Borges! MAURÍCIO — (Tenta apartar) Solta o cara, Jô! Para com isso! Maurício tentando apartar. Jô a segurar forte no pescoço de Severo, com a linguinha pro lado de fora. Instantes. Cômico. CORTA PARA:FIM DO VIGÉSIMO OITAVO CAPÍTULO