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Nova chance para amar
Capítulo 14 de 42
Capítulo 14
✍️ Ramon Silva ·📅 22 May. 2020 ·👁 0 leituras

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

EDILEUSA

ELISA

GUSTAVINHO

JOSIAS

KLÉBER

LAURA

MARCELO

MARCOS

MAURÍCIO

MOREIRA

NANDÃO

RAMIRO

REGINA

RICK

RODRIGO

SEVERO

SÉRGIO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

BANDIDO.

CENA 01. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA. Rodrigo, Viviane e Beatriz sentados. BEATRIZ          —    Que bom que vocês chegaram e já estão até reconhecendo o Rio. VIVIANE            —    Verdade, mamãe. Elisa vem da cozinha com uma bandeja que contém: uma jarra de água e quatro copos. RODRIGO         —    Pior que é reconhecendo mesmo, dona Beatriz. Algumas coisas mudaram, mas outras não mudaram nada. A beleza então continua a mesma BEATRIZ          —    (P/Elisa) Pode deixar que a gente mesmo se serve, querida. Volte para a cozinha. ELISA                —    Sim, senhora. Com licença. RODRIGO         —    Depois de quinze anos na França é bom voltar as raízes. Onde eu nasci, onde tudo aconteceu nas primeiras fases da vida. Elisa ao ouvir Rodrigo, para, reflete e vai para a cozinha. BEATRIZ          —    Rodrigo, meu genro... Tava até falando com a Viviane. Agora só falta você dizer que aceita a proposta do Ramiro e ficar de vez. RODRIGO         —    Eu sei, dona Beatriz. Mas ainda tô pensando no assunto. BEATRIZ          —    Que pensando o quê, rapaz? Não tem o que pensar não! Eles continuam a conversar fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 02. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA. Elisa ali de pé pensativa. Edileusa vem do quartinho de empregadas. EDILEUSA        —    Tá fazendo o que aí parada, Elisa? Termina logo isso aí que não podemos sair tarde daqui! ELISA                —    Tava aqui pensando... EDILEUSA        —    Deixa pra pensar depois, que a viagem daqui até o bairro do Canarinho não é mole, não! Elisa volta a limpar o chão. ELISA                —    (Limpando o chão) Só a condução já deixa a gente morta de cansaço. EDILEUSA        —    Nem fala, menina. Nandão vem pra esses lados quase todos os dias, mas eu prefiro nem pedir pra ele me trazer. ELISA                    (Limpando o chão) Por quê? EDILEUSA        —    Nandão tem andado meio estranho ultimamente... Quando peço alguma coisa até parece que é o fim do mundo. ELISA                —    (Para e arremata) Mas homem é assim mesmo. Por isso eu me separei do Marcos! EDILEUSA        —    Que isso, menina? Que babado é esse que você não em falou antes? Vai, derrama, conta mais. Elisa continua a falar e a limpar o chão fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 03. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA. Amanda trabalhando, inquieta ela olha para a janela do escritório de Regina a todo instante. Ela vê Sérgio vindo puxando um porta-palete pesadíssimo e corre para o bebedouro disfarçando. Sérgio segue se aproximando dela. AMANDA           —    Preciso falar com você! SÉRGIO             —    Tá maluca Amanda? Se verem a gente se falando vai dá problema! AMANDA           —    Se não fosse sério eu não me arriscaria, né, Sérgio?! SÉRGIO             —    Vai fala. AMANDA           —    Regina me chamou no escritório dela pra dizer que eu tenho caído na produção e tirou a Belinha de mim SÉRGIO             —    Como assim tirou a Belinha de você? AMANDA           —    Ela disse que a Belinha vai ficar com ela no escritório. SÉRGIO             —    Fazendo o quê? AMANDA           —    E eu que vou saber, homem?! SÉRGIO             —    Eu vou lá falar com ela agora! AMANDA           —    (Segura ele pelo braço) Não, Sérgio! Desafiar a Regina agora é o que a gente menos precisa. SÉRGIO             —    Mas e se ela fizer algum mau pra Belinha? AMANDA           —    Acho que ela não seria capaz! Até parece que ela simpatiza com a nossa filha. Moreira se aproxima. MOREIRA         —    Mas que significa isso aqui? Vamos trabalhar! AMANDA           —    Desculpa, Moreira! Amanda volta para seu posto de trabalho e Sérgio continua a puxar o porta-palete. Moreira a encarar Amanda. Instantes. CORTA PARA: CENA 04. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA. Marcos sentado pensativo. Jô volta da cozinha com duas coxinhas. JOSIAS              —    Uma coxinha é por conta da casa, Marcos. Mas ô, não acostuma não, hein! MARCOS          —    Valeu, Jô. JOSIAS              —    Que cara é essa? Te deixei aqui pra fritar as duas coxinhas e quando volto tu tá desse jeito? MARCOS          —    É que eu vi o Severo saindo e fui falar com a Elisa. JOSIAS              —    E aí? MARCOS          —    Ela arrumou um emprego e já tá trabalhando. JOSIAS              —    Que bom! MARCOS          —    É, mas nem tanto. JOSIAS              —    Quê?! MARCOS          —    Agora mesmo que ela não vai querer mais nada comigo. Qual mulher vai querer um cara que nem trabalhar, trabalha? JOSIAS              —    Então arrume um emprego, ué! MARCOS          —    Tem razão, Jô! Não tinha pensando nisso. Talvez eu possa trabalhar aqui contigo no bar. JOSIAS              —    (Sorrir) Só você mesmo pra me fazer rir, Marcos. Desde que Letícia morreu que esse bar vive vazio. Ainda tô com isso aqui aberto porque é melhor passar o dia aqui do que dentro de casa. E vez ou outra a gente se diverte com sujeitos como você. MARCOS          —    Tá aí, Jô! Primeira coisa que a gente vai fazer é fazer esse bar ser o que um dia já foi! JOSIAS              —    Como? MARCOS          —    Se liga só nas ideias, Jô... Marcos continua a falar fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 05. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOTIECER. Takes do pôr do sol na Pedra do Arpoador, Jockey Club, Lagoa Rodrigo de Freitas, Marina da Glória, orla do Leblon. Instantes. CORTA PARA: CENA 06. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE. Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior. Gustavinho deitado no sofá e jogando no cel. Laura vem da cozinha com suco e biscoitos para o neto. LAURA              —    Aqui o seu lanchinho, meu neto. GUSTAVINHO —    Obrigado, vó. (come) LAURA              —    De nada, meu filho. Se Elisa descobre que eu tô te dando o que comer a essa hora, ela me mata. GUSTAVINHO —    Em falar na mamãe... Ela vai chegar que horas? LAURA              —    Não sei, Gustavinho. Mas seu avô foi buscar ela. GUSTAVINHO —    Vó, posso te fazer uma pergunta? LAURA              —    Mas é claro que pode! GUSTAVINHO —    A gente vai morar aqui pra sempre? LAURA              —    Bom, meu neto... Isso é meio complicado deu te responder agora. Vamos dar tempo ao tempo. Mas ao que tudo indica vocês vão ficar aqui na casa da vovó por um bom tempo! GUSTAVINHO —    (Comemora) Oba! Aqui tem biscoito do bom! Fecha em Laura que sorrir no neto. Instantes. CORTA PARA: CENA 07. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. NOITE. Edileusa sentada já arrumada para ir para casa. Rick entra. RICK                  —    Ainda por aqui, Edileusa? Pensei que tava quase em casa já. EDILEUSA        —    Larga de ser exagerado que há essa hora não teria chegado nem na Central do Brasil ainda! RICK                  —    Se for de ônibus demora mesmo. Trânsito essa hora é muito ruim. EDILEUSA        —    E você, Rick, vai ficar por aqui hoje? RICK                  —    Vou. EDILEUSA        —    (Desconfiada) Você não é de ficar por aqui... Só pra ficar babando na Vivi Superiora, não é? RICK                  —    Superiora ela é mesmo, principalmente de beleza. Elisa vem do quartinho de empregada pronta para ir para casa. ELISA                —    Tô pronta, Edileusa. EDILEUSA        —    Finalmente, Elisa! Vamos logo porque se não chegamos às dez na noite em casa. ELISA                —    Não vamos não. Meu pai tá aí na porta me esperando. EDILEUSA        —    Ótimo! Uma carona é sempre bem vinda! Só de pensar que não vou ficar de pé três horas na condução já é motivo de alegria. Vambora, Elisa! As duas saem, com Elisa arrematando. ELISA                —    Tchau, Rick. Até amanhã! RICK                  —    Tchau, Elisa! (P/si) Hum... Até que essa Elisa dá um caldo. Caldo do bom... CORTA PARA: CENA 08. MANSÃO VIEIRA. PORTÃO PRINCIPAL. EXT. NOITE. Táxi de severo ali estacionado frente ao portão. Elisa e Edileusa saem da mansão. Carro de Ramiro se aproxima. CAM de fora do carro mostra Ramiro e Marcelo dentro do carro. RAMIRO            —    Mas o que esse táxi tá fazendo em frente ao meu portão? Tão bloqueando a minha entrada! Ele aperta na buzina sem parar   . ELISA                —    Mas o que esse maluco tá fazendo? EDILEUSA        —    Entra logo pra liberar a passagem que é o carro do seu Ramiro. As duas entram no táxi. SEVERO           —    Sujeitinho mais apressado. Táxi de severo se afasta. RAMIRO            —    Tinha que ser a serviçal e aquela outra que nunca vi pra fazer uma coisa dessas. Marcelo repudiando o ato do pai. CAM abre o plano e o carro entra. Instantes. CORTA PARA: CENA 09. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. NOITE. Rick mexendo nas panelas RICK                  —    Mas essa comida tá num cheiro maravilhoso. (Pega uma colher e rouba um pedaço do frango) Edileusa como sempre mandando ver na cozinha. Rodrigo vem da sala. RODRIGO         —    Edileusa? Rick esconde o frango. RICK                  —    Fala aí, seu Rodrigo. RODRIGO         —    Como vai, Rick? A Edileusa e aquela outra já foram? RICK                  —    Já sim. Acabaram de sair não tem nem dois minutos. RODRIGO         —    Poxa. Queria tanto falar com aquela moça que esqueci o nome agora. RICK                  —    Elisa. RODRIGO         —    Isso. Elisa. Bom, agora fica para amanhã. RICK                  —    É. Rodrigo volta para a sala. RICK                  —    (P/si) O que esse cara tanto quer com a Elisa? Ele fica ali intrigado. Instantes. CORTA PARA: CENA 10. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. NOITE. Regina a digitar no notebook. Belinha sentada olhando para o nada. BELINHA          —    Até quando vou ter que ficar aqui sentada olhando você escrever aí? REGINA             —    Calma, Belinha. Daqui a pouco vou te levar pra um local bem legal. BELINHA          —    Eu não quero sair daqui! Eu quero minha mãe e meu pai! REGINA             —    E quem disse que você vai sair das dependências da fábrica? É aqui mesmo, mas poucos conhecem. BELINHA          —    Você vai me matar? REGINA             —    (Dá altas gargalhadas) Claro que não, garota. De onde você tirou isso? BELINHA          —    Então que lugar é esse? REGINA             —    Calma apressadinha. Assim que o Kléber chegar nós vamos com ele. Fecha em Belinha com medo. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 11. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. NOITE. Mulheres ali trabalhando a todo vapor. CAM mostra algumas suando muito, outras a passar mal com o calor. AMANDA               (P/si, olhando pra janela) Ai, filha... Por que você não aparece na janela? Mamãe tá aqui tão preocupada. Sérgio se aproxima. SÉRGIO             —    Alguma notícia da nossa filha? AMANDA           —    Nada ainda. Regina não saiu do escritório desde a hora em que deixei Belinha lá. SÉRGIO             —    Eu juro pra você, Amanda... Se eles fizerem alguma maldade pra nossa filha, eu morro, mas viro o catiço e acabo com o Kléber ou a Regina! AMANDA           —    Calma, homem! Do jeito que você tá falando até parece que a mais sentada sou eu! Kléber entra na área de produção. SÉRGIO             —    O Kléber! AMANDA           —    Se esconde! Sérgio se agacha rapidamente. Kléber fica a olhar, desconfiado. Amanda disfarça trabalhando. Instantes. Ele sobe a escada para o escritório. SÉRGIO             —    Voltar antes que sintam falta de mim. AMANDA               Vai lá! Ele dá um selinho na amada e se afasta. Amanda permanece aflita. CORTA PARA: CENA 12. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. NOITE. Kléber diante de Regina e Belinha. KLÉBER           —    Você só pode tá de brincadeira, Regina! REGINA             —    Não! Belinha agora vai ficar aqui comigo. KLÉBER           —    O que tá acontecendo contigo, Regina? Cadê aquela durona que exige produção acima de tudo? REGINA             —    Ela está aqui. KLÉBER           —    Não está não! Eu não te reconheço mais. REGINA             —    Kléber, não é justo pra uma menina de dez anos passar por isso todos os dias! KLÉBER           —    Não interessa! Quando eu disse ter conhecido o Sérgio e a Amanda, avisei que eles tinham essa menina! Você que insistiu e quis os dois mesmo assim! REGINA             —    Eu sei. Assumo total responsabilidade por isso. KLÉBER           —    Bom mesmo você assumir a responsabilidade. Olha, não quero nem saber quando o Ramiro aparecer por aqui de novo e se deparar com essa garota dentro do seu escritório! Kléber sai e bate a porta. REGINA             —    Liga não, Belinha. Kléber é esquentadinho assim mesmo. Fecha em Belinha assustada, com medo. Instantes. CORTA PARA: CENA 13. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. NOITE. Nandão e Maurício ali encostados no táxi. MAURÍCIO        —    Como foi a corrida com a amante naquele dia? NANDÃO           —    Que amante o que, rapaz?! Me respeita, hein! Ela é apenas uma amiga. MAURÍCIO        —    Sei bem a espécie de amizade que vocês devem ter. acho que é a famosa amizade colorida, como os jovens estão falando hoje em dia. NANDÃO           —    Tu não fala merda, cabra! Tu não fala merda pra não dá ruim pro teu lado! MAURÍCIO        —    Tá me ameaçando agora? NANDÃO           —    Fica inventando asneiras aí. Se isso chega nos ouvidos da Edileusa eu tô ferrado! MAURÍCIO        —    Na boa, Nandão... Se tu não tá feliz com teu casamento, separa, cara! NANDÃO           —    Quem dera se tudo fosse tão simples como você acha que é, Maurício! MAURÍCIO        —    Sei que nada é fácil, meu amigo. Você não vê o dilema que o Severo tá enfrentando? NANDÃO           —    Pois é. Mas Severão é forte e tá dando apoio a filha dele. MAURÍCIO        —    Se ele souber do que eu vi hoje, ele vai pirar. NANDÃO           —    O quê? MAURÍCIO        —    Tinha acabado de encontrar com o Severo, ele disse que ia buscar no neto no colégio porque a Elisa está trabalhando. NANDÃO           —    Ela conseguiu um emprego? Que bom! MAURÍCIO        —    Pois é. Depois vim aqui pela praça tranquilão, quando vi o Marcos saindo da casa do Severo e entrando no bar do Jô. NANDÃO           —    Espera aí. Se a Elisa estava trabalhando, Severo foi buscar no neto no colégio... A dona Laura tá dando trela pro canalha nas costas do Severão! MAURÍCIO        —    Não tem como a gente saber, Nandão! Mas que ele estava na casa do Severo, ele estava! Closes alternados nos dois intrigadíssimos. Instantes. CORTA PARA: CENA 14. MANSÃO VIEIRA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE. Ramiro e Rodrigo a conversar. RAMIRO            —    Desde que chegou que não conversamos. RODRIGO         —    Pois é, Ramiro. Mas e aí, como estão as coisas com a empresa? RAMIRO            —    Não poderia estar melhor! Estamos prestes a fechar com uma grande rede Argentina. RODRIGO         —    Legal. Fabristilo alcançando ares internacionais. RAMIRO            —    Esse sempre foi o foco, mas só agora estamos engatinhando no comércio internacional. RODRIGO         —    Mas é assim mesmo. Internacionalização de uma empresa exige amadurecimento não só do empresário, que está a frente da organização, mas de toda a empresa como um tudo. RAMIRO            —    Com certeza. E você, já decidiu sobre a minha proposta? RODRIGO         —    Confesso que ainda não, Ramiro. RAMIRO            —    Você já voltou ao Brasil e está aqui sem fazer nada. Pra que ficar pensando muito? RODRIGO         —    Olha, tomar uma decisão quando se envolve um cargo que tem um peso desses de responsabilidade não é fácil! RAMIRO            —    Eu sei. Mas se você não fosse qualificado a atura, eu não teria feito essa proposta. Também não posso forçar nada. Quando você tiver uma resposta, me fala. Fecha em Rodrigo indeciso. Instantes. CORTA PARA: CENA 15. MANSÃO VIEIRA. QUARTO MARCELO. INT. NOITE. Marcelo com seu violão tenta compor algo, mas não sai nada. MARCELO        —    (Cantarola)   Por que eu tenho que te amar?                                                            Você nem liga pra mim. MARCELO        —    (P/si) Droga! Por que tem que ser tão difícil compor? No meu caso é pior ainda, fiquei anos sem compor e tô mais que enferrujado. MARCELO        —    (Cantarola)   Enche-me com teu amor...                                                            Pois sem ele eu não sou nada... Ele para, faz uma anotação e continua a tentar montar versos fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 16. CASA LAURA E SEVERO. FRENTE. EXT. NOITE. Táxi de Severo se aproxima. Elisa, Severo e Edileusa saltam. EDILEUSA        —    Obrigado pela carona (imita Nandão) Severão. SEVERO           —    (Sorrir) Não cai na besteira de imitar o louco do Nandão não, hein?! EDILEUSA        —    (Sorrir) Olha, eu ainda vou ficar louca com o Nandão. Deixa eu ir lá, gente. Até amanhã, Elisa. ELISA                —    Até. Edileusa segue seu rumo. Severo e Elisa entram para a casa. CAM mostra Marcos de dentro do bar observando tudo. CORTA PARA: CENA 17. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE. Laura e Gustavinho sentados assistindo TV. Elisa e Severo chegam. ELISA                —    Olha quem chegou! GUSTAVINHO —    Mãe! Gustavinho corre e dá um abraço na mãe. ELISA                —    Nossa! Que abraço gostoso. Isso tudo era saudades da mamãe, é? GUSTAVINHO —    Era sim. LAURA              —    Como que foi lá seu primeiro dia, minha filha? ELISA                —    Olha, mãe, foi uma loucura! Primeiro quando eu cheguei para entrevista, vocês deviam ter visto como as outras candidatas a vaga estavam vestidas... Ela continua a falar fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 18. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. Beatriz e Viviane a conversar. BEATRIZ          —    Sério, minha filha? Eu pensei que você ainda tinha o desejo de voltar às passarelas. VIVIANE            —    Não mais. Quero sossego agora. BEATRIZ          —    Eu te entendo. A vida dessas modelos não deve ser nada fácil. VIVIANE            —    É ensaio fotográfico daqui, patrocinador enchendo o saco dali. Chega! Pra mim, isso não é mais vida! Quero paz! Rodrigo desce a escada. RODRIGO         —    Vou dar uma saidinha, meu amor. VIVIANE            —    Vai aonde? Também quero ir. RODRIGO         —    Vou dar uma caminhada pra espairecer. VIVIANE            —    Deixa só eu colocar meu tênis de caminhada e/ RODRIGO         —    (Corta) Se você não se importa, Viviane, eu gostaria de fazer isso sozinho. VIVIANE            —    Tudo bem. Rodrigo sai. BEATRIZ          —    Rodrigo tá estranho. VIVIANE            —    Nem me fale, mãe! Desde que ele viu a serviçal novata que ele ficou assim. BEATRIZ          —    Ah, para, Viviane! Tudo bem que a Elisa é linda, mas o Rodrigo não seria louco de trocar você, uma ex-modelo com tudo em cima, por uma pobre e ainda empregada. VIVIANE            —    (Soberba) Até que a senhora tem razão. Eu sou maravilhosa. Enquanto a outra é apenas a empregadinha. CORTA PARA: CENA 19. FÁBRICA. CASA REGINA. SALA. INT. NOITE. Regina e Belinha entram. BELINHA          —    Nossa! Mas que casa linda! REGINA             —    Gostou? BELINHA          —    Meu sonho seria morar com meus pais numa casa igual a essa. REGINA             —    Mas você vai morar. BELINHA          —    Como assim? REGINA             —    Você vai viver comigo a partir de agora. BELINHA          —    Mas e meus pais? REGINA             —    Não precisa ficar desse jeito que eles ainda são seus pais, você vai continuar falando com eles. Só vai viver aqui. BELINHA          —    Não quero! Kléber vai querer me bater! REGINA             —    O Kléber não é nem doido de tentar fazer alguma coisa contra você, Belinha!  Eu vou te proteger, não precisa ter medo. Regina abraça Belinha. Close em Regina, que se sente bem ao abraçar a menina. Instantes. CORTA PARA: CENA 20. FÁBRICA FABRISTILO. REFEITÓRIO. INT. NOITE. Todos jantando. Amanda e Sérgio aflitos. SÉRGIO             —    Não tô mais aguentando isso! Eu quero saber o que fizeram com a minha filha! AMANDA           —    A Regina desceu com a Belinha agorinha mesmo e parece que as duas saíram. SÉRGIO             —    (Aflito) Será que essa mulher levou nossa filha pra fora da fábrica? Moreira se aproxima. MOREIRA         —    (P/Todos) Vocês tem mais cinco minutos! Apressem isso aí! SÉRGIO             —    (Chama) Moreira? Vem aqui, por favor! AMANDA           —    Ficou louco, Sérgio? O que você tá fazendo? SÉRGIO             —    Buscando informações sobre minha filha! MOREIRA         —    Que foi, Sérgio? SÉRGIO             —    Moreira, tem como você me ajudar, não? Minha filha está com a Regina e eu não sei pra onde elas foram. Tem como você tentar descobrir? Não sei se você é pai Moreira, mas eu sou. Não consigo ficar calmo sem saber onde minha filha está! MOREIRA         —    Calma aê, Sergão. Vou passar um rádio pro Kléber. SÉRGIO                 Valeu mesmo cara! MOREIRA         —    (Ao rádio) Fala aí, Kléber. Tá na escuta? KLÉBER           —    (OFF) O que é que tu quer, Moreira? MOREIRA             (Ao rádio) Distribuindo a janta aqui e não tô vendo a filha do Sérgio e da Amanda. Sabe onde a garota tá? KLÉBER           —    (OFF) Regina agora cismou e trouxe a menina aqui pra casa. MOREIRA         —    (Ao rádio) Valeu, Kléber. Ele desliga o rádio. AMANDA           —    Mas essa casa deles fica longe daqui, Moreira? MOREIRA         —    É aqui dentro da fábrica mesmo. Podem ficar despreocupados. Moreira se afasta. SÉRGIO             —    Ficar despreocupados... Fala isso porque não é a filha dele nas mãos da Regina. Sérgio e Amanda ficam ali aflitos. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 21. PRAIA DA BARRA. ORLA. EXT. NOITE. Orla com pouco movimento. Rodrigo vem caminhando distraído. Ele se senta num banco e fica pensativo. INSERT do áudio de Pierre na cena 24, do capítulo 05. PIERRE             —    (OFF, Tom baixo) Aproveita que eu estou morrendo e feche as portas, filho. Acredite, há muito mais coisas em jogo do que você imagina. O melhor que você faz é fechar. Fim do insert. RODRIGO         —    (P/si) Ainda não desisti, meu pai. Sei que não era só o que a justiça francesa alegou na acusação. Deve ter mais coisas no oculto. Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão. CAM subjetiva se aproximando com uma faca. Rodrigo não percebe. BANDIDO         —    (Com a faca em mãos) Passa o celular! Passa o celular! RODRIGO         —    (Assustado) Tudo bem, cara. Rodrigo passa o celular. BANDIDO         —    O que mais tem de valor aí? RODRIGO         —    Só tenho o celular aqui comigo! Bandido num golpe rápido acerta a barriga de Rodrigo, que imediatamente cai no chão com a mão no sangramento. Bandido mexe no bolso da calça de Rodrigo e pega sua carteira e sai correndo. CAM dá close em Rodrigo sentindo dor ali pelo chão, ferimento sangrando. Instantes. Suspense. Tensão. CORTA PARA:

 FIM DO DÉCIMO QUARTO CAPÍTULO

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