NOVA CHANCE PARA AMAR
Novela de Ramon Silva
Escrita Por:
Ramon Silva
Direção Geral:
Wellington Viana
PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO
AMANDA
BEATRIZ
BELINHA
EDILEUSA
ELISA
GUSTAVINHO
JOSIAS
KLÉBER
LAURA
MARCELO
MARCOS
MOREIRA
RAMIRO
REGINA
RICK
RODRIGO
SÉRGIO
SEVERO
VIVIANE
CENA 01. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA. Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. ELISA — Será que é tão difícil pra você entender que eu preciso de um tempo?! Tem mesmo que ficar enfiado no bar aí de frente pra tomar conta da minha vida?! MARCOS — Elisa, me escuta, por favor! ELISA — Não! Eu não tenho nada pra falar com você Marcos! Quando será que você vai entender isso?! MARCOS — Eu sei que você me pediu pra ficar longe/ ELISA — (Corta) Sabe, mas não faz o que eu pedir! MARCOS — Você não quer mais ver a minha cara e eu te dou total razão para tal... Mas você não pode me proibir de ver o meu filho! CAM mostra Gustavinho a olhar. ELISA — Como é que é? MARCOS — É isso mesmo que você ouviu! Eu sou pai e tenho o direito de passar um tempo com meu filho! Fecha em Elisa séria. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 02. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA. Rick chega à cozinha e Edileusa está a cozinhar. EDILEUSA — Já chegaram? RICK — Chegamos agora há pouco. EDILEUSA — E como é a Viviane? Pelas fotos que tem dela pela casa, é uma mulher muito linda! RICK — Linda ela é mesmo. EDILEUSA — Aqui presa nessa cozinha não tive nem como ver ela chegar. RICK — Se preocupa não que eu acho que ela vai ficar de vez. EDILEUSA — Nossa! Imagine ter uma ex-modelo morando aqui, Rick... RICK — Eu imagino... De biquíni na piscina. EDILEUSA — Tira teu burro da chuva que ela tem marido. E pelo jeito é um homem muito rico. RICK — Ah, sim. O seu Rodrigo. Até que é gente boa, ele. EDILEUSA — (Ansiosa) Não vejo a hora de falar com ela. RICK — Por que essa ansiedade, mulher? EDILEUSA — Como ainda me pergunta isso? Ela é uma ex-modelo famosa no mundo todo! RICK — Ah é? Tem certeza mesmo que ela é famosa no mundo todo? No aeroporto não vi nenhum fã se aproximar, nem nada. EDILEUSA — Você não sabe de nada! Quando vê ela desfilando, não fique de queixo caído. Edileusa começa a desfilar pela cozinha e Rick fica a sorrir de tal cena. Instantes. CORTA PARA: CENA 03. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA. Continuação imediata da cena 01. MARCOS — Veja bem Elisa... Mesmo que a gente se separe, o Gustavinho é o elo que ainda nos mantém um próximo ao outro. ELISA — Fala a verdade, Marcos! Você tá fazendo isso pra me atingir, não é? MARCOS — Claro que não! Apenas estou querendo o meu direito, que é ver e passar um tempo com meu filho! Casamento acaba, mas um filho nunca deixa de ser filho. GUSTAVINHO — (Reclama) Mãe.. ELISA — Filho você vai ter que ir com seu pai. GUSTAVINHO — Mas mãe/ ELISA — (Corta) Vai, filho. Ele tem o direito de passar um tempo com você. Do jeito que é, ainda pode dizer por aí que eu não deixo e querer tomar você de mim! MARCOS — Não envenene o menino contra mim, Elisa! Você sabe muito bem que quem fica com a guarda é a mãe. ELISA — (P/Gustavinho) A noite você volta pra mamãe, tá? GUSTAVINHO — Tá bom. MARCOS — Vem, filho. Vamos nos divertir muito. Os dois saem. Elisa vai fechar a porta ELISA — (P/si) Desgraçado! Querendo me atingir usando o meu filho! CORTA PARA: CENA 04. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA. Rodrigo sentado pensativo. Viviane desce a escada. VIVIANE — O que foi aquilo Rodrigo? RODRIGO — Oi, meu amor. O que você disse? VIVIANE — Estava falando com você na maior quando saiu sério do quarto e não disse nada. RODRIGO — Desculpa. VIVIANE — (Senta no colo do amado) O que tá acontecendo, meu amor? Pode falar. RODRIGO — É que... Voltar ao Brasil depois de quinze anos, tudo se passa como um filme na sua cabeça. VIVIANE — (Beija o rosto dele) Ôh, meu amor... Eu sei que a sua saída do Brasil para a França não foi nada agradável, mas... Tenta enxergar que agora é uma nova vida. Quinze anos depois você tem novas possibilidades. RODRIGO — Eu sei, Viviane. Mas só pelo simples fato de chegar ao Santos Dumont, foi como nostalgiar minha vida inteira. Não foi lá o último local que pisei antes de embarcar para a França, mas é um aeroporto. Enfim! VIVIANE — Mas agora tudo vai ser diferente. Você vai ser só. Ela dá um beijinho nele. CORTA PARA: CENA 05. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA. Marcos e Gustavinho sentados a uma mesa. Josias vem de a cozinha atendê-los. JOSIAS — Hoje o Gustavinho tá passando o dia com o pai, é? MARCOS — Pois é, Jô. Fui lá conversar com a Elisa e exigir passar um tempo com o meu filho. Afinal, eu sou pai e tenho esse direito. JOSIAS — Concordo! Mas você sabe que agir dessa forma pode não ter sido bom pra você, né? MARCOS — Como assim, Jô? JOSIAS — Depois a gente fala disso. MARCOS — Então, Jô. Traz aquela coxinha marota pro meu filhão aqui. JOSIAS — A mais gordinha será dele. GUSTAVINHO — E um refrigerante. MARCOS — Ouviu, né, Jô? JOSIAS — Pode deixar. Josias vai buscar o pedido. MARCOS — Filho... Marcos coloca a mão sobre a do filho, mas ele assustado retira. Instantes. CORTA PARA: CENA 06. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA. Moreira e mais um Segurança arrastando o corpo de Hilda. Regina acompanhando tudo de perto. Mulheres continuam a trabalhar e a tentar ignorar tal cena. Belinha desvia o olhar para Regina a todo instante. REGINA — Leva a moribunda daqui. MOREIRA — E o que fazemos depois, dona Regina? REGINA — Deixa jogado lá parte de trás do pátio mesmo. Quando o Kléber chegar, ele ver o que faz com os restos mortais da velha! MOREIRA — Sim, senhora. Moreira e o segurança saem levando o corpo de Hilda. REGINA — (P/Todos) Pessoas morrem, pessoas nascem... Assim é o ciclo da vida amados. Agora produção! E lembrem-se: produção é o que interessa! Nem que para isso, alguém como a dona Hilda, morra trabalhando! Regina dirige-se até a escada e Kléber chega. KLÉBER — Mais uma empacotou? REGINA — Pois é. Depois trate de descartar esse corpo. KLÉBER — Beleza. Vim te falar como foi lá no bairro. REGINA — Ah, sim. Vamos subindo. Os dois sobem a escada para o escritório. Corta para Belinha e Amanda: BELINHA — (Chora) Dona Hilda não merecia isso. Ela era tão legal. Isso não tá certo! AMANDA — Filha... Eu entendo a sua revolta com tudo isso, mas temos que trabalhar! Volte à produção. Sérgio vem puxando um porta-paletes com vários produtos acabados e ao ver a filha chorando, preocupa-se. Instantes. CORTA PARA: CENA 07. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA. Regina e Kléber sentados. Regina a olhar a foto de Camila no cel. REGINA — Não entendo o entusiasmo nessa garota! KLÉBER — Como não, Regina? Ela tem tudo para ser o que a gente precisa. Ela parece modelo. REGINA — Hum... Fala a verdade, Kléber. Ficou de olho nela por sua beleza. KLÉBER — Também. Mas ela se encaixa perfeitamente nos nossos padrões. REGINA — Desde que dê produção, já que isso é o que nos interessa. Antes até de beleza, charme, essas coisas... KLÉBER — Sim. Mas falando do corpo. Quem foi? REGINA — Dona Hilda. Parece que a véia não aguentou e pacotô. KLÉBER — (Sorrir) Dona Hilda também já tinha dado o que tinha que dá já. REGINA — Realmente. Agora suma com esse corpo antes que sejamos obrigados a respirar podridão. KLÉBER — Pode deixar. CORTA RÁPIDO PARA: CENA 08. MATAGAL ATRÁS DA FÁBRICA. EXT. DIA. Kléber e Moreira ali cavando uma cova. Corpo enrolado em vários sacos grandes de lixo preto. MOREIRA — Até que eu gostava da dona Hilda. KLÉBER — Ela não causava problemas. Agora me ajude aqui. Ambos colocam o corpo na cova e Kléber começa a jogar terra por cima. MOREIRA — Kléber? KLÉBER — O que é Moreira? Fala! MOREIRA — Você não tem medo desse verdadeiro cemitério clandestino a céu aberto ser descoberto, não? KLÉBER — Não! Até porque essa área aqui é deserta. Ninguém vem pra esses lados. Agora vê se para de falar e me ajuda a terminar isso aqui. Moreira pega uma pá e ajuda a enterrar. CAM abe o plano no corpo sendo enterrado. Instantes. CORTA PARA: CENA 09. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER. Takes da orla da praia da Barra da Tijuca, Cristo Redentor, Trânsito do início de noite. Fachada da Mansão Vieira. Carro de Ramiro se aproxima. Ele e Marcelo saltam e entram. CORTA PARA: CENA 10. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. Beatriz ali a mexer no cel. com dificuldade. Ramiro e Marcelo entram. BEATRIZ — Ah! Já estava aqui tentando ligar pra você. Mas esses celulares são uma porcaria para os mais velhos usarem. (Mostra o cel.) Olha essas letrinhas que miúdas. RAMIRO — (Debocha) Se alguém necessitar de socorro e você tiver que ligar do celular, morre. BEATRIZ — Debocha mesmo Ramiro. RAMIRO — Rodrigo e Viviane já chegaram? BEATRIZ — Já. Estão no quarto descansando. Viviane desce a escada. VIVIANE — Tio. RAMIRO — Minha sobrinha querida! Os dois se abraçam e se beijam no rosto. RAMIRO — Como foi de viagem? VIVIANE — Bem. E esse daqui deve ser o meu primo Marcelo? Os dois se abraçam. VIVIANE — Tá um homem já, e lindo também. MARCELO — (Sem graça) Obrigado. RAMIRO — Bom isso ele puxou de mim! Beleza é o que não falta ao pai dele! BEATRIZ — Ai, Ramiro, como você se acha, hein! Todos sorriem RAMIRO — Ué. Por acaso estou falando alguma mentira? E o Rodrigo, Viviane? VIVIANE — Está deitado descansando. Ter voltado ao Brasil aonde tudo de ruim aconteceu na vivida dele há quinze anos, mexeu um pouco com ele. RAMIRO — Bom, então eu vou subir. Viviane, depois vá até o escritório que quero conversar com você. VIVIANE — Tá bom, tio. Ramiro sobe a escada. MARCELO — E eu vou seguir esse cheirinho delicioso que vem da cozinha. Marcelo vai para a cozinha. VIVIANE — Até o jeito sereno do Marcelo falar é igual ao de Maristela. BEATRIZ — Esse daí é um mosca morta igual à Maristela. Fecha em Viviane que sorrir. Instantes. CORTA PARA: CENA 11. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE E RODRIGO. INT. NOITE. Rodrigo sentado na cama pensativo. Instantes. CORTA PARA: CENA 12. CASA LETÍCIA. SALA. INT. DIA. INSERT da cena 12, do capítulo 02. Rodrigo ali ao tel. Fixo. RODRIGO — (Ao tel.) Tudo bem. Se você quer assim, mas saiba que vai ser uma luta grande. Letícia chega da rua. LETÍCIA — Precisamos conversar, filho. RODRIGO — (Ao tel.) Depois eu te ligo. Ele desliga. LETÍCIA — Filho/ RODRIGO — (Corta) Mãe, se for pra conversar sobre o que eu já falei com meu tio... Vamos nos poupar desse desgaste, por favor. LETÍCIA — Olha, eu sei que você se apaixonou por essa menina. E eu te entendo. Eu já tive a sua idade também. Mas será mesmo que vale a pena esse amor de vocês dois? RODRIGO — Por mim vale sim. LETÍCIA — Eu estou querendo dizer pra você, filho, que por mais que algum dia eu e o seu tio aceite isso, ainda tem a família da menina. O Severo é cabeça dura. RODRIGO — Acho que não mais que o tio Jô. LETÍCIA — Pensando por esse lado você tem razão, filho. RODRIGO — Eu sinceramente estou meio confuso com isso tudo, mãe. Porque o que eu sinto pela Elisa, eu nunca senti por garota alguma. LETÍCIA — É, meu filho... Você ama mesmo essa menina. (Abraça ele) Vamos dar um jeito. RODRIGO — (Feliz) Sério, mãe? LETÍCIA — Sim, mas eu não posso prometer nada! Dá pra ver que essa menina é muito importante pra você. RODRIGO — E ela é, mãe. LETÍCIA — Bom, agora eu preciso ir. Passei aqui só pra pegar a minha bolsa. Estou indo ao Ceasa. Não quer vir comigo, filho? RODRIGO — Acho melhor não, mãe. Esse lance de terem descoberto tudo me deixou meio pra baixo. LETÍCIA — (Aperta a bochecha dele) Mas não fica assim, meu menininho... RODRIGO — (Sorrir) Ai, mãe, para! Eu tenho 17 anos. LETÍCIA — Mas pra mim você continua sendo o meu filhinho de 2, 3 anos... Tchau, filho. RODRIGO — Tchau, mãe. Ela pega a bolsa sobre uma cadeira e sai. Rodrigo liga a TV. CORTA PARA: CENA 13. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE E RODRIGO. INT. NOITE. Continuação da cena 11. RODRIGO — (P/si, sorrir) ‘Meu menininho’... Rodrigo fica ali nostálgico. Instantes. CORTA PARA: CENA 14. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE. Elisa a olhar pela janela. ELISA — (P/si) Pelo menos não levou meu filho pra muito longe. CAM mostra táxi de severo parando. Ele e Laura saltam e pegam as sacolas das compras e entram. ELISA — (Indo para a porta) Finalmente estão chegando desse bendito mercado! Elisa abre a porta. Laura entra seguida de Severo. LAURA — Ai, filha, segura essa sacola que eu tô morrendo com esse peso! ELISA — Mas que demora foi essa? E a senhor ainda disse que voltaria antes das duas da tarde. LAURA — Pois é, minha filha. Mas seu pai demorou pra me buscar! SEVERO — Nada de ficar jogando a culpa em mim, Laura! O marcado que tava um verdadeiro campo de guerra! ELISA — Também, mãe. A senhora quer ir justo no mercado, que quando está em aniversário, as pessoas até se estapeiam! LAURA — Mas é claro, minha filha! As coisas lá estavam muito em conta. SEVERO — Nunca vi povo mais mal-educado! Parecia que tinha declarado à terceira guerra mundial e aquela era a última fonte de comida! ELISA — (Sorrir) Só o senhor mesmo, pai. Eles se encaminham para a cozinha. CORTA PARA: CENA 15. CASA LAURA E SEVERO. COZINHA. INT. NOITE. Laura guardando as compras no armário, Elisa passando a ela os mantimentos e Severo tirando tudo das sacolas. ELISA — Uma promoçãozinha é sempre bom, mas daí agir como um bando de meliantes não dá, né? SEVERO — Exatamente, minha filha. O que falta nesse povo é educação, saber respeitar o outro, agir com empatia e não pensar somente em si próprio. LAURA — São épocas sombrias, meu amor! SEVERO — E o Gustavinho, Elisa? LAURA — Pois é. Cadê meu neto? Comprei aquele biscoito que ele adora. ELISA — (Sem jeito) Então... O Marcos veio aqui e levou o Gustavinho. LAURA — Como é que é? SEVERO — Aquele energúmeno sequestrou o meu neto? ELISA — Não, pai! Calma. Eu deixei o Gustavinho passar uma tarde com ele. LAURA — Mas por que, minha filha? E se ele fizer algum mal ao meu neto?! SEVERO — Eu acabo com a raça daquele desgraçado! ELISA — Querendo ou não ele é pai e tem o direito de ficar com o Gustavinho. Se eu proibir ele pode entrar com uma ação e eu posso até perder a guarda do meu filho. Closes alternados em Severo e Laura indignados. Instantes. CORTA PARA: CENA 16. BAR DO TIO JÔ. INT. NOITE. Bar vazio. Somente Marcos e Gustavinho sentados a uma mesa. Jô do balcão a observar. MARCOS — Filho, eu quero que você saiba que eu não sou esse monstro, tá? GUSTAVINHO — Mas e todas as vezes que eu ouvi a mamãe gritando e pedindo pra você parar...? MARCOS — (Mente) Filho, isso daí é uma brincadeira nossa! Você acha mesmo que se eu agredisse a sua mãe, eu já não teria feito alguma coisa com você também? GUSTAVINHO — Se bem que o senhor às vezes me assusta. MARCOS — Desculpa filho. Eu só quero o seu melhor e o seu bem. Às vezes a forma como demonstro isso pode ser estranho ou parecer até agressiva. Se o papai te fez alguma vez sentir medo, você me desculpa? Ele meneia a cabeça que sim. Marcos dá um abraço no filho. Josias sorrir a observar a cena. Instantes. CORTA PARA: CENA 17. MANSÃO VIEIRA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE. Ramiro e Viviane sentados. RAMIRO — Confiei na sua palavra, mas fiquei aqui preocupado. VIVIANE — Se preocupa não, tio. Tudo foi queimado e não há mais evidência alguma que possa vir a comprometer o senhor. RAMIRO — Melhor assim. Coitado do Rodrigo ainda foi suspeito de participar dos trambiques do Pierre, né? VIVIANE — Pois é, tio. Foram dias tensos, mas o doutor Alexandre com sua defesa excelente provou que Rodrigo ela leigo nos trambiques de Pierre. RAMIRO — Não falei que doutor Alexandre era competente? Eles continuam a conversar fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 18. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. Beatriz ao tel. Fixo. BEATRIZ — (Ao tel.) Boa noite. É da agência Empreguim Certo? O que eu desejo? Antes de qualquer coisa, que vocês mudem esse nome terrível! E logo após isso, eu gostaria de solicitar algumas moças para uma entrevista amanhã. Sim, quero gente competente e com experiência. Sem tempo pra ensinar serviçal a ser serviçal! CORTA PARA: CENA 19. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE. Campainha toca. Elisa vem da cozinha e abre a porta. É Marcos e Gustavinho. ELISA — Filho! Como foi? GUSTAVINHO — Muito bom. Gustavinho entra e se senta no sofá. MARCOS — Viu? Como você pôde ver, eu não fiz nada com o nosso filho. ELISA — Até porque você teria que ser um canalha maior ainda pra me atingir usando nosso filho! Severo vem do quarto. SEVERO — Meu neto voltou! (Vê Marcos) O que esse cara tá fazendo na porta da minha casa? MARCOS — Já estou de saída, seu Severo! SEVERO — Muito cara de pau de aparecer aqui depois de tudo que aconteceu! MARCOS — Elisa, depois eu converso com você sobre os dias que eu quero passar com o Gustavinho. Marcos sai, com Severo arrematando. SEVERO — Isso mesmo! Saia da minha casa! Aqui não tem espaço pra canalhas como você! Essa aqui é uma casa de família digna, direita! Atenção Sonoplastia: tel. fixo toca. Elisa vai atender. Laura vem da cozinha. LAURA — Que escândalo do Severo é esse, gente? SEVERO — Aquele canalha do Marcos aqui na minha porta! Não quero ele aqui! ELISA — (Ao tel., feliz) Sério? Mas quando? Pode deixar que estarei lá. Muito obrigada mesmo. Tchau! Ela desliga. LAURA — Que felicidade é essa, minha filha? SEVERO — É. Parece que recebe uma notícia boa. ELISA — Boa não, pai, ótima! Era da agência Empreguim Certo. Eu tenho uma entrevista de emprego amanhã! Todos ficam feliz por Elisa e comemoram fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 20. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. AMANHECER. Takes do nascer do sol na Pedra do Arpoador, banhistas que lotam a praia de Ipanema. Instantes. CORTA PARA: CENA 21. MANSÃO VIEIRA. PORTÃO PRINCIPAL. EXT. DIA. Táxi de Severo se aproxima e para. SEVERO — É aqui mesmo, filha? ELISA — É sim, pai. Não viu o nome do condomínio na entrada? SEVERO — (Impressionado) Uau! Vai trabalhar numa mansão. ELISA — Se Deus quiser esse: ‘vai trabalhar’, vai se concretizar na minha vida, pai. SEVERO — Vai sim, filha. Boa sorte! ELISA — Brigada, seu Severinho. Elisa dá um beijo no rosto do pai e sai do táxi. Ela toca o interfone. Severo buzina e afasta. CORTA PARA: CENA 22. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA. Elisa e mais duas mulheres ali. Uma estilo punk e a outra de chinelo, bermuda e camiseta. Fecha em Elisa aflita. Instantes. CORTA PARA: CENA 23. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA. Beatriz sentada frente à mulher Punk. Edileusa a parte a observar. BEATRIZ — Escuta aqui, minha filha... Você acha mesmo que será contratada vestida dessa forma? MULHER PUNK — O que tem de errado com meu estilo, dona? BEATRIZ — Tudo! Isso aqui é uma casa de família e não um show do Rock in Rio! MULHER PUNK — Isso que a dona tá fazendo é descriminação, sabia? BEATRIZ — Não interessa o que seja! Agora aponha-se fora daqui! Sem noção! EDILEUSA — Vem, eu te levo até a saída. CORTE DESCONTÍNUO: Beatriz frente à mulher vestida à vontade. BEATRIZ — Uma me vem pra cá vestida toda de preto, roqueira e você me vem achando que está aonde? Na praia, no bar da esquina da tua casa? Fora daqui! A mulher sai com Edileusa assustada com Beatriz. BEATRIZ — (Olhando para o papel) Só falta essa Elisa agora. Espero que não seja mais uma que não sabe se vestir adequadamente para uma entrevista e emprego! Sabia que não devia acreditar numa agência com o nome: Empreguim Certo! Rodrigo e Viviane descem a escada. VIVIANE — Mamãe, estamos saindo. BEATRIZ — Aonde estão indo? VIVIANE — Dá uma passeada pela orla e ver o que mais o Rio tem a nos oferecer, né, meu bem? RODRIGO — É. Elisa vem da cozinha, junto de Edileusa. EDILEUSA — Ela vai fazer a entrevista com você agora mesmo. RODRIGO — Acho melhor irmos logo, né? Elisa para e fica a olhar Rodrigo. Atenção Sonoplastia: Quando um Grande Amor de faz. Rodrigo, em, SLOW MOTION, olha para Elisa. Closes alternados no casal. Instantes. Suspense. Tensão. Reencontro. CORTA PARA:FIM DO DÉCIMO SEGUNDO CAPÍTULO