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Nova chance para amar
Capítulo 7 de 42
Capítulo 7
✍️ Ramon Silva ·📅 06 May. 2020 ·👁 0 leituras

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

ELISA

GUSTAVINHO

JOSIAS

KLÉBER

LAURA

MARCELO

MARCOS

MAURÍCIO

NANDÃO

RAMIRO

REGINA

RODRIGO

SÉRGIO

SEVERO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

MOREIRA

CENA 01. CASA ELISA E MARCOS. SALA. INT. NOITE. Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tristeza. Elisa chorando jogada no chão. Ela começa a se levantar com dificuldade, apoiando no que há por perto. Ela se senta. ELISA                —    (P/si, chorando) Ai meu Deus... CAM detalha o corpo dela com marcas da cinta nos braços e pernas. ELISA                —    (P/si, chorando) Até quando isso, meu Deus? Ela pega o cel. CAM detalha a tela do cel. Ela tecla 180. E fica a olhar para o cel. Desiste e guarda o mesmo no bolso. Instantes. CORTA PARA: CENA 02. PARIS. APART RODRIGO. SALA. INT. NOITE. Rodrigo entretido a mexer no notebook. Viviane vem do quarto. VIVIANE            —    Ainda nesse notebook, Rodrigo? RODRIGO         —    Sim, estou olhando tudo que posso. VIVIANE            —    Seu pai não seria tão idiota ao ponto de deixar alguma evidência no notebook que qualquer um pega e mexe! RODRIGO         —    Como assim, Viviane? O jeito como você fala até parece que meu pai tinha alguma coisa pra esconder de mim. VIVIANE            —    (Disfarça) Dei a entender isso? Desculpe, meu bem. Essa não foi a minha intenção. Eu só estou querendo dizer que se ele escondesse algo, provavelmente não deixaria no notebook. RODRIGO         —    Você tem razão! Talvez fosse o caso de vasculhar o escritório do meu pai atrás de algo. VIVIANE            —    Não, Rodrigo! Há essa hora você não vai ver nada disso. Deixa isso pra amanhã. Tá tarde. RODRIGO         —    Tudo bem. Mas que tem algo de errado tem. VIVIANE            —    Agora vamos deitar, meu amor. Vamos? Ela dá a mão pra ele e os dois vão para o quarto. CORTA PARA: CENA 03. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. NOITE. CAM vem seguindo Marcos sério caminhando a passos largos, que ao passar pelos taxistas CAM deixa de segui-lo e foca em Maurício e Fernando. NANDÃO           —    Tô estranhando o Severão não ter aparecido, cara. MAURÍCIO        —    Liga pra ele aí. NANDÃO           —    Qual foi, Maurício do Táxi? Tu sabe que eu não tenho crédito! MAURÍCIO        —    (Debocha) Ah é, esqueci que você tem celular só por ter mesmo. Num é nem pai de santo esse celular. É pai de todos os santos mesmo! Maurício passa seu cel. A Fernando. NANDÃO           —    Mais cedo tava aí todo puto da vida com a palavra: “aplicativo”. Agora tá todo engraçadinho. MAURÍCIO        —    Tu tá querendo me tirar do sério, não tá? NANDÃO           —    (Sorrir) Calma, cara. Vou ligar pro Severão aqui. (Ao cel.) Fala, Severo. Aqui é o Nandão. Tô ligando pra saber onde tu tá, cara? Mais cedo vi teu táxi ali perto da floresta, mas tu não tava. (Pausa) Mas como assim? MAURÍCIO        —    (Curioso) O que aconteceu? NANDÃO           —    (Faz sinal pra Maurício esperar, ao cel.) Caramba, Severo. E de pensar que o canalha passou aqui agora. Tá bom. Tamo indo aí então. (Desliga) MAURÍCIO        —    O que aconteceu, cara? NANDÃO           —    Vamos no teu táxi. MAURÍCIO        —    Pra onde? NANDÃO           —    Pra casa do Severo. Entra aí que eu te explico no caminho. Os dois entram no carro, que dá a partida e anda cerca de cem metros e chegam à casa de severo. MAURÍCIO        —    Gastar gasolina dali aqui. Palhaçada! NANDÃO           —    Olha a miséria, Maurício do Táxi! Bora. Eles se aproximam da casa e tocam a campainha. CORTA PARA: CENA 04. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE. Severo sentado no sofá. Laura vem do quarto. LAURA              —    Será que é a Elisa? SEVERO           —    Deve ser o Nandão e o Maurício. Laura abre a porta. NANDÃO           —    E ai, dona Laura. LAURA              —    Oi, gente. Boa noite. Entrem. Eles entram. NANDÃO           —    Que história é essa Severão de você ter começado a sentir dor no peito? MAURÍCIO        —    (Brinca) Ih... Tá enfartando véio? SEVERO           —    (Sorrir) Pior que quase enfartei mesmo, cara. NANDÃO           —    Mas o que aconteceu que você chegou a falar no seu genro? LAURA              —    Bom, vou ver como a Elisa está. Fiquem a vontade. MAURÍCIO        —    Valeu, dona Laura. Laura sai. MAURÍCIO        —    Mas e então, Severo? Conta essa aí. SEVERO           —    Estava voltando de uma corrida, quando vi o canalha entrar para a floresta com a caixinha de costura da Laura... Severo continua a falar fora de áudio. Instantes. CORTA PARA: CENA 05. CASA ELISA E MARCOS. SALA. INT. NOITE. Elisa se levanta com dificuldade. Alguém bate na porta. ELISA                —    Quem é? LAURA              —    (OFF) Sou eu, filha. Vim ver como você e o Gustavinho estão. ELISA                —    Estamos bem, mãe. LAURA              —    (OFF) Tem certeza, filha? Abre essa porta. ELISA                —    Não, mãe. Estou indo dormir já. LAURA              —    (OFF) Tudo bem então, filha. Até amanhã. ELISA                —    Até. CORTA RÁPIDO PARA: CENA 06. CANARINHO. RUA DA CASA DE ELISA. EXT. NOITE. Laura sai do quintal da filha, fecha o portão e ali fica pensativa. LAURA              —    (P/si) Estranho... Muito estranho. CAM mostra Josias vindo em direção a Laura, triste cabisbaixo, de cabeça baixa, ele passa por ela e nem olha para a mesma. LAURA              —    (P/si) Nossa! Lamentável o estado em que ele ficou depois da morte da Letícia. Mas um homem cabeça dura e resistente à ajuda dos outros dá nisso mesmo. Ele tem que se ajudar para ser ajudado, senão fica difícil. Laura segue caminhando. CORTA PARA: CENA 07. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. Ramiro chega da empresa. Beatriz desce a escada. BEATRIZ           —    Hum... Chegou tarde hoje, querido irmão. RAMIRO            —    Alguém tem que trabalhar nesta família! Em falar nisso, cadê o Marcelo? Hoje era dia dele na empresa. BEATRIZ           —    Pelo que pude ouvir do corredor está lá no quarto tocando violão. RAMIRO            —    Como é que é?! Não acredito que essa fase de hippie dele voltou! BEATRIZ           —    Estou te falando... Só falta agora vestir aquelas roupas ridículas e deixar o cabelo crescer! RAMIRO            —    Essa palhaçada acaba agora! Ramiro sobe as escadas, furioso. BEATRIZ           —    (P/si) Garoto que não quer nada com a vida... CORTA PARA: CENA 08. MANSÃO VIEIRA. QUARTO MARCELO. INT. NOITE. Marcelo toca e canta um trecho da música: “Epitáfio” MARCELO           (Cantarolando) Devia ter amado mais                                     Ter chorado mais                                     Ter visto o sol nascer                                     Devia ter arriscado mais                                     E até errado mais                                     Ter feito o que eu queria fazer... Ramiro bate na porta. RAMIRO            —    (OFF, Firme) Marcelo! Abre essa porta, Marcelo! MARCELO        —    O que é pai? RAMIRO            —    (OFF, Firme) Abre essa porta que precisamos conversar! MARCELO        —    Pelo visto a fofoqueira da tia Beatriz correu pra contar que eu estava tocando violão. RAMIRO            —    (OFF) Abre essa porta, Marcelo. Quero apenas conversar com você. Marcelo se levanta e abre a porta. RAMIRO            —    (Firme) Você só pode ter ficado louco! Achei que já tínhamos conversado sobre isso. MARCELO        —    Nossa! Desse jeito que você queria apenas conversar? RAMIRO            —    Você voltou nessa fase hippie de novo, meu filho? Está terminando a faculdade, tem uma carreira promissora na Fabristilo. Não deixe esse fogo de palha de ser músico atrapalhar sua carreira. MARCELO        —    Pai, eu estou na faculdade não estou? RAMIRO            —    Está! Mas não porque quer! MARCELO        —    Exatamente! RAMIRO            —    Você tem que colocar a mão na consciência, meu filho... Viver de música não é pra você. MARCELO        —    Chega dessa conversa, pai. O senhor não pode me impedir. RAMIRO            —    Não posso! Mas desde que você cumpra com seus compromissos na empresa! Hoje mesmo você deveria ter ido e não foi. MARCELO        —    Amanhã eu vou. RAMIRO            —    (Firme) De manhã, junto comigo! Ramiro sai do quarto e Marcelo fica ali sério. Instantes. CORTA PARA: CENA 09. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE. Severo, Nandão e Mauricio sentados a conversar. NANDÃO           —    Mas que desgraçado, Severo! SEVERO           —    Pra tu ver, cara! O canalha queria se livrar da caixinha de costura da Laura. NANDÃO           —    Esse sujeito merece umas porradas! MAURÍCIO        —    Ainda não dá pra entender porque ele faria isso. SEVERO           —    Aquele canalha é falso! Deve odiar os pais da esposa. Sempre fui contra a Elisa namorar e se casar com ele, mas filhos nos ouvem? Não! MAURÍCIO        —    Complicado. NANDÃO           —    Se eu ver esse sujeito na minha frente! MAURÍCIO        —    Agora quem tá todo esquentadinho é você. Calma aê, cara! SEVERO           —    Deixa, Nandão. Pode deixar que esse canalha ainda vai ter o que merece! MAURÍCIO        —    Tá armando alguma coisa contra o cara, Severo? SEVERO           —    Não. Mas a vida às vezes nos dá uma lição. Torço pra que ela dê uma lição das bem dadas no canalha! CORTA PARA: CENA 10. MANSÃO VIEIRA. SALA DE JANTAR. INT. NOITE. Ramiro e Beatriz sentados à mesa jantando. Uma empregada a parte. Ramiro sério. BEATRIZ           —    Pelo visto a conversa com o filhinho hippie não foi agradável! RAMIRO            —    Fala como se tivesse moral pra isso! E a sua filhinha que tá lá em Paris? BEATRIZ           —    (Sorrir) Ai, meu irmão... Como você é besta. Sempre achando que criou o Marcelo melhor do que eu criei a Viviane. Mas a verdade é que minha filha é uma ex-modelo famosíssima no mundo inteiro, enquanto o Marcelo... RAMIRO            —    O momento do Marcelo brilhar ainda vai chegar. E não será na passarela como a Viviane! Será no mundo dos negócios. BEATRIZ           —    Acorda pra realidade, Ramiro! Você acha mesmo que aquele garoto (desdém) músico vai mesmo querer viver atrás de uma mesa de escritório? RAMIRO            —    Vejamos então! BEATRIZ           —    Quanto ao assunto de minha filha e Rodrigo virem para o Brasil... Já ligou e fez a proposta? RAMIRO            —    Você acha mesmo que chega ao escritório mandando e eu tenho que fazer na hora as suas vontades?! Eu ainda tenho que analisar a hierarquia e ver aonde o Rodrigo pode ser encaixado. BEATRIZ           —    Tudo bem. Só não demore. Fecha em Ramiro furioso olhando Beatriz. Instantes. CORTA PARA: CENA 11. CASA ELISA E MARCOS. QUARTO GUSTAVINHO. INT. NOITE. Gustavinho dormindo descoberto. Elisa entra no quarto de vagar. Cobre o filho, dá um beijinho na testa dele e arremata. ELISA                —    Vai ficar tudo bem, filho... Elisa caminha até a janela, começa a chorar, se vira e fica a olhar o filho. CAM dá close em Gustavinho dormindo. Instantes. CORTA PARA: CENA 12. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. AMANHECER. Takes do nascer do sol. Movimentação de carros e banhistas pela orla da praia de Ipanema. Instantes. CORTA PARA: CENA 13. CASA LAURA E SEVERO. COZINHA. INT. DIA. Laura colocando a mesa do café. Severo vem da sala. SEVERO           —    Bom dia. LAURA              —    Bom dia, meu bem. Como se sente hoje? SEVERO           —    Bem. Pronto pra ir atrás do canalha do Marcos de novo! LAURA              —    Nem pensar. Aquele canalha quase que leva meu Severinho de mim. Pode parar, hein! SEVERO           —    (Dá beijinhos na esposa) Tá com medo de me perder, é sua boba? LAURA              —    Claro! São 35 anos de união, meu amor. Não são 35 dias, não, tá!? SEVERO           —    (Se senta a mesa e se serve) Ontem como os caras estavam aqui eu nem lembrei de te perguntar... Como a Elisa estava? LAURA              —    Estava bem. Quer dizer... Se bem mesmo ela estava eu não sei. SEVERO           —    Como assim, Laura? LAURA              —    Ela não quis abrir a porta, então eu não conseguir ver ela. Mas disse que estava bem. SEVERO           —    Mas que palhaçada é essa? Ela não querer abrir a porta pra você é um absurdo! LAURA              —    Deixa, meu bem. Ela estava indo dormir já. SEVERO           —    (Indignado) Mas isso não impediria de ela abrir a porta e conversar olhando nos seus olhos! Virou o que agora? Pau mandado do canalha do Marcos, a Elisa?! CORTA PARA: CENA 14. PARIS. APART RODRIGO. SALA. INT. DIA. Rodrigo vem do quarto arrumado. Pega o notebook, coloca na mochila, pega as chaves e vai saindo, quando Viviane o para. VIVIANE            —    Aonde você tá indo apressado desse jeito, Rodrigo? RODRIGO         —    Ao escritório do meu pai. Lá com certeza deve ter alguma coisa relacionada a tudo isso que ele disse antes de falecer. VIVIANE            —    Tudo bem, Rodrigo. Eu te conheço e sei que qualquer argumento que eu tiver nesse momento será inútil. Mas toma café antes de ir, depois eu te acompanho. RODRIGO         —    Obrigado, meu amor. Mas eu estou com pressa mesmo! Rodrigo dá um selinho nela e sai. Viviane pega o cel. E liga. VIVIANE            —    (Ao cel.) Rodrigo saiu daqui determinado a encontrar respostas sobre alguma coisa que Pierre disse antes de morrer! E como que eu faço agora? Tá. Vou dar um jeito dele não descobrir nada. Ela desliga. Se senta no sofá, pega o jornal e na primeira página estampada a matéria: “Une enterprise imploquée dans des scandales de pots-de-vin faitchuter ses actions enbourse”. (Empresa envolvida em escândalos de propina, vê suas ações despencarem na bolsa de valores). VIVIANE            —    (P/si) Só o Rodrigo não enxerga que está dando nó em pingo d’água. (Cai na real) Credo! Por que eu falei uma caipirice dessas?! Eu, hein! Sou fina, elegante e chique. Só falo em (Sotaque) Francês. CORTA PARA: CENA 15. CASA ELISA E MARCOS. COZINHA. INT. DIA. Elisa de calça e blusa que tapa todo o braço, servindo o café da manhã de Gustavinho, que está uniformizado. ELISA                —    Pronto, filho. Só não demora pra comer que não temos muito tempo. GUSTAVINHO —    Tá bom, mãe. A senhora tá bem? ELISA                —    Tô. Tô bem, meu filho. Não precisa se preocupar com a mamãe. Marcos surge na cozinha e Gustavinho se assusta. Marcos e Elisa ficam a se olhar seriamente. Instantes. Suspense. CORTA PARA: CENA 16. MANSÃO VIEIRA. SALA DE JANTAR. INT. DIA. Mesa farta. Beatriz, Ramiro e Marcelo sentados à mesa a tomar café. BEATRIZ           —    Tô gostando de ver meu sobrinho. Todo elegante pra aprender mais sobre os negócios da família. MARCELO        —    (Debochado) Sim, titia querida. Vou aprender o máximo que ele me ensinar. RAMIRO            —    Marcelo precisa de um rumo na vida. BEATRIZ           —    E será que você, Ramiro, conseguirá dar esse rumo à vida de seu filho? RAMIRO            —    Destila seu veneno em outro lugar, Beatriz! Do meu filho, cuido eu! BEATRIZ           —    Cuida muito pra não dizer o contrário. Se tivesse pulso firme, o menino não estaria com essa loucura de ser músico novamente; RAMIRO            —    Tenho certeza que Marcelo e eu chegaremos a um consenso sobre isso, né, meu filho? Fecha em Marcelo sério, que não responde nada. CORTA PARA: CENA 17. CASA ELISA E MARCOS. COZINHA. INT. DIA. Continuação imediata da cena 15. ELISA                —    Vamos Gustavinho! GUSTAVINHO —    Mas eu nem terminei de comer! ELISA                —    Você come alguma coisa na rua. Agora vem! MARCOS          —    Elisa, precisamos conversar! ELISA                —    Não tenho nada pra conversar com você, Marcos! MARCOS          —    (Segura ela pelo braço) Por favor... Fecha em Elisa séria. CORTA PARA: CENA 18. CASA ELISA E MARCOS. SALA. INT. DIA. Elisa e Marcos sentados a conversar. MARCOS          —    Elisa, olha... Eu nem seu o que dizer. Me desculpe. Eu estava fora de mim. ELISA                —    É sempre a mesma coisa! Você sempre me diz que estava fora de si, que teve um dia ruim... Eu não tenho nada a ver com isso! Resolva os seus problemas fora de casa e não os traga aqui para dentro! MARCOS          —    Desculpa, Elisa! Eu quero que você me perdoe! (Ajoelha) Estou ajoelhando pra você ver que eu estou falando sério! ELISA                —    Das outras vezes, eu realmente acreditei que você estava falando sério! MARCOS          —    Mas agora é diferente. ELISA                —    (Exaltada) Diferente em que, Marcos? Você me agrediu da mesma forma que as anteriores! MARCOS          —    Fala baixo, Elisa. O Gustavinho pode ouvir! ELISA                —    Ontem se eu não tivesse dito para ele ir para o quarto, ele teria presenciado algo muito pior do que ouvir essa conversa! (Pausa) Faz anos que eu não te conheço mais Marcos. Você não é aquele mesmo homem com quem eu me casei! MARCOS          —    Por isso que eu estou aqui disposto a mudar! Quero tentar novamente! ELISA                —    Não posso impedir que você volte para esta casa! Mas no meu quarto, você não dorme mais! (Chama) Vamos Gustavinho. MARCOS          —    Elisa, não faça isso! ELISA                —    Você escolheu assim. Gustavinho vem da cozinha. GUSTAVINHO —    Comi tudo. ELISA                —    Muito bem, meu filho. Coloca logo a mochila que já estamos atrasados. Gustavinho coloca a mochila e eles vão se direcionando a saída, com Marcos arrematando. MARCOS          —    Sem tchau pro papai, Gustavinho? Eles saem. MARCOS          —    (P/si) É.. A Elisa conseguiu jogar o menino contra mim! CORTA PARA: CENA 19. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA. Homens puxando com porta-paletes, tubos de tecidos enormes, e outros puxam as roupas acabadas, que foram costuradas pelas mulheres, que na máquina de costura estão. CAM aproxima-se das mulheres e vai passando por todas elas focadas no trabalho, paramos em Belinha e Amanda. BELINHA          —    Mãe, eu tô cansada! AMANDA           —    Eu sei, minha filha. Mas temos que terminar isso aqui o quanto antes. (Dá uma tesoura a filha) Pega essa tesoura corta esse tecido. Mas pelo amor de Deus! Não corte muito torto. Corte o mais reto possível, Regina detesta desperdício de material! Sérgio passa pela filha e esposa puxando um palete enorme de tecido, camisa ensopada de suor, pois transpira muito. BELINHA          —    Coitado do meu pai! AMANDA           —    Filha, corta esse tecido antes que alguém venha aqui e ache que não estamos trabalhando. Kléber entra na área de produção com um mega fone. KLÉBER           —    (Ao mega fone) Caminhão na área rapaziada! Descarregar! Homens seguem para o recebimento de mercadorias. KLÉBER           —    (Ao mega fone) Mulheres continuem trabalhando! Kléber sobe a escada para um escritório de vidro com ar condicionado. CAM mostra Regina de dentro da sala a olhar as mulheres trabalhando. CORTA PARA: CENA 20. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA. Regina ainda a olhar. Kléber entra. REGINA             —    Mais um carregamento? KLÉBER           —    Sim. Desta vez são os tecidos de algodão. REGINA             —    Ótimo. O que eu menos quero é o Ramiro ligando pra cá furioso. KLÉBER           —    (A agarra por de trás) Relaxa, Regina. Até que todos estão fazendo bem os seus trabalhos. REGINA             —    Exceto você! KLÉBER           —    Ah é? Então eu tenho sido um garoto mau? REGINA             —    Tem sim! Eles começam a se beijar e Kléber a pega no colo, e a coloca sobre a mesa. Beijos intensos entre o casal. Rádio começa a fala MOREIRA         —    (OFF) Kléber na escuta! KLÉBER           —    O que esse cara quer agora? (Ao rádio) Pode falar, Moreira! MOREIRA         —    (OFF) Os caras não tão sabendo descarregar a carga direito! KLÉBER           —    (Ao rádio) Se eu for aí vai dar ruim pra eles! MOREIRA         —    (OFF) Melhor tu vir! KLÉBER           —    (Ao rádio) Aguenta aí que eu já tô indo. (P/si) Depois a gente continua! Kléber sai do escritório. Regina recompõe-se e vai olhar novamente as mulheres trabalhando. CAM mostra Belinha olhando para ela. Rê faz um: “tô de olho em você” para Belinha, que dá de ombros. REGINA             —    (P/si) Menina abusada. CORTA PARA: CENA 21. PARIS. ESCRITÓRIO. INT. DIA. Rodrigo a vasculhar as gavetas da mesa, estante, arquivo deslizante... Instante. Ele pega uma pasta, senta-se na cadeira e vasculha os documentos. RODRIGO         —    (Lê) Comprovante de pagamento. (Pega mais um documento) Fabristilo? Essa não é a empresa da família da Viviane? (Confuso) Mas como? Viviane entra. RODRIGO         —    O que um comprovante de pagamento da empresa do meu pai tem a ver com a empresa da sua família? Fecha em Viviane séria. Instantes. Suspense. Tensão. CORTA PARA:

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