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Nova chance para amar
Capítulo 3 de 42
Capítulo 3
✍️ Ramon Silva ·📅 27 Apr. 2020 ·👁 0 leituras

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ELISA

GABRIELA

JOSIAS

LAURA

MAURÍCIO

REINALDO

RODRIGO

SEVERO

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

HOMEM, MÉDICO LEGISTA, PADRE, POLICIAL 1 e 2.

CENA 01. AVENIDA BRASIL. EXT. DIA. Continuação não imediata da última cena do capítulo anterior. Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão. Uma equipe dos bombeiros a apagar as chamas do carro. Um dos funcionários do canteiro de obra falando com o Policial e explicando como tudo ocorreu fora de áudio. Alguns curiosos à volta. Instantes. CORTA PARA: CENA 02. FLORESTA. TRILHAS. EXT. DIA. Severo e Maurício andando pelas trilhas. MAURÍCIO        —    Chega, cara! Eu não aguento mais. Estamos andando há horas e nada do tal casal. SEVERO           —    Horas... Deixa de ser exagerado! Estamos andando há vinte minutos e você já tá reclamando? Atenção Sonoplastia: ouvem-se risadas. MAURÍCIO        —    Você ouviu isso também, ou eu tô ouvindo coisas? SEVERO               Não, eu ouvi. Eles se embrenham no mato. Corta para uma área aberta da floresta: Reinaldo ali sem camisa com a pele do peitoral: ressecada, com fissura e com feridas. Gabriela passando em sua barriga, uma solução química cremosa da cor vermelha. REINALDO       —    (Satisfeito) Ai... Aí sim, meu amor. GABRIELA       —    Tá sentindo se tá dando uma melhora? REINALDO       —    Tá. Parece que a sua solução caseira tá resolvendo meu caso. GABRIELA       —    Também, né, meu amor... Foram anos de estudo. REINALDO       —    Nem acredito que agora vou poder ser uma pessoa normal. GABRIELA       —    Não se apresse, meu bem. Ainda temos um longo caminho pela frente. Corta para o mato: Maurício e Severo ali escondidos a espionar o casal. MAURÍCIO        —    Olha a pele daquele cara! SEVERO           —    (Faz sinal da cruz) Credo! Deve ser alguma doença ruim. MAURÍCIO        —    Vamos sair daqui, Severo. Vai que isso é contagioso? SEVERO           —    Você é meio exagerado, Maurício. Mas desta vez, acho que você tem razão. Vamos. Eles se afastam, mas fazem barulho no mato, que se move. Corta para o casal: GABRIELA       —    O que foi isso? REINALDO       —    Será que alguém nos seguiu? GABRIELA       —    Por isso que eu queria fazer isso em casa, e não aqui! REINALDO       —    Mas você tinha que colocar a seiva da árvore fresca na solução. GABRIELA       —    Tá, Reinaldo. Agora fica quietinho e deixa eu terminar de passar isso antes que nos vejam aqui. Ela continua a passar a solução cremosa vermelha no amado. Instantes. CORTA PARA: CENA 03. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER. Takes do anoitecer. Lagoa Rodrigo de Freitas toda iluminada, orla de Copacabana. Instantes. CORTA PARA: CENA 04. CASA LETÍCIA. SALA. INT. NOITE. Rodrigo ali assistindo TV. Josias chega da rua. Rodrigo olha para o tio e desvia o olhar para a TV novamente. JOSIAS              —    Com raiva do seu tio? RODRIGO         —    Não. JOSIAS              —    Ah, bem. E sua mãe, já chegou? RODRIGO         —    Ainda não. JOSIAS              —    Como: ainda não? Ela saiu à tarde. RODRIGO         —    O senhor sabe que única via de acesso ao Ceasa pra quem vai daqui, é a Avenida Brasil. Só vive com lentidão. JOSIAS              —    É você tem razão. (Olha p/relógio) Se bem que desta vez, deve ter acontecido alguma coisa na via. Minha sobrinha nunca demorou tanto assim. CORTA PARA: CENA 05. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. NOITE. Severo e Maurício ali estarrecidos. SEVERO           —    Até agora estou sem palavras para aquelas imagens. MAURÍCIO        —    E eu então? Não deveria ter ido. SEVERO           —    O que será que aquele cara tem? A pele dele é terrível. MAURÍCIO        —    (Nojo) Toda escamosa. Parece que se ralou no asfalto. SEVERO           —    Aquilo deve ser algo muito sério, cara. MAURÍCIO        —    Verdade. Mas tu reparou na mulher dele passando uma coisa vermelha na barriga dele? SEVERO           —    Eu vi. Mas o que será que era? MAURÍCIO        —    Sei lá, meu amigo. Curiosidades que nunca vamos saber. CAM mostra uma viatura da polícia se aproximando da casa dos Garcias. MAURÍCIO        —    (Aponta) Uma viatura da polícia indo pra casa dos Garcias. SEVERO           —    Deveriam prender aquele prego do Jô! Não vou com a cara daquele sujeito! MAURÍCIO        —    (Debocha) Sua vozinha também não brincava em serviço, hein! Severo sério. MAURÍCIO        —    (Recua) Desculpa, cara. Também não precisa ficar desse jeito. CORTA PARA: CENA 06. CASA LETÍCIA. SALA. INT. NOITE. Rodrigo e Josias ali sentados a assistir TV. Josias aflito. Alguém bate na porta. JOSIAS              —    Deve ser a Letícia. Jô vai abrir a porta e são dois Policiais. POLICIAL1       —    Boa noite. JOSIAS              —    Boa noite, policial. POLICIAL1       —    A senhora Letícia Garcia. JOSIAS              —    Ah, sim. É minha sobrinha, mas ela não está. POLICIAL1       —    É justamente sobre a ausência dela que queremos falar. JOSIAS              —    Como assim? Aconteceu alguma coisa com a minha sobrinha? CAM mostra Rodrigo, que desliga a TV e se aproxima da porta. RODRIGO         —    O que tá acontecendo, tio? JOSIAS              —    Os policiais disseram estar aqui pra falar da Letícia. RODRIGO         —    (P/Policial) Minha mãe tá presa? POLICIAL1       —    Não, pois infelizmente ela não está mais entre nós. RODRIGO         —    Minha mãe... Morreu? Atenção Sonoplastia: Instrumental – Triste. Rodrigo tem uma crise profunda de choro. JOSIAS              —    Mas como aconteceu uma coisa dessas? POLICIAL1       —    Segundo testemunhas, ela perdeu o controle do carro, invadiu um canteiro de obras e capotou diversas vezes. JOSIAS              —    (Transtornado) Meu deus... Por que justo com a Letícia que era tão certinha? POLICIAL1       —    Olha, eu sei que é um momento delicado, mas precisamos que um dos dois nos acompanhe para fazer o reconhecimento do corpo. JOSIAS              —    Tudo bem, eu vou. RODRIGO         —    Eu também vou. CORTA PARA: CENA 07. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE. Elisa vem do quarto e se senta no sofá. Laura entra com correspondências em mãos. LAURA              —    Contas, contas e mais contas... É um ciclo vicioso que nunca tem fim! ELISA                —    Muito altas? LAURA              —    Vou ver agora. Laura se senta ao lado da filha e abre a conta de telefone. LAURA              —    Mas o que é isso? ELISA                —    O que, mãe? LAURA              —    Olha esse valor! Espera aí... Esse número aqui... Ficaram conversando por mais de uma hora. CAM mostra reação de Elisa que arregala os olhos, aflita. LAURA              —    Que número é esse que você fica ligando quando não tem ninguém em casa, Elisa? Fecha em Elisa séria. Instantes. Suspense. CORTA PARA: CENA 08. INSTITUTO MÉDICO LEGAL. NECROTÉRIO. INT. NOITE. Rodrigo e Josias entram acompanhados de um médico legista. O doutor levanta o lençol de um dos corpos. JOSIAS              —    É ela! RODRIGO         —    É minha mãe, tio! Josias abraça o sobrinho. MÉDICO LEG.  —    Só conseguimos identificá-la graças a um documento que deve ter vazado do carro no ato da capotagem. JOSIAS              —    Mas como que pode? Minha sobrinha sempre foi certinha. O que poderia ter causado a morte dela? MÉDICO LEG.  —    Bom, ela pode ter perdido o controle do carro. RODRIGO         —    (Chorando profundamente) Eu não entendo... Josias abraça o sobrinho novamente. Instantes. Tristeza. CORTA PARA: CENA 09. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE. Continuação da cena 07. LAURA              —    Vambora, Elisa! Eu te fiz uma pergunta e quero que ela seja respondida. ELISA                —    Como que é que eu vou saber que número é esse, mãe? LAURA              —    Não quer falar? Então vou ligar agora pra saber de onde é. Laura pega o tel. fixo e liga. LAURA              —    Tá chamando. (Pausa) Estranho... Ninguém atendeu. ELISA                —    Não... Fica aí desconfiando de mim! LAURA              —    Apenas te fiz uma pergunta, Elisa. Severo chega da rua. LAURA              —    Oi, meu amor. Como é que foi o dia hoje? SEVERO           —    Uma porcaria! Não entendo essa crise que estamos passando. LAURA              —    Ôh, meu amor. Não fica assim não. Breve, breve as coisas vão melhorar. Laura tenta cortejar o marido, mas ele a recusa. SEVERO           —    Dá licença, Laura. Não tô a fim de conversa, não. Ele vai pro quarto. ELISA                —    Ih... Seu Severinho chegou com a macaca hoje. LAURA              —    Liga não, filha. Seu pai tem os dias dele. CORTA PARA: CENA 10. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. AMANHECER. Takes do nascer dos sol na Pedra do Arpoador. Instantes. CORTA PARA: CENA 11. CASA LAURA E SEVERO. COZINHA. INT. DIA. Elisa (uniformizada) e Laura sentadas à mesa a tomar café da manhã. Severo chega com um bolo de padaria. LAURA              —    Demorou com o bolo, hein, meu amor! SEVERO           —    No bairro não se fala outra coisa hoje. LAURA              —    Como assim, meu bem? O que aconteceu? SEVERO           —    A Letícia, sobrinha do tal do Jô sofreu um acidente de carro e morreu carbonizada. LAURA              —    (Horrorizada) Meu Deus! ELISA                —    (Perplexa, entredentes) Ela ia dar um jeito... SEVERO           —    Do que você tá falando, minha filha? ELISA                —    (Saindo apressada) Dá licença. SEVERO           —    Eu, hein! Entendeu alguma coisa, Laura? Ela meneia a cabeça que não. CORTA PARA: CENA 12. CANARINHO. PRAÇA. EXT. DIA. Rodrigo ali chorando sentado aos pés (patas) da escultura enorme do canarinho dourado. Elisa, uniformizada, de mochila, se aproxima. ELISA                —    Rodrigo. (Dá um abraço apertado no amado) Fiquei sabendo agora do que aconteceu. Eu sinto muito. RODRIGO         —    (Chorando) Porque tinha que ser justo ela, Elisa? ELISA                —    (O abraça) Oh, Rodrigo... Olha, eu nem sei o que te dizer. Eles ficam ali abraçados. CAM mostra o mesmo Homem dos capítulos anteriores a observar dos dois. Instantes. CORTA PARA: CENA 13. CASA LETÍCIA. SALA. INT. DIA. Josias ali ao tel. fixo. JOSIAS              —    (Ao tel.) É, foi ontem. (Pausa) Obrigado pelas condolências. Ainda estou tentando entender o que teria acontecido. Você mais do que ninguém sabe que a Letícia era muito certinha quanto a isto. Ela não gostava de andar sem o cinto de segurança. (Pausa) É verdade. Bom saber que você pensa isso. (Pausa) Não, não me meteria na sua decisão. Então compre uma passagem pra hoje se possível. Aguardo seu retorno. Ele desliga e fica ali sério, pensativo. Instantes. Suspense. CORTA PARA: CENA 14. CASA DO CASAL MISTÉRIO. SALA. INT. DIA. Gabriela a fazer algumas anotações. GABRIELA       —    (P/si) Mas como pode a solução falhar sem a seiva fresca? Tem alguma coisa de errado. Reinaldo chega, com uma sacola de pães. REINALDO       —    Estão comentando que tem uma mulher aqui no bairro, que sofreu um acidente de carro e morreu queimada. GABRIELA       —    Essa é a lei da vida, meu caro. Nascemos para morrer um dia mesmo. REINALDO       —    Nossa, Gabi. Também não tem necessidade de ser insensível. GABRIELA       —    Você não entenderia. Mas quando se vive para a ciência, não perdemos tempo com o que já sabemos que irá acontecer. REINALDO       —    Sem sentimento nenhum, você. GABRIELA       —    Meu amor, eu estou estudando há anos pra ajudar a melhorar a sua qualidade de vida, e eu sou sem sentimentos? Estudei, pesquisei descobrir que na floresta deste bairro há uma árvore que pode ser a salvação para muitas pessoas que passam pela mesma situação que você... E eu sou insensível? (Firme) Ictiose! Não me chame de insensível! REINALDO       —    Desculpa, meu amor. Falei sem pensar. GABRIELA       —    Isso aqui não é só pela vida do meu marido, mas pela de muitos pelo mundo. CORTA PARA: CENA 15. CEMITÉRIO. EXT. DIA. Cortejo do caixão seguindo até o local do sepultamento. Josias e Rodrigo arrasados choram muito. Poucos figurantes participam do sepultamento. CAM mostra Elisa entre os túmulos a olhar. Laura chega perto da filha. LAURA              —    Imaginei que você estaria aqui. ELISA                —    (Assustada) Mãe? Eu só estava/ LAURA              —    (Corta) Não precisa se explicar. Me contaram tudo já. Eu sei que você ama esse rapaz. Vem? ELISA                —    Pra onde? LAURA              —    Vamos prestar as nossas condolências. Num momento como este, não há rivalidade que prevaleça! As duas se aproximam do local do sepultamento. PADRE              —    Assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Nossa amiga, irmã em Cristo, Letícia. Uma mulher muito religiosa, devota de nossa senhora, com fé. Laura e Elisa se aproximam. JOSIAS              —    Mas o que essas duas fazem aqui? RODRIGO         —    Pelo amor de Deus, tio! Não começa! JOSIAS              —    (Aponta p/Elisa) Essa menina é a responsável por tudo isso. LAURA              —    Como ousa dizer que minha filha é a responsável pela morte da sua sobrinha?! JOSIAS              —    Ela com certeza ficou desolada, quando soube que essa daí tava arrastando meu sobrinho pro mal caminho! LAURA              —    Fala como se seu sobrinho não soubesse o que estava fazendo! JOSIAS              —    Aposto que usou da sensualidade pra abocanhar meu sobrinho! LAURA              —    Não tenho que ficar ouvindo esses absurdos desrespeitosos com minha filha! Vamos embora daqui, filha. Foi um erro termos vindo. JOSIAS              —    Foi mesmo! Fora daqui vocês duas! Elisa olha Rodrigo por um instante, ele quer se impor, mas não consegue. LAURA              —    (Chama) Vamos, Elisa! Elisa corre até a mãe. JOSIAS              —    Desculpe por isso, Padre. Pode prosseguir. O Padre volta a falar fora de áudio. Close em Rodrigo a olhar a amada se distanciar com a mãe. Instantes. CORTA PARA: CENA 16. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA. Elisa e Laura entram. LAURA              —    Um dos maiores erros da minha vida foi ter pisado naquele cemitério! ELISA                —    Ele estava de cabeça quente. LAURA              —    Não. Ele é um cabeça dura, isso sim! Aonde já se viu tratar duas pessoas que estavam ali para dar um apoio daquele jeito? ELISA                —    O Rodrigo quase nem falou nada também. LAURA              —    O Rodrigo é um dos que mais está sofrendo com tudo isso, minha filha. É mãe dele. Mãe que ele nunca mais verá. ELISA                —    Verdade, mãe. Ele agora precisa do meu apoio. LAURA              —    É isso aí, filha. Severo vem do quarto sério. SEVERO           —    (Bate palmas) Parabéns para as duas! Não pensaram duas vezes antes de ir àquele cemitério. LAURA              —    Como você soube? ELISA                —    Aquele fofoqueiro do Maurício deve ter ligado pra ele, mãe! LAURA              —    Bem que eu pensei em não ir de táxi. SEVERO           —    (Dá um tapa na cara de Elisa, Firme) E essa sem vergonha ainda está de futriquinho com um Garcia! LAURA              —    Não encosta um dedo na menina, Severo! SEVERO           —    Por que não? Ela também é minha filha, e se você não dá a devida correção, eu dou! (Solta o cinto da calça) LAURA              —    Você não vai encostar um dedo na minha filha! SEVERO           —    Filha que cometeu um erro terrível como este, merece ser punida sim! LAURA              —    Você vai machucar ela, Severo. Deixa que eu corrijo ela! SEVERO           —    Você? (Sorrir debochado) Foi a primeira a se aboletar num táxi e correr pro cemitério apoiar eles. LAURA              —    Mas é claro. Eu já perdi um irmão e sei como é esta dor! Se pra você uma rivalidade ridícula da década de 70 vale mais que uma vida, então me casei com o homem errado! (P/Elisa) Vamos filha. As duas vão para o quarto. Severo fica ali sério. Instantes. Tensão. CORTA PARA: CENA 17. CASA LETÍCIA. SALA. INT. DIA. Josias atende o tel. Fixo que está a tocar. JOSIAS              —    (Ao tel.) Conseguiu? Mas que ótima notícia! Pode deixar que hoje mesmo essa palhaçada acaba! Au revoir. Ele desliga e vai para o quarto. Tensão. CORTA PARA: CENA 18. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER. CAM aérea dinâmica. Avião pousando no aeroporto Santos Dumont, Cristo Redentor iluminado de verde. Instantes. CORTA PARA: CENA 19. CANARINHO. PRAÇA. EXT. NOITE. Elisa e Rodrigo escondidos em uma das asas do canarinho dourado. ELISA                —    Meu pai descobriu tudo e ficou uma fera. Se não fosse minha mãe, ele teria me espancado. RODRIGO         —    Eu sinto muito por tudo isso, Elisa. ELISA                —    Ei. Não fale como se a culpa fosse só sua ou nossa. Nós temos o direito de seguir o nosso coração nos amar sim! RODRIGO         —    Eu sei... Mas sei lá! Depois de tudo isso eu estou aéreo. ELISA                —    Eu sei, Rodrigo. Não é fácil lidar com uma perda como esta. Mãe é mãe. Amor de mãe é sem igual. E o nosso amor por elas também é sem igual. RODRIGO         —    Pois é. E antes dela ir para a morte, me disse que daríamos um jeito no nosso namoro, Elisa. Mas não deu tempo. (chora) ELISA                —    (Abraça ele) É. Você me ligou dizendo. Mas vamos manter viva esta vontade dela. Se ela disse que daríamos um jeito, vamos dar um jeito! Tá bom? RODRIGO         —    (Chorando) Tá. ELISA                —    (Tira do bolso um papelzinho) Finalmente comprei um chip pro meu celular. Este é o meu número. Pode me ligar a hora que você quiser. RODRIGO         —    Obrigado, Elisa. Eu sinceramente não sei o que seria de mim sem você agora. Sem o seu apoio eu desmoronaria. ELISA                —    (Encantada) Ah... Fofo e trágico ao mesmo tempo. Mas eu tô aqui pra te apoiar. RODRIGO         —    Obrigado. Eles se beijam. Instantes. ELISA                —    Como vocês vão fazer agora? RODRIGO         —    Eu não sei. Agora é viver um minuto de cada vez. Depois que uma coisa dessas, não tenho pique pra fazer planos. ELISA                —    Te entendo. O seu tio foi super grosseiro com a gente lá no cemitério, mas eu entendo o lado dele. Estava transtornado com tudo isso que estava acontecendo. RODRIGO         —    Pode até ser. Mas nada justifica o ato dele em tratar você e sua mãe daquele jeito. A propósito... (Tira do bolso um pingente) Toma. ELISA                —    Que isso, Rodrigo? RODRIGO         —    Era o pingente que minha mãe mais gostava. Estou dando para uma das pessoas mais importantes da minha vida. ELISA                —    Nossa, Rodrigo! É lindo! Atenção Sonoplastia: Quando um Grande Amor se Faz. Elisa dá um selinho nele. ELISA                —    Agora vamos curtir nosso momento aqui juntinhos.. (Abraça ele) Bem romântico conversar com o meu amor debaixo da asa do canarinho! Eles dão um beijinho. Instantes. Romance. CORTA PARA: CENA 20. CASA LETÍCIA. SALA. INT. NOITE. Josias ali sentado, sério. Uma mala perto dele. Rodrigo chega da rua. RODRIGO         —    Ah. Oi, tio. Nem vi o senhor aí. (Ver a mala) De quem é essa mala? JOSIAS              —    Sua! Você embarca hoje mesmo para a França. Fecha em Rodrigo sério, assustado com a notícia. Instantes. Suspense. Tensão. CORTA PARA:

FIM DO TERCEIRO CAPÍTULO

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