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Nova chance para amar
Capítulo 1 de 42
Capítulo 1
✍️ Ramon Silva ·📅 22 Apr. 2020 ·👁 0 leituras

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ELISA

GABRIELA

JOSIAS

LAURA

LETÍCIA

MAURÍCIO

REINALDO

RODRIGO

SEVERO

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

CLIENTE, HOMEM e PROFESSOR DE ED. FÍSICA.

    CENA 01. PRAIA DE COPACABANA. CALÇADÃO. EXT. DIA. LETREIRO: COPACABANA, 2005. CAM de longe, aproxima-se de um jovem casal caminhando de mãos dadas, a moça parece embasbacada com tudo que o rapaz mostra fora de áudio. ELISA                —    (OFF, Narrando) Dizem que o amor é capaz de ultrapassar qualquer obstáculo... Mas até que ponto esse amor é capaz de suportar? Pois como dizia Sêneca: “o amor não se define, sente-se”. Então podemos dizer que o amor que eu sinto por ele é capaz de tudo. CORTA PARA: CENA 02. PRAIA DE COPACABANA. QUIOSQUE. EXT. DIA. Rodrigo e Elisa ali a tomar água de coco. RODRIGO         —    Espero que você não tenha ficado chateada comigo. ELISA                —    E por que eu ficaria chateada contigo, seu bobo? RODRIGO         —    Eu sei que prometi algo diferente, mas foi o que deu pra fazer dessa vez. ELISA                —    Eu tô adorando tudo. (Brinca) Você até que se sai como um bom guia turístico. RODRIGO         —    Engraçadinha... Mas agora falando sério. Tô meio preocupado. ELISA                —    Com o quê? RODRIGO         —    As nossas famílias vivem em pé de guerra. Como que podemos progredir no nosso namoro desse jeito? Eu te amo, Elisa! Quero formar com você uma família algum dia. ELISA                —    Eu sei, Rodrigo. Eu também te amo. Mas você sabe que o universo está conspirando contra a gente. Melhor continuarmos assim por enquanto. Depois vemos o que podemos fazer. RODRIGO         —    Isso é errado! Eu não posso esconder o amor que sinto por você por causa de uma rixa familiar antiga! CORTA PARA: CENA 03. CANARINHO AMARELO. STOCK-SHOTS. EXT. DIA. Takes do bairro. Em praça pública, no centro do bairro, temos uma escultura enorme de um Canarinho Dourado. Ponto de táxi ali com três carros parados, os motoristas a conversar e sorrir fora de áudio. Bar do Tio Jô cheio de clientes. Fachada da casa de Laura e Severo. CORTA PARA: CENA 04. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA. Laura a olhar pela janela. LAURA              —    (P/si) Movimentação hoje no território inimigo está até calma. Severo chega da rua. SEVERO           —    Nossa! Mas será possível que toda vez que eu entro nesta casa, você está bisbilhotando os Garcias? LAURA              —    Alto lá, meu amor! Eu apenas estou dando uma conferida pra ver se tudo está nos conformes. SEVERO           —    Ah, sim. E você sabe muito bem como isso se chama. Linguão! Fofoqueira! LAURA              —    Falou o senhor “certinho” que fica no ponto de táxi só de olho na vida alheia! SEVERO           —    Cadê a Elisa? LAURA              —    Não muda de assunto. Toquei na ferida e logo muda de papo. SEVERO           —    É sério, Laura. Cadê a Elisa? LAURA              —    Ela disse que ia à casa de uma amiguinha. SEVERO           —    Que amiga? LAURA              —    Não sei. Mas por que todas essas perguntas? SEVERO           —    Nada não. Só tô suspeitando de algo. LAURA              —    Suspeitando de que, homem? CORTA RÁPIDO PARA: CENA 05. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. INT./ EXT. DIA. Flashback: Severo ali dentro de seu táxi, quando vê Elisa passando pela praça. A moça parece estar fugindo, olhando para trás todo instante. SEVERO           —    (P/si) Pra onde ela tá indo? Corta para fora do táxi: Severo sai e fica a olhar a filha se distanciar, até que ela vira por uma, e ele a perde de vista. SEVERO           —    (P/si) Eu, hein! Essa garota pra esses lados do bairro. Ela não frequenta aquela área. Pra onde você está indo, hein, Elisa? CAM mostra Rodrigo saindo do bar do tio e seguindo o mesmo trajeto que Elisa. SEVERO           —    (P/si) Lá vai mais um primogénito dos mal caráter dos Garcias! CORTA RÁPIDO PARA: CENA 06. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA. Continuação da cena 04. LAURA              —    Espera aí. Você não está insinuando que a nossa filha está com esse garoto, está? SEVERO           —    Não estou insinuando nada, Laura. Apenas trouxe os fatos. Reflita! LAURA              —    Nossa filha nunca se envolveria com um Garcia! Ela sabe da rixa histórica de vocês. CORTA PARA: CENA 07. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA. Letícia a servir uma mesa. LETÍCIA            —    (Simpática) Aqui está o seu pedido, senhor. Prato do dia hoje é uma feijoada que está divina. Caprichamos! CLIENTE          —    Vou provar então. O jeito como você fala do prato, tá me deixando com água na boca. LETÍCIA            —    Bom apetite, querido. Ela se afasta com a bandeja. Josias entra no bar apressado. JOSIAS              —    (Esbaforido) Minha sobrinha! Minha sobrinha! LETÍCIA            —    Calma, tio. Desse jeito o senhor vai ter um troço. Aconteceu alguma coisa? JOSIAS              —    Você não vai acreditar no que eu fiquei sabendo... Atenção Sonoplastia: Entra aqui cuíca de grilo. LETÍCIA            —    Estou esperando o senhor falar. JOSIAS              —    Um dos ambulantes da praia de Copacabana, que mora aqui no bairro, disse ter visto o Rodrigo na paria acompanhado de uma menina. LETÍCIA            —    (Feliz) Não acredito. Meu filho tá namorando e não falou comigo?! JOSIAS              —    Pois é, minha sobrinha. Parece que aqui somos os últimos, a saber, das coisas. CORTA PARA: CENA 08. CANARINHO AMARELO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER. Takes do anoitecer no bairro. Instantes. CORTA PARA: CENA 09. BAR DO TIO JÔ. COZINHA. INT. NOITE. Letícia a lavar louça. Josias trazendo mais. JOSIAS              —    O dia hoje foi uma loucura! LETÍCIA            —    Foi mesmo, tio. Mas graças a Deus, né? Assim nós podemos ir vivendo dos bons frutos do bar. JOSIAS              —    Verdade, minha sobrinha. Só de pensar que não precisamos somente do dinheiro do Pierre, já é motivo de alegria. LETÍCIA            —    Nunca quis esse dinheiro. Mas a necessidade falou mais alto e fui obrigada a aceitar. JOSIAS              —    Mas você sabe, né, minha sobrinha? O Pierre pode estar em qualquer lugar do mundo que ele ainda tem obrigação com o filho. LETÍCIA            —    Filho que ele nunca quis saber! JOSIAS              —    Mas você também escondeu dele quando engravidou! LETÍCIA            —    O senhor está do lado de quem, tio? JOSIAS              —    Deixa pra lá, minha sobrinha. Não quero brigar com você por causa disso. CORTA PARA: CENA 10. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE. Laura ali sentada séria, pensativa. Elisa chega da rua. ELISA                —    (Feliz) Boa noite, mãe. LAURA              —    Boa noite, minha filha. Pelo visto o dia todo na casa da amiga foi muito bom. ELISA                —    Nem tanto, né, mãe? Fui na minha amiga fazer o planejamento do nosso trabalho de fim de ano. LAURA              —    Ah, sim. E o que decidiram sobre o trabalho? ELISA                —    A senhora interessada em saber sobre o trabalho de escola? LAURA              —    Ué, filha. Não posso saber com anda a sua vida escolar? ELISA                —    Pode. Só estranhei. Mas a gente decidiu que vai apresentar algo relacionado ao natal. Ainda não decidimos tudo detalhadamente. LAURA              —    Legal. ELISA                —    Cadê o seu Severinho do meu coração? LAURA              —    Tá rodando ainda. ELISA                —    Bom, agora vou tomar um banho. (Dá um beijo no rosto da mãe) Te amo! LAURA              —    Também te amo, filha! CORTA PARA: CENA 11. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. NOITE. Táxi de Severo se aproxima do ponto. Ele salta do carro. SEVERO           —    (P/si) É, o dia hoje tá fraco de clientes. Táxi de Maurício se aproxima, ele buzina. MAURÍCIO        —    Ainda aí, cara? O movimento hoje tá fraco demais. Vou pra casa curtir minha patroa e meus filhos. SEVERO           —    Eu vou ficar mais um pouco. Depois vou pra casa. MAURÍCIO        —    Então tá, chefe. Boa noite e fica atento aí. SEVERO           —    Pode deixar. Severo fica a olhar táxi de Maurício se afastar. Severo volta para dentro do táxi e liga o rádio na narração do futebol. SEVERO           —    (P/si) Vamos lá Vascão! Temos que ganhar essa partida! CORTA PARA: CENA 12. CASA LETÍCIA. SALA. INT. NOITE. Letícia e Josias entram. LETÍCIA            —    Que dia, tio. Estou cansada! JOSIAS              —    Eu também. Vou é tomar um banho. LETÍCIA            —    Sorte sua que pode tomar banho agora. Eu tenho que encarar fogão mais uma vez. JOSIAS              —    Então vamos fazer o seguinte: como o dia hoje foi maçante, acho que merecemos uma pizza. Que tal? LETÍCIA            —    Ótima ideia! Só assim eu descanso. JOSIAS              —    Vou tomar um banho primeiro, depois eu ligo. LETÍCIA            —    Tá bom, tio. Josias vai para o banheiro. Letícia liga a TV e fica ali pensativa. Insert do áudio da cena 09. LETÍCIA            —    (OFF) Filho que ele nunca quis saber! JOSIAS             —    (OFF) Mas você também escondeu dele quando engravidou! LETÍCIA            —    (P/si) Pierre nunca foi pai! Na primeira oportunidade, não pensou duas vezes e voltou pra França!           CORTA PARA: CENA 13. CASA LETÍCIA. QUARTO RODRIGO. INT. NOITE. Rodrigo na escrivaninha a estudar. Letícia entra. LETÍCIA            —    Licença, filho. RODRIGO         —    Oi, mãe. LETÍCIA            —    Como é que foi o seu dia? RODRIGO         —    Bom. LETÍCIA            —    Mas só ‘bom’? RODRIGO         —    E por que seria diferente? LETÍCIA            —    Ah, sei lá. Vai que você não quer me contar alguma coisa, não sei. RODRIGO         —    Fica tranquila, mãe. Meu dia foi ótimo, mas não teve nada de diferente. LETÍCIA            —    Hum... Então tá, né?! Logo que é assim, então tá bom. Letícia sai do quarto, deixando Rodrigo desconfiado. Instantes. CORTA PARA: CENA 14. CASA LAURA E SEVERO. QUARTO ELISA. INT. NOITE. Elisa deitada abraçada ao travesseiro, sorrindo, pensativa. INSERT-FLASH da imagem de Rodrigo sorrindo. ELISA                —    (P/si, apaixonada) Meu amor... Não posso deixar de amar o Rodrigo por causa de uma guerra familiar do tempo dos Dinossauros. Nosso amor é mais forte que tudo isso. CORTA PARA: CENA 15. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. NOITE. Bairro deserto. Severo olha pra o relógio. SEVERO           —    (P/si) Chega. Já passou da hora de ir embora! Severo entra no carro e dá a partida. CAM mostra um casal todo de preto, dos pés a cabeça saindo da floresta e passando pela praça do canarinho de mãos dadas. Eles andam totalmente tensos. SEVERO           —    (P/si) E lá vai o casal misterioso de preto... O que será que dá na cabeça desses pra andar de preto a todo instante? Ainda mais quando se mora no Rio de Janeiro. Rio 40 graus. Deixa eu ir pra casa que eu ganho mais. CAM abre o plano no carro se afastando e o casal chegando a sua casa. CORTA PARA: CENA 16. CASA LETÍCIA. SALA. INT. NOITE. Letícia sentada intrigada, distante. A TV ligada. Josias vem do banheiro após o banho. JOSIAS              —    Me sinto até renovado! Depois de um dia de trabalho, um banho é tudo que a gente quer. Tirar todo o peso do dia. (Percebe Letícia longe) Letícia, eu tô falando com você! LETÍCIA            —    Ah! Oi, tio. O que o senhor tava falando? JOSIAS              —    Ih... Quando tá assim é porque aconteceu alguma coisa. LETÍCIA            —    Eu acho que o Rodrigo não é meu amigo, sabe? JOSIAS              —    Como assim, minha sobrinha? LETÍCIA            —    Acho que ele não confia em mim pra conversar sobre certos assuntos. JOSIAS              —    Mas você sabe que o Rodrigo é meio fechadão mesmo. Até comigo ele não conversa sobre tudo. LETÍCIA            —    Fui lá ao quarto dele pra conversar, ver se ele falava algo relacionado a tal garota, mas ele não falou nada. JOSIAS              —    O Rodrigo é um adolescente meio tímido. Talvez seja isso. LETÍCIA            —    Sei lá, tio. Como eu sou mãe e pai. Bate uma preocupação de não estar fazendo certo, sabe? JOSIAS              —    Mas você é uma ótima mãe, Letícia! E é isso que importa! Josias abraça a sobrinha. Instantes. CORTA PARA: CENA 17. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. AMANHECER. Takes do amanhecer, com ênfase no bairro de Copacabana. Instantes. CORTA PARA: CENA 18. COLÉGIO ESTADUAL. FRENTE. EXT. MANHÃ. CAM mostra Rodrigo escondido com uma rosa nas mãos. Elisa se aproxima e fica a procurar por alguém. ELISA                —    (P/si) Será que ele me enganou? Rodrigo vem por de trás de Elisa de mansinho e grita. RODRIGO         —    (Grita) Aqui estou! ELISA                —    (Assustada) Ai, Rodrigo! Que ridículo! Você quase me mata do coração! RODRIGO         —    Que isso, Elisa? Tá andando muito assustadinha. ELISA                —    Claro, você me vem e grita no meu ouvido, quer o quê?! RODRIGO         —    (Entrega a rosa) Toma. Uma rosa para outra rosa mais linda. ELISA                —    (Encantada) Ai, Rodrigo. Só você mesmo pra me fazer sentir raiva e te amar ao mesmo tempo. Os dois se beijam apaixonados. Instantes. Romance. CORTA PARA: CENA 19. CASA LAURA E SEVERO. COZINHA. INT. MANHÃ. Laura e Severo sentados a tomar café da manhã. Severo pensativo, brincando com a colher na xícara de café. LAURA              —    O que você tem homem? SEVERO           —    Nada. Só estava pensando numa coisa aqui. LAURA              —    E eu posso saber do que se trata? SEVERO           —    Ontem eu estava prestes a vir pra casa, quando vi um casal todo de preto passando pela praça. LAURA              —    Já sei. Está falando do casal mistério. Não vejo problema nenhum neles usarem preto. SEVERO           —    É que eles estavam andando estranho. Pareciam tensos. LAURA              —    (Sorrir) Tensos? Mas por quê? SEVERO           —    Eles andavam com o corpo ereto e meio que roboticamente. LAURA              —    Tá achando que o casal da casa 556 são robôs, é isso? SEVERO           —    Não necessariamente. Apenas estou comentando. E a Elisa, chegou que horas ontem? LAURA              —    Acho que era por volta de umas sete e pouca. SEVERO           —    Tava na casa da tal amiga mesmo? LAURA              —    Ela disse que estavam planejando sobre a apresentação de fim de ano no colégio. SEVERO           —    Até que as peças de teatro que eles fazem ficam boas. LAURA              —    Ficam sim. Agora eu preciso ir, meu bem. Se Deus quiser hoje esse exame sai. Bom dia lá no ponto. SEVERO           —    Obrigado. E boa sorte. LAURA              —    (Dá um selinho no amado) Obrigada! Laura sai. SEVERO           —    (P/si) Certeza que aquele casal não é muito certo. Severo permanece ali pensativo. CORTA PARA: CENA 20.  COLÉGIO ESTADUAL. QUADRA. INT. DIA. Vários alunos ali se alongando, incluindo Rodrigo. Um professor perto dando as coordenadas fora de áudio. CAM vai buscar Elisa chegando à quadra, ainda com a rosa que ganhou. Ao ver Rodrigo, ela acena para ele e se senta na arquibancada. PROFESSOR   —    Muito bem rapaziada. Descansem por alguns minutos e depois continuamos. Os alunos se dispersam. Rodrigo vai até a amada e dá um beijinho nela. ELISA                —    Você tá louco, Rodrigo? Não podemos ficar se beijando aqui dentro do colégio! RODRIGO         —    Por que não? Não posso mostrar para todos que te amo? ELISA                —    Poder até pode, mas de outra forma, né! RODRIGO         —    Você não tinha aula de química agora? ELISA                —    Professora Eliane teve um contratempo e não pôde vir. RODRIGO         —    Entendi. Aí você decidiu vim ver seu namorado. ELISA                —    Claro. RODRIGO         —    Só pela sua visita vou marcar um gol pra você! ELISA                —    Só quero ver! RODRIGO         —    Então sinta-se homenageada daí! PROFESSOR   —    (Apita) Muito bem, rapaziada. Vamos começar. Todos se juntam perto do professor. E a partida começa. Rodrigo meio perdido em meio de campo. Elisa sorrir do amado. Ele consegue a posse de bola, mas não consegue marcar. Elisa fica frustrada com o amado. Corte descontínuo: Rodrigo com tudo na posse de bola. Ele dribla um, outro e marca um gol para a alegria do time e de Elisa. ELISA                —    (Comemora) É isso aí! Rodrigo do meio campo aponta para Elisa e joga um beijo, ela retribui. O jogo continua. Instantes. CORTA PARA: CENA 21. RUA. ÔNIBUS. INT. DIA. Ônibus vazio. Elisa e Rodrigo sentados. RODRIGO         —    Viu o golaço? ELISA                —    Vi. Me senti lisonjeada com a homenagem. RODRIGO         —    Você merece. Eles se beijam. ELISA                —    Rodrigo, no ônibus não! Não deveríamos nem estar sentados um ao lado do outro. Vai que tem alguém lá do bairro no ônibus?! RODRIGO         —    Desencana, Elisa. ELISA                —    Desencana... Se descobrem que estamos juntos, eu nem sei o que pode acontecer. RODRIGO         —    Vou descer um ponto antes então. ELISA                —    Tá bom. Rodrigo puxa a cigarra. Antes de descer, ele joga um beijinho pra ela que sorrir encantada. Elisa se levanta e puxa a cigarra em seguida. CORTA PARA: CENA 22. CANARINHO. RUA. EXT. DIA. Ônibus se aproxima e Elisa salta. CAM mostra um homem mais a frente entrando no bar do Tio Jô. CORTA RÁPIDO PARA: CENA 23. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA. Josias ali na porta com o Homem. JOSIAS              —    Não foi ralar hoje, cara? HOMEM             —    Hoje não. Depois do fim de semana todo trabalhando, mereço um diazinho de descanso. JOSIAS              —    Verdade. Até porque ninguém é de ferro. CAM mostra Elisa passando em frente ao bar e parando no portão de casa. Ela fica a procurar algo na mochila. HOMEM             —    (Aponta) Tá vendo aquela garota ali? JOSIAS              —    Sim, o que tem ela? HOMEM             —    Ela que estava na praia com o Rodrigo. JOSIAS              —    Como é que é? (Grita) Letícia! Letícia vem da cozinha rapidamente. LETÍCIA            —    O que, tio? Aconteceu alguma coisa? JOSIAS              —    Aconteceu uma tragédia! LETÍCIA            —    Como assim, tio? O senhor está me deixando preocupada! JOSIAS              —    É de se preocupar mesmo! Ele é o ambulante que eu te disse ontem ter visto o Rodrigo na praia com uma garota. LETÍCIA            —    Ah, sim. Muito prazer. HOMEM             —    O prazer é todo meu. JOSIAS              —    Ele estava na praia com a filha do Severo! LETÍCIA            —    Como é que é? Ele está namorando a filha do Severo (desdém) Borges? JOSIAS              —    Ao que tudo indica sim, minha sobrinha. CAM de dentro do bar dá close em Elisa. ELISA                —    (P/si, olha p/ bar) Eu, hein! Bando de abutres que não param de me olhar! (Acha a chave) Finalmente! Ela entra em sua casa. CAM mostra os Garcias indignados. Instantes. Tensão. CORTA PARA:  

FIM DO PRIMEIRO CAPÍTULO

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Cap. 1 Capítulo 1 Cap. 2 Capítulo 2 Cap. 3 Capítulo 3 Cap. 4 Capítulo 4 Cap. 5 Capítulo 5 Cap. 6 Capítulo 6 Cap. 7 Capítulo 7 Cap. 8 Capítulo 8 Cap. 9 Capítulo 9 Cap. 10 Capítulo 10 Cap. 11 Capítulo 11 Cap. 12 Capítulo 12 Cap. 13 Capítulo 13 Cap. 14 Capítulo 14 Cap. 15 Capítulo 15 Cap. 16 Capítulo 16 Cap. 17 Capítulo 17 Cap. 18 Capítulo 18 Cap. 19 Capítulo 19 Cap. 20 Capítulo 20 Cap. 21 Capítulo 21 Cap. 22 Capítulo 22 Cap. 23 Capítulo 23 Cap. 24 Capítulo 24 Cap. 25 Capítulo 25 Cap. 26 Capítulo 26 Cap. 27 Capítulo 27 Cap. 28 Capítulo 28 Cap. 29 Capítulo 29 Cap. 30 Capítulo 30 Cap. 31 Capítulo 31 Cap. 32 Capítulo 32 Cap. 33 Capítulo 33 Cap. 34 Capítulo 34 Cap. 35 Capítulo 35 Cap. 36 Capítulo 36 Cap. 37 Capítulo 37 Cap. 38 Capítulo 38 Cap. 39 Capítulo 39 Cap. 40 Capítulo 40 Cap. 41 Capítulo 41 Cap. 42 Capítulo 42 NOVO
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