📖 Sinopse
Discussão. Suelen e Erivelto. "Comprar um microfone?! Pra quê, Erivelto?", com um copo d'água, a Suelen ia molhando suas suculentas. Balbuciando alguma coisa, o Erivelto comendo manga: "É porque eu vi lá na Liberdade, é, uns caras vendendo, é, uns, é, uns morangos…". Interrompe o marido, a panela de pressão: "Ué?! Morango? Mas nem é época de morango, Erivelto. Me fala de uma vez por todas por que você quer um microfone? Me fala! Você não vai gastar o nosso dinheiro com amante, né?! Odeio infidelidade e você sabe!". Erivelto arremata a verdade: "Olha, meu amor. É que eu vislumbrei uma oportunidade de ouro! Um plano infalível! Sucesso garantido! Presta atenção, Sue: lembra do herdeiro? O do jornal? Então…", empolgou-se com a ideia. Contou sua história a Suelen — do Pinga Fogo a Alan e os pregadores da Praça da Sé. O resultado? Liberdade de manhã cedo. Loja Oriental Brazilian Kioko . Seu Kioko: "Muita coragem você voltar aqui. Principalmente pra pedir um favor", encara o rosto de Erivelto bem mercado de Suelen, "Um belo tapa, rapaz. Me diz, o que você quer?". "Estou vendendo manga. Manga Palmer. Enroladinhas no jornal e tudo. Quero me destacar, né? Vender por São Paulo e quem sabe, montar um sacolão, né?!", mentiu a carriola, suas mangas e o sorriso amarelo. O velho Kioko para e pensa, coça a cabeça, pergunta se Erivelto não quer vender manga lá na Oriental Brazilian Kioko. A fé dele em Alan e as moedas jogadas aos seus pés era tão fervorosa, que declinou a oferta do mercado e Kioko. Conversa e conversa. Seu Kioko libera para Erivelto um microfone portátil, com caixinha de som acoplada. Potência, hertz , wats , carregamento a pilha, plug para três tipos de microfone, AM/FM e outras coisas. Agora sim: produto chinês vindo de um japonês, sem burocracias. IX: À ESPERA DE UM MILAGRE: Microfone portátil e caixotes . Alan e Erivelto até que estavam se destacando na Praça da Sé. Queriam elas, as suas ganâncias, as multidões. O que tinham, na real, eram alguns gatos pingados. Dava grana? Só umas moedas e um pãozinho no final do dia. O que fazer para atrair mais olhares de curiosidades? Profetização: dois velhos estavam a falar das políticas de Collor. Disse ele, o Collor, safado de família e berço, que durante seu governo, o Brasil iria sentir à flor da pele as mudanças! Um dos velhos escarrou: "Errado ou mentiroso ele não é. Não se a gente analisar esta frase isoladamente. De fato, estamos sentindo à flor da pele seu governo!". O outro velho, também escarrando: "Verdades genéricas, afirmações genéricas que sempre serão…", tosse um pouco mais e acende um cigarrinho, "Fumas? Não?! Bem… Dizem que quem fuma vai morrer. E quem toma água, também. A verdade é só um ponto de referência dentro deste mundo, né?!". Eles, os velhos, continuaram conversando e compondo o quadro depressivo dos botecos sujos lá da Sé. E Erivelto? Uma verdadeira janela indiscreta: "Tô te falando, Alan! Você precisa falar o que o povo quer ver! Ou melhor, ouvir. Você precisa dizer o que o povo quer ouvir!". Alan recua: "Mas eu tenho tanta coisa pra falar. O tanto de coisa que se passa aqui, na minha cabeça, Erivelto". "Nós precisamos de uma verdade genérica. Uma verdade que pode se encaixar em qualquer situação. Os transeuntes ouvem a sua pregação e terminam seu significado dentro de suas cabeças. Então, tudo o que você disser, vai ser verdade SEMPRE! E outra: pregar o que os outros querem ouvir não anula você dizer tudinho o que se passa em sua mente! Não era você que queria palanque?!". Erivelto pondera, pede um Pinga Fogo e um bolovo. Alan pensa e concorda: "Tá. Faz sentido. E sobre o que vamos falar? Sobre esta verdade genérica?". Bolovo chegou quentinho e o Pinga Fogo, pingando: "Vamos falar sobre a coisa que toda a humanidade conhece e adora: a desgraça !". Um brinde! Na Paulista. Na Faria Lima. Na Cerqueira César. Na Berrini. Na Rua dos Estudantes. Nas Lojas Arapuã. Mesbla. Mappin. Na Augusta: a desgraça proferida por Alan, por dias seguidos, vinha dos céus. "Senhores vivos e senhoras, também. Venho por meio deste caixote e microfone lhes alertar que a desgraça está chegando. A Grande Tribulação vem de lá do céu, em forma de pássaro e queimará tudo e todos!", gesticulava veementemente, o Alan. As pessoas paravam para prestar atenção? Sim! Foi num dia desses, lá na Augusta, que Alef Brasil sentiu asco em sua alma. Entre parábolas e provérbios, veio Tony com sua petulância que lhe preenche o caráter: "Bittencourt? Bittencourt?!", retira seus óculos escuros, revelando olhos pesados de mato louco, "O que aconteceu com você?! Você enlouqueceu de vez! Idiota você sempre foi, mas esse seu estado de paranóia é novidade! E de que desgraça você tá falando, meu chapa? Você só pode estar…", tosse, "Só pode estar louco e esquizofrênico!". Erivelto quis dar porrada em Tony, mas segurou-se nas calças graças a voz firme de Alan: "Não sou mais o Alan. O Alan Bittencourt morreu, Anthony! Agora sou Alef Brasil . E não, não estou louco! A Grande Tribulação está chegando!", começa a falar mais alto para que todos o ouçam, "Prestem atenção aos sinais! O perigo, a desgraça e a Grande Tribulação estão chegando…!". O papo parou. Um som iminente rompeu com a normalidade do lugar! Todos se assustaram. Menos Tony. Tony estava lombrado… X: O DIA EM QUE A TERRA PAROU:
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Ficha Técnica
Tipo
Web serie
Status
Em andamento
Gênero
Geral
Classificação
Livre
Idioma
pt-BR
Publicação
07/06/2026
Atualização
07/06/2026
PE
Pedro Olivato Montanaro
Autor · 4 obra(s) publicada(s)
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