CENA 01. BOATE NOÊMIA. SALÃO. INT. DIA.
Alice e Noêmia guardam os documentos de volta na pasta azul. Sonoplastia: suspense. Alice guarda a pasta, enquanto Noêmia tem uma sensação ruim. Põe a mão no coração e desmaia no chão.
FUNCIONÁRIA Alice, sua mãe caiu!
ALICE (vê Noêmia; desespero; acode) Mãe!? Acorda!
CENA 02. CASA HELENA. ESCRITÓRIO. INT. DIA.
A sonoplastia para. Zilda e Estêvão entram. Ela está nitidamente preocupada.
ZILDA Que bom que veio! Está acontecendo algo muito grave nesta casa, e preciso que você saiba antes da Helena.
ESTÊVÃO Pelo seu estado, parece grave mesmo.
ZILDA Senta aí, Estêvão. (ambos o fazem no sofá) Tenho visto coisas nesta casa que têm me incomodado muito.
ESTÊVÃO É, eu sei que tenho passado do ponto com a...
ZILDA Não, você não fez nada. Pelo contrário. Se não fosse a sua presença, as coisas talvez já tivessem chegado às últimas consequências.
ESTÊVÃO Do que está falando?
ZILDA Do Jairo.
ESTÊVÃO O motorista? Mas ele é tão competente... Nunca nos trouxe problemas.
ZILDA Até agora. Ele está tendo um caso com a Helena e com a Amanda, aqui debaixo do nosso teto.
ESTÊVÃO Não pode ser.
ZILDA Tenho visto os encontros dele com Helena desde que você estava na Europa. Eles se beijavam no jardim, no corredor de cima, no quarto dele, na lavanderia. Uma vez a Ângela quase flagrou os dois na sauna, mas consegui evitar.
ESTÊVÃO Então a sua filha tem encontros com ele faz tempo?
ZILDA E quando foi hoje... Vi a Amanda aos beijos com ele na sala de jantar. Os dois sentados lado a lado na mesa, tomando café juntos.
ESTÊVÃO Mas ele sabe que não pode...
ZILDA Provavelmente foi ela que o obrigou a tomar café com ela. Fora que ela fugiu com ele na noite do casamento. Acho que ela se apaixonou por ele, e só assumiu o caso depois que o Carlos... Você sabe.
ESTÊVÃO A Helena sabe que ele está com as duas? Porque se souber...
ZILDA É disso que tenho mais medo. Minha filha é capaz de fazer uma loucura. Preciso que me ajude a afastar a Amanda do Jairo, pelo bem dos dois.
ESTÊVÃO Talvez demitir o Jairo e...
ZILDA Trocar de motorista? Helena desconfiaria. Temos que tentar outra coisa. Só não sei o quê.
CENA 03. PRÉDIO GIOCONDA. FRENTE. EXT. DIA.
Música: Alone – Heart. Imagem da fachada do prédio. Pessoas andam de um lado a outro na calçada.
CENA 04. PRÉDIO GIOCONDA. QUARTO. INT. DIA.
A música continua tocando no rádio. Gioconda de camisola e roupão, deitada na cama. Lena entra. Gioconda põe o celular sobre a mesa de cabeceira e pega a bandeja de café da manhã com a outra.
GIOCONDA Adivinha quem acabou de ligar?
LENA Carlos Eduardo?
GIOCONDA Antes fosse. O pai dele: doutor Armando Alighieri. Ele me convidou pra jantar com ele.
LENA E você? Aceitou?
GIOCONDA Querer, eu não queria. É óbvio que é pra mandar eu me afastar do filho dele, e blá blá blá... Só aceitei, pra não ser deselegante.
LENA Mostra a verdade. Que é o filho dele que insiste em ficar com você, e não o contrário.
GIOCONDA E você acha que ele vai acreditar nisso? A própria Soraya falava que ele é o homem mais machista do Brasil. Pra ele, a mulher é sempre a conquistadora, a provocadora, a prostituta.
LENA É, não tem o que fazer, a não ser ver na hora quais são as intenções dele.
CENA 05. CASA BRUNO. SALA. INT. DIA.
A música para. Bruno sentado no sofá. Rubens vem do corredor e vê o amigo pra baixo.
RUBENS Ainda desse estado?
BRUNO Fazer o quê? Não dou sorte mesmo.
RUBENS Tudo por causa daquele molecote? Você acha mesmo que a Gioconda vai dar bola pra ele?
BRUNO Ela não admite, mas já deu. É questão de tempo pra esquecer o Fábio nos braços dele.
RUBENS Então... enquanto você chora por sua amada, lá vou eu começar as aulas do dia. Sabe quem voltou? A Kika.
BRUNO Aquela desmiolada da Tijuca? Boa sorte! Vai precisar.
RUBENS Eu sei bem dar conta de garotas como ela. Vai pra escola hoje?
BRUNO Mais tarde.
RUBENS Te vejo lá, então. Vou indo.
Rubens pega uma mochila em um canto e sai com ela. Bruno pensativo.
CENA 06. AQUAPAPER. SALA REUNIÕES. INT. DIA.
Armando dá instruções a Wilson. Ambos de pé perto da mesa.
ARMANDO Vou jantar com a Gioconda e não quero ser interrompido em hipótese nenhuma. Muito menos por Jéssica ou por Carlos Eduardo. Aliás, eles não podem saber desse compromisso.
WILSON Se depender de mim, não saberão.
ARMANDO Jéssica que se atreva a atrapalhar meus planos, e terei eu mesmo que dar um fim nela.
WILSON E se a Carly ligar?
ARMANDO Vou estar com ela mais cedo, e aviso que não vou poder passar a noite com ela, por motivo de reunião, qualquer coisa assim. A Carly é dos problemas o menor. (pausa) Meu filho vai ter uma bela surpresa amanhã de manhã. E vai ter que se conformar.
CENA 07. PENSÃO ZORAIDE. SALA. INT. DIA.
Zoraide fala com Jô e Sandro.
ZORAIDE Que susto que a Noêmia deu na gente!
JÔ Ainda bem que ela volta pra casa hoje.
ZORAIDE É, a Alice ficou no hospital, e eu fiquei lá no salão com o Germano. Se não fosse ele me ajudar, eu tinha ficado louca com o movimento. (pausa) Vocês vão falar com a Noêmia hoje sobre aquilo que falei?
JÔ Ainda não. Vamos dar um tempo pra ela se recuperar, e depois atacamos. Hoje tenho outra pessoa pra investigar. Informação quentíssima!
SANDRO Você não me falou nada disso.
JÔ Desculpa, ia te contar agora. Uma ex-atendente que trabalhou com a Noêmia quando você nasceu soube da entrevista com o Oswaldo e me ligou. Disse que uma pessoa procurou pela Noêmia e disse saber de alguma coisa sobre a sua mãe.
SANDRO Marcou pra que horas?
JÔ Pras três e meia, lá no jornal.
VIZINHA (entra com um pacote) Com licença. Oi, Zô!
ZORAIDE Oi, querida! Tempão que não aparece. (beijos de rosto) Como vai o Nando?
VIZINHA Bem, como sempre. A Lilica te mandou um beijo lá de Juiz de Fora.
ZORAIDE (a Jô e Sandro) Faz faculdade de letras lá.
VIZINHA Tudo bem com vocês? Deixaram isso na minha casa. É pra... (lê) Jocasta Mendes.
JÔ Sou eu. (pega o pacote) Obrigada. Eu tava esperando mesmo este dos... livro que comprei na internet.
Ela e a vizinha trocam sorrisos. CORTE RÁPIDO.
CENA 08. PENSÃO ZORAIDE. QUARTO SANDRO. INT. DIA.
Jô abre o pacote afoita.
SANDRO O que é isso?
JÔ O presente das nossas vidas. Um dossiê completo sobre Armando Alighieri. Foi preparado por um ex-empregado que foi enxotado da filial paulistana da Aquapaper a socos e pontapés, depois que um parente teve uma cobertura tomada pelo pilantra. Na mesa de jogo, pra variar.
Eles folheiam os documentos um a um, lentamente.
SANDRO Ao que parece, ele apronta desde que estava na escola.
JÔ Essa gente começa cedo.
SANDRO Se bem que o Fábio já tinha comentado sobre isso uma vez.
JÔ Fábio? Ah, sim, o marido da Gioconda.
SANDRO Estudaram na mesma escola.
CENA 09. CASA NOÊMIA. SALA. INT. DIA.
Alice entra com Noêmia e a coloca sentada no sofá..
NOÊMIA Já disse que já tô bem, caramba!
ALICE Mesmo assim vai ficar em casa hoje.
NOÊMIA Uma ova! Hoje é sábado e não posso deixar o salão sozinho de novo.
ALICE Ele não vai ficar largado. A Zoraide e o Germano cuidam muito bem de lá. E hoje vou ficar com eles. Claro, se você colaborar e ficar quietinha.
NOÊMIA Que é? A mãe aqui sou eu, esqueceu? Sei me cuidar muito bem.
ALICE Então fica sentadinha aí, que eu vou preparar uma sopa do jeito que você me ensinou. Com frango e carne picados em quadradinhos bem pequenos.
NOÊMIA Assim mesmo.
CENA 10. ESCOLA DE MÚSICA. SALA. INT. DIA.
Rubens e Ana conversam; ele está de pé, e ela sentada.
ANA A Kika já deve estar chegando. Ela não é de atrasar.
RUBENS Melhor assim. Já basta o Bruno na fossa.
ANA De novo?
RUBENS Porque um rapazote deu em cima dela, e o Bruno acha que ela tá interessada.
ANA Como se fosse novidade. (Kika aparece na porta) Oi, Kika!
KIKA (entra e beija Ana no rosto) Ana! Você tá linda, sabia? Oi, Rubens!
RUBENS Como vai?
ANA Vou deixar vocês a sós e ver se minhas alunas, as freiras que te falei, já chegaram. Beijo, beijo! (sai e fecha a porta)
RUBENS Senta aqui, Kika. Trouxe o violão?
KIKA Trouxe sim.
Ela se senta numa cadeira e tira o violão da capa. Rubens também pega seu instrumento.
CENA 11. AQUAPAPER. RECEPÇÃO. INT. DIA.
Jéssica organiza documentos em sua mesa. Armando e Wilson vêm da sala de reuniões e se aproximam dela.
ARMANDO Wilson, resolva tudo que estiver ao seu alcance.
WILSON Ok, Armando.
ARMANDO Jéssica, se alguém me procurar, avisa que só volto amanhã. Não quero ser importunado por nada.
JÉSSICA Sim, senhor.
ARMANDO Até amanhã!
Jéssica tenta lhe falar algo, mas Armando dá as costas e sai.
WILSON (a Jéssica) Hoje ele tem muitos compromissos. Uma reunião com políticos, depois um jantar oficial com futuros parceiros da empresa, um coquetel... Mas não quer nossa presença, por motivos estratégicos. Bem, vou voltar pro meu posto.
JÉSSICA (enquanto Wilson se afasta) Safado! Pra mim isso tem nome de mulher.
Ela pega o celular e faz uma ligação para a pensão de Zoraide.
GERMANO (VO, telefone) Pensão, bom dia?
JÉSSICA Alô? Bom dia! Aqui é uma amiga da Carly. Ela está?
GERMANO (VO, telefone) Não. Ela saiu pra trabalhar. Deve voltar à noite. Deixo algum recado?
JÉSSICA Não. Ligo em outra hora. Obrigada. (desliga; fala a si mesma) Reunião com políticos? Sei!
CENA 12. PENSÃO ZORAIDE. CORREDOR. INT. DIA.
Zoraide vê Germano colocar o telefone no gancho.
ZORAIDE Quem era?
GERMANO Não sei. Uma amiga da Carly. Não quis dizer o nome.
ZORAIDE Essa menina deve estar aprontando alguma. (pausa) Vou dar uma passada na Noêmia, pra ver como ela tá, e já volto pra gente arrumar as coisas no salão.
GERMANO Me encontra lá direto.
ZORAIDE Tá bom. Até já!
CENA 13. JORNAL. SALA REUNIÕES. INT. DIA.
Jô e Raquel sentadas à mesa, uma de frente pra outra.
JÔ Você trabalhava com Noêmia no início de 84 nesse hospital. Como ela era em serviço?
RAQUEL Uma enfermeira muito cuidadosa, meiga com os pacientes e com a instrumentação. Os médicos não tinham uma reclamação sequer do trabalho dela. Mas eu via um certo desvio de caráter.
JÔ Como assim?
RAQUEL Ela gostava muito de dinheiro, sabe? Fazia tudo por uma graninha extra, mesmo que fosse um serviço sujo.
JÔ Você chegou a ver ou ouvir se ela já ajudou a matar algum paciente ou coisa desse tipo?
RAQUEL Não. Matar, não. Jamais. Mas... não sei nem por onde começar.
JÔ Eu te ajudo. Você trabalhou com ela na madrugada do dia 5 pro dia 6 de março, não foi? Terça de carnaval e quarta de cinzas.
RAQUEL Sim, eu trabalhei. Meu plantão começou duas horas depois do dela. Tudo estava bem. Mas bateu as onze e pouco, quase meia-noite, e ela foi chamada pra ajudar num parto. Depois disso ela sumiu e só voltou lá pelas quatro ou cinco da manhã. Fiquei preocupada, pois ela tava estranha. Alguma coisa tinha acontecido, mas ela não queria dizer o que era.
JÔ E você insistiu no assunto?
RAQUEL Não. Aí ela voltou pra casa e tirou três dias de folga. Voltou no plantão de sábado. Nesse dia eu não fui. Mas, quando passaram duas semanas e estava em um plantão meu que não coincidiu com o dela, um homem chamado Ivan me procurou para saber de um bebê que havia nascido ali naquela noite estranha.
JÔ E a mãe do bebê se chamava Renata?
RAQUEL Isso é que foi o mais esquisito. Ela dizia ter esse nome, mas não tinha documentos, nada. Nem a ficha de registro ela assinou.
JÔ Sim, cheguei a ver essa ficha. Foi assinada pelo médico no lugar da paciente.
RAQUEL E quando dei essa informação do nome para o tal do Ivan, ele deu as costas e foi embora. Mas ele parecia saber de muita coisa.
JÔ Você lembra como ele era?
RAQUEL Alto, magro, bonito, cabelos claros, com uns quarenta e poucos anos. Pera... Lembrei! Tinha um homem com ele, só que do lado de fora. Como é que era o nome dele, meu Deus?... Nelson? Acho que era isso. Nelson! Um pouco mais baixo que o Ivan. Usava barba na época. Depois, lá pra 87, ele voltou a aparecer no hospital todo queimado. Coitado! Não resistiu. Saiu em tudo que era jornal.
CENA 14. CASA HELENA. SALA JANTAR. INT. DIA.
Zilda e Estêvão almoçam.
ZILDA Não gosto nem de lembrar.
ESTÊVÃO Meu sogro foi morrer daquele jeito.
ZILDA Sofreu muito nos últimos dias, tentando resistir à dor das queimaduras. Queria eu ter ficado no lugar dele. E pensar que foi tudo premeditado.
ESTÊVÃO Com certeza ele está num bom lugar.
ZILDA Bem que eu gostaria. O pior é que pode acontecer de novo, se a história da Helena com a Gioconda vier a público. Tanta gente tem interesse em enterrar este escândalo, e eu só queria que terminasse tudo em pratos limpos entre elas e o bebê, que hoje já deve ter mais de trinta anos.
ESTÊVÃO Isto seria um milagre.
ZILDA Exatamente o que eu mais queria. Um milagre. E Deus há de permitir que aconteça. Rezo todos os dias, desde que... desde aquele dia.
ESTÊVÃO De certa forma, o Régis é avesso a casamento, também por causa da morte do avô.
ZILDA Por que acha que eu não quis mais me casar? Pretendentes eu tenho até hoje, mas... E quanto à Amanda, já decidiu alguma coisa?
ESTÊVÃO Ainda não. Tem notado alguma coisa nela ou no motorista?
ZILDA De ontem pra hoje, não. Ainda tem isso.
CENA 15. JORNAL. SALA REUNIÕES. INT. DIA.
Jô fala com Sandro pelo celular, enquanto pesquisa informações dadas por Raquel no notebook.
JÔ (lê uma manchete) Suposta explosão de gás mata famoso empresário carioca... (comenta) Tinha uma filha chamada Helena, que era casada com um médico... tem a foto dela aqui. Ela não é estranha. Acho que já vi essa mulher. Quer que te mande uma foto?
SANDRO Manda sim.
Jô tira pela câmera do celular uma foto da foto de Helena jovem na tela do notebook e envia para Sandro.
JÔ Lá vai... Vou ver se acho mais...
SANDRO (VO, telefone, corta) Espera aí! Eu vi essa mulher algumas vezes. É uma mulher que odeia a Gioconda. Elas têm uma rixa por causa do marido de uma que ama a outra, mas acho que não é só isso. Tem muito mais coisa.
JÔ Que tipo de coisa?
SANDRO (VO, telefone) Não sei dizer, mas parece que foi quando a Gioconda fez 20 anos, algo assim. O Bruno comentou sobre isso comigo.
JÔ Mais uma vez vamos precisar da ajuda do nosso amigo. Não sei por quê, mas acho que estamos bem perto de achar a tua mãe.
SANDRO (VO, telefone) Será?
CENA 16. APARTAMENTO GIOCONDA. SALA. INT. DIA.
O telefone toca. Lena vem da cozinha e atende.
LENA Alô?... Sim, é da casa dela... Sou a empregada... Ah, sim... Ela deu uma saída e não deve demorar... Aviso a ela... Ah, tudo bem, então... Boa tarde! (desliga)
Lena se vira para voltar à cozinha, mas Gioconda entra no mesmo instante.
GIOCONDA Ouvi você falando com alguém. Quem era?
LENA Uma jornalista que quer te fazer umas perguntas. Deve ser uma homenagem ao Fábio. Liga outra hora.
GIOCONDA Ela deixou o nome?
LENA Jô Mendes.
GIOCONDA Ah, sei quem é. Uma amiga do Sandro e do Bruno. Falando nisso, o Sandro ligou?
LENA Ligou sim, e disse que já está vindo.
GIOCONDA Que bom! Quero que ele vá comigo ao jantar com o doutor Armando. Sei lá. Vai que ele resolve me atacar.
LENA É, não é bom arriscar mesmo.
GIOCONDA Me ajuda a escolher um vestido.
As duas saem juntas pelo corredor.
CENA 17. MOTEL. QUARTO. INT. DIA.
Armando e Carly nus na cama, cobertos por um lençol. Ele por cima da moça. Beijam-se ardentemente.
ARMANDO Gosta disso?
CARLY O que você acha, gatão?
Eles continuam se beijando e se esfregando, até que ele tem um orgasmo e geme alto algumas vezes. Cai esgotado para o lado. Ela se ajeita sobre ele, em cujo ombro ela apoia a cabeça.
ARMANDO Você me deixa louco.
CARLY Que bom! É assim mesmo que eu gosto. Nenhum cara da minha idade faz tão bem quanto você. Cinco minutos, e quero outra.
ARMANDO Assim você me mata.
CARLY Quem mandou se meter comigo?
Ele dá um riso safado. Carly o beija.
CENA 18. ESCOLA DE MÚSICA. SALA. INT. DIA.
Rubens ajuda Kika a acertar a posição dos dedos em um acorde no violão.
RUBENS Coloca o dedo na corda de baixo.
KIKA (fingida) Assim?
RUBENS Não, o outro dedo.
KIKA Esse?
RUBENS Não. Deixa eu te ajudar.
Enquanto ele passa o dedo dela para a posição correta, ela o seduz.
KIKA Nossa! Que cheiro de macho!
RUBENS Presta atenção aqui, Kika.
KIKA Você fica gostoso quando malha.
RUBENS Dominique, isto aqui é uma aula de violão. Se não está a fim de fazer a aula, e sim de me cantar, por favor, peço que...
Ela o agarra loucamente e o beija. Rubens tenta desvencilhar, mas não consegue. Kika rasga a camisa dele e apalpa o peito. Uma freira entra na sala por engano e vê a cena.
FREIRA Virgem Maria! O que significa isso?
Kika solta Rubens, faz escândalo e se joga num canto, fingindo chorar.
KIKA Ela tava tentando me estuprar! Socorro!
Ana entra correndo. CLOSES alternados entre Kika, Ana e Rubens.
Efeito de fim de capítulo: imagem congela em Rubens desesperado; FADE TO BLACK. Sonoplastia: vento.