Cinco Anos Atrás
Jean, entra no bar da cidade, Ritinha, está sentada a uma mesa bebendo com os amigos, Renata, Érica e Símon. Simon - (à Ritinha) Chegou seu amigo, estranho. Ritinha, olha para Jean, que se aproxima do balcão, e volta-se para o copo de cachaça. No balcão, Jean pergunta a garçonete: Jean - Oi, você sabe onde mora aquele rapaz que esteve aqui ontem à noite? Um baixinho, estilo emo e com aparelho nos dentes. Garçonete - Não faço ideia, mas ele sempre aparece por aqui, talvez você tenha sorte hoje. Ritinha se aproxima e diz: Ritinha - Sempre contando com a sorte, Jean. Desencana, vem beber com a gente. Jean - Não curto aquele, Simon. Ritinha - Engraçado, ele também não vai com a sua cara. Jean - Então ficamos quites. Jean, sai do bar e vê Gabriel, o menino por quem perguntou a garçonete, sentado na mureta, acendendo um cigarro, e com olhar provocador, diz: Gabriel - Vem sempre aqui, moço? No interior do bar, Ritinha, parece sentir emocionalmente as ações de Jean. E com ânsia de vômito corre para o banheiro. Renata, se preocupa e sai atrás da amiga. Érica, que conversa com um rapaz no balcão também mostra preocupação. Simon fica sozinho a mesa, sem esboçar preocupações. Renata - Ritinha, espera. O que você tem, amiga? Érica - Espera. Está acontecendo alguma coisa. Jean, fuma cigarros com Gabriel, que após terminar o seu lhe diz: Gabriel - Bem, Jean, foi um prazer fumar com você. Jean, estranha. Jean - Você... Eu pensei que a gente poderia sair tomar umas cervejas, ficar mais à vontade. Gabriel, levanta-se: Gabriel - Eu acho que eu adoraria, gato, mas, hoje estou naqueles dias... Arrasado, após o fora, Jean, pensa em voltar para o bar encher a cara. No banheiro, amparada por, Érica e Renata, Ritinha, parece melhorar. Ritinha - Eu já estou melhor! Já estou melhor! E no final da noite, Jean se reuni com Ritinha e os amigos em volta de uma fogueira, bebendo vinho e rindo de qualquer coisa. Renata - Viva, Ritinha, a garota que toma um porre de cachaça e em menos de meia hora está inteira, para o vinho. Érica - Pessoal, o que vocês acham de todo mundo dormir lá em casa hoje? Ritinha levanta-se e diz: Ritinha - Acho uma ótima ideia, que tal uma noite só das garotas? Vocês não se importam né meninos? Símon - Valeu, hein! Acho que já está na hora de ir pra casa, mesmo. Com olhar de cumplicidade, Símon diz baixinho a Jean. Simon - Bora lá em casa, estranho? A HORA CINZA/ NEM NOITE, NEM DIADias Atuais
Em seu apartamento, Jean, desperta de um pesadelo, e na pequena sacada acende um cigarro e contempla o cinza das horas. Jean: A hora cinza, esse momento que não é nem de noite, nem de dia. A hora em que um dia vou morrer. OS PRIMEIROS INIMIGOS/DIA Jean, sai com o carro da garagem de seu apartamento e estacionado próximo dali, Fano junto de Ramiro, arquiteta seu plano: Ramiro - Já está saindo. Fano - Prepara-se Jeanzito, por que você mesmo buscou isso. REI DO FUMO/DIA Do escritório, Dom Armando, liga para Jean. Dom Armando - Filho, tive um assunto de urgência para resolver, venha direto pra fábrica. E após, desligar o telefone: Armando - Muito bem, Bartô Galeno, agora somos só nós dois. Sabe que eu já esperava por esse dia? Bartô - Não mais do que eu... Pode acreditar. Jean, chega na fábrica e ao sair do carro se depara com Bartô, descendo às escadas. E com um sorriso de orelha a orelha, corre para abraçar o amigo que deixa a mochila cair no chão. Jean - Bartô! Bartô - Jean! Meu forasteiro favorito, que mundo pequeno não? Jean - Jamais poderia imaginar que iria te encontrar aqui. Bartô - É uma longa história. Jean - Podemos nos encontrar hoje em algum lugar pra falarmos de fábulas? Bartô - É claro que sim. Coloca a mão sobre o ombro de Jean. - Como é bom te ver de novo... Bartô, ajunta sua mochila e deixa Jean, sorrindo, desconcertado. ESCRITÓRIO DE DOM ARMANDO/DIA Jean, entra na sala de Dom Armando, que olha para o horizonte pela janela. Jean - Dom Armando... Dom Armando - Jean, você acredita que todas as pessoas nessa vida têm uma sina? Jean - Nunca fui de acreditar, Dom Armando, mas quando cheguei aqui, duas pessoas me disseram que eu deveria seguir a minha. Dom Armando, senta-se na sua cadeira. Dom Armando - Desde que vi você entrar por aquela porta a primeira vez, algo me disse que... - Emocionado. Jean - Algo lhe disse o quê? Dom Armando - Que você é filho que eu sempre quis ter. Jean - Dom Armando... Agora quem ficou emocionado fui eu. O senhor não imagina tudo que eu vive nos últimos meses. E ouvir isso, agora Dom Armando - Sim! Eu imagino. Basta olhar pra você, carregas uma carga muito grande nas costas, Jean, e uma hora, terá que se abrir com alguém ou isso vai acabar com você. Emocionado, Jean, limpa as lágrimas dos olhos. CASA DE CAROL/DIA Carol, arruma os travesseiros em sua cama, pega a carteira de cigarros e senta-se apoiando as costas à cabeceira, acende um cigarro e olhando para o teto percebe algo estranho num sensor de movimento. REI DO FUMO/DIA De sua sala, Fano, vê quando, Carol apaga o cigarro e desconecta a câmera instalada. Fano - Droga! CASA DE CAROL/DIA Jean, vê as câmeras que estavam instaladas, sobre a mesa da sala e diz a Carol, que ainda não consegue acreditar do que o namorado é capaz. Jean - Esse cara é um doente, se ele é capaz de te vigiar assim, é capaz de qualquer coisa. Carol - Se cuida, por favor, Jean. - levanta da cadeira e o abraça apertado. Carol - Se cuida. Jean - Calma! Calma! Não vai acontecer nada. SEGUE SEUS PASSOS/NOITE Jean, sai da casa Carol, Ramiro o segue e liga para Fano. Ramiro - Acabou de sair da casa da Carol, chefe. Fano, que também está no volante, diz: Fano - Segue cada passo desse desgraçado, e me mantenha informado. RESTAURANTE/NOITE Jean, chega ao restaurante para encontrar, Bartô que já o espera em uma mesa nos fundos da varanda. Jean - Boa noite. Bartô - Bem-vindo! Jean - Escolheu um ótimo restaurante. - Senta-se. Bartô - Pois hoje é um dia para comemorarmos. Vinho? Jean - Por favor. Enquanto serve-lhe vinho. Bartô - Não imaginava mesmo que iria te encontrar trabalhando para o rei do fumo, Jean. Jean - Pois eu tão pouco. E hoje descobri que até as pessoas como ele são capazes de ter compaixão. Bartô - De verdade? Sério, direto ao ponto: Jean - O que fazia hoje com, Armando Cardona? Bartô - Vim lhe refrescar a memória, não é bom que esqueçamos nossas dívidas com o passado. Jean - É ele não é? Armando Cardona é a pessoa com quem tem contas a acertar? Bartô - Isso você saberá no momento certo. Por enquanto vou ficar bem perto, e de olhos bem abertos. Jean - Pensa em contar comigo pra algo? Bartô - De jeito nenhum, ou poderia? Jean - Não! Bartô, sorri e levanta a taça de vinho. Bartô - As fábulas, Jean, Meu amigo! Jean, sorri e brinda. Jean - Às fábulas, Bartô! HOTEL, QUARTO DE BARTÔ/NOITE Bartô, acende a luz do quarto e diz a Jean, que solta as chaves do carro sobre a mesa. Bartô - Por enquanto estou por aqui, mas, amanhã mesmo vou ver uma casa, uma casa digna de um rei, meu caro, por quê ‘euzinho’ aqui mereço. Jean, o encara seriamente e se aproxima: Bartô - O que foi? Jean - Não sabe o quanto tenho pensado em você. E vem o silêncio, os olhares se encontram, Jean, parte pra cima como um lobo faminto, e os dois se entregam aos beijos e carícias.