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Sob o domínio do Rei
Capítulo 2 de 11
Episódio 2
✍️ Gildo Lima ·📅 15 Aug. 2017 ·👁 0 leituras

Sob o Domínio do Rei Temporada 1:  Ep. 2  Corre, Jean 

NA REDE MAMÃE E EU/DIA Num entardecer, lindo, D. Ivone faz cafuné no filho que na época tem onze anos. Jean – Mãe, por que os pais da gente têm que morrer? Ivone – Não são só os pais que morrem meu filho. Todos os seres vivos, as plantas morrem um dia. Jean – Mas eu não quero que você morra, não. Jean, levanta a cabeça do colo da mãe e olhando em seus olhos fala, decidido. Jean – Eu quero que a senhora fique bem velhinha, e que viva até eu ficar bem velhinho também, lembra que eu tenho que cuidar da senhora? Ivone – Claro que eu lembro meu filho, você não me prometeu aquele castelinho pra morar? REVOLTA NOS CAMPOS DE TRIGO/DIA Num dia de agosto, esses dias de agosto ao qual pode-se sentir um vento triste batendo no rosto, D. Ivone, corre atrás de Jean, no meio de uma plantação de trigo. Ivone – Jean espera, não corre menino. Você vai cair. Agachado limpando os joelhos sujos de terra e sangue. Jean – Não vou correr mais, mãezinha, Já machuquei demais. Mas essa vida de não ter nada dói bem mais que um cair um tombo no trigo. Olhando para o céu, D. Ivone, diz: Ivone – Por que essa vida tão miserável, Senhor? HOT HOT 33/DIA Silas, chama atenção de Jean, para lhe entregar o uniforme. Silas– Hein. Aqui, seu uniforme. Folgas as segundas-feiras. Horário de trabalho das 17 às 2, sem intervalo, mas você pode comer na cozinha, e fumar uns cigarros nos fundos. Jean – Tudo bem. Jean vai saindo e Silas o chama. Silas – Jean. Jean – Sim? Silas – Bem-vindo, rapaz, eu estou aqui para o que você precisar. Jean – Obrigado, Silas. BANCA DE JORNAL/DIA Numa banca de jornal, Jean coloca créditos no celular e sai em seguida. Jean – Obrigado! SAUDADES DA SENHORA/DIA Ao telefone: Jean – Mãe. Ivone na varanda, chama por Ritinha. É hora de matar a saudade. Ivone – Vem, Ritinha é Jean. Ritinha, corre para a varanda. Ivone - É Jean minha filha, teu noivo. Ritinha – Me deixa falar com ele, D. Ivone… Jean, ao telefone: Jean – Tá tudo bem aqui, mãezinha. Vou pro trabalho hoje mesmo. Ivone – Ai meu filho, a mãe tá bem, tá? E feliz... muito feliz, vou passar pra Ritinha que tá danada de saudade. Passa o telefone a Ritinha, que está atônita. Ritinha - Jean. Jean – Oi minha pequena. Ritinha – Parece que você foi faz tanto tempo. Sabe aquela saudade que aperta o peito? e eu não sabia o que era saudade, Jean. Jean – Fica assim não. Eu vou virar esse jogo, Rita, e nós três não vamos nos separar nunca mais, me ouviu? APARTAMENTO DE CARLOS/DIA Carlos, caminha para todos os lados do apartamento, olha para o celular, mas o mantém desligado, toma água na cozinha, se enterra na banheira. Carlos – Dias e dias aqui enjaulado, tipo bicho. Droga, droga. HOT HOT 33/NOITE Jean, faz pedidos no balcão, serve mesas e é observado de longe por uma senhora, meia idade e corpulenta. Marla – Quem é o rapaz, Andreia? Rose – Garçom novo que contratei há uns dias, bem educado, atencioso, trabalhador. Marla – Bonito... Andreia – Você é como um gavião, Marla (risos). A SERVIÇO DA CLIENTE/NOITE Marla se aproxima de Jean. Marla – Me serve um dry martini, por favor. Jean – Sim senhora, só um minuto. Jean, prepara a bebida de Marla e lhe serve a mesa. Marla – Como você se chama, rapaz? Jean – Jean Ribeiro, senhora. Marla – Esse sotaque... Como se quisesse se lembrar Marla - Esse sotaque. Paranaense, não é? Jean – É sim (sorri). Marla – Há! Pensei que não ia tirar sorriso nenhum desse rosto hoje. Aqui! Da bolsa, tira um cartão e entrega-lhe. Marla – Marla Mendonça, se estiver com problemas, necessitando de um ombro amigo, não hesite em ligar. Qualquer problema, viu? Jean, se afasta da mesa, guarda o cartão de visita no bolso, e troca olhares com, Marla. ALGO COMEÇA A IR MAL/ NOITE Saindo do banheiro, antes de atender a ligação de Carlos, Jean, parece presentir algo, seus batimentos aceleram, e com voz amedrontada, responde a chamada: Jean – Alô! Carlos. Carlos – Jean, eu acho que invadiram o apartamento, ouvi uns barulhos estranhos, e escapei. Jean – Caralho, podem estar te seguindo, mas você tem certeza que isso pode ter acontecido? Carlos - Não sei, só senti um aperto no peito, e só pensei em escapar. Jean, você tem me ajudar. Do carro, Marcel fala ao seu companheiro, Augusto: Marcel – Olha lá, e não é que hoje tem presentinho pra chefia, Augusto. Ao telefone, Fera, dá as instruções: Fera – Isso mesmo, faço questão de estar presente pra ver esse rato se ferrar. Ao desligar o celular, diz: Fera - Será só você e eu, Carlitos, sem a chefa. ELES PODEM ESTAR EM TODOS OS LUGARES/DIA Carlos, arruma latas em cima de um tronco de madeira e em seguida entrega uma pistola a Jean, que aprende atirar. Carlos - Eles podem estar em todos os lugares meu amigo, deves desconfiar até da tua própria sombra. Carlos - Toma, segure com as duas mãos. Jean - Assim? Carlos - Afasta mais as pernas. Atire! O primeiro tiro não acerta o alvo, e Carlos diz: Carlos - Concentra, Jean. Imagina que cada uma dessas latinhas é uma pessoa que quer te matar. Jean, firma o punho e atira acertando as 5 latas. Carlos comemora. Carlos - Isso aí meu amigo. ELES PODEM ESTAR EM TODOS OS LUGARES/DIA Num galpão, Carlos, abre uma caixa que fica entre algumas velharias e joga seu conteúdo sobre um balcão de madeira e explica a Jean, o que fazer. Carlos - Aqui, Jean. Esse dinheiro é pra você usar em caso de fuga. Essa arma é para a sua proteção. E aqui documentos falsos caso tenha que escapar. Jean - Carlos, eu não entendo muito bem o que está acontecendo, por que alguém ia querer me matar eu mal conheço você, eu mal cheguei na aqui. Carlos - Você sabe quem sou, e já é o suficiente. Nesse negócio ninguém pergunta, Jean, só matam. CORRE, JEAN, CORRE E NÃO PARE DE CORRER/NOITE Duas camionetes cercam, Carlos e Jean, numa rua com pouca iluminação e sem testemunhas. Fera e seus capangas descem empunhando suas armas. Carlos, grita: Carlos - Corre, Jean. Jean - Mas e você? Carlos - Pra mim já era, meu carro. Corre, Jean, corre e não pare de correr. Jean, sai correndo pelas ruas estreitas de uma periferia. Augusto, capanga de Fera saca uma arma e atira antes mesmo de iniciar a perseguição. Jean, esconde-se entre duas colunas, saca uma arma e se prepara para a troca de tiros. UMA SÓ BALA/NOITE CARLOS, NA MIRA DE MARCEL E FERA, QUE DIZ: Fera - Achou mesmo que era esperto, Carlinhos? Carlos - Fera, nós podemos negociar. O que você quiser. Fera - O que eu quiser, mesmo? Sem titubear aponta a arma e atira na cabeça de Carlos, que cai no chão com os olhos arregalados. QUANDO APERTAR O GATILHO/NOITE Escondido entre as colunas, Jean, troca tiros com Augusto e lembra-se das palavras de Carlos. Carlos: “tua vida se decide em fração de segundos, Jean, e isso só depende de você. - Corre, Jean, corre e não pare de correr”. Jean, dispara contra Augusto e sai correndo novamente. Augusto o persegue e a troca de tiros continua. Cinco tiros contra a parede que protege, Jean, e as balas de Augusto se acabam: Augusto - Merda. Enquanto, Augusto, troca o pente da pistola, Jean, se põe a sua frente. Jean - Desculpa, ou era você ou eu. Augusto - Desgraçado. E crava uma bala em seu peito. A CHEFA/NOITE No seu escritório, Fera é surpreendido por, Marcel. Marcel - A Chefa! Fera - Aqui? Marla Mendonça, entra. Marla - Aqui, Fera. - Gira pela sala, preocupada - E Como vão as  coisas? Fera, senta-se e diz: Fera - Já tens teu Herói a salvo com o diabo, Marla. Marla - E Jean, escapou? Fera - E tombou o Augusto, com uma só bala. Marcel - Está entre a vida e a morte. Marla - Pois que morra. É um imbecil. Fera - Nossos homens estão atrás dele. É um frangote não vai longe. Marla - Ai! você é tão pequeno, Fera. O que esse rapaz pode saber dos nossos negócios? Um garçom na hot 33, um jeca. Balançando a cabeça, diz Fera - Era uma vez, um, jeca. ME AJUDE, POR FAVOR/NOITE Sentado numa calçada, Jean, volta às lembranças de seu melhor amigo, Carlos. NO APARTAMENTO, CONFIDÊNCIAS/ NOITE Jean, Caminha pela sala, se negando à saber dos negócios de Carlos. Jean - Não, Carlos. Eu não quero saber da sua vida. Carlos - Jean, você precisa saber da minha vida. Carlos, senta no sofá e chorando desabafa. Jean permanece em pé, imóvel. Carlos - Eu acabei com a minha, vida. Eu tinha tudo, Jean. Dinheiro, meus pais, mulheres, e de repente tudo acabou. E não tem mais nem uma luzinha no final do túnel. Jean - Você procurou. Carlos - Eu fiquei deslumbrado com esse mundo. Olhando para, Jean - Poder, Jean. O poder de decidir o destino de uma pessoa é como brincar de ser Deus, e ela me envolveu, como a mais sábia das deusas. EU VOU ATÉ A VOCÊ/NOITE Fumando um cigarro, Jean, pega de sua mochila, o cartão de visita, já amassado que ganhara de Marla Mendonça. A SERVIÇO DA CLIENTE/ NOITE Da bolsa, tira um cartão e entrega-lhe. Marla – Marla Mendonça, se estiver com problemas, necessitando de um ombro amigo, não hesite em ligar. Qualquer problema, viu? PORÕES DO TRÁFICO/NOITE Sentada na cadeira de Fera, Marla, atende uma ligação. Fera e Marcel, atentos a chefa. Marla - Marla Mendonça Onde você está, meu filho? Fera, e Marcel, desconfiam que Marla fala com Jean. Marla - Sim. Eu vou até você. NECESSITO QUE ME AJUDE/NOITE Sentado, na calçada, Jean espera por Marla, que chega em sua camionete, com motorista e uma escolta de guarda-costas. Ao abaixa o vidro, Jean, lhe diz: Jean - Necessito que me ajude, senhora.

Continua...

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