ATENAS
CENA 15. EXT. TEATRO. MEIO-DIA. Apolo desce do cavalo, atordoado. A CAM se distancia e mostra pés de outra pessoa. Corta para: Apolo caminha ao redor. APOLO (Gritando): Aquiles? Oh Aquiles? Aparece, meu irmão, sou eu, Apolo. Uma mão toca os ombros de Apolo, esse se assusta e direciona seu olhar. Urias é revelado. APOLO: O que fazes aqui? Estás perseguindo-me? URIAS: Pelo visto não tens palavra. Foges de mim. Esqueceste do trato que fizemos? Revelei-lhe a faceta de Martine e não obtive a alforria. APOLO: És apressado, Urias. Sempre foste! O que me apetece nesse momento é encontrar meu irmão. URIAS: Quando frequentava os jantares com o rei, não se preocupava com ele, não? APOLO: Não se envolva nisso. Lembre-se que sou o soberano. URIAS: E eu sou muito mais que um pobre miserável, Apolo. Eu posso ser seu inimigo político e na política não tens fundamento para se firmar. APOLO: Não seja patético, soldado. Foste pego num caso de adultério. Achas que tem mais força que a moral de Atenas? És patético! URIAS: E foste por vossa causa que fui descoberto. Tens algum senso de humanidade dentro de si, Apolo? APOLO: Foi preciso! É por isso que eu cheguei no poder, quebrando um paradigma enorme, Urias, se não fosses egoísta, saberia valorizar meu ato. URIAS: Não fizeste por amor à pátria. Fizeste isso por ganância, vingança. Hipócrita! Apolo gargalha. APOLO: É por isso que não terás alforria nunca. Nunca! Urias desembanha a espada e aponta para Apolo. APOLO: Enfia. Pega essa espada e degole meu pescoço, além de adúltero, serás assassino. Urias desfere uma bofetada em Apolo que cai, desesperado. URIAS: Esse será o teu fim, Apolo. No chão, caído, esmagado como uma folha. Urias joga a espada no chão, pega o cavalo e se afasta, cavalgando. Apolo o observa, enraivado. Urias volta e se aproxima de Apolo. URIAS: Ah já ia esquecendo. Não seja imbecil procurando por Aquiles, pois, ele não está em Atenas. APOLO: Patife, donde está então? Andaste tietando o Aquiles na masmorra? URIAS: Esparta! (TEMPO/Apolo gargalha) E se eu fosse vós temeria, pois, ele voltará, eu tenho certeza. Pode ser fatal! Urias sai, cavalgando. Apolo se levanta, sorrindo. APOLO (Pensando): Imbecil! Podes cavalgar à vontade, te encontrarei até no sheol. CENA 16. INT. PRAÇA. MEIO-DIA. Os soldados amarram Aristides e Dimitri num tronco. Melina os observa, chorando. Leônidas a abraça. MELINA (Desesperada): Por favor, soldado, eu suplico. Imploro. Por favor, não mate-os. O soldado esnoba Melina e ateia fogo no tronco com uma tocha. Aristides olha para Melina. ARISTIDES (Sussurrando): Tens sorte de ver-me morrer. Poucos tem essa oportunidade. Aristides sorri, ensandeciso. Melina tenta se aproximar mas é segurada por Leônidas. LEÔNIDAS: Já há tragédias demais aqui. Não permitirei! Aristides e Dimitri urram de dor, agonizando. CLOSE no fogo consumindo os corpos. Melina desesperada se joga no chão. CENA 17. INT. PALÁCIO. JARDIM. MEIO-DIA. Sra. Martine esmagalha uma flor. Agatha a observa com frieza e se aproxima. AGATHA: O que queres? SRA. MARTINE (Preocupada): Por que tens os olhos inchados, querida? AGATHA: Fala o que quer comigo. Não estou bem! SRA. MARTINE: Vim despedir-me de vós. AGATHA (Assustada): E para onde vais? SRA. MARTINE: Etiópia, talvez. Mas meu objetivo aqui é receber o seu perdão para ir em paz. AGATHA: O que fizeste foi abominável. Sofri demais! Sofro ainda. SRA. MARTINE: Eu pedi-lhe perdão, apesar de não ter ressentimentos. Petrus perseguiu-me severamente por tanto tempo que o que fiz não me traz remorço mas o que voga aqui é vosso perdão. Agatha observa, calada. SRA. MARTINE: E então? AGATHA: Já dei-lhe ouvidos doutras vezes e colhi apenas, desgosto. Ontem, foi o maior deles. SRA. MARTINE: Essa foi sua última chance, não nos veremos novamente mas desejo do fundo do meu coração que sejas feliz. Sra. Martine se afasta. Agatha tenta segui-la mas estagna. Sra. Martine olha para trás e sai. Agatha chora. CORTE DESCONTÍNUO: CENA 18. EXT. PALÁCIO. ENTRADA. MEIO-DIA. Mirtes observa Sra. Martine se aproximando e chora. SRA. MARTINE: Não chores, minha amiga. Não chores que chorarei também. Sra. Martine abraça Mirtes. SRA. MARTINE: Muito obrigada! Por tudo! Pelo teu zelo, pelo teu cuidado, teu respeito, ah, Mirtes, se não fosse por vós não sei como seria minha estadia aqui. Levarei-a contigo em meu coração. MIRTES (Gaguejando/Emocionada): Não és obrigada à ir, senhora. Fique conosco! A Agatha jamais a despeçará. SRA. MARTINE: É o melhor à se fazer, sabes do que fiz contra os pais de Apolo, temo que ele se vingue de forma cruel. MIRTES: Sempre estarás em minha mente, em meu coração, sua memória eu manterei nesse lugar, queiram ou não queiram. SRA. MARTINE: Preciso ir. Fique bem! Sra. Martine beija a testa de Mirtes e caminha. Mirtes chora, desesperada. CENA 19. INT. BORDEL. SALÃO. TARDE. Leônidas entra ao lado de Melina. As cortesãs em polvorosa, as observa. LEÔNIDAS: Não nos olhe assim. Uma cortesã se aproxima. CORTESÃ: Então, teremos outra concumbina? LEÔNIDAS: Não sejas indiscreta. Não! Ela é apenas uma convidada. De honra intacta. CORTESÃ: E o que a santarrona faz em nosso expediente? MELINA (Soluçando): Será meu abrigo provisório. O celeiro da minha vingança. Close em Melina, enfurecida.
ESPARTA
CENA 20. INT. VIVENDA DE CIRO. SALA. TARDE. Damásia entra, agitada. DAMÁSIA: Ciro, meu filho, não sabes o que ocorreu. (TEMPO/Ela se abisma) Para onde vais? CIRO: Chegou a hora da partida, mamá. Preciso conhecer o mundo, sou novo demais para me prender aqui. Damásia emocionada, o abraça. DAMÁSIA: E que consideração tens para com vossa mamá. Deixá-la-à ao léu por um fetiche? CIRO: Fetiche não. Fetiche é superficial, minha alma está saturada em Esparta. Preciso ir antes de ser convocado. Desejo apenas que vós mantenhas uma memória viva de mim e eu manterei na mesma. Damásia abraça Ciro. DAMÁSIA: Siga teu coração. Teu coração, filho. Ciro chora. Damásia preocupada, acaricia o cabelo dele. CENA 21. INT. PALÁCIA. ALCOVA DE HEROS. TARDE. Ariadne entra. Heros se ajeita, sozinho. RAINHA ARIADNE: Estás belo! Um formoso príncipe. HEROS: Agradeço-a. Donde está meu pai? Ele não deveria está à ajeitar-se comigo? RAINHA ARIADNE: Com pesar anuncio que vosso pai não participará da sua cerimônia. HEROS (Abismado): O que? RAINHA ARIADNE: Houve um imprevisto! Ele regressará em alguns dias mas peço-lhe que compreenda essa situação. HEROS (Frustrado): Como pode isso? Serei o primeiro desdenhado de todos os antepassados. RAINHA ARIADNE: Prova de que és unânime. A unanimidade está em vosso sangue, Heros. Ainda que com pesares. Ariadne o abraça. RAINHA ARIADNE: Quando encerrar a cerimônia e desposares de vossa esposa, não te lembrarás mais desse percalço. Juro-te. Ariadne acaricia o rosto de Heros e sai. Heros frustrado, abaixa a cabeça.
ATENAS
CENA 22. EXT. PORTO. TARDE. Sra. Martine sentada à beira observa o mar. Pescadores caminham com redes nas mãos. Sra. Martine boceja e fecha os olhos, ao abri-los se depara com navios de guerra se aproximando. Ela boquiaberta se levanta e sai correndo. CORTE DESCONTÍNUO: CENA 23. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. TARDE. Sra. Martine entra, abruptamente. Os soldados se aproximam. SRA. MARTINE: Donde está Apolo? Há uma desgraça se aproximando. Apolo degustando uma maçã se aproxima, sórdido. APOLO: Estás muito afobada, senhora. Não podes entrar assim em minha presença. SRA. MARTINE: Haja como um líder! Vi um navio se aproximando. APOLO: Ah, senhora. Nos poupe! SRA. MARTINE: Havia canhões na parte superior dele. Estão vindo mal-intencionados. Apolo arregala os olhos. Procópio o olha, sóbrio. PROCÓPIO: O que faremos, ó rei? Não há soldados suficientes para uma guerrilha. Tomarão as nossas terras. Apolo olha angustiado para Procópio. APOLO: Que o menor vença. CLOSE em Apolo, temeroso. CENA 24. INT. NAVIO. PROA. TARDE. Aquiles aponta para Atenas. AQUILES: É ali que zombam de ti, majestade. CLOSE em Aquiles, ensandecido. CONTINUA...