ESPARTA
CENA 2. INT. PALÁCIO. SALÃO. MEIO-DIA. Aquiles entra. O rei o olha, entusiasmado. REI HERMES: Um verdadeiro nobre, meu rapaz. AQUILES: Me deixas constrangido, majestade. Um elogio vindo de vós é uma honra. REI HERMES: És Ateniense, suponho. Esse sotaque, o modo de falar traz à tona vossa origem. Aquiles respira fundo. REI HERMES: Não entendo de vossos costumes, tampouco, gosto de vosso povo. Sou sincero quando digo-lhe. Detesto! AQUILES: Então firmamos aqui um consenso. REI HERMES: O que tens contra Atenas? É um despautério dizer isso. É vossa pátria. AQUILES: Ó majestade, peço-lhe cautela mas te digo que se quiseres, sei como entregar Atenas em vossas mãos. Rei Hermes arregala os olhos, assustado. REI HERMES: Não tenho tal pretensão. Aquiles decepcionado, coça a barba. O rei o observa. REI HERMES: Sente-se. Temos um assunto para tratar. Elfos puxa a cadeira para Aquiles. O rei os observa. REI HERMES: O que sabes da pederastia? É professado naquela região? AQUILES: Não tanto. REI HERMES: Essa função é somente para sábios, homens com experiência de guerra. Sei que não se encaixa nesses parâmetros. AQUILES: E por que desejas que eu me enquadre, majestade? REI HERMES: Desejo que vós seja o tutor do meu filho. Em nome de Eládio, o entrego tal função. AQUILES: Mas honras-me por demasiado, majestade. Não mereço! REI HERMES: Sei que não. Estava eu à espera de Eládio, como vieste em nome dele, o abençoo. Á noite terás a honra do simpósio ao lado do futuro rei de Esparta. AQUILES: Desejo-lhe vida longa. REI HERMES (Sarcástico): Que a morte lhe ouça. O rei sorri e levanta a taça. Aquiles preocupado, força um sorriso. CENA 3. INT. PALÁCIO. LAVABO. MEIO-DIA. Heros desanimado se banha. Ciro entra. Heros ao vê-lo se anima jogando-lhe água. CIRO: Não molhes-me. Sabes que detesto água morna. HEROS: Vem também. A água já esfria. CIRO: Sério, não estou entusiasmado. Vim, pois, minha mãe disse que um homem, imigrante, provavelmente, chamou-a e indagou-a sobre o vosso pai. HEROS: É o enviado de Eládio. CIRO (Entusiasmado): E donde está o velho falastrão? HEROS: Na tumba. Ciro se entristece. CIRO (Cabisbaixo/Triste): Era um bom homem. HEROS: Sim! O pior é a quebra do paradigma. CIRO: Do que falas? HEROS: A pederastia será feito por um moço. CIRO (Abismado): Um moço? HEROS: O tal enviado. Meu pai está extravagante, unânime. CIRO: O rei Orfeu se envergonharia. Era o homem da lei! Vosso pai perdeu o senso desde o ocorrido com o pai de vossa noiva. HEROS: E estou nesse enlace por vós, apenas. Sabes que não amo ela, jamais a amarei. CIRO: É o melhor. Serás feliz assim. Construirá uma descendência. HEROS: Me sinto confuso, Ciro. Temo por minha felicidade. É como se nada ocorresse como o esperado. CIRO: Já vivi isso. HEROS: Não sabes como é casar com uma pessoa que não ama, sequer ter a pederastia com um conhecido. CIRO: E o que desejas que eu faça? Não o posso ajudar. HEROS: Sinto medo. Em ti, tenho confiança. CIRO: O que quer dizer? HEROS: Desejo que vás ao simpósio comigo. CIRO: Hãm? Ciro arregala os olhos. Heros apreensivo olha fixamente para ele.
ATENAS
CENA 4. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. MEIO-DIA. Apolo se afasta, chorando. Sra. Martine desesperada se aproxima dele. APOLO: Aparta-te de mim, mulher, não a conheço mais. SRA. MARTINE (Desesperada): Foi um equívoco. Um erro, eu reconheço, o que queres que eu faça mais? APOLO: Quero que saia de Atenas. Suma da minha vida. Sra. Martine num rompante, olha para o pergaminho nas mãos de Apolo às avessas. SRA. MARTINE (Cínica): Leia mais, Apolo. Leia! Faça-me o favor de traduzir tudo o que está nesse pergaminho. APOLO: Porque dizes assim? Perdeste o senso? SRA. MARTINE (Revoltada): Imbecil! Achas mesmo que não sei que és leigo? O pergaminho está às avessas. Apolo perplexo a olha, assustado.
ESPARTA
CENA 5. INT. PALÁCIO. LAVABO. MEIO-DIA. CIRO: Que ideologia estapafúrdia, Heros. Jamais me submeteria à tal blasfêmia. HEROS: Achei que éramos amigos. Um amigo para todos os momentos. CIRO: Essa situação é íntima demais. Séria! Jamais agiria com lascívia. HEROS: E por amor? Farias? CIRO: Estás avariado, meu amigo. Não sabes o que dizes. É um absurdo! HEROS: Achas que sou uma aberração? CIRO: Apenas penso que é um ato inapropriado. Nem idade tenho eu. Que honra tenho para desfrutar do simpósio? HEROS: Vejo que não estás tão disposto para comigo. CIRO: Não é isso, Heros. HEROS: Preciso de um período de preparo. Vá e deixe-me com minhas interrogações. CIRO: Posso ajudá-lo, se quiseres. HEROS: Não precisa! Só peço que vás e se puderes não voltes até o enlace. Só vais confundir-me mais. Ciro se afasta, desmotivado. Heros o observa, calado. Ciro olha para trás. Heros o olha, sóbrio. Ciro sai. FLASHBACK DE HEROS - Ele lembra do treino de artilharia com Ciro. Heros chora. Anastácia o observa, ao longe.
ATENAS
CENA 6. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. MEIO-DIA. APOLO (Assustado): Realmente não sei ler, fostes ingênua mas foi preciso. Tu fostes imbecil. Sra. Martine gargalha. SRA. MARTINE (Preocupada): Achas que eu diria algo tão crucial de forma tão rasa? (TEMPO/Ela gargalha) És um bobo. APOLO (Gritando/Revoltado): Para, senhora. Para com essa encenação ridícula. Não é porque sou leigo que sou parvo. Sra. Martine arregala os olhos. APOLO: Fostes a pedra que faltara ao enigma. Não desminta isso! Em respeito à mim, mantenha a sinceridade, não deixe a impressão de ser dissimulada, pois, sei que não és. SRA. MARTINE: Pois, bem. Peço-lhe apenas que reconheça que o ergui, corrigi meu erro, mereço a redenção. APOLO: E a vida de meus pais fora ceifada por vós. Achas justo? SRA. MARTINE: Tudo fora planejado por Dimitri, apenas fui cobaia por apoiar o teatro de Aristides. APOLO: Eu não terei piedade de nenhum deles, senhora. Dimitri e Aristides serão destruídos. SRA. MARTINE: Estás convicto de que serás rei em Atenas, saiba que posso destruí essas expectativas. APOLO: Não farias isso. Sabes da minha importância, por isso, entregou Agatha em minhas mãos. Á vós, resta apenas que saia de Atenas após o enlace. SRA. MARTINE: Um absurdo! Sou a conselheira à três eras. APOLO: A questão é pessoal. Pouparei vossa vida mas não quero vê-la toda manhã. És uma sombra em meu passado, um reflexo da morte de meus pais. SRA. MARTINE: Esse é o mal de elevar lobos à líder da alcatéia, nos devoram sem piedade. APOLO: E como toda matilha migra, agora é vossa vez. Vá à Etiópia! Não a quero aqui, essa será vossa redenção. Só terás meu perdão se acatar essa decisão. Apolo sai. Sra. Martine o observa, frustrada. SRA. MARTINE (Pensando): Quem nasceu para guará não se torna um alfa jamais. Jamais!CENA 7. INT. PALÁCIO. ENTRADA. TARDE. Aristides e Melina caminham em direção à porta. Mirtes os observa e se aproxima. MIRTES: Ora, ora, se não é Aristides. ARISTIDES: Como vai, Mirtes? MIRTES: Não o vejo à algumas luas. Na verdade, não o vejo desde o incidente no teatro. ARISTIDES: Esqueça aquela ocasião. (TEMPO/Ele olha para Melina) Estás entregue em boas mãos. Já vou! MELINA (Preocupada): E passará mais uma noite ao sereno? Se quiseres convenço Apolo à deixar-te conosco. Mirtes a olha, estranhando. ARISTIDES: Não há possibilidade. Não aceitaria! Somos distintos demais para convivermos juntos. MELINA (Enfurecida): Teimoso! ARISTIDES: Sem muitas despedidas, adeus. Aristides prestes à sair se depara com Apolo chegando. APOLO (Entusiasmado): Que coincidência magnífica! Desejava vê-lo mesmo, Aristides. Melina se aproxima de Apolo, sorrindo. Mirtes desconfiada, permanece observando-os. MELINA: Vim ao vosso encontro. Espero que tenha lembranças. APOLO: Claro, Melina. Fique à vontade. Mirtes a servirá. MIRTES (Espantada/Boquiaberta): Melina? Então não és um homem? Ai, misericórdia. Acho que vou desfalecer. Mirtes se escora em Apolo. APOLO: Não sejas deselegante, Mirtes. Leve-a, por favor. Mirtes se recompõe e sai. Melina a acompanha. Aristides curioso olha fixamente para Apolo. APOLO: Não se incomodas de vim ao jardim comigo, não? ARISTIDES (Desconfiado): Contigo tudo é um incômodo mas enfim. Irei! Apolo sorri. Aristides franze as sobrancelhas, sério. CENA 8. INT. BORDEL. ALCOVA DE LEÔNIDAS. TARDE. Leônidas deitada, seminua. Dimitri andando de um lado para o outro, desinquieto. LEÔNIDAS: Já encontraste vossa filha. Não tens que permanecer nessa inquietação, homem. DIMITRI: Me inquieto com a possibilidade de Apolo tornar-se rei. Não viste-o ao lado da princesa? LEÔNIDAS: E o que tens contra o jovem? Um belo rapaz! DIMITRI: Não o conhece como eu. LEÔNIDAS (Irônica): Por acaso és o papá dele? DIMITRI: Sou um parente. Irmão da finada Jacinta. Deverias ter noção de tal. LEÔNIDAS: A vida alheia não me interessa. A questão à ser levantada é que já sabes que não a tinha em cárcere como imaginavas, portanto, não há mais necessidade de viver aqui. DIMITRI: Não fiquei apenas por Melina. Sinto por ela mas não fiquei por esse motivo. Gosto da vossa companhia. Sempre gostei! LEÔNIDAS: Sabes bem que cafetinas e cortesãs não são propriedades privadas. Somos livres! DIMITRI: E não quero privá-la. LEÔNIDAS: E o que queres? Jamais tive vocação para ser recatada e do lar, se é esse o seu objetivo. DIMITRI: Desejo adquiri esse bordel. LEÔNIDAS: Estás louco? Deixarás a reputação de Melina afundada caso vires pra cá. Fizeste tudo pela honra dela, não é verossímil. DIMITRI: A honra de Melina está celada. Arranjo-lhe um bom dote e posso vim, tranquilamente. Desejo apenas ser um morador do lar das mulheres peculiares. LEÔNIDAS: Mas pra vir precisa da minha aceitação. DIMITRI: Pra quem me suporta à eras, acho que não será um problema. LEÔNIDAS: Será? Dimitri a olha sorrindo. Leônidas esnobando, cruza os braços. CENA 9. INT. PALÁCIO. JARDIM. TARDE. Aristides e Apolo caminham entre as flores. ARISTIDES: Afinal, o que desejas? APOLO: Tenha calma! ARISTIDES: Jamais peça calma à Aristides Pereira. APOLO: Sei que meu pedido parecerá medonho mas insisto em pedi-lo para que prepares a cerimônia do meu enlace matrimonial. ARISTIDES: Vais realmente casar-se com Agatha? APOLO: Era o desejo de Petrus. Se concretizará! Cuidarás da ornamentação? Será simples, porém, à altura da minha futura esposa. ARISTIDES: Não sabias que eras um admirador da ornamentação. Mas não penses que farei cortesia à vós. Nem à Petrus fazia tais bondades. APOLO: Pela manhã receberás vossa recompensa. Apolo sorri para Aristides.
ESPARTA
CENA 10. INT. PALÁCIO. ALCOVA DE HERMES. TARDE. Anastácia entra. Ariadne deitada, desperta. RAINHA ARIADNE: Desejas algo, querida? ANASTÁCIA: Perdoe-me, majestade. Não era minha pretensão despertá-la. RAINHA ARIADNE: Não faz mal. Diga. Ariadne se assenta. Anastácia se aproxima. ANASTÁCIA: Ouvi algo que desagradaste-me. Estou demasiadamente magoada. RAINHA ARIADNE (Preocupada): Conte-me! Foi o Heros? ANASTÁCIA: Ele e o Ciro, ambos tão torpes. RAINHA ARIADNE (Preocupada): O que ouviste propriamente? ANASTÁCIA: Heros pediu para Ciro ir ao simpósio consigo. RAINHA ARIADNE: O que pensas ele? Só porque Hermes inseriu um jovem para realizar a pederastia, não significa que. ANASTÁCIA (Interrompendo): Mas o objetivo não era a honra, majestade. O vosso filho desejava o prazer. RAINHA ARIADNE: Causado provavelmente pelo Ciro. Esse terá um castigo por tal desonra. Onde já se viu ir ao simpósio antes da pederastia? ANASTÁCIA: Sei que és eficiente! Resolva a situação para evitar más índoles rodeando-nos. RAINHA ARIADNE: Irei resolver imediatamente. Ariadne se levanta e sai.
ATENAS
CENA 11. INT. PALÁCIO. SALÃO. TARDE. Mirtes olha para Melina, desconfiada. MIRTES: Sente aí, moço. (TEMPO/Corrige) Quero dizer, moça. Esses disfarces me confundem toda. MELINA: Não faz mal. E afinal, donde está a Agatha? Fomos mui unidas na infância. MIRTES: Desse jeito ela não te reconhecerá de jeito algum. MELINA: Deixa-me vê-la. MIRTES: Achas viável? Mantenha-se aqui até segunda ordem. Agatha entra, séria. AGATHA: Não maltrate o rapaz dessa maneira, Mirtes. Melina a olha, sorrindo. Agatha mantém o olhar fixo. MELINA: Não reconheces-me, alteza? Agatha a encara, estranhando. Mirtes as observa, séria. AGATHA: Perdoe-me. Jamais o vi, senhor. MELINA: Sou Melina de Dimitri. Agatha boquiaberta, sorri constrangida. AGATHA: Oh perdoe-me, não a reconheci sem os belos cabelos. Uma peste assolou-a? MIRTES: Fiquem em prosa, tenho muito à fazer. Mirtes se afasta. MELINA: Foi a fuga do meu pai, desejava vender-me como cortesã. Melina chora. Agatha se aproxima, abraçando-a. AGATHA: Vieste pelo Apolo, suponho. Lembro do parentesco entre Jacinta e Dimitri. Melina enxuga as lágrimas, recompondo-se. MELINA: Exato! Não deverias está à arrumar-se para o enlace, alteza? AGATHA: Vim convocar a Mirtes para ajudar-me mas como estás conosco, venha e auxilie-me. MELINA: Será uma honra. Agatha sai. Melina a acompanha. A CAM foca ao fundo: Urias as observa.
ESPARTA
CENA 12. INT. VIVENDA DE CIRO. SALA. TARDE. Ariadne entra, abruptamente. Ciro tocando harpa, se assusta. CIRO (Irônico): O que queres aqui, majestade? Qual favor deseja dessa vez? RAINHA ARIADNE: Não sei o que pensas sobre Heros mas digo-lhe que ele é um homem. Um forte líder. CIRO: Pelo contrário, rainha, acho que vós não conhece a capacidade de vosso filho. RAINHA ARIADNE: E por que insinuaste-se à ele? Achas que podes ser o tutor dele? CIRO: Quem contou-lhe isso? Heros? RAINHA ARIADNE: Não importa. Peço apenas que se afaste dele. Vossa afinidade não contribuirá em nada para o crescimento de Heros. CIRO: E achas fácil? É só vim exigir de mim que o convença à casar-se com Anastácia e pronto, já não tenho serventia para vosso filho? RAINHA ARIADNE: Peço por bem vosso e dele. CIRO: Não sejas hipócrita, majestade. RAINHA ARIADNE: Meça as palavras, Ciro. Sou a soberana. CIRO: Saia da minha vivenda, rainha. Já deste vosso recado infame. RAINHA ARIADNE: Se insistires o enviarei à forca e saberás o peso da dona dos recados infames. CIRO: És pomposa. (TEMPO/Corrige) Pretenciosa, essa é a palavra. RAINHA ARIADNE: Exijo de vós que afaste-se de Heros, caso desobedeça tais ordens, não haverá chances. Ariadne sai. CIRO (Pensando): Serei sua pedra de tropeço, majestade.
ATENAS
CENA 13. INT. PALÁCIO. COZINHA. TARDE. Sra. Martine entra, afoita. Mirtes cozinhando a observa. SRA. MARTINE: Não oferecerás água à vossa monarca? Mirtes permanece calada. Sra. Martine se aproxima dela. SRA. MARTINE (Confusa): Surda, não és. O que há convosco, Mirtes? MIRTES: Deixe-me concentrar, senhora. Preciso preparar o banquete. SRA. MARTINE: Deixo sim, à vontade. E afinal, donde está a Agatha? MIRTES: Na alcova. Se possível agora vá ao encontro dela, ela deseja falar consigo. SRA. MARTINE: Vou sim. Vou mas ainda desejo descobri o que lhe fiz, Mirtes. Estás à esnobar-me. MIRTES: A morte de Petrus por vós, chocou-me, senhora. Não sabia que eras tão fria. SRA. MARTINE: Ah Mirtes. Não sejas assim. Compreendo vosso desgosto mas não é pra tanto. Foi o Petrus! O assassino de Minerva está morto e é isso que importa. MIRTES: Não, não é. SRA. MARTINE: Estás me enfrentando, Mirtes? MIRTES (Assustada): Não me olhes assim, senhora. Sinto-me como uma presa! SRA. MARTINE (Ressentida): Não era a minha intenção. Desculpa! Já vou ao encontro de Agatha, com vossa licença. Sra. Martine sai. Mirtes observa-a. MIRTES (Pensando): Coitada! Está ensandecida!CENA 14. INT. PALÁCIO. ALCOVA DE AGATHA. TARDE. Agatha girando em frente à Melina. AGATHA: Como estou? MELINA: Entristecida. AGATHA: Me refiro as vestes. MELINA: Sei que sim mas não há vestes lindas num rosto desanimado e amargurado. O que posso fazer para alegrá-la? AGATHA: Absolutamente nada. Minha tristeza só cessará na tumba. MELINA: Que horror! Sra. Martine entra. Agatha a observa. SRA. MARTINE: O que fazes com esse homem aqui, Agatha? AGATHA: Precisas de uma veste mais feminina, Melina. SRA. MARTINE: Melina? A de Dimitri? MELINA: É uma história longa, senhora. AGATHA: Peço que nos deixe à sós, Melina. Só por um instante. MELINA: Estarei na escadaria. Melina sai. Sra. Martine olha para Agatha, confusa. SRA. MARTINE: E o que desejas comigo? AGATHA: Eu preciso de vós. Só vós sabes o que enfrentarei ao findar da cerimônia. Sra. Martine acaricia a mão de Agatha. SRA. MARTINE: Ah querida! Haja com tranquilidade. Acredito que ele jamais a rejeitará. AGATHA: Achas mesmo? SRA. MARTINE: Estou convicta. AGATHA (Esperançosa): Me sinto mais aliviada. SRA. MARTINE: Aproveitando que estamos sós, desejo saber se já liberaste o perdão à mim. Agatha se afasta. AGATHA: Não me sinto pronta. Talvez, eu consiga. Um dia. SRA. MARTINE (Decepcionada): Espero que eu ainda esteja aqui. Sra. Martine sai. Agatha a observa, lacrimejando.
ESPARTA
CENA 15. INT. PALÁCIO. ALCOVA. NOITE. Aquiles entra. Heros deitado em lençóis brancos, treme, nervoso. Aquiles o observa por alguns instantes. AQUILES: Não se preocupe! Jamais fiz tal ato. Heros apreensivo toca a tíbia. Aquiles se aproxima e deita ao lado dele. AQUILES: Está preparado? Heros acena positivamente. Aquiles o toca. CENA 16. INT. PALÁCIO. SALÃO. NOITE. A monarquia assentada, calada. Ouve-se o gemido de Heros. O rei se levanta, alegre. REI HERMES (Gritando/Entusiasmado): Está consumado! O futuro rei de Esparta está pronto! Todos alegres, brindam. Ao fundo, escondido, Ciro os observa, chorando.
ATENAS
CENA 17. INT. PALÁCIO. SALÃO. NOITE. Agatha coberta com o véu, tremia. Apolo com um ramo de oliveiras nas orelhas, sorria. Procópio posicionado os observava, sóbrio. PROCÓPIO: Estão definitivamente casados em nome de Heras, Zeus e da graciosa Ártemis. Sigam vos para a procriação. Todos aplaudem. Agatha é levada por Apolo. Sra. Martine os saúda com o ramo de loureiro. CENA 18. INT. PALÁCIO. ALCOVA. NOITE. Apolo despi Agatha. Ela temerosa, o afasta. APOLO: Vai ser bom, prometo. Apolo tira a última camada de vestes e enojado, cospe. Agatha chora, constrangida. APOLO (Assustado): És um homem?
CONTINUA...