ESPARTA
CENA 7. INT. PALÁCIO. SALÃO. NOITE. REI HERMES: O que o motivou à tomar uma decisão tão repentina? Heros se senta ao lado de Anastácia. HEROS: Tive uma conversa com o Ciro e ele convenceu-me de que estavas certo. REI HERMES: Tinha noção de que tal idéia não poderia ter vindo de vós. HEROS: Não seja inconviniente, meu pai. Uma refeição não precisa ter o amargo de vossa prosa. O rei se abisma. Anastácia olha para Heros, confusa. REI HERMES: Não há a possibilidade desse enlace acontecer, por enquanto. Pelo menos até a chegada de Eládio. HEROS: És uma incógnita. Um dia exige-me um enlace e no outro desfaz as probabilidades. REI HERMES: Peço-lhe apenas mais uns dias. Caso, Eládio não regresse, se casarás na mesma e outro sábio fará a pederastia em vós. Ariadne olha para Heros e Anastácia. RAINHA ARIADNE: E será bom para vós se conhecerem melhor, como planejara, Heros. HEROS: Eu poderia me recusar mas aguardo. Uns dias, apenas. É o meu prazo. Heros degusta. Anastácia decepcionada olha para Heros. ANASTÁCIA (Sussurrando): Fui tapeada! Heros pisca para ela. CENA 8. INT. VIVENDA DE CIRO. SALA. NOITE. Ciro entra abrupto. Damásia teando, se espanta. DAMÁSIA: Não entres assim. Jurei que era um ladrão. CIRO: Mamã, a tia Leônidas ainda habita em Atenas? DAMÁSIA (Confusa): Sim! Não a vejo desde sua fuga mas acredito que sim. Qual o motivo da indagação? CIRO: Desejo ir viver com ela. DAMÁSIA: O que deu em vós? Ela é uma pervertida, uma meretriz, preferes morar com uma cortesã do que com vossa mamã? CIRO: Prefiro migrar do que aturar o enlace matrimonial entre Heros e Anastácia. DAMÁSIA: Por que? O que eles te fizeram? CIRO: Nada! Mas é arranjado demais, não há sentimento, é terrível. DAMÁSIA: Acho viável! Deverias procurar uma esposa de valor para si também. Não serás beato pelo resto de sua vida. Jamais permitirei. CIRO: Vou descansar. O dia foi tosco. DAMÁSIA: Não degustará ao meu lado? CIRO: Perdi o apetite. Ciro sai, revoltado. DAMÁSIA: Estranho demais! Essa mocidade é esquisita.
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CENA 9. INT. PALÁCIO. SALÃO. NOITE. Agatha olha furiosa para Sra. Martine. AGATHA: Não fizeste isso comigo, não foi vó? SRA. MARTINE: Ele assassinou a sua mãe e eu o assassinei. É justo, minha filha. Fui justa! AGATHA: Mas era meu pai. (TEMPO/Agatha geme) Sou órfã por vossa causa, vossa. Qual o conselho que me dá, conselheira de Atenas? SRA. MARTINE: Envie-me para a forca e perca o único ente-querido que lhe resta. Agatha chora desesperada. AGATHA: Quero a morte. Prefiro morrer! Agatha corre, enlouquecida. Apolo a alcança, abraçando-a. APOLO (Sussurrando no ouvido dela): Vai ficartudo bem. Eu prometo! Vai ficar tudo bem. Mirtes olha para Sra. Martine. MIRTES (Chorando): O que faço eu com o corpo? SRA. MARTINE: Mandem chamar procópio para o funeral. Ele saberá realizar a cerimônia. Mirtes se afasta. SRA. MARTINE: E que comece o matriarcado. Agatha furiosa, sai, escorada em Apolo. CENA 10. INT. PALÁCIO. ALCOVA DE SRA. MARTINE. NOITE. A Sra. Martine entra e encontra Urias adormecido no leito. Ela se aproxima e desfere-lhe uma bofetada. Ele acorda, desnorteado. URIAS: O que houve? SRA. MARTINE: Não admito que adormeçam em meu leito. Afinal, o que queres de mim? URIAS: Desejo que vós arranjes uma fuga, preciso fugir de Atenas antes que seja pego. SRA. MARTINE: E por que devo fazer isso? URIAS: Esqueceste que te vi envenenando o leite do rei? Sra. Martine gargalha. Urias a observa, confuso. URIAS: No teu lugar, eu não riria. SRA. MARTINE: És um fracote mesmo! Achaste que eu ficaria à mercê de vós? Na-na-ni-na-não. Já confessei para Agatha. Todos no salão já sabem do que fiz, portanto, vós é que estás em minhas mãos e farás tudo o que lhe disser. URIAS (Decepcionado): Lástima! E o que desejas? SRA. MARTINE: Desejo que vós me diga onde ficam os registros de Petrus. URIAS: Para que deseja? SRA. MARTINE: Não devo-lhe satisfações, querido. Lembre-se disso! Vais dizer-me? URIAS: No tribunal, do lado esquerda do trono. SRA. MARTINE: Espero que não esteja enganando-me, Urias. O preço da traição é a morte, sabes disso. URIAS: Já estou morto, senhora. Os carcereiros forjaram minha morte e a senhora manterá tal sigilo. Não vais? SRA. MARTINE: Corruptos! Caso, encontre o que desejo, livro-o. Minha palavra é honrada, mantenho até as últimas consequências. Durma bem! Sra. Martine olha friamente para Urias. Ele ríspido, se deita no chão.
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CENA 11. INT. EMBARCAÇÃO. ALCOVA. MANHÃ. Aquiles dormia. Esdras assobia e o acorda. ESDRAS: Senhor? Chegamos! Aquiles se levanta. AQUILES: Mais uma vez, agradeço-lhe pelo acolhimento. Aquiles aperta a mão de Esdras, saudando-o. ESDRAS: Não esqueça de mim, mande saudações ao rei desse pobre pescador. AQUILES: Darei. E o convocarei para uma degustação no palácio. Aguarde. Esdras entusiasmado, sorri.
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CENA 12. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. MANHÃ. O corpo de Petrus sob uma plataforma de madeira. Os súditos choram. Agatha entra, escorada em Apolo. Procópio se aproxima dela. PROCÓPIO: Meus pesares pelo que houve. A tristeza é um sentimento realmente fatal. AGATHA: A que se refere, general? PROCÓPIO: Soube que vosso pai faleceu de tristeza. Ele realmente amava Minerva, independente de qualquer incidente. AGATHA: Quem disse-lhe isso? APOLO: Não o encha de interrogações, querida. Com licença, senhor. Apolo leva Agatha até o corpo de Petrus. Procópio os segue. Agatha chora. PROCÓPIO: Perdoe a indelicadeza mas vosso pai precisa ser levado. AGATHA: Não pode ser! Ele faleceu à noite, o dia amanheceu à pouco. PROCÓPIO: Até a tarde vai cheirar mal. O corpo dele apodreceu antes do previsto. Acontece em alguns casos. Agatha respira fundo. AGATHA: Eu tenho um pedido, Procópio. PROCÓPIO: Claro, alteza. Peça-me e o farei. AGATHA: Desejo que meu pai seja posto na mesma tumba que a minha mamã. Todos olham-na revoltados. PROCÓPIO (Sussurrando): É contra a ética, alteza. AGATHA (Gritando): Eu exijo que seja assim. Sou a futura rainha de Atenas e quem desafiar-me considere-se morto. Agatha se afasta. Apolo a acompanha. Todos ficam abismados. CENA 13. INT. TEATRO. ARQUIBANCADA. MANHÃ ARISTIDES: Já vais? Melina acena positivamente. ARISTIDES: Confesso que sentirei falta de vós. Pena que sequer tivemos a oportunidade de nos apresentar, nosso espetáculo teria mui êxito. MELINA: Fostes magnífico para comigo. Se não tivesses me acolhido, nem sei o que seria de mim. Grata sou por tudo! Aristides se emociona. MELINA: Não chores, se não choro também. ARISTIDES: E quem disse que eu choro, um cisco caiu em meus olhos. Tu te achas. Melina ri e o abraça. Aristides acaricia o rosto dela. ARISTIDES: Se cuida, querida. Se cuida! Ouve-se cavalos trotando. Aristides e Melina se desesperam. Soldados entram abruptamente no teatro e se deparam. SOLDADO: O que fazem agarrados, homens? ARISTIDES: Meu companheiro segue para a cidade, estamos nos despedindo. Mas o que os trouxe aqui? SOLDADO: Enviaram-me para anunciar a morte do rei. Aristides abismado se escora na parede. SOLDADO: Venha conosco! Vosso nome está no pergaminho do sacramento, senhor Aristides. Aristides e Melina seguem os soldados. CENA 14. EXT. QUÉBER. MANHÃ. Os tocadores tocam a harpa. Os soldados posicionam o corpo de Petrus coberto na tumba. Agatha chora. Apolo a consola. Os soldados rolam a pedra e fecham a tumba. Sra. Martine emocionada se aproxima com um ramalhete de flores. Agatha desfere um tapa na mão dela, derrubando as flores. AGATHA (Furiosa): Não és digna disso. Sra. Martine decepcionada se afasta. A CAM foca em Aristides e Melina entrando. Dimitri e Leônidas os observa ao fundo. Dimitri olha para Melina. A CAM mostra a cicatriz no rosto de Melina. FLASHBACK: Melina com o rosto sangrando permanece sentada. Dimitri lava-a. DIMITRI: Olha o que sua teimosia fez. Essa cicatriz nunca vai sair do seu rosto. Nunca! VOLTA À CENA Num rompante, Dimitri se aproxima abruptamente de Melina. DIMITRI (Esperançoso): Melina? Melina o olha, desesperada.
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CENA 15. EXT. RUA. MANHÃ. Aquiles caminha, desorientado. Damásia caminha com um saco na mão. Aquiles a segue. AQUILES: Senhora? Damásia espantada, corre. Aquiles a persegue. Damásia se aproxima de um soldado. Aquiles estagna. DAMÁSIA: Esse louco persistiu em falar comigo. Aquiles se aproxima do soldado. AQUILES: Perdoe-me senhora. Desejo apenas uma informação. SOLDADO: Não seja impetuoso, homem. Diga-me o que deseja. AQUILES: Aonde posso encontrar o rei Petrus? O soldado o olha estranho. Aquiles envergonhado, sorri. AQUILES: Perdoe-me! Desejo saber sobre o rei Hermes. SOLDADO: Venha! Te levo comigo! CENA 16. INT. PALÁCIO. SALÃO. MANHÃ. REI HERMES: O Heros está amadurecendo. Já o vejo como um verdadeiro líder. RAINHA ARIADNE: Graças à Ciro. É um jovem sábio. REI HERMES: Sim! Reconheço a influência do jovem Ciro, seu pai se orgulharia. Um soldado entra. O rei revoltado se levanta. SOLDADO: Majestade, desculpe o incômodo mas há um homem desejando falar convosco. REI HERMES (Revoltado): Prenda-o! Esses súditos não podem incomodar-me em plena manhã. SOLDADO: Ele traz consigo um pergaminho em nome do rei. O rei entusiasmado, sorri. REI HERMES: Por que não disseste antes? Mande-o entrar. O soldado sai. RAINHA ARIADNE (Confusa): Quem será? REI HERMES: Eládio, provavelmente. Agora, o enlace de Heros sai e a pederastia será hoje ainda.
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CENA 17. EXT. QUÉBER. MANHÃ.Melina o esnoba e segue. Leônidas segura Dimitri. LEÔNIDAS: Estás louco? Não vês que é um homem? É desajeitado mas é um homem. DIMITRI: A cicatriz. Aquela cicatriz perto do olho é familiar demais. Só pode ser ela. Dimitri se solta e se aproxima de Melina, tocando-a. Aristides se vira e olha friamente. ARISTIDES: O que deseja com meu amigo? DIMITRI: Não seja patético! Sei bem que é minha filha, Melina. Melina se vira, revoltada. MELINA (Voz grossa): O que queres? Dimitri arregala os olhos. DIMITRI (Emocionado): Até sem cabelos, a reconheço e a reconheceria em qualquer condição. Eu criei-a, a vi desde pequenina e a reconhecerei eternamente. Melina chora. Dimitri emocionado tenta abraçá-la, porém, Aristides se impõe à frente. ARISTIDES: És um covarde. Egoísta! És o pior pai que já conheci, Dimitri, o pior de toda a espécie. DIMITRI: Quem acha que és, espevitado? És um erro social! Um afeminado. ARISTIDES: Posso ser afeminado, extravagante, exacerbado, enfim, posso ser conhecido por qualquer nome pejorativo que der-me mas jamais venderia a minha própria filha à uma cortesã como fizeste. DIMITRI: Não venderia, pois, jamais será pai. Não entenderás o real sentido da vida. ARISTIDES: E não quero entender. A ética e a moral basta para mim. Se afaste de Melina, ela não será levada por vós. DIMITRI: E quem vai impedir-me? Ela é minha filha, propriedade minha. ARISTIDES: O futuro rei de Atenas. Apolo a protegerá. (TEMPO/Ele revira os olhos) Que ódio em dizer isso mas Apolo vai libertá-la. Agatha olha para trás, furiosa. AGATHA: Respeitem o meu luto. Aristides envergonhado puxa Melina pelo braço. Dimitri se aproxima dela, abruptamente. DIMITRI (Sussurrando): Já sei vosso endereço, Melina. Te buscarei! Dimitri e Leônidas se afastam. Melina treme, nervosa.
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CENA 18. INT. PALÁCIO. SALÃO. MANHÃ. Aquiles entra. O rei confuso se levanta. REI HERMES: Dondevens? AQUILES: Eládio enviou-me. REI HERMES: Então ele... AQUILES: Infelizmente. REI HERMES: Sente-se, rapaz. Desejo saber toda a história. AQUILES: Não achas inviável um maltrapilho como eu, assentares ao vosso lado, majestade? REI HERMES: O que Eládio disse-lhe? Ele não enviou-te para ser honrado? AQUILES: Não o deixei concluir os preceitos. Ele estava mui debilitado, não queria deixá-lo falar tanto para que não agravasse vosso estado. REI HERMES: Sensato! O rei acena para Elfos. Ariadne observa Aquiles. Elfos se aproxima e o reverencia. REI HERMES: Elfos, eis aí vosso senhor. Trates dele como se cuidasses de mim. ELFOS: Vosso desejo é uma ordem, majestade. Aquiles acompanha Elfos. Ariadne abismada olha para Hermes. RAINHA ARIADNE: O que fizeste à pouco? Como sabes se esse é o enviado de Eládio? REI HERMES: Eu e Eládio tínhamos um pacto, um elo, ele jamais entregaria aquele pergaminho à um qualquer. RAINHA ARIADNE: E se o pobre furtou ou matou-o para assumi o pergaminho? REI HERMES: Me achas um imbecil, Ariadne? Respeite-me como esposo e acima de tudo, como rei. RAINHA ARIADNE: Perdoe-me, majestade. A questão é que me preocupo convosco. REI HERMES: Trates de preocupar-se com Heros. Prepare-o para a pederastia. RAINHA ARIADNE: Esse jovem fará a pederastia? REI HERMES: Fará. A sabedoria de Eládio o consumiu, sinto isso em cada frase dita. RAINHA ARIADNE: Mas... REI HERMES: Vá, esposa. Vá, antes que trato-a com rispidez. Ariadne sai, revoltada. Uma lágrima cai na mesa. Hermes enxuga-a com o braço. REI HERMES (Pensando): Farás muita falta, meu amigo. Eterno Eládio. CENA 19. INT. VIVENDA DE CIRO. SALA. MANHÃ. Damásia entra, afoita. Ciro a observa. CIRO: O que houve? Aparentas suor. DAMÁSIA: Um louco, imigrante talvez, pedindo-me informação na rua. Na rua, Ciro. Senti-me desolada. CIRO: E onde está o medíocre? DAMÁSIA: Provavelmente no palácio. Ele tem um vínculo com o rei, foi o que deixou claro. CIRO: Não será um golpista? DAMÁSIA: Não sei. Ele tem um pergaminho. CIRO: Vou ao palácio à tarde, descobri o desfecho do tal homem. DAMÁSIA: Vê se não arranjes furdunço no palácio. Não quero que o rei o maltrate. CIRO: Não se preocupe! Sou eficiente! CENA 20. INT. PALÁCIO. ALCOVA DE HEROS. MANHÃ. Ariadne entra. Heros adormecido, roncava. Ariadne assobia e o desperta. RAINHA ARIADNE: Heros? Heros atordoado, se assenta. HEROS: O que há, mamã? RAINHA ARIADNE: Vá para o lavabo. HEROS: Qual o motivo? RAINHA ARIADNE: A pederastia. HEROS (Entusiasmado): O Eládio voltou? RAINHA ARIADNE: Não! Morreu, provavelmente. Um enviado fará a pederastia em vós. HEROS: O que? A CAM em Heros, confuso.
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CENA 21. INT. PALÁCIO. SALÃO. MEIO-DIA. Agatha entra, escorada em Apolo. AGATHA: Sou grata pelo teu cuidado nesses dias turbulentos. Não achei que serias capaz! APOLO: Nunca me subestime. Agatha abre um sorriso singelo. AGATHA: Preciso descansar. Com vossa licença. APOLO: Sei que não é o momento adequado mas precisamos falar sobre o enlace matrimonial. Esse governo precisa de um líder, vosso pai contava com isso. AGATHA: Tudo bem! (TEMPO/Ela pensa) Aproveitamos a presença de Procópio e realizamos a cerimônia. Pela manhã, anunciaremos ao povo vosso reinado. APOLO: Incrível! Acho viável! AGATHA: Se veres a vovó peça para que vá à minha alcova. A Mirtes me fará companhia. Agatha sai. Mirtes a acompanha. Os soldados olham desconfiados para Apolo. APOLO: O que querem? Sumam daqui, palhermas! Os soldados saem. Apolo sozinho, gargalha. Urias se aproxima, sorrateiramente. URIAS (Sussurrando): Rei? Apolo assustado se vira, deparando-se com Urias. APOLO (Gaguejando/Abismado): Urias? URIAS: O próprio. CLOSE em Apolo, temeroso. CENA 22. INT. TABERNA. MEIO-DIA. Aristides e Melina degustam. ARISTIDES: Achas mesmo que Apolo o salvará? MELINA: Ele é o meu primo! Jamais quererá o meu mal. Mas qual o motivo de tantas intrigas entre vós e ele? ARISTIDES: Nada demais! Brigas territoriais. MELINA: Eu jamais compreendi essa história. Assumiste as terras de meus tios e pronto. ARISTIDES (Preocupado): Não se envolva nisso, Melina. Já há pessoas demais envolvidas. MELINA: Se abra comigo, Aristides. Somos amigos! ARISTIDES: Olha, Melina, eu te ajudei e tudo, mas não temos vínculo algum, somos apenas conhecidos que o destino uniu. MELINA (Decepcionada): Voltastes à ser o mesmo esnobe de sempre. ARISTIDES: Comas logo que levarei-a ao palácio. E não toquemos mais nesse assunto. Melina degusta, chateada. Aristides a observa, preocupado. CENA 23.INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. MEIO-DIA. A Sra. Martine entra e tranca a porta. Ela caminha rapidamente em direção ao trono. Enquanto vasculha, a CAM vai se afastando e mostra a janela entreaberta. CENA 24. INT. PALÁCIO. SALÃO. MEIO-DIA. Apolo se afasta. Urias o acompanha. URIAS: Não fujas de mim, Apolo. Não o quero mal. APOLO: E o queres comigo? Não estavas preso, homem? URIAS: Pois, fugi. Agora, peço-lhe que dê-me a alforria. Mereço isso após vossa traição. APOLO: Infelizmente, nem como rei poderia fazer tal pergaminho. As leis não me permitiriam. URIAS: Imaginei que vós não me ajudaria sem recompensa mas precisamente a trouxe. APOLO: O que queres dizer com isso? URIAS: A senhora Martine está nesse exato momento procurando provas no tribunal. APOLO: E o que tem? Ela é a conselheira de Atenas, tem acesso livre. URIAS: Pelo que me consta, ela está tentando apagá-las, queimá-las, enfim, há algo de estranho nisso. Por que ela deseja apagar pergaminhos, se não há culpa? APOLO: Vou averiguar! Sei que não mentes mas é minha função. Farei o possível para entregar-lhe a alforria. URIAS: Vá e veja. Estarei pelos arredores, aguardando por si, majestade. Apolo sai, apressado. Urias se afasta, sorrateiramente. CENA 25. EXT. TRIBUNAL. MEIO-DIA. Apolo força a porta, tentando abri-la. Após algumas tentativas, ele caminha pelo beco ao lado e encontra a janela aberta. Apolo pula-a. CENA 26. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. MEIO-DIA. A Sra. Martine ouve o ruído e se espanta. Apolo caminha e se depara com Sra. Martine com a vela acesa ateando fogo nos pergaminhos. APOLO (Confuso): Senhora Martine? Sra. Martine assustada, arregala os olhos.
CONTINUA...