CENA 4. INT. PALÁCIO. ALCOVA DO REI. MANHÃ. Heros entra. A rainha Ariadne sendo penteada pelas serviçais se assusta. HEROS: Posso falar convosco, mamã? A rainha acena, dispensando as serviçais. Heros se assenta ao lado dela. RAINHA ARIADNE: O que lhe trouxe aqui? HEROS (Angustiado): O que há de errado comigo? Heros chorando põe a cabeça no colo de Ariadne. RAINHA ARIADNE (Preocupada): Mas o que fizeram? Foi o seu pai? HEROS (Chorando): O ciro brigou comigo, me acha passivo demais com meu pai. Ele é meu único amigo. Não tenho mais ninguém! Ariadne acaricia seu cabelo. RAINHA ARIADNE: E eu? E vosso pai? Todos lhe amam, Heros. Jamais estarás sozinho, meu filho. HEROS: Pois é como me sinto. Reconheço vosso afeto, mamã mas o afeto dele é diferente, sabe. O rei Hermes entra. Heros se levanta abruptamente. O rei Hermes olha furioso para ambos. REI HERMES: Por que choras, Heros? Entrei e pensei que tinha uma filha frágil e delicada. (TEMPO/Ele encara Ariadne) E vós acobertando isso, Ariadne. A culpa dele ser assim é tua. RAINHA ARIADNE: Ele é meu filho. Estou disposta à auxiliá-lo sempre e inclusive estavamos a falar sobre o casamento deste com Anastácia. REI HERMES: E por que choravas? O enlace matrimonial é tão árduo que esse fracote não tem condição de assumi. Afinal, estou cansado disso! És uma mancha em minha família, Heros. A desonra que destoa dos antecedentes. Heros revoltado se levanta. HEROS (Revoltado): Estou cansado de vossas ofensas, de vossos insultos à todo instante. Cansei-me de vós. Rei Hermes espantado o encara. REI HERMES: Respeite a hierarquia que há entre nós, seu medíocre. HEROS: É por vossa causa que choro, destruíste a única amizade que tenho com vossas imposições ridículas e estou convicto de que não coabitarei com Anastácia jamais, jamais, papá. Rei Hermes desfere uma bofetada em Heros. Ariadne Boquiaberta se impõe entre eles. RAINHA ARIADNE (Preocupada): Não sejas inescrupuloso, esposo. Ele não sabe o que diz. HEROS: Eu sei! Sei e repito, não me submeterei mais às vossas ordens, rei Hermes. O rei Hermes desfere um soco em Heros que cai. Ariadne boquiaberta, chora e se agacha, acariciando Heros. REI HERMES: A culpa desse reino é vossa, Ariadne. Mimaste esse infeliz até torná-lo num líder fraco mas já que ele ousou desafiar-me, eu o desafio também. HEROS: Só acatarei tal desafio se livrar-me de um enlace com Anastácia. REI HERMES: Desafio-o como um valente, vá à arena e mate um leão, livro-o desse matrimônio. RAINHA ARIADNE (Chorando/Desesperada): Não faça isso, esposo! HEROS: Está aceita vossa proposta. O rei abismado, sai. Ariadne desesperada, olha aflita para Heros. Heros confiante encara-a.
ATENAS
CENA 5. EXT. PRAÇA. MEIO-DIA. Minerva despida, chora. A população cospe e zomba dela. O rei furioso olha para os soldados, acenando. Os soldados se aproximam rapidamente. REI PETRUS II (Sussurrando): Chamem Agatha e Martine para verem esse inérgumeno morrer. Os soldados saem. Alguns homens tocam nos seios de Minerva, ela olha aflita para Petrus. RAINHA MINERVA (Chorando/Desesperada): Tenha misericórdia de mim, Majestade. REI PETRUS II: E tiveste de mim? O rei vira às costas. REI PETRUS II (Ríspido): Apedrejam-na. Minerva desesperada, grita. MINERVA (Gritando): Petrus! Não faça isso! Nãããããão! A população se aproxima com pedras nas mãos. Minerva assustada os olha aflita. CENA 6. INT. PALÁCIO. SALÃO. MEIO-DIA. Os soldados entram. Mirtes os olha, revoltada. MIRTES (Furiosa): Eis que consideram-se familiares para adentrarem dessa maneira? Um soldado olha para os lados. SOLDADO: Aonde está a Sra. Martine? O rei enviou-me para noticiar-lhe algo. MIRTES: A Sra. Martine está ocupada. A Sra. Martine e Agatha entram. SRA. MARTINE: Estou bem aqui! O que desejam vós? SOLDADO: O rei deseja que ambas vão à praça. AGATHA(Assustada): O que há? Agatha e Sra. Martine se entreolham, confusas. SOLDADO: Não desejam vós, verem pessoalmente? CORTE DESCONTÍNUO: CENA 7. EXT. PRAÇA. MEIO-DIA. Minerva agoniza. A população desfere pedras. Sra. Martine e Agatha se assustam. O rei se aproxima delas. REI PETRUS II: Essa maldita foi pega num ato de adultério. Agatha desesperada, tenta se aproximar mas é pega pelos soldados. AGATHA (Chorando/Gritando): É minha mamã. Não posso permiti! Não! Sra. Martine ajoelha aos pés de Petrus. SRA. MARTINE (Desesperada): Tenha piedade, Petrus! Haja como vosso pai agiria. Eu suplico! Minerva olha para Agatha, ensaguentada. MINERVA (Agonizando/Sussurrando): Seja feliz! Agatha desolada tenta se soltar. Minerva suspira fundo e desfalece. CLOSE em Sra. Martine desesperada chorando. Corta para: Close em Agatha gritando. A CAM foca em Petrus, contido. CLOSE no olho de Petrus lacrimejando. CENA 8. INT. MASMORRA. CELA. MEIO-DIA. AQUILES: Do que se trata? Eládio tossi e olha aflito para Aquiles. ELÁDIO: Precisarás ser meu sucessor na pederastia do futuro rei de Esparta. AQUILES: Pederastia? Não sei como farei tal se nem idade tenho. Ouve-se passos. A porta é aberta. Urias é jogado ao chão. O carcereiro olha para o local, estranhando. CARCEREIRO: Está mui claro! Há algo estranho aqui. Aquiles apreensivo, olha aflito para Eládio. Um soldado puxa o carcereiro. SOLDADO: Adiante o processo. O rei me aguarda! O carcereiro fecha a porta. Urias resguardado olha para o teto e ver uma fresta enorme. URIAS (Entusiasmado): Como conseguiram? Aquiles, jamais o subestimei. Aquiles o esnoba. URIAS: Hoje sei que o que fizeram convosco foi uma injustiça. AQUILES: E como sabes? O mesmo povo colocaste-o aqui? URIAS: Vosso irmão confessaste com entrelinhas. Aquiles desacreditado, ri. AQUILES: O Apolo jamais faria isso. Foi uma conspiração do governo. URIAS: Será? Nesse exato momento ele deve está no palácio e sequer lembrou de vós. Em nenhum momento, lembrou-se. Inclusive o vi num desses jantares ao lado do rei. Aquiles furioso pressiona Urias no chão. AQUILES (Revoltado): Seu desgraçado! Ages como um hipócrita, sendo que vós mesmo era um dos grandes amigos de Apolo e como estás em minha presença, desmerece-o e enaltece à mim. Eládio os olha, enfurecido. ELÁDIO: Solte-o, Aquiles. Aproveite a oportunidade e use-o para sair daqui. Urias olha para o teto novamente, abismado. URIAS: Mas como conseguiram fazer isso? ELÁDIO: Se sabes da inocência do rapaz, ajude-o à fugir. URIAS: E o que deseja que eu faça? Aquiles revira os olhos. Urias os olha confuso. CENA 9. EXT. PRAÇA. MEIO-DIA. A Sra. Martine agachada, abraça o corpo de Minerva desfigurado. Agatha chorando, angustiada, cobre seu rosto com as mãos. AGATHA: Não consigo vê-la assim. Talvez seja meu erro crucial. SRA. MARTINE: Não faz mal, querida. Ela tinha noção de vosso afeto. (TEMPO/Ela olha para Agatha, resguardada) Deixe-me à sós com ela, preciso dialogar com a morte. AGATHA: Não me prive desse último instante com ela, vó. SRA. MARTINE: Afinal, só lhe fará mal. Vá para o palácio, o corpo dela será embalsamado às tantas e terás acesso à tumba. Agatha escora em Mirtes e se levanta. Sra. Martine acaricia o rosto de Minerva. As duas se afastam. SRA. MARTINE: Tão teimosa. (TEMPO/Ela ri) Lembrei da primeira vez que lhe vi roubando uvas e sempre mentia dizendo ser os serviçais. Que menina esperta dizia vosso pai. Sinto falta dele! É inconsolável a dor da morte, né, filha? Mas apesar de ter te aconselhado, persistisse nesse devaneio, nessa mania de querer e ter. (TEMPO/Ela olha para Minerva morta e grita) Minerva! CAM AÉREA. A imagem se afasta, pegando um plano que mostra Sra. Martine numa possa de sangue com Minerva no colo. CENA 10. INT. TEATRO. ARQUIBANCADA. MEIO-DIA. Aristides ler algo. Melina desanimada, permanece sentada. MELINA: Quando iremos degustar algo, Tide? Aristides olha surpreso para Melina. ARISTIDES: Que audácia! Tide é para os íntimos, menina. Pra vós é Sir Aristides. Sir de senhor, entendeu? MELINA: Pra quem dormiu ao meu lado ontem, jurei que éramos íntimos. ARISTIDES: Falas como se houvesse escolha. Mas sobre a degustação, iremos jejuar. MELINA (Confusa): Jejum? Por que? ARISTIDES: Há um saco de maçãs mas usarei na reinauguração do teatro, portanto, jejuaremos até lá. MELINA: Desejas matar-nos de fome? ARISTIDES: Tudo pela arte. MELINA: Mas isso é injusto! Com fome, não poderei auxiliá-lo. ARISTIDES: Olha! Cale-se! Fizeste uma propaganda enganosa à vosso respeito com direito à insinuar ser humilde e descansar em qualquer lugar. Só não lhe expulso daqui, nem sei o motivo. MELINA (Assustada): Não faça isso! Juro-lhe que não resmungo mais. ARISTIDES: Acho bom! Muito bom. Melina com birra fica afastada. Aristides a olha, esnobe. CENA 11. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. MEIO-DIA. Apolo cochilando em pé. O Rei Petrus entra, triunfante. Apolo se assusta e o olha aflito. Os soldados põe a espada nua no pescoço de Apolo. O rei os olha furioso. REI PETRUS II: Estás absolvido, homem. Apolo respira fundo, aliviado. Os soldados abismados se afastam. REI PETRUS II: Desde quando sabes desse infortúnio? APOLO: Soube hoje pela manhã, majestade. REI PETRUS II: Como posso acreditar se ambos eram amigos? Ele deve ter escapado tal ato, anteriormente. APOLO: Por incrível que pareça, não, majestade. Ele não disse-me nada até a manhã no bosque. REI PETRUS II: Parece que os deuses estão ao vosso favor. Salvaste a vida de Agatha e minha família da desonra, creio que desejas algo de mim, um benefício. Seja sincero e corresponderei ao desejo do teu coração. Apolo ri disfarçadamente. APOLO: Ó rei, o que desejo é grande demais para ser executado. REI PETRUS II: Ainda insistes na retomada das terras de vosso pai? APOLO: Desejo ser o esposo de vossa filha, Agatha. Sim, eu sei que não sou nobre mas posso corresponder aos vossos anseios. FLASHBACK - Rei Petrus lembra da última conversa com Minerva. APOLO: É realmente impossivel? REI PETRUS II: Vá ao meu palácio à noite e oficializarei a vossa união. Apolo surpreso, abre um sorriso.
ESPARTA
CENA 12. INT. VIVENDA DE CIRO. SALA. TARDE. Damásia tece, em silêncio. Ariadne entra. Damásia assustada põe a mão no peito. DAMÁSIA: Rainha? Nossa! Puseste meu coração na mão. RAINHA ARIADNE: Perdoe-me! Sabes que detesto às ruas, sinto um furor enorme. DAMÁSIA: O que a trouxe aqui, majestade? RAINHA ARIADNE: Desejo falar com o Ciro. Donde está? DAMÁSIA: Na alcova. (TEMPO/Ela grita) Ciro? Ciro, meu filho, vem ter comigo. Ariadne abismada, arregala os olhos. Ciro se aproxima e ao se deparar com a rainha, se recompõe. DAMÁSIA: Vou deixá-los à sós. Damásia sai. CIRO (Constrangido): Perdoe o meu estado, majestade. Não sabia que vós estavas aqui. RAINHA ARIADNE: Não se preocupe, querido. Preciso de vós para evitar uma tragédia. CIRO (Preocupado): Houve alguma coisa com o Heros? RAINHA ARIADNE: Ainda não. Mas preciso que vós convença Heros à se casar com Anastácia. CIRO: Não acho viável me envolver com as decisões alheias. Se ele não quer, não posso obrigá-lo. RAINHA ARIADNE: Eu concordo consigo mas meu esposo desafiou-o à ir à arena lutar com um leão. Achas que ele consegue vencer um leão? CIRO: Perdoe a franqueza mas a culpa disso tudo é de vosso esposo. Ele é extremamente prepotente. RAINHA ARIADNE: Me ajude nessa empreitada, Ciro. Serei grata eternamente. CIRO: Eu vou, majestade. Vou por Heros, apenas. Ciro olha friamente para Ariadne e sai. CENA 13. INT. PALÁCIO. JARDIM. TARDE. Heros observava as flores. Anastácia o vê e se aproxima. ANASTÁCIA: Posso falar consigo, Heros? Heros a esnoba e permanece estagnado. ANASTÁCIA: Soube dos rumores de que duelará com um leão por minha causa. É válida a informação? HEROS (Surpreso): Nas alcovas há escutas? Me abismaste! Sim, vou à arena. ANASTÁCIA (Entusiasmado): Bravo! Estarei na primeira fileira para aplaudi-lo. HEROS: Se vós soubesse o verdadeiro motivo que me levara à tal decisão. ANASTÁCIA: Não sejas falastrão! Deixe-me com minhas suposições. HEROS: Se preferi assim. ANASTÁCIA: E não darás nenhuma flor desse jardim à vossa futura esposa? HEROS (Sarcástico): Uma flor de cada vez, querida. Uma flor de cada vez! ANASTÁCIA: Tudo bem! Até mais tarde, querido. Anastácia sai. Heros a observa, sorrindo. HEROS: Você não perde por esperar, querida. CENA 14. INT. MASMORRA. CELA. TARDE. Aquiles se aproxima de Eládio, emocionado. AQUILES (Preocupado): Achas que fica bem, meu amigo? ELÁDIO: Se a morte não aparecer. (TEMPO/Ele respira fundo) Não garanto, meu filho. Me sinto mal. Na verdade, me sinto péssimo. Eládio tossi e escorre sangue pelos cantos da boca. Aquiles o sacode, chorando. Eládio respira fundo. ELÁDIO (Ofegante): Vá, Aquiles. Não há mais tempo à perder, o carcereiro pode regressar à qualquer momento. AQUILES: Como desejas que eu vá sendo que estás em assolação? ELÁDIO: A morte é uma surpresa, ela pode aparecer à qualquer momento, a vida não, temos poucas oportunidades e se perdemos, talvez, nunca mais consigamos tê-las novamente, portanto, vá em paz, filho e sejas feliz. Urias escorado na parede olha para Aquiles. URIAS: Venha, Aquiles. Os carcereiros voltarão em breve para buscar-me, temos que sair imediatamente daqui. Aquiles abraça Eládio. Ambos choram. ELÁDIO (Chorando): Sei que vosso futuro será próspero, meu jovem. Mereces isso! Torcerei por ti, donde quer que eu esteja. Ouve-se passos. Urias se desespera. Aquiles sobe no ombro de Urias e se esforça para subi. CLOSE na porta, balançando. Corta para: Aquiles soado, subindo. Close em Urias desesperado. CARCEREIRO (Gritando): Comida! A fresta na porta é aberta. Aquiles ao consegui subi, acena para Urias. URIAS (Sussurrando): Me ajude à subi. CARCEREIRO (Gritando): Pelo jeito, não estão com fome. O carcereiro estranha e força a porta, fazendo um barulho. Aquiles se afasta. Urias revoltado, bate o pé na parede. URIAS (Gritando/Revoltado): Aquiles? O carcereiro abre a porta e se espanta ao ver a brecha no teto. Eládio dá o último suspiro e desfalece. O carcereiro ao vê-lo caído, corre e deixa a porta entreaberta. URIAS: Essa é a minha chance! CENA 15. EXT. MASMORRA. SUPERFÍCIE. TARDE. Aquiles olha para o Mar e teme. (V.O de Eládio): Sei que vosso futuro será próspero, meu jovem. Mereces isso! Torcerei por ti, onde quer que eu esteja. Aquiles chora. (V.O de Eládio): A liberdade vai cantar. Aquiles se joga. CAM AÉREA mostra Aquiles caindo no mar. CONTINUA.... PARTE II