~= RESENHA =~
“Um, dois... Não olhe pra trás. Três, quatro... Correr não adianta mais…”
Aí me lembro daquele outro “chiclete”, do conto Os Estranhos Sussurros do Internato Santa Helena:“Um, dois, três… Bate na parede!”
Voltando à Fazenda, os seres do mal começam a assustar as crianças em plena noite. Luís e Sandra tentam afastá-los, sem sucesso. Sabe ela que precisa da ajuda do pastor Alfredo, da igreja que eles frequentam — são mais religiosos que Bianca e Jeferson e, portanto, mais resistentes que estes. Após mais um episódio em que Gustavo tem uma convulsão na escola durante uma aula de números — a professora ensina de um jeito que o faz lembrar a maldita canção —, a família tem mais uma visita dos fantasmas. Desta vez, eles mantém Luís afastado da casa, trabalhando até bem depois do expediente. Com isso, ameaçam matar Júlia com pedaço de garrafa quebrada e estuprar Sandra. Alex e Gustavo fogem, mas acabam se perdendo um do outro. É quando o mais velho fica possuído pelo mal. Ao voltar para casa, praticamente ao mesmo tempo que Luís, jura destruir os familiares e o pastor, levado até lá por Gustavo. Como Luís está blindado espiritualmente, o maldito não pôde usá-lo contra Sandra como fez com Jeferson e Bianca, então se apropriou do filho revoltado. O confronto entre Alex, Luís e Alfredo leva a uma nova tragédia, que só é resolvida, já muitos anos depois, por Júlia. E a fazenda é demolida. A Fazenda está escrita em formato narrativo, dividido em três atos. O primeiro tem Bianca como protagonista; a família de Luís se destaca nos outros dois. A descrição dos personagens é feita de forma mais direta nos dois personagens centrais do início e no pastor da fase de 2001; outros são mostrados de forma mais diluída, portanto mais fluida e interessante do ponto de vista literário, pelo menos a meu ver. Destaco as construções de Bianca e Sandra, além de Júlia, a quem considero a grande heroína do conto, o que é sinalizado mais ao final. As descrições vêm numa linguagem simples e direta, sem “enrolações”, e o autor também prefere, neste conto, não mastigar muito os estados de alma e os pensamentos dos personagens. É o estilo do Melqui, e funciona na maior parte da obra. Porém, houve trechos em que ele acelerou tanto a narração que me deixou um tanto confuso, como em passagens de tempo. Nada que um novo parágrafo ou uma ou duas frases a mais não resolvam. Inadequações gramaticais também estão presentes, como na grafia do nome da boneca com inicial minúscula (“sofia”) e na falta ou excesso de algumas vírgulas em meio aos diálogos, por exemplo. No mais, um texto bem escrito e formulado. As ideias se encaixam do início ao fim. Se há pontas soltas, elas são poucas e não comprometem no enredo nem no suspense. As sequências em que as personagens encontram cuias com velas ou bichos mortos arrepiam até os leitores mais frios. Isso sem falar nos banhos de sangue e nas partes em que Sandra e Bianca tentam lavar o sangue do banheiro. De dar calafrios. A cereja do bolo? As musiquinhas que Melqui põe pra tocar complementam a obra que se propôs a contar. Sem elas, torna-se apenas Um Pouco da Fazenda. Gostou de A Fazenda? Para ler ou reler, clique aqui e se divirta.próxima resenha
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