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Observatório da escrita
Capítulo 28 de 96
Edição 28
✍️ Marcelo Delpkin ·📅 07 Jul. 2019 ·👁 0 leituras

Olá, leitor(a). O Observatório da Escrita está no ar com uma nova resenha. Mais uma vez, a série de autoria coletiva é a homenageada do programa. Vamos em frente:

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Na terça-feira passada (02 de julho), foi exibido o penúltimo conto de Saber Amar: Vou Balançar ao Ritmo do Lustre, de Margareth Brusarosco. Narra-se a história de suas jovens do início do século XX: Isabel e Joana. Enquanto a primeira está prestes a se casar e cumprir o papel então destinado às mulheres, a outra é uma mulher com pensamentos mais atuais sobre o amor e a vida. Vamos aos trechos de destaque:

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Como de costume, o conto é introduzido por um dos lindos poemas de Ellen dos Santos feitos especialmente para Saber Amar.

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Tudo começa com uma simples troca de olhares entre os noivos, o que era proibido pela cultura “da moral e dos bons costumes” vigentes na década de 1920. Uma mulher poderia ser considerada sem honra caso fosse flagrada em tal ato. Isso porque é a cena mais “inocente” da história apresentada.

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A mocinha, Isabel, tinha que aproveitar toda e qualquer chance de ter uns minutos escondida com o pretendente. Para tanto, tinha uma cúmplice e tanto: Joana, sua futura cunhada (e algo mais).

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O pai flagrou Isabel em situação constrangedora, mas não a tempo de vê-la com o amado. Com isto, ela conseguiu a desculpa perfeita para enganá-lo, novamente ajudada por Joana.

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A partir desta cena, Joana começa a dar mostras de que não é apenas a cunhada cuja amizade com Isabel é estreita. Ela passa a manter comportamento masculino e moderno demais para a época, além de dar a entender que sente algo mais forte pela outra.

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Durante uma visita à velha e adoentada mãe do noivo, Isabel se surpreende com o fato de que Joana se pendura e balança no lustre da casa, usando roupas masculinas. O título da obra faz menção não só a este comportamento em si, como também ao espírito livre da moça.

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Nas entrelinhas, Joana coloca em prática seu plano de seduzir a amiga, ao oferecer-lhe suas calças. Após isto, preocupada com o estado de Joana, sua mãe a envia para o convento para lhe “dar um jeito”.

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Isabel foi levada ao altar, mas se deu conta de que seu coração não queria estar ali, mas balançando em algum lustre. Fugiu da igreja para encontrar-se com aquela que descobrira ser o amor da sua vida. E assim começava mais um romance que enfrentaria todos os preconceitos da época.

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A autora ambientou a história das duas jovens na requintada década de 1920. Só isto dá muito o que imaginar sobre a cenografia, o corte de cabelo e o figurino de cada personagem. Que tal Isabel num vestido elegante combinando com seu cabelo chanel, e Joana com os seus curtinhos como os de um homem? Soma-se o clima de filmes de época feitos nos anos 1990 e dos enlatados do cinema mudo, além da maneira singela e admiravelmente bela com que a autora descreve as situações e os personagens. A beleza é a palavra-chave de Vou Balançar ao Ritmo do Lustre. Tudo é bonito, charmoso, sofisticado na ambientação do conto na qual a simplicidade transborda. Não é preciso ostentação literária para mostrar elementos tão ricos. Se você ainda não leu, vale a pena conhecer este conto, clicando aqui. Meus parabéns, Margareth! Espero ver mais textos seus aqui na Cyber TV.

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Por hoje é só, mas na próxima semana tem mais. A minissérie A Descoberta ganhará a resenha da vez. Não perca!

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O Cyber Backstage de hoje também está no ar. Para ler, clique aqui.

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